I.2. Lutte contre la corrosion métallique
I.2.2. Protection par traitements de surface par conversion
Como vimos no relato anterior por meio de uma experiência em que as crianças não conseguiram criarem juntas, elas refletiram e chegaram à conclusão de que precisavam conversar. Perceberam que o diálogo faz-se necessário quando precisam fazer e refazer junto com o outro.
Muitas vezes, em um ambiente que não favorece a interação, em que cada educando pode desenvolver suas atividades individualmente, a falta do diálogo respeitoso não é sentida. No entanto, ao serem envolvidos em uma atividade em que cada integrante do grupo é peça fundamental, puderam perceber que atitudes individuais não bastaram para resolver os problemas que surgiram. A criação musical coletiva exigiu das crianças uma abertura para que ouvissem o outro, reconhecessem esse outro como legítimo e dialogassem com ele.
104 Uma educação que pretende ser humanizadora fomenta o diálogo respeitoso e amoroso, além da partilha da cooperação e do aprendizado na convivência.
Freire (2011) define que o diálogo “como encontro dos homens para a pronúncia do mundo, é uma condição fundamental para a sua real humanização” (FREIRE, 2011, p.156). O diálogo “é o encontro em que se solidarizam o refletir e o agir de seus sujeitos” (FREIRE, 2005, p.91). Portanto, no diálogo um e outro se constroem mutuamente, tornando possível, assim, a constituição de ideias em comum.
Percebemos essa consciência de que o diálogo é uma via de mão dupla em algumas falas das crianças.
Atividade 137. Roda de conversa:
Anitta: a gente não se entendeu muito não, mas conseguimos fazer.
Profª: Como fizeram para entrar em um acordo?
Davi: Conversamos e quando ninguém concordou com nada tiramos
“dois ou um”.
Kokimoto: A gente conversou também e ninguém mandou sozinho
dessa vez. DC2
Atividade 238:
Rachel: Vou bater a cadeira para fazer o trovão, o que vocês acham? Anitta: Bate com força pra ficar legal. (Todos riram)
Rachel: Todo mundo concorda?
Valéria: Será que pode? E se a professora ficar brava?
Rachel: Vamos lá perguntar para ela. DC3
Atividade 2. Roda de conversa:
Rachel: No começo parecia difícil porque ninguém falava nada. Aí o
Goku fez um som de vento e eu tive a ideia de fazer o trovão, ai foi indo. DC 3
Atividade 539. Roda de conversa:
37 O relato completo da atividade encontra-se em “Criando ritmos e convivendo com as diferenças” na página 71
deste trabalho.
38 O relato completo da atividade encontra-se em “Está vindo um trem ou uma tempestade?” na página 75 deste
trabalho.
39 O relato completo da atividade encontra-se em “Finalizando o ciclo de criações musicais coletivas” na página
105 Valéria: A gente foi conversando e fazendo junto. DC 9
Kokioto: Não deu briga não... a gente trocou ideia. Profª: Como assim trocou ideia?
Kokimoto: Ah professora... Quando só eu queria uma coisa, a gente
trocava a minha ideia pelas ideias deles...aí se todo mundo gostava a gente fazia desse jeito de todo mundo. DC 9
A consciência da necessidade do diálogo levou a busca por ele, busca que não foi tarefa fácil, pois como Freire (2011) esclarece, para que o diálogo aconteça há a necessidade de uma postura humilde, respeitosa e amorosa por parte de quem está nele envolvido. Pois “se não amo o mundo, se não amo a vida, se não amo os homens não me é possível o diálogo” (FREIRE, 2011, p 111).
Em algumas falas das crianças fica clara essa dificuldade de mudança de atitude, de parar de impor as ideias como sempre fizerem, passando a ouvirem todos como iguais.
Atividade 140:
Davi: Gente, estamos brigando de novo e mais uma vez não vamos
conseguir fazer a atividade. DC 2
Atividade 241:
Davi: A música “tá” pronta vai mudar de novo... Spider: é só um pedaço, dá pra mudar.
Davi: tá bom, mas vai fazer o que nessa parte então?
Brandão (2005) esclarece que a tarefa do diálogo respeitoso nem sempre é fácil, mas é fundamental para criarmos juntos. Por isso, por mais difícil que seja o diálogo, sempre deve ser apresentado. Desse modo, a decisão tomada em conjunto,
40 O relato completo da atividade encontra-se em “Criando ritmos e convivendo com as diferenças” na página 71
deste trabalho.
41 O relato completo da atividade encontra-se em “Está vindo um trem ou uma tempestade?” na página 75 deste
106 [...] deve ter sido fruto de longas horas, nem sempre fáceis de troca de sentidos e de enfrentamentos entre valores. Deve ter chegado a final à sua unidade, como uma palavra, um saber entre outros, uma ideia entre muitas, um preceito de vida, na trilha das diferenças, das divergências, algumas vezes. Mas sempre pela possibilidade de troca e do confronto livre de sentidos, de saberes de sensibilidades e significado que tornem possível a criação solidária de algum consenso, mesmo quando pequeno e provisório (BRANDÃO, 2005, p. 18). Com essa busca pelo diálogo as crianças passaram a conseguir criar juntas e, mais do que isso, passaram a se educarem juntas. Como aponta Freire, nessa relação dialógica que foi estabelecida, “já agora ninguém educa ninguém, como tão pouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 2011, p.79).
O diálogo nas atividades em sala de aula não aconteceu somente entre as crianças, mas também na relação dessas crianças comigo, a educadora. Tanto nas rodas de conversas, ou nos diversos pedidos de mais tempo para realizar a atividade, o diálogo respeitoso se fez presente.
Buscando uma atitude progressista e humanizadora, também me abri ao diálogo com as crianças, ouvindo o que elas tinham a dizer, aceitando-as como legítimas naquele espaço de convivência. Junto a elas pude pensar e repensar a minha prática educativa, pude mudar o direcionamento dessa prática junto com elas, forjar essa prática em conjunto. Nessa relação dialógica entre educadora e educando “não há ignorantes absolutos, nem sábios absolutos: há homens que, em comunhão, buscam saber mais” (FREIRE, 2011, p.93).
Em uma educação bancária esse espaço de convivência dialógica não seria possível e talvez nem as atividades de criação musical coletiva tivessem lugar. Na visão “bancária” da educação, o “saber” é uma doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada saber. O educador dentro dessa concepção será sempre o que tem o conhecimento, enquanto os educandos serão sempre os recipientes vazios onde esse saber será depositado. A educação bancária nega a educação e o conhecimento como processos de busca. Busca realizada em comunhão por educandos e educadores (FREIRE, 2011).
Por meio do diálogo, homens e mulheres se conscientizam, fazendo-se e refazendo-se no mundo através de sua essência criadora e reconhecendo o outro, completando, assim, o próprio eu (FIORI apud FREIRE, 2011). Desse modo, recriar-se no mundo só é possível perante a tomada de consciência autônoma.
Quando as crianças se comunicaram por meio do diálogo a criação musical coletiva tornou-se algo possível. Mais do que isso, o encontro e a necessidade de ouvir o outro ganhou sentido. O diálogo possibilitou pensarmos juntos, criarmos juntos, na busca de uma relação sem
107 superposição de uns sobre os outros, nem dominação, somente a fecundidade das relações fundamentadas no diálogo.