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Proof of Theorem 7.1

“ […] é preciso compreender para traduzir, e um tradutor precisa de conhecer o assunto sobre o qual está a re-redigir, assim como os métodos de o exprimir e comunicar, na língua original e ainda mais na língua de destino.” (Santos, 2007: 9)

Ao transpor a mensagem do texto original para o português e,

considerando o facto de não podermos estar certos de que os utilizadores do

TC dominem as áreas do conhecimento científico que ele abrange, face às

condições deficitárias existentes nos países em vias de desenvolvimento,

impôs-se a necessidade de, mantendo o mesmo tipo de registo, tentar

explicitar os procedimentos a seguir, de forma a não dar azo a dúvidas, pois a

gravidade das suas consequências é demasiada para se correr o mínimo risco

de estas existirem. Preservou-se o recurso ao discurso de especialidade, pois o

teor dos textos assim o exige, mas procurou-se lançar mão de estratégias

discursivas que optimizassem a compreensão da mensagem, face ao

desconhecimento do grau e tipo de formação do público-alvo.

Uma das estratégias utilizadas foi a segmentação da informação, como

no exemplo seguinte, extraído da página 8, em que se manteve a informação

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essencial na primeira frase e se transpôs os elementos acessórios para uma

segunda frase:

Texto de partida:

“Minilabs can be customised to cater for specific project needs, for example using TLC equipment and reference standards for antimalarial drug quality verification only.”

Tr ad uçã o:

“Os Minilabs podem ser feitos por encomenda, para atender às necessidades específicas de cada projecto. Por exemplo, pode usar-se apenas equipamento de CCF e padrões de referência para a verificação da qualidade de fármacos antimaláricos.”

Já na secção inicial dos manuais, em que se dá a conhecer a organização

que tem a seu cargo a distribuição do Minilab e a formação acerca do seu uso

e a forma de executar correctamente os testes aos medicamentos, pode-se

verificar o cuidado em utilizar um discurso promotor da desambiguação da

mensagem.

Texto de partida:

“The container can be anything from a glass bottle to a blister pack or a tube made of metal and a securitainer made of plastic. These primary or immediate containers are very often protected by a folding carton normally containing a leaflet explaining the dosing regime and the drug's action or side effects. Tablets and capsules can be presented in a single or multi unit dose container, for example in a blister pack or bottle respectively. […] Indeed, there is a sense that there are as many different types of packaging used in the pharmaceutical industry as the products they contain.”

Tr ad uçã o:

“A embalagem primária(1)

pode ter variadas formas(2), desde um frasco de vidro a um blister, um tubo de metal ou um recipiente PP (securitainer), feito de plástico(3). Estas embalagens primárias ou imediatas, que estão em contacto directo com os medicamentos(4), estão frequentemente protegidas por uma caixa de cartão, que contém, normalmente, um folheto a explicar a posologia, a acção do fármaco e os efeitos secundários. Os comprimidos e as cápsulas podem apresentar-se numa

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embalagem unidose, como um blister, ou com várias unidades juntas, como um frasco(5). […] De facto, dá a sensação que, na indústria farmacêutica, a variedade dos tipos de embalagens usada é tão grande como a dos produtos que elas contêm(6).”

Este extracto da página 11 contém exemplos de várias estratégias ao

serviço da desambiguação dos conteúdos, que passamos a enumerar:

(1)

e

(4)

– decidiu-se aqui inserir informação extra, que não constava do

texto original, para explicitar a que embalagens nos estamos a referir, por

oposição às embalagens exteriores, que acondicionam estas primárias. Para

tal, fez-se uso, no primeiro caso, do adjectivo “ primária” e, no caso (4), de uma

oração relativa, que introduz informação extra;

(2)

– a tradução de “can be anything” por “pode ter variadas formas”

prendeu-se com o carácter demasiado vago do vocábulo inglês “anything”,

tendo-se considerado que esta expressão portuguesa não só contribuía para

uma mais correcta apreensão da mensagem mas também se adequava melhor

ao tipo de texto que estávamos a trabalhar;

(3)

– também aqui se aumentou a quantidade de informação

disponibilizada, tendo-se optado por incluir a designação com maior

distribuição em português, outra designação, mais internacional, entre

parêntesis, para o caso de ser melhor reconhecida e ainda manter a descrição

do material em que é produzida;

(5)

– a estratégia aqui usada, para não dar azo a interpretações

desadequadas, foi a da alteração da ordem dos componentes da frase. Se no

texto original temos primeiro a enumeração dos elementos e depois os

exemplos, no texto de chegada cada exemplo vem imediatamente a seguir ao

artigo a que se refere;

(6)

– esta última frase do parágrafo foi reformulada, tendo-se criado um

complemento circunstancial de lugar entre vírgulas, segmentando a

informação, após o qual se optou, no TC, por usar o nome “variedade”, que é a

ideia-chave que se quer transmitir, enunciando seguidamente os dois itens que

estão a ser comparados.

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Na página 23 a frase “A jar with a lid serves as developing tank.” foi

transformada em “Como câmara de eluição usa-se um frasco com tampa (de

rosca).”. Passou-se a iniciar a frase com a função que se pretende que o

objecto execute, o propósito da tarefa, introduzida pela conjunção “como”,

alterou-se a conjugação do verbo para uma forma reflexa impessoal e

acrescentou-se informação: “(de rosca)”.

Os

advérbios “here” e “there” foram recorrentemente traduzidos por

expressões que explicitam aquilo a que se referem, como se demonstra nos

exemplos que apresentamos a seguir.

Texto de partida:

“Leave the plate to sit there for about three minutes.” Tradução:

“Deixe a placa repousar, no interior do frasco, durante cerca de três minutos.” (pág. 24)

Texto de partida:

“Here, the sample spot on run number 3 fails to meet the size and intensity of the reference spots on run number 1 and 4 representing the higher (100%) and lower (80%) standard, respectively.”

Tradução:

“Neste teste, a mancha da amostra na corrida número 3 não corresponde ao tamanho e intensidade das manchas de referência nas corridas números 1 e 4, que representam o padrão superior (100%) e o inferior (80%), respectivamente.” (pág. 27)

Texto de partida:

“Here, the sample spot on run number 2 contains no sulfamethoxazole and no trimethoprim.“

Tradução:

“Neste ensaio, a mancha da amostra na corrida número 2 não contém sulfametoxazol nem trimetropim.” (pág. 27)

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Outra estratégia usada, para assegurar a transparência da mensagem e

facilitar assim a sua compreensão por parte dos utilizadores dos manuais, foi a

transposição de expressões negativas para uma forma afirmativa, como se

pode verificar através deste exemplo retirado da página 34.

Texto de partida:

“Although their intensities might differ, their diameters never should.”

Tradução:

“Apesar de as suas intensidades poderem diferir, o seu diâmetro deve ser sempre igual.”

Na página 45 encontramos outro exemplo de explicitação do conteúdo.

Se no texto inglês encontramos o advérbio (”accordingly”), já no texto

português deparamo-nos com uma segunda oração gerundiva separada da

principal por uma vírgula e iniciada por um verbo no gerúndio, que descodifica

a mensagem implícita contida nesse advérbio, explicando como se deve

proceder à acção preconizada na oração principal, em que é usado um verbo

no modo imperativo.

Texto de partida:

“Label the bottle accordingly.”

Tradução:

“Rotule o recipiente, indicando o conteúdo.”

5.2.2 Problematização de questões tradutológicas a nível

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