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Propositions du PSNLCMIM

4. Les différentes perspectives d’amélioration

4.1. Propositions du PSNLCMIM

Em sua dissertação de Mestrado, Marques (2006, p. 99) propõe uma divisão do processo de industrialização de Jundiaí, a saber:

O primeiro período iniciou-se na década de 80 do séc. XIX, tendo como marco a instalação da primeira fábrica de Jundiaí em 1886, a Tecelagem Jundiahiana. Como o início de uma atividade industrial era um evento extraordinário e revestido da sensação de progresso e valor, é sabido que o próprio Imperador Dom Pedro II se fez presente na

cidade para a inauguração da fábrica. O setor têxtil foi, portanto, o primeiro a se desenvolver na cidade. A tecelagem Jundiahiana, de propriedade do Barão de Jundiaí, a princípio foi criada para a fabricação de sacaria para o café passando posteriormente à produção têxtil em geral. Depois de alguns anos já com o nome de Companhia São Bento, a indústria contava com cerca de 150 operários. O setor têxtil foi atraído para Jundiaí devido a alguns fatores, quais sejam: 1) fertilidade das terras baixas próprias para o plantio do algodão, 2) proximidade à ferrovia (SCHNEIDER, 2008, p. 107).

Outra empresa pioneira no ramo da tecelagem foi a Indústria de Tecido Argos Industrial, fundada em 1913, fundada por dois imigrantes italianos com o emprego de capital fornecido por Diederichsen, ligado à alemã Companhia Wille. A instalação da Argos é um dos marcos iniciais do surgimento do bairro da Vila Arens.

A cidade de Jundiaí, que já era bastante dinâmica com a presença dos trabalhadores ferroviários e dos imigrantes, tornou-se ainda mais merecedora do adjetivo depois da instalação das primeiras indústrias. Além do aumento da oferta de emprego, a implantação das indústrias concorreu para a renovação dos serviços urbanos: no início das atividades da Tecelegem Jundiahiana, grande avanço urbano ocorreu por intermédio da instalação de um sistema de canalização de água captada no bairro da Vila Rami. Em 1909, diante do crescimento da indústria têxtil, surgiu a demanda por mais energia e foi inaugurado nesse ano a Companhia de Força e Luz. Dessa forma, fatores como: 1) a oferta abundante de meios para o transporte da produção (ferrovia e águas pluviais), 2) as relações funcionais (indústria atraiu indústria), 3) o equipamento energético, 4) reserva de mão de obra87 imigrante, somaram-se e transformaram-se em

87 No segundo capítulo da obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber desenvolveu

seu conceito acerca do "espírito" do capitalismo. Weber afirma que o espírito do capitalismo, composto do lucro, da economia e, sobretudo, do negócio em detrimento do ócio, esteve presente antes do surgimento do capitalismo: "[...] em todos os períodos históricos, sempre que possível, houve a aquisição cruel, desligada de qualquer norma ética" (WEBER, 2001, p. 54). Para Weber, a ética protestante a respeito do trabalho foi o principal fator de contribuição do protestantismo para o desenvolvimento do "espírito" do capitalismo. O trabalho passou a ser tratado "como um fim em absoluto em si mesmo [Em outras palavras, o trabalho passou a ser entendido] como uma vocação" (WEBER, 2001, p. 57). Todavia, Weber entende que essa atitude não é natural ao homem, dessa forma, ela precisou ser estimulada e produzida mediante um "longo e árduo processo educativo" (WEBER, 2001, p. 57). Essa educação para o trabalho ocorreu por meio dos catecismos e práxis protestantes que ensinavam que o homem glorifica a Deus por meio do seu trabalho honesto e árduo. O protestantismo, dessa forma, é tratado por Weber como sendo o principal responsável pela mudança de paradigma quanto ao trabalho: tranquilo no período medieval e demasiadamente rígido a partir do protestantismo. A respeito desse ponto, o próprio Weber afirma: "A antiga atitude prazerosa e confortável para com a vida cedeu lugar a uma rígida frugalidade, da qual alguns participaram e chegaram ao topo, pois que eles não queriam consumir, mas ganhar, enquanto outros, que quiseram conservar o modo de vida antigo, foram forçados a cortar seu consumo" (WEBER, 2001, p. 61). Todavia, o capitalismo não é autônomo. Ele carece de alguns fatores para sua sobrevivência. Weber afirma que o capitalismo depende do que ele chama de "exército de reserva": uma mão de obra que possa ser empregada a baixo custo e que possa ser manipulada ou na pior das hipóteses, rapidamente

grandes atrativos para o estabelecimento de mais indústrias. E foi justamente isso o que ocorreu.

Em 1920, a indústria da cerâmica iniciou suas atividades na cidade com a fundação da Cerâmica Jundiaiense. Esse setor contou com a participação expressiva de famílias italianas de ceramistas desde os seus primórdios. Tal participação traduz-se na história da Cerâmica Colônia, fundada em 1948, por Egídio e Berto Spiandorin, a primeira indústria a produzir cerâmica sanitária no Brasil. A Cerâmica Colônia foi comprada pela multinacional Ideal Standard em 1958 e na segunda metade do séc. XX as antigas cerâmicas jundiaienses foram incorporadas em grandes empresas do ramo: Roca, Incepa, Duratex e etc.

Outro setor que contribuiu na industrialização plural de Jundiaí foi a indústria de bebidas e de alimentos. Desde o advento da cultura da uva, a produção do vinho caseiro era comum em Jundiaí.88 Mas, foi a partir da década de 20 do séc. XX que pequenas

fábricas de vinho foram instaladas em bairros da cidade e algumas famílias tornaram-se em grandes produtores de vinho: Passarin, Cereser, Borin, Caldas, De Vecchi, Ferráspari. Sobretudo, a indústria dos Cereser e dos Ferráspari ganharam projeção nacional e internacional.

Nesse primeiro período da industrialização de Jundiaí, as indústrias instalaram- se majoritariamente nas proximidades das ferrovias e dos rios Jundiaí e Guapeva.

De acordo com a divisão de Marques (2006, p. 99) acerca do processo de industrialização de Jundiaí, enquanto que no primeiro período de industrialização a principal marca era a instalação das indústrias nas proximidades das ferrovias e dos rios, por conta do transporte ferroviário e pluvial, já no segundo período do processo de industrialização da cidade de Jundiaí, que teve como marco inicial a construção da Rodovia Anhanguera (1940), as indústrias instalaram-se nas proximidades da Rodovia. Com isso, o eixo de industrialização foi alterado passando das proximidades da ferrovia para as proximidades da rodovia, ocasionando significativa mudança geográfica e territorial no processo de industrialização.

substituída (WEBER, 2004, p. 54). A menção no trabalho da expressão “reserva de mão de obra” reporta- se ao conceito de “exército de reserva” elaborado por Weber.

88 Ressalta-se que o vinho não foi a primeira bebida a ser produzida em Jundiaí. Existe o registro da

produção de excelente aguardente desde o tempo colonial da cidade: “A fase da cana foi naturalmente

acompanhada pela fabricação de destilados que animavam as caminhadas e as conversas na pequena vila e no consumo pela população, afirma os cronistas jundiaienses” (SCHNEIDER, 2008, p. 123).

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