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Proof of the Feynman – Kac results from section 3 Before proving proposition 3.1, we need the following result:

O questionamento acerca da existência do núcleo V vazio na proposta de Larson (1988) e a suposição de que haja uma contribuição semântica à estrutura a partir de V, isto é,

v na proposta chomskyniana, são válidos na medida em que acaba sendo um estímulo à

formulação de novas propostas que pensam a estrutura sintática como responsável por determinar significados possíveis dos verbos e argumentos. Hale e Keyser (1993), seguindo o mesmo raciocínio de Larson (1988) sobre as conchas de VP, propõem que a estrutura argumental seja sintaticamente projetada a partir do léxico, tendo em vista a análise dos verbos denominais47. Segundo estes autores, se, para Larson, as construções de duplo objeto seriam uma estrutura binária em nível D, para eles, representações como essa devem ser entendidas como projeções dos itens lexicais, conforme se verifica no exemplo em (7).

47

(7) a. She put her books on the shelf48 b.

(HALE; KEYSER,1993, p. 56)

De acordo com os autores, a representação em (7) é a forma que aparece na representação inicial do verbo ditransitivo “put” do inglês, em que o DP tema (her books) está

posicionado em especificador do VP mais baixo e o PP locativo (on the shelf) na posição de

complemento de V. Nessa estrutura argumental lexical inicial49 (nos termos dos autores supracitados), o núcleo V move-se da posição mais baixa para a posição mais alta, para derivar a estrutura de verbos denominais transitivos como “shelve” e “saddle”50

. Esses verbos se formariam por intermédio de movimento de núcleo, obedecendo, sobretudo, a duas regras elementares (HALE; KEYSER,1993, p. 55, 58):

(8) a. RESTRIÇÃO DE MOVIMENTO DE NÚCLEO: um X0 apenas se move para posição de Y0 se o último rege o primeiro;

b. PRINCÍPIO DA CATEGORIA VAZIA (ECP)51: uma categoria vazia deve ser apropriadamente regida.

Os autores afirmam que a forma superficial da estrutura desses verbos se origina de uma derivação por três operações de movimento de núcleo, envolvendo o que os autores chamam de incorporação: N0> P0 > V0 mais baixo > V0 mais alto, todas obedecendo às regras

48

Ela pôs seus livros na prateleira.

49

Estrutura D, para Larson (1988).

50

Do inglês, “engavetar” e “selar”, respectivamente.

51

em (8a-b) e é o componente N que aparece foneticamente realizado, conforme representação em (9).

(9)

(HALE; KEYSER,1993, p. 58)

Essa estrutura gera uma frase como “to shelve her books”, em que a raiz “shelf” deixa de ser nominal e passa a ser verbal. A análise dos autores sugere que esses verbos denominais são gerados por movimento de núcleo e fazem parte de uma estrutura ditransitiva, mas que, por causa da incorporação do elemento preposicionado ao núcleo verbal, aparecem em uma construção superficialmente transitiva. A proposta da estrutura apresentada em (9) de Hale e Keyser (1993) é diferente da que foi proposta por Larson (1988), porque inclui, na representação binária de Larson, verbos que superficialmente são transitivos e, no léxico, processos que são estritamente sintáticos.

A conclusão a que chegam Hale e Keyser (1993) é a de que, se o movimento de núcleo é um processo restrito a princípios sintáticos como a ECP, e se esse processo afeta a estrutura argumental dos itens lexicais, não há uma simples mudança de categoria, mas um processo lexical de natureza puramente sintática. Hale e Keyser escrevem seu trabalho no âmbito da abordagem lexicalista e, como se pode notar, propõem que a sintaxe é projetada a partir do léxico. Quanto a isso, Scher, Medeiros e Minussi (2012) comentam que não faria sentido assumir que propriedades sintáticas ocorrem dentro do léxico, uma vez que, para eles, tudo é processado na sintaxe, como sugere a Morfologia Distribuída (MD). Assim, as afirmações de Hale e Keyser (1993) parecem ter contribuído significativamente para a inauguração dessa

nova abordagem não-lexicalista que visa a incluir todos processos linguísticos em apenas um nível: a sintaxe.

Outra contribuição relevante do trabalho de Hale e Keyser (1993) para os estudos da MD é, sem dúvida, a introdução da noção de eventos, que também visa a explicar por que há uma quantidade tão modesta de papeis temáticos na literatura sobre o tema. Sua proposta é a de que não existem papeis temáticos em grade argumental. O papel temático é apenas a terminologia que define as relações estruturais entre núcleo-especificador e núcleo- complemento determinadas pelas categorias e suas projeções não ambíguas52 e limitadas pelo pequeno inventário de categorias lexicais (V, N, A, P)53. Os autores mostram que a terminologia agente, por exemplo, é apropriada, já que, geralmente, está relacionada à posição de sujeito do verbo; mas a coincidência da sobreposição das funções de sujeito e agente é apenas um reflexo do status relacional do DP (chamado por eles de NP, conforme padrão da época) em posição mais alta. Isso porque, segundo os autores, cada uma das categorias lexicais e as estruturas relacionais que elas projetam definem um sistema associado de relações semânticas.

Na estrutura binária de Hale e Keyser (1993), a categoria V é relacionada a uma noção de evento, em que o evento matriz (mais alto) c-comanda assimetricamente o evento subordinado (mais baixo), sendo esse último a parte da significação denotada pelo evento matriz, o que torna a estrutura argumental responsável pela construção do significado. A relação estrutural de complementação entre esses dois eventos, em que V lexical toma um VP como complemento (cf. 7), corresponde a um composto semântico – denominado comumente como causal. Justifica-se, dessa forma, a associação do papel temático agente à posição de especificador do VP mais alto, haja vista ser uma posição projetada por um verbo “causativo”, conforme os autores.

A análise de Hale e Keyser (1993) sobre a estrutura binária que contribui para a construção do significado, com base na hipótese da existência da relação entre os eventos verbais, motiva uma série de discussões acerca da estrutura argumental e, por isso, parece razoável reconhecer sua relevância, tendo em vista sua contribuição para os estudos na MD.

52

A não ambiguidade das projeções ocorre quando todos os nódulos são binários e seus elementos são sempre distintos: X, X‟, XP.

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