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Proof of Theorem 3

3. Proof of Theorem 2

3.3. Proof of Theorem 3

Um dos objetivos do presente estudo foi relacionar a ocorrência de fístula, o uso de incisões liberadoras, a amplitude da fenda antes da palatoplastia primária com a relação dento-oclusal mensurada entre os 6 e 9 anos de idade. Os dados obtidos quanto ao uso de incisão liberadora (nenhuma, unilateral ou bilateral) ou outros ajustes realizados durante a correção da fissura do palato (uso de retalho de vômer, por exemplo) foram levantados durante a análise dos prontuários dos pacientes descrita no item 3.2. Medidas da amplitude da fenda e um índice de relação dento-oclusal foram estabelecidos previamente para este estudo, usando-se os modelos de gesso arquivados no acervo do ECR-PF.

3.3.1 Procedimentos para obtenção da medida de amplitude da fenda

Modelos de gesso da arcada superior foram obtidos antes da queiloplastia para 286 dos 466 bebês do ECR-PF. Nem todos os bebês do ECR realizaram

modelos de gesso na fase pré-cirúrgica pois os modelos que inicialmente foram previstos como variável de interesse no estudo, não foram incluídos na última versão do Projeto Florida aprovado pela agência de fomento (NIH) dos EUA.

A determinação da amplitude da fenda foi realizada para os 286 modelos disponíveis e foi obtida em um estudo anterior (CARRARA, 2011) usando-se os modelos da arcada superior obtidos antes dos bebês serem submetidos aos protocolos cirúrgicos. Os modelos foram avaliados seguindo-se o protocolo proposto por Stöckli (1971) conforme ilustra a Figura 5A. Para tal, os rebordos dos segmentos maxilares foram traçados com um lápis e os modelos foram escaneados com escâner da marca ScanMarker i800, com definição de imagem de 150dpi, no tamanho de 100% da imagem, incluindo-se a imagem de uma régua como referência padrão para as medidas. As imagens obtidas foram arquivadas em extensão jpg e os pontos e as linhas de interesse foram demarcados para a obtenção das duas medidas da amplitude da fissura ilustradas na Figura 5B onde a amplitude posterior da fenda é determinada pela medida da linha t-t’ e a amplitude anterior da fenda é determinada pela medida da linha Y-L. Apenas a medida t-t’ foi de interesse para este estudo.

Fonte: Carrara (2011).

Figura 5 - Imagem A: modelo pré-cirúrgico de palato com as lâminas palatinas delimitadas

com lápis grafite. Imagem B: medidas estabelecidas segundo Stöckli (1971)

3.3.2 Procedimentos para obtenção do índice de relação dento-oclusal (índices de Goslon e Atack)

A Fase 2 do ECR-PF (WILLIAMS; SEAGLE, 2004) incluiu como objetivo a identificação de um índice de relação dento-oclusal a partir da análise de modelos de gesso obtidos em dois intervalos de idade: na dentadura decídua: entre 5 e 8 anos de idade pelo Índice de Atack (ATACK et al., 1997) e na dentadura mista ou permanente entre 9 e 12 anos de idade pelo índice de Goslon (MARS et al., 1987). Os índices de Atack e Goslon foram propostos na literatura para qualificar e quantificar a relação dento-oclusal de indivíduos com FLP e o objetivo de ambos é prover meios para classificar a oclusão de pacientes com fissura labiopalatina unilateral. Estes índices são medidas similares entre si e utilizam uma série de cinco modelos de gesso que servem como padrão para comparações pareadas com os modelos a serem examinados. Os modelos de referências do Índice de Atack são usados para a avaliação da relação dento-oclusal na dentadura decídua e os modelos de referência do índice de Goslon são usados para a avaliação da relação dento-oclusal na dentadura mista ou permanente.

Estes índices permitem aos avaliadores documentar as características oclusais e classificá-las em uma escala de cinco pontos, crescente em relação a gravidade do quadro dento-oclusal. A classificação das características oclusais pelo índice de Atack, pode se realizada a partir dos 5 anos de idade, de índices que vão de 1 a 5 e que consideram as seguintes condições dentárias que podem ser avaliadas pelos índices: a) avaliação anteroposterior, na qual a sobressaliência é examinada; b) avaliação vertical, na qual a sobremordida e a mordida aberta são examinadas; c) avaliação transversal, na qual a mordida cruzada é examinada (Quadro 3).

No presente estudo a primeira medida do índice oclusal foi feita entre 5 e 8 anos de idade, antes de tratamentos como o enxerto ósseo alveolar secundário ou tratamento ortodôntico. Os modelos de gesso para o ECR-PF foram obtidos de forma padronizada, com moldagem com alginato e o procedimento laboratorial de vazamento do molde em gesso para posterior acabamento. Para a classificação das características oclusais dos pacientes do Projeto Florida, as três ortodontistas do ECR-PF foram calibradas para usar os modelos de referência dos índices de Atack e

Goslon como padrão para comparação e avaliação dos modelos obtidos para os participantes do ECR-PF. Durante a avaliação as ortodontistas puderam manusear os modelos de referência pareando-os com os modelos analisados no ECR-PF. Além de calibradas para usar os índices, as ortodontistas realizaram as medidas duas vezes com um intervalo mínimo de 15 dias entre as duas avaliações possibilitando assim o cálculo de medidas da confiabilidade intra-avaliadoras.

Índice 1

Há trespasse horizontal positivo, inclinação dos incisivos superiores para palatino ou normal, ausência de mordida cruzada e aberta e morfologia da arcada dentária superior satisfatória, caracterizando um excelente prognóstico a longo prazo.

Índice 2

Apresenta trespasse horizontal positivo, inclinação dos incisivos para vestibular ou normal, presença de mordida cruzada posterior uni ou bilateral, caracterizando um bom prognóstico.

Índice 3

Apresenta mordida topo a topo anterior, inclinação dos incisivos para vestibular ou trespasse horizontal com incisivos inclinados para palatino, tendência à mordida aberta adjacente à fissura, caracterizando um prognóstico regular.

Índice 4

Trespasse horizontal negativo, inclinação dos incisivos superiores para vestibular ou normal, tendência à mordida aberta adjacente à fissura e mordida cruzada posterior unilateral ou bilateral, caracterizando um prognóstico ruim.

Índice 5

Trespasse horizontal negativo, inclinação dos incisivos para vestibular, mordida cruzada posterior bilateral e morfologia da arcada dentária superior muito alterada, caracterizando um prognóstico muito ruim dos resultados terapêuticos a longo prazo.

Fonte: Atack et al. (1997) tradução de Ozawa (2001).

Para este estudo os índices da relação dento-oclusal estabelecidos pelas ortodontistas do ECR-PF para os modelos de gesso obtidos para os pacientes nas idades entre 5 e 8 anos identificados nos arquivos do acervo do ECR e foram inseridos nas tabelas Excel onde os dados sobre as fístulas foram digitados.

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