IV. COMMENTAIRES ET DISCUSSION :
8. Pronostic maternel
Como citamos anteriormente uma das ferramentas que compõe a plataforma de criação do jogo e que torna esse ambiente ainda mais propicio ao ensino-aprendizagem de matemática, como também de outras disciplinas, são as janelas de diálogo que podemos criar entre os personagens.
Essa ferramenta nos permite construir textos, narrando, por exemplo, questões matemáticas de diferentes ciclos escolares, dependendo dos objetivos listados pelos criadores do jogo, assim sendo podem ser formulados problemas que abordem conteúdos como volume, áreas, equações, sistemas, entre outros. No caso do nosso jogo, desenvolvemos problemas de nível fundamental, envolvendo a regra de três simples, porcentagem, conversão de unidades de medidas de comprimento e as quatro operações básicas.
Decidimos deixar a parte matemática para esse terceiro momento tendo em vista que achamos viável ter uma base sólida da história já escrita e construída no RPG Maker para em seguida buscar encaixar as situações matemáticas dentro desse enredo. Pensamos nisso, pois não gostaríamos de colocar questões matemáticas aleatórias, ou seja, que não tivessem algum sentido para serem resolvidas dentro do jogo. Sobre essa preocupação Borges destacou que
quando pensamos nos problemas matemáticos tentamos não colocar aquelas questões do tipo, qual a raiz da equação tal... Ninguém pergunta isso para uma pessoa no dia a dia, isso é raro e estaria fora do sentido do jogo. Assim, procuramos encaixar situações problemas que viessem expressar algo vivenciado dentro do jogo, situações que o jogador enxergasse motivos para resolver e dar continuidade a aventura do personagem Apolo. (Borges – trecho transcrito da entrevista II)
Esse posicionamento de Borges se fez presente em nosso processo de construção das questões matemáticas e, além de procurar ter o cuidado de elaborar esses problemas de acordo com a realidade vivenciada pelo jogador no decorrer de suas ações dentro do jogo, decidimos que também seria interessante que a decisão tomada pelos discentes em uma determinada situação problema acarretasse consequências positivas ou negativas para o personagem Apolo. Em virtude disso, tivemos a ideia da retirada de moedas a cada questão matemática respondida de maneira errada pelo jogador. Sobre esse mecanismo, Japa ressalta que
A ideia de “punir” o jogador com moedas foi interessante, pois assim o jogador teria mais cuidado e atenção para responder as questões matemáticas. Se não tivéssemos pensado nisso pode ser que alguns alunos não procurassem responder com calma os problemas matemáticos, tendo em vista que não varia diferença acertar ou errar as questões matemáticas. (Japa – trecho transcrito da entrevista II)
Durante esses questionamentos sobre punições aos jogadores, começamos também a discutir os possíveis pontos em que as situações matemáticas se encaixariam de maneira mais harmoniosa. Assim fomos elencando pontos dentro dos cenários que enxergávamos que a matemática poderia se fazer presente. Durante esse processo foram criadas, por exemplo, a nossa primeira situação problema, nesse caso a situação da biblioteca com o aluno de economia. Sobre essa primeira situação Japa relata que
Até construir a primeira situação problema as coisas pareciam travadas, não tínhamos um norte. Quando começamos a discutir a possibilidade de fazer uma situação matemática na biblioteca, que nesse caso estaria contextualizada com um estudante de economia e o gasto mensal com ração de um sítio começamos a entender a forma como poderíamos inserir a matemática em nosso jogo. Foi um processo de amadurecimento da equipe, muito legal de se presenciar.
Como destacado por Japa o primeiro problema matemático demorou a ser pensado e construído pela equipe de trabalho. Porém, após a elaboração dessa primeira situação e a análise de que era realmente isso que estávamos interessados em abordar em nosso jogo, as demais questões foram sendo elaboradas com maior facilidade. Sobre as demais questões, neste caso, a situação matemática que ocorre no Porto de Atlântida com o navegante Nereu e a que se passa na Ilha dos Imortais com os nativos, Borges diz que
As duas situações matemáticas do Porto e da Ilha foram bem mais simples de serem construídas, tivemos a ideia dos locais, vimos que seria bacana colocar as situações lá...depois foi só pensar em como contextualizar a situação com o local e a história do jogo. Ter a primeira situação para se espelhar foi muito bom. Mostramos evolução durante o processo de elaboração dos problemas. (Borges – trecho transcrito da entrevista II)
Em meio ao processo de construção, não era o objetivo da equipe de trabalho construir situações problemas de difícil resolução, ou que viessem a contemplar conteúdos considerados complexos para os alunos de ensino fundamental. Nosso objetivo era inserir em nosso jogo problemas de fácil compreensão e com um processo matemático considerado simples, sobre esse processo Borges ressalta que
Não queríamos em momento algum “ferrar” o aluno com problemas matemáticos complexos, apenas procuramos encaixar um pouco da matemática dentro do jogo, fazer com que o aluno sentisse vontade de jogar e mesmo tendo matemática procurasse resolver com cuidado a situação e tentasse acertar todas as questões. Para despertar esse sentimento procuramos conteúdos mais tranquilos e que não precisassem de fórmulas ou pensamentos elaborados. (Borges – trecho transcrito da entrevista II)
Com os conteúdos matemáticos já escolhidos, as situações problemas já escritas e também organizadas dentro do jogo começamos a perceber que nosso jogo estava com uma
primeira versão praticamente pronta, nesse sentido, estávamos prontos para iniciar um primeiro teste do nosso jogo em contexto escolar.
Durante o processo de discussão e construção dos problemas matemáticos observamos que competências como a formulação de problemas e a troca de experiências em torno dos conteúdos matemáticos se mostraram presentes nas discussões e tarefas dos membros da equipe de trabalho. Essas habilidades se mostram importantes para a carreira docente uma vez que formular problemas de maneira coletiva e dialogar em torno dos conteúdos programáticos dos diferentes anos escolares poderá quem sabe proporcionar um melhor ambiente de trabalho para a equipe de professores de uma instituição e, além disso, pode instigar parcerias entre docentes das demais áreas do conhecimento, acarretando possíveis projetos interdisciplinares que mobilizem toda a escola.