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Simulation results for controlled flooding schemes

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 82-0)

B.5 Nombre contacts avec des iMotes mobiles pour les iMotes fixes

4.4 Simulation results for controlled flooding schemes

Faz parte da alma da ficção científica a exploração de infinitas possibilidades, perguntando “e se?” (FURTADO, 2011, p. 26). Segundo Carolina Figueiredo (2001), uma das perguntas que Tron faz é “e se os homens pudessem entrar nos computadores e interagir com os programas?”, outra pergunta fundamental é “e se os programas criados se rebelassem?”.

Tron conta a história de Kevin Flynn, um programador que trabalhava na empresa ENCON e tem seus programas de jogos roubados. Flynn descobre que seu colega de trabalho, Ed Dillinger, roubou os jogos com a ajuda de um novo programa de segurança, o Master Control Program (MCP). Na tentativa de encontrar os registros que provam o crime cometido

por Dillinger, Kevin convence os amigos Alan e Lora e ajuda-lo a invadir a sede da ENCON para que possa acessar diretamente o MCP.

Flynn não contava que a empresa estivesse desenvolvendo um aparelho equipado com raio laser capaz de transportar objetos e pessoas para dentro do computador. Assim, ao acessar o terminal que fica de frete para o laser, Kevin é literalmente digitalizado e enviado para um mundo digital paralelo. Uma vez lá dentro, Flynn parece ter poderes de um Deus pois é isso que ele, um usuário, representa para os programas que habitam o mundo eletrônico. Flyn também encontra versões virtuais de seus amigos, Lora é Lori e Alan é Tron, um programa especializado em invadir sistemas de segurança.

Com a ajuda dos amigos, Flynn consegue vencer o MCP e voltar para o mundo real, além disso, ele coloca Tron no controle do MCP.

Embora nunca seja devidamente explicada a função do poderoso laser, trata-se de uma espécie de scanner evoluído ou mesmo um aparelho de teletransporte.

A maior parte da narrativa acontece no mundo eletrônico, em que habitam os programas e para onde Flynn é transportado pelo MCP através de um laser (também desenvolvido pela ENCOM) capaz de transformar Flynn em linguagem matemática, isto é, em um programa, podendo assim viver e atuar dentro do computador. Este laser funciona como um scanner que digitaliza a matéria. Para isso, o laser desmonta a estrutura molecular dos objetos e os corpos físicos são transformados nos seus equivalentes matemáticos, como explica o cientista Gibbs a Bailey, amigo de Flynn. Esta seria a principal diferença deste scanner para os que conhecemos, que apenas digitalizam os objetos mantendo intacta sua estrutura (FIGUEIREDO, 2011). Embora o conceito de teletransporte na ficção científica já fosse popularizado pela série Star Trek (Jornada nas Estrelas) desde 1966, vale destacar que, esse laser/escâner guarda muitas semelhanças com a teoria conceitual do Holodeck que viria a ser utilizado na nova versão da série, Jornada nas Estrelas – A Nova Geração, que foi ao ar em 1987, ou seja, cinco anos depois de Tron. Se no primeiro conceito da série clássica as pessoas podiam ser desmaterializadas e depois materializadas em outros locais, no holodeck era possível se criar um ambiente totalmente virtual, porém real, materializando objetos dentro de um recinto objetos, pessoas e ambientes com a ajuda do laser.

Figura 10– O mundo dentro do computador no filme Tron

Fonte: Walt Disney Productions

Em 1997, Janet H. Murray lançava Hamlet no Holodeck que vai esmiuçar esse elemento tecnológico e suas múltiplas utilizações nas narrativas da série. Publicado no momento em que se iniciava o vigoroso processo de disseminação da Internet pelo planeta, o livro é uma tentativa de refletir sobre as novas formas de narrativa que estão surgindo graças à revolução tecnológica trazida pelo computador e pela web. Confrontando visões catastróficas e idílicas sobre o futuro da humanidade frente à “descoberta” do ciberespaço, a autora busca apontar alguns caminhos pelos quais ele pode se tornar uma grande ferramenta que revolucione nossa maneira de contar histórias. Não podemos afirmar, porém, que o laser de Tron foi influência direta para o Holodeck, mas é uma especulação que merece atenções futuras.

A premissa do filme segue à risca jornada do herói consagrada por Joseph Campbell e bem poderia se passar em um contexto histórico medieval, num velho oeste ou no espaço sideral. Kevin Flynn é o herói em uma cruzada para limpar seu nome e recuperar seus tesouros (programas que ele criou roubados por Dellinger), para isso, contará com seus aliados para embarcar para um mundo da aventura (dentro do computador), onde enfrentará as forças do mal. Lá ele é um escolhido, um usuário, o que faz dele divino aos olhos do povo que mora dentro do computador no mundo virtual. Ele tem poderes especiais e antes do confronto final com o vilão Master Computer, ele prova seu valor várias vezes em provas físicas e mentais. Não falta um triângulo amoroso que se faz presente tanto no mundo real, pois Kevin foi namorado de Lori que agora namora Alan, quanto no mundo virtual, já que os três possuem suas respectivas versões virtuais Clue, Yori e Tron. No final, Clue/Kevin faz um sacrifício se jogando no núcleo do Master Computer para distraí-lo e assim fazer com que

Tron consiga derrotar o vilão. O final é segue o padrão de happy ending hollywoodiano com Kevin retornando ao mundo real e conseguindo as provas dos crimes de Dillinger, podendo assim tomar seu lugar, como um desafiante poderia se tornar rei caso vencesse o mesmo em combate.

Figura 11– Kevin Flynn é sugado para dentro do computador em Tron

Fonte: Walt Disney Productions

Entretanto, é interessante observar que um filme embrionário que tanto influenciou as obras posteriores também foi influenciado por todo um contexto histórico e tecnológico de sua própria época. O sufixo “punk” passou a ser livremente usado após a consagração do cyberpunk e, se o steampunk foi uma forma de extrapolar a tecnologia a vapor, criou-se o dieselpunk para mostrar realidades alternativas em que as máquinas da Segunda Guerra Mundial foram mais desenvolvidas do que realmente foram. Nessa fonte beberam o solarpunk, o medievalpunk e até o davincipunk visto recentemente nas séries de jogos e livros Assassin's Creed. Podemos dizer, então, que se Tron não é reconhecidamente um dos legítimos pais do cyberpunk, poderá um dia ocupar uma categoria própria de uma extrapolação da tecnologia dos anos de 1980 que talvez venha a ser chamada de eightiespunk.

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