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Proposition d’une méthode de qualification de l’information géographique volontaire

Chapitre 3. Qualification de l’information géographique volontaire

3.2 Proposition d’une méthode de qualification de l’information géographique volontaire

Esta classe, com palavras como lembrança, história, lugar, faz referência à aproximação das práticas de saúde/equipe/ambiência da unidade, da história e do cotidiano dos usuários, do território e da cultura. Foram apresentdas 68 palavras analisáveis, 39 UCE entre as selecionadas (10% do total). Em cinco posts, questões referentes à ambiência aparecem como estratégias de inovação na produção do cuidado.

Entre os problemas existentes ainda hoje na atenção básica à saúde, a infraestrutura é sem dúvida um dos principais e mais presentes em todo o território nacional. Casas que são adaptadas para acolher UBS, com dimensões aquém do necessário, são apenas um dos desafios a serem enfrentados, como podemos ler nos fragmentos dos posts a seguir.

É uma unidade de pequeno porte estrutural com estrutura física inadequada por ser uma casa de conjunto habitacional adaptada para uma unidade de saúde (FREITAS, 2009).

O que não dizer da infraestrutura física das nossas unidades de saúde, muitas delas verdadeiras casas de pombo, inadequadas em suas recepções e em suas salas de espera (HOULY, 2009).

Coloca-se, então, como desafio à prática diária dos profissionais de saúde da AB, pensar estratégias que tornem os espaços das UBS mais agradáveis e acolhedores. O compromisso com a ambiência é uma das características do processo de trabalho das equipes de atenção básica, destacadas na Portaria Nº 2.488, de 21 de outubro de 2011, que aprova a Política Nacional de Atenção Básica (BRASIL, 2011). Esse compromisso aparece na Rede HumanizaSUS como uma das preocupações e inovações no fazer das equipes de saúde.

Uma das estratégias apresentadas é a composição de cenários que trazem elementos e objetos da cultura da comunidade presentes no cotidiano das pessoas.

A toalha rendada é aberta sobre a mesa e os objetos vão aos poucos se pondo a várias mãos uma velha lamparina a querosene, um ferro de passar a carvão, uma chaleira, um rádio, um portaretratos. Na parede, um estandarte de retalhos coloridos exibe versos, mensagens, fragmentos afixados de antigas conversas. Completando a cena, uma cadeira de

Histórias de Inovação na Atenção Básica à Saúde presentes na Rede HumanizaSUS

balanço coberta por uma manta de algodão espera pelo próximo que irá sentar e contar sua história. Pode parecer estranho à primeira vista, mas o panorama descrito não faz parte da encenação de uma peça de teatro ou de alguma exposição de antiguidades os artefatos mencionados e a composição do cenário estão ali para produzir saúde (ARAGÃO, 2010).

Muitas vezes, objetos trazidos pelos próprios usuários produzem a sensação de pertencimento à unidade. É um pouco de cada um e da história de todos na composição de serviços de saúde mais próximos da comunidade e mais agradáveis para usuários e trabalhadores. Atua-se no campo simbólico, dos saberes, cultura, valores, história, artes, linguagem, que acessados pelos sujeitos tornam-se um “primeiro vetor de organização da ação do mesmo para a produção do cuidado” (FRANCO, 2006, p. 8).

Assim também são os objetos sobre a mesa. A caneca florida tem, para Rosa, o sabor do leite de vaca ordenhado e consumido na hora no sítio do avô. Para Margarida, outra lembrança, usava a caneca para comprar manteiga a granel na mercearia perto de casa. Fascinada por aviões, quando os avistava, acenava com a caneca esquecendo que, com o movimento, a manteiga derretia derramando-se pela areia da praia. O velho rádio toca Luiz Gonzaga, conta Seu Geraldo; mas para Dona Severina ele toca uma valsa. O lampião guiava os caminhos de Adélia, mas também iluminava Seu Olívio ao escrever seus versos. Lampiões, lamparinas, velas. Chamas acesas. Sopros de vida (GADELHA, 2012).

Entende-se que os usuários, ao “sentirem-se em casa”, serão mais capazes de expor suas necessidades, dúvidas, dificuldades e anseios.

O bom dia caloroso das muitas vozes e os objetos dispostos na mesa, inspirados no cenário vivo encontrado nos domicílios de tantos outros moradores da vizinhança, ajudam a se sentir em casa. Dona Cleide respira fundo e começa a compartilhar sua história (ARAGÃO, 2010).

Os equipamentos de saúde, por vezes, são associados pelos usuários a espaços onde prevalecem a doença, o sofrimento e a dor. A preocupação presente em alguns dos posts é a de possibilitar que as unidades de saúde sejam também vistas pela população como um espaço acolhedor e produtor de vínculo. É um cuidado presente tanto nos momentos reservados para os grupos, rodas e atividades coletivas, como uma estratégia para tornar o atendimento clínico um momento mais agradável. Um ambiente agradável “pode interferir na saúde do usuário, que muitas vezes procura a unidade de saúde em busca de reduzir o estresse presente em seu ambiente familiar ou meio social” (COELHO; JORGE; ARAÚJO, 2009, p. 446).

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a criação de um ambiente mais agradável às crianças, que se tornaram menos susceptíveis a chorar ou adquirir uma postura desconfortável diante da execução dos procedimentos de consulta; aos acompanhantes, que tiveram a oportunidade de interagir e discutir suas dúvidas e conhecimentos uns com os outros, além de poderem aguardar sua vez num ambiente mais calmo (RAQUEL, 2011).

Retratam-se ambientes que sejam também espaços onde os trabalhadores queiram estar e trabalhar, que acolham não só usuários como os profissionais de saúde. Ao compor o corpo-si desses trabalhadores, ao mobilizar e trazer parte da história daqueles que trabalham no serviço, os ambientes tornam-se capazes de tornar a atividade mais prazerosa e produtora de potência. Fatores relacionados ao ambiente contribuem para uma melhor satisfação de trabalhadores de saúde e, como consequência, para melhor atendimento aos usuários (MARTINEZ; PARAGUAY; LATORRE, 2004).

A ambiência para a PNH “se refere ao tratamento dado ao espaço físico entendido como espaço social, profissional e de relações interpessoais que deve proporcionar atenção acolhedora, resolutiva e humana” [..]. Esse conceito se coloca atento à saúde. A ambiência é construída e reconstruída em “determinados espaços e num determinado tempo, e vivenciadas por uma grupalidade, um grupo de pessoas com seus valores culturais e relações sociais” (BRASIL, 2010, p.5). Falar de ambiência, então, não se limita à discussão da quantidade e dimensões de cômodos na unidade, mas de que forma e com que finalidade o ambiente das UBS estão organizados para receber os usuários.

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Tocando Em Frente Almir Sater e Renato Teixeira*

Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais.. Hoje me sinto mais forte Mais feliz quem sabe? Eu só levo a certeza do que muito pouco sei.. Ou nada sei.. Conhecer as manhãs e as manhãs... O sabor das massas e das maçãs... É preciso amor pra poder pulsar.. É preciso paz pra poder sorrir.. É preciso a chuva para florir.. Penso que cumprir a vida seja simplesmente Compreender a marcha e ir tocando em frente.. Como um velho boiadeiro levando a boiada Eu vou tocando os dias pela longa estrada Eu vou...estrada eu sou... Conhecer as manhãs e as manhãs... O sabor das massas e das maçãs... É preciso amor pra poder pulsar.. É preciso paz pra poder sorrir.. É preciso a chuva para florir.. Todo o mundo ama um dia..todo o mundo chora.. Um dia agente chega..o outro vai embora.. Cada um de nos compõe a sua historia.. E cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz.... Conhecer as manhas e as manhãs... O sabor das massas e das maçãs... É preciso amor pra poder pulsar.. É preciso paz pra poder sorrir.. É preciso a chuva para florir.. Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais.. Cada um de nos compõe a sua historia.. E cada ser em si carrega o dom de ser capaz...de ser feliz.. *Disponível em:http://letras.mus.br/almir-sater/44082/. Acesso em: 01 de março ** Disponível em:http://2.bp.blogspot.com/-9n- LAOhlVIE/TgilRwWHAWI/AAAAAAAAAOo/MGamIPnysWo/s1600/curso-gratuito-de-teatro-em-sp.gif.

Acesso em: 01 de março

Figura 7** - Máscaras

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5.2.2.2. A GENTE NÃO QUER SÓ