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E. LE TRAVAIL INTER RESEAUX

3. PROJETS SUIVIS AVEC L'ATELIER SANTE VILLE :

2.1. O COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR

O empreendedorismo está se tornando um dos temas de estudo mais transversais nas ciências humanas. Mas ele é comumente estudado sob o prisma do viés econômico, buscando acumular conhecimentos que facilitam o diagnóstico de comportamentos econômicos. Contudo, o empreendedorismo se tornou um campo no qual a aprendizagem do ator empreendedor desempenha papéis determinantes para explicar o sucesso deste ator (FILION; LIMA, 2009). Sob o ponto de vista, de que características empreendedoras podem ser aprendidas, a concepção comportamental adquiri importância e será analisada.

De acordo com Borba, Marinho e Alberto (2018), para autores como Silva (2014) o comportamento empreendedor aumenta a probabilidade de sucesso em qualquer empreitada e a soma dessas características é decisiva para o sucesso de qualquer realização.

O olhar comportamental do empreendedorismo descreve o empreendedor como pessoa que age de forma empreendedora, utilizando importantes conceitos comportamentais advindos da teoria de recursos humanos. (SADLER, 2000). Na visão de Minello (2014), a definição do conceito de empreendedor evoluiu, com o passar do tempo, juntamente, com a complexidade da economia mundial, vem sendo aprimorado e ampliado, passando a envolver questões relacionadas ao ser humano e ao seu comportamento.

Na concepção comportamental, o empreendedorismo corresponde a uma atitude psicológica, a busca pela realização pessoal, a concretização de um sonho. Para Gasse e Tremblay (2011), o comportamento empreendedor é influenciado pelos valores, atitudes e crenças das pessoas, ou seja, é estimulado por uma série de fatores relacionados ao indivíduo como atitudes e percepções. A corrente comportamental, foca na descrição de um perfil empreendedor. Filion (2004) evidenciou que os empreendedores são fruto de seu ambiente. O autor constatou que o empreendedor pode ser desenvolvido e que uma cultura empreendedora pode ser um estimulo para a formação de um perfil empreendedor. Nesse panorama, o ambiente, torna-se importante na formação do perfil. Se a pessoa cresce em um local onde é estimulada a agir de forma empreendedora e a vencer seus desafios, torna-se predisposto a desenvolver um perfil empreendedor. Observa-se que no íntimo do empreendedor está a necessidade de auto realização. Ideia defendida por Mc Clelland (1972).

Reforçando a ideia defendida, na abordagem comportamental, de que o empreendedor pode ser desenvolvido, Paço et al. (2015) defendem a ideia que os comportamentos podem ser aprendidos através de processos formais e informais e, assim, a educação para o empreendedorismo desempenha um papel fundamental na orientação e desenvolvimento de futuros empreendedores, por proporcionar-lhes a mistura necessária de conhecimentos, competências, aptidões, desenvolvendo os atributos psicológicos e comportamentos associados à capacidade empresarial. Também Fayolle e Gailly (2015) explanam que programas que visam a mudança de valores, atitudes as normas são susceptíveis de ter um efeito positivo e que a educação empreendedora tem um impacto positivo, aumentando o nível das características psicológicas empreendedoras.

Os estudos do empreendedorismo, na visão de Padilla-Meléndez, Fernández-Gámez e Molina-Gómez (2014) podem ser divididos em duas categorias: contexto e características pessoais. A primeira diz respeito à educação empreendedora, diferenças regionais, cultura, capital, social, etc., já a segunda foca em desenvolver instrumento para medir orientação empreendedora relacionada às características psicológicas.

Para Ching e Kitahara (2015), essas características ou fatores que influenciam o comportamento empreendedor, podem ser identificadas nos estudos de empreendedorismo e serão detalhadas no próximo item.

2.1.1. Características empreendedoras

Nesse trabalho, o comportamento empreendedor vai ser abordado por meio do estudo de características psicológicas, denominadas de características comportamentais Empreendedoras (CCEs). Essa linha de estudo vai ao encontro do que dizem Brancher, Oliveira e Ronco (2012) quando estudam o tema comportamento empreendedor, identificando a tendência em ver o tema a partir das características do indivíduo - características comportamentais do empreendedor, ou seja, as identificações de um conjunto de traços de comportamento que diferencia esse “indivíduo” dos outros e o classifica como empreendedor. Também reforça esse argumento o estudo realizado por Filardi, Barros e Fischmann (2014) que relatam em seus resultados a tendência dos estudos do comportamento empreendedor dentro de um perfil muito mais relacional, baseado mais em competências interpessoais e sociais.

Para Teixeira, R. (2015), a procura de um perfil psicológico que permita compreender porque existem pessoas com a capacidade de se tornarem empreendedoras, enquanto outras não conseguem, mesmo tendo ideias inovadoras ou até mesmo reconhecendo oportunidades de

negócio, levou à criação de um leque de características psicológicas associadas aos empreendedores.

Características empreendedoras são traços de personalidade que distinguem as pessoas detentoras dos mesmos e as tornam mais susceptíveis a adotar atitudes e comportamentos empreendedores. Schumpeter (1997) descreveu os empreendedores como indivíduos inovadores, que visam reformar ou revolucionar o padrão de produção, gerando inovação de processos e de tecnologia por meio da atividade empreendedora. Esta atividade é entendida, por ele, como a ação empresarial, desenvolvida por indivíduos com características especiais, sendo que estes são detentores de habilidades específicas.

Entende-se que são necessárias algumas características inerentes ao indivíduo e outras que possam ser aprendidas. O conjunto dessas características permite converter o esforço desse indivíduo, denominado empreendedor, em desenvolvimento de uma nova ideia, que culminará com a criação de um empreendimento.

Várias particularidades são levantadas por vários pesquisadores que dificultam a definição do perfil exato e das características do empreendedor. Ao longo dos anos, academicamente, vem se tentando responder perguntas, tais como: Quais características compõem o perfil empreendedor? Como este perfil evoluiu? Como se adaptou às novas exigências do mundo dos negócios? A tendência tem sido definir os empreendedores como aqueles que têm sucesso em seus empreendimentos. (FILARDI, BARROS E FISCHMANN, 2014).

Para Bygrave e Zacharakis (2011), características empreendedoras consistem em um conjunto de características psicológicas e demográficas que influenciam a decisão de alguém se tornar empreendedor, tendo esse momento sido chamado de “evento desencadeador”, para esses autores são características empreendedoras: necessidade de realização, propensão moderada ao risco, valores pessoais individuais, lócus de controle e a tolerância a ambiguidade. Entre diversos autores que estudam o tema, Filardi, Barros e Fischmann (2014), fazem um estudo da arte sobre características empreendedoras, englobando o período de 1848 a 2014. Para eles existe uma diversidade de definições, por isso, resolveram realizar um estudo e verificar a evolução das características a partir dos estudos de Kuratko e Hodgetts (1995). Esses últimos autores se propuseram a sintetizar e classificar as características empreendedoras. Para isso, construíram um quadro referencial com as principais citações das mesmas em obras de diferentes autores, desde meados do século XIX até o ano de 1982. No trabalho de Filardi,

Barros e Fischmann (2014), esse quadro é chamado de ORIGINAL e nomeado como Características do Perfil Empreendedor Tradicional. Ele é demonstrado no quadro1.

Quadro 1 - Levantamento original das características do comportamento empreendedor

ANO AUTOR CARACTERÍSTICAS

1848 Mill Assume riscos

1917 Weber Fonte da autoridade formal (é líder) 1934 Schumpeter Inovação; iniciativa

1954 Sutton Procura desafios

1959 Hartman Fonte de autoridade formal (é líder)

1961 McClelland Tomador de risco; necessidade de realização

1963 Davids Ambicioso; procura ser independente; responsável; autoconfiante

1964 Pickle Autoconsciência; relações humanas; habilidade em se comunicar; conhecimento técnico

1965 Litzinger Preferência pelo risco; independente; reconhecimento por benevolente; líder

1965 Schrage Perceptivo; motivado pelo poder; consciente das suas limitações; desempenha-se sob pressão

1971 Palmer Assume risco moderado

1971 Hornaday e Aboud Necessidade de realização; autonomia; agressivo; poder; reconhecimento; inovador/independente

1973 Winter Precisa de poder 1974 Borland Foco interno de controle 1974 Liles Necessidade de realização 1977 Grasse Orientado por valores pessoais

1978 Timmons Autoconfiante; orientado para resultado; tomador de risco moderado; foco no controle; criativo/inovador

1980 Brockhaus Tendência a assumir risco 1980 Sexton Enérgico/ambicioso; proativo

1981 Mescon e Montanari Realização; domínio; autonomia; paciente; posição de controle

1981 Welshand White Necessidade de controlar; responsável; autoconfiante; aceita desafios; tomador de risco moderado

1982 Dunkelberg e Cooper Orientado para o crescimento e para independência 1982 Welsch e Young Posição de controle; Aberto a inovações; Autoestima Fonte: Elaborado por Filardi, Barros e Fischmann (2014) a partir do trabalho Kuratko e Hodgetts (1995)

Tendo como base o quadro 1, Filardi, Barros e Fischmann (2014) fazem um levantamento construindo um quadro similar denominado como contemporâneo e elaborado

com base nas características levantadas a partir de 1983. Nesta análise, eles comparam as características, apontando semelhanças, diferenças, evoluções e possíveis explicações que justifiquem as alterações observadas.

As características selecionadas para montar o quadro contemporâneo mostram que houve um grande aumento na produção científica nacional e internacional direcionada ao empreendedorismo, ao perfil empreendedor e suas características. O quadro 2 mostra o resultado dessa pesquisa.

Quadro 2 - Levantamento contemporâneo das características do comportamento empreendedor

(continua)

ANO AUTOR CARACTERÍSTICAS

1983 Long Inovador e tolerante à risco

1 1984

J. W. Carland, J. A. Carland, HoyeBoulton Inovador

1985 Marshall e Gartner Proativo

1 1986

Aldrich, Auster, Bowen e Hisrich Interpessoal e autoconfiante

1987 Neider e Drucker Proativo, determinado, ambicioso, perseverante e inovador

1988 Dimaggio Inovador e proativo

1989 Degen Inovador e proativo

1990 Bowan-Upton Inovador e independente

1991 Filion Criativo, visionário e proativo

1992 Macmillian Tolerante à risco

1993 Amit Inovador e tolerante à risco

1994 Timmons Proativo, visionário, tolerante

À Risco e Flexível.

1995 Pati Proativo, visionário, estrategista,

interpessoal, corajoso, motivado, intuitivo, independente, organizado, líder e criativo

1996 Lumpkin, Dess, Brush e Bird Proativo, inovador, flexível, tolerante à risco, criativo, visionário

1997 C. Cunha e Ferla Proativo

1998 Drucker, Amabile, Echeveste, Vieira, Viana, Trez e Panosso

Inovador, motivado, líder, interpessoal, flexível, qualificado, experiente e criativo. 1999 Dolabela, Daft e Machado Proativo, corajoso, intuitivo e

determinado.

2000 Morais, Bruyat, Julien, Sexton e Landstöm Tolerante à risco, proativo, inovador e ambicioso.

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