maior iluminação natural das construções - teve nos materiais industrializados o seu
"fetiche": o vidro, o aço e o concreto, poderiam ser produzidos em larga escala,
estandartizados, padronizados e controlados. Estes materiais deveriam substituir o material
"pobre", barato e de fácil acesso - o tijolo.
En el siglo xx se fabricaron y se utilizaron y má ladrillos que en qualquier otro siglo de la historia, por lo que resulta sorprendente que, a pesar de seguir siendo uno de los materiales de construcción más comunes, mucha gente considere que el siglo xx supuso su decadencia. Parte de la culpa se podría achacar a los historiadores de la arquitectura, en cuyas obras a menudo da la impresión de que todos os edificios modernos son de hormigón, acero y cristal. Sin embargo, con un breve repaso a la arquitectura del siglo XX se puede observar que éste no ha sido o caso, Aunque en ocasiones se haya dicho lo contrario, durante el siglo XX han proliferado las construcciones de ladrillo, y algunos de los mejores arquitectos modernos han utilizado este material en sus edificios más emblemáticos. (CAMPBELL e
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1.1 - Construção em Tijolos cerâmicos furados
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Figura 14 - Tijolo cerâmico furado, Disponível em: http://www.solradiante.com.br. Acesso em: 26 de Julho de 2012.
O tijolo cerâmico furado pesa em torno de 2,5 quilos por peça, sendo que mais de 50% do seu volume é composto de espaço "vazio" (furos internos). Este fator possibilita o fácil manuseio, a pouca sobrecarga na estrutura, o isolamento térmico devido a sua composição geométrica em camadas: cerâmica, ar, cerâmica, ar e cerâmica. A passagem de tubulações elétricas nos "vazios" e, fundamentalmente, o baixo custo pelo uso de metade do material necessário são fatores importantes a serem considerados na utilização deste material.
40 Segundo Villá e equipe:
Nas qualidades da cerâmica em suas distintas técnicas de utilização estão intrínsecas a ela qualidades, muitas percebidas desde a antiguidade. Destacam-se algumas:
• Abundância da matéria prima necessária,
• Facilidade de manuseio, manejo durante a construção, manufatura e fabricação em escala, • Imensa resistência relativa à sua densidade e conseqüentemente ao seu peso próprio, • Boa impermeabilidade à umidade,
• Excelente isolante térmico,
• Resistente ao uso e com fácil reposição, • Baixo custo em qualquer base econômica, • Facilidade de apreensão e transmissão da técnica. Material com alta taxa de sustentabilidade 1
Dentre as suas desvantagens se encontra uma porcentagem de quebra maior que a dos tijolos maciços: os "vazios" internos provocam menor resistência mecânica a impactos. A amarração vertical da alvenaria também apresenta menor área de contato, propiciando maior dificuldade na obtenção do prumo e a possibilidade maior de irregularidades entre os tijolos, bem como a perda de argamassa que "escorre" pelos vazios internos.
Estas desvantagens são ocasionadas no manuseio do material, seja ele no transporte dentro do canteiro, bem como no assentamento do tijolo na alvenaria.
Estas perdas poderiam ser minimizadas com processos de pré-fabricação que, aliados à menor duração no tempo da obra, aumentariam muito a produtividade.
1
VILLÀ, Joan; AMODEO, Wagner; PISANI, Maria Augusta Justi; CORREA, Paulo Roberto; CALDANA Jr, Valter Luis, Atemporalidade da cerâmica.
41 Processos de pré-fabricação proporcionariam também a viabilização de mão-de-obra não qualificada a ser utilizada no canteiro, principalmente em processos de ajuda mútua como o mutirão ou autoconstrução.
Justamente por ser um material "comum", a cerâmica se mantém presente na grande maioria das construções das habitações e construções civis: sua presença se justifica pela baixo preço, fácil manuseio e construtibilidade simples.
(Um material) Entre a tradição artesanal e alta tecnologia, tradição histórica e utopia, tradição popular e cultura profissional. Provavelmente ao romper estas oposições enfrentadas e cristalizadas maniqueisticamente a ação projetual, vencidas certas predisposições e rotinas resistentes a mudanças, poderá levar a uma integração criteriosa que, dentro de um marco de racionalidade dialética, permita alcançar uma tecnologia apropriada às condições reais de cada contexto (SEGRE in VILLÀ, 2002, p.16).
Utilizado sem revestimento externo (aparente) nas autoconstruções das periferias brasileiras, o tijolo cerâmico furado forma parte de um imaginário coletivo "pobre", porém sólido, pois caracteriza uma construção de alvenaria, portanto, não temporária - como as habitações feitas em madeira, até que a família tenha a possibilidade de consolidar sua moradia em alvenaria.
O tijolo cerâmico furado é um dos materiais de construção mais baratos que se pode comprar: disponível no mercado, pode se manter aparente por guardar certa impermeabilidade pela têmpera do cozimento, tornando-se a alternativa mais viável não só na execução, mas também em uma possível comercialização do imóvel, pois uma construção em alvenaria tem maior valor no mercado imobiliário do que a construção em madeira.
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Figura 15 - Periferia de São Paulo, favela da Vila Prudente. Disponível em: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/
arquitextos/11.126/3659. Acesso em: 14 de maio de 2012.
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1.2 - Construção em cerâmica armada
44 Durante o século XX, com a verticalização das construções e as exigências de maiores vãos estruturais em função da maior necessidade de iluminação natural, o tijolo cerâmico parecia estar perdendo terreno para outros materias modernos como o concreto e o vidro, mas a construção com elementos cerâmicos associado com outros materiais resistentes à tração, como o ferro, possibilitou ao tijolo uma nova perspectiva de utilização.
Presente na maior parte das culturas e hegemônica durante séculos, a construção com tijolos começou a ser substituída, a partir de meados do século 19, por materiais e técnicas que respondiam melhor às novas exigências – era o início dos edifícios com altura elevada ou grandes vãos, que precisavam resistir aos ventos e ao aumento das sobrecargas. Mas o cenário que parecia apontar para a cerâmica mudou e conduziu ao momento atual, em que tecnologias e produtos colocam o material na ordem do dia. Uma primeira guinada começou nos anos 40, quando o arquiteto uruguaio Eladio Dieste (1917-2000) concebeu o que viria a ser conhecido como cerâmica armada: a colocação dos tijolos numa trama de barras de aço formando arcos, colunas e tetos. Uma solução desse gênero emprega fôrmas semelhantes às do concreto armado – e foi assim que o tijolo reproduziu o caminho dessa mistura plástica encontrada já na Roma antiga e reintroduzida durante o século 20, quando surgiu reforçada pela adição de barras de aço. No Brasil de 1992, a Construção com Pré-Fabricados Cerâmicos (CPC) foi aplicada nas 300 unidades residenciais da Moradia Estudantil da Universidade Estadual de Campinas(Unicamp). O sistema inédito une cerâmica armada a pré-fabricação, viabilizando painéis feitos com blocos para uso em parede, laje, escada e cobertura, que podem incorporar tubulação para a rede hidráulica e elétrica – e são montados antes da obra com o auxílio de gabaritos, o que facilita a execução"(VILLÀ, 2012).
Segundo Churtichaga, a primeira utilização documentada da cerâmica armada que conhecemos foi realizada em 1813 pelo Engenheiro Marc Esambard Brunel (1769 - 1849) em uma chaminé de fábrica. Anos depois, ele adota a mesma solução construtiva para a construção de um pioneiro túnel sobe o rio Tamisa em Londres.
La cerámica armada, un trínomio capaz, formado por cerámica, acero y mortero. Un novo materil a estructuralmente portante que es, simplificando, un hormigón armado casi un tercio más ligero, mejor aislante térmico y acústico, menos contaminante en su producción y reciclave y que consume una mano de obra similar pero tiene menor necessidad de medios auxiliares (CHURTICHAGA in Arquitectura viva
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Figura 16 – Túnel sob o rio Tamisa. Disponível em: http://www.engrailhistory.info/e027.html. Acesso em: 30 de Novembro de 2012.
Figura 17 - Casas Jaoul, Le Corbusier. Disponível em: http://www.architectureforsale.com/proper
ty-details.php?property_ID=6. Acesso em: 01 de Dezembro de 2012.
Le Corbusier, dispondo de mestres de obra argelinos, faz experiências construtivas utilizando abóbodas de tijolos na cobertura das Maison Jaoul, projetadas em 1937 e executadas em 1954-1955; igualmente, em 1955, com mestres de obra indianos, continua com o emprego das abóbadas, com tijolos montados sem a forma de cimbramento, como nas residências Sarabhai em Ahmedabad (Índia).
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Figura 18 - Central de abastecimento de Porto Alegre. Disponível em: http://www.mtop.gub.uy/salasaez/dieste/b
rasil.jpg. Acesso em 23 de Dezembro de 2012.
Foi o Engenheiro Uruguaio Eladio Dieste (1917 - 2000) que desenvolveu um repertório de elementos estruturais resistentes pela forma, buscando como ele mesmo diria "La forma de un problema e y no el problema de una forma".
Dieste alia a casca de cerâmica armada e a forma móvel. Sofisticados procedimentos de cálculo estrutural e o tijolo, barato e pouco exigente quanto à especialização da mão-de-obra, lhe permite racionalizar a técnica de execução de diferentes tipos de abóbadas e lâminas curvas ou dobradas. O método e a escala são, obviamente, compatíveis com grandes vãos e adequadas ao projeto de fábricas, ginásios, torres, tanques, silos e outros tipos de estruturas utilitárias" (COMAS, 2001, in: vitruvius).
47 Dieste influenciou os arquitetos das regiões Sul e Sudeste do Brasil, como Carlos Fayet e a equipe que projetou a Central de Abastecimento de Porto Alegre utilizando o sistema em cerâmica armada.
A Central de Abastecimento de Porto Alegre (1970), da autoria de Carlos Fayet, Cláudio Araújo, Luís Américo Gaudenzi e Carlos Eduardo Dias Comas, foi um projeto de proporções típicas do período do “milagre econômico”. Do ponto de vista conceptivo, entretanto, o conjunto divergia do curso principal da arquitetura brasileira daquele momento, ao adotar pioneiramente a tecnologia da cerâmica armada de Eladio Dieste no País: com exceção do antecedente isolado da Fábrica Olivetti em São Paulo, nos anos 50, cujo projeto e tecnologia eram italianos, experiências coetâneas como a casa Zamataro (1970), de Rodrigo Lefèvre, continham um caráter empírico e artesanal que se distinguia da abordagem tecnológica de Dieste. As abóbadas acompanhavam a arquitetura moderna brasileira desde seus primórdios; com exceção da pioneira Igreja de São Francisco da Pampulha, porém, vinham sendo utilizadas como elementos complementares das composições, quase nunca como solução global adotada. No caso da CEASA de Porto Alegre, constituíram-se em componente elementar do projeto, unificando concepção estrutural e forma com justeza.
(...). As abóbadas de Dieste e soluções assemelhadas também foram transpostas para inúmeras outras obras brasileiras, como os boxes do Autódromo de Jacarepaguá e o Centro de Controle Operacional e Manutenção do Metrô, no Rio de Janeiro, postos de gasolina e outros programas" (LLUCAS, 2007, in VITRUVIUS).
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Figura 19 - Da Alvenaria de tijolos à fachada ventilada. Disponível em: http://www.arch.mcgill.ca/prof/mellin/arch 671/winter2001/mduran3/drm/renzopiano. htm. Acesso em: 30 de Novembro de
2012.
Renzo Piano concebeu painéis de sobreposição de fachada, utilizando suportes metálicos para cerâmica e criando uma camada de ar entre a alvenaria propriamente dita e a pele cerâmica externa, com evidentes ganhos de isolamento térmico e sombreamento de fachada - como nos edifícios da ampliação do IRCAN2, na Banca Popolare de Lodi e nos edifícios para a Postdamer Platz
em Berlim.
Renzo Piano ha sido el arquitecto más fiel a este material y ha intentado toda clase de experiências para conservar una piel cerámica dentro de las técnicas construtivas más modernas.
(...) la cerámica puede conservar un importante papel en la construcción de fachadas contemporáneas. Sus ventajas de durabilidad, imagen tradicional y vibración cromática son tan sólidas que es lógico que se diseñen nuevas piezas y formas de fijación para que se convertanen uno de los materiales preferidos para a construcción de la hoja exterior de las fachadas ventiladas"(ANSUATEGUI, 2000, p. 74 e 78).
=
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Figura 20 - Desenho de Lucio Costa para o concurso da Vila Monlevade de 1934.
Disponível em: COSTA, Lucio. Sobre arquitetura; organizado por Alberto Xavier. 2.ed. Porto Alegre. UniRitter ed. 2007, 363p. p. 46.
Apesar da influência das abóbodas de Dieste na região Sul e Sudeste do Brasil, a cerâmica armada é pouco utilizada para além das obras de Joan Villá.
Poderíamos destacar o precursor anteprojeto de Lucio Costa (1902 - 1998) para o concurso da Vila Monlevade (1934), onde é proposta a utilização de materiais e técnicas vernaculares, como o barro armado, conforme sua citação a seguir (p. 50).
50
(...)
aquele que todo o Brasil rural conhece: o barro armado (devidamente aperfeiçoado quanto a nitidez do acabamento, graças ao emprego de madeira aparelhada, além da indispensável caiação); uma das particularidades mais interessantes do nosso anteprojeto é, precisamente, essa de tornar possível - graças ao emprego da técnica moderna - o aproveitamento desse primitivo processo de construir, quiçá dos mais antigos, pois já era comum no baixo Egito, e que tem, ainda, a vantagem de simplificar extraordinariamente a armação da cobertura, aliviadas pelos pés-direitos da própria estrutura das paredes internas" (COSTA, 2007, p. 43)Também se destaca a proposta do arquiteto Acácio Gil Borsoi (1924 - 2009) para um conjunto de habitações de interesse social em Cajueiro Seco, Pernanbuco (1963) durante o governo de Miguel Arraes, que utilizava a tradicional taipa, porém com módulos pré-moldados de armação, já com portas e janelas (conforme imagem figura 21), onde o morador só precisaria preencher as lacunas com barro.
Em comparação com a pouca experiência em cerâmica armada no Brasil, houve experiências mais avançadas com a pré-fabricação em concreto armado e argamassa armada, onde se destaca a obra de João Filgueiras Lima (Lelé): seu sistema de pré-fabricação em argamassa armada ou ferro- cimento (nata de cimento e malha de ferro), mais leve que o sistema tradicional em concreto pré- moldado, foi o precursor da fábrica de escolas" no Rio de Janeiro, em 1984, e da "fábrica de equipamentos comunitários" FAEC de Salvador, em 1985. Filgueiras Lima viria a desenvolver, posteriormente, projetos em larga escala, principalmente os da rede hospitalar Sarah Kubitschek.
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Figura 21 - Taipa armada projeto de Acácio Gil Borsoi para Cajueiro seco Pernambuco 1963. Disponível em: Souza, Diego Beja Inglez de, Reconstituindo Cajueiro Seco, dissertação de mestrado FAU USP, 2008, p. 267. Acesso em: 14 de Dezembro de 2012.
A construção com a cerâmica, poderia ser uma solução construtiva mais adequada para os assentamentos habitacionais de baixo custo, impostos pela alta deficiência habitacional no mundo em desenvolvimento, em alternativa à utilização predominante do bloco de concreto.
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Estoy convencido de que la cerámica estrutural es una técnica con posibilidades tan grandes como el hormigón armado.
A lo largo de cuarenta años hemos desarrollado varias técnicas que usan el ladrillo como material estructural, resistente. De ellas se ha derivado una familia de tipos constructivos para los problemas más variados: tanques de agua, torres (hasta de televisión); grandes espacios cubiertos para fábricas, depósitos o gimnasios; silos horizontales o verticales, iglesias. Creo que apenas hemos empezado un nuevo camino de gran fertilidad técnica e industrial pero también arquitectónica" (DIESTE in: TECTONICA
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2. - Arquiteto Joan Villá
54 Joan Villà nasceu em Barcelona, em 6 de Julho de 1940, um ano após a ocupação da cidade pelas tropas franquistas que venceram a guerra civil espanhola. Aos onze anos de idade, em 1951, imigrou para São Paulo junto com seu pai.
Em 1961, ingressou no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie. Nos anos 1964 e 1965 estagiou com o Arquiteto Sérgio Bernardes que, na época, mantinha um escritório em São Paulo. E entre 1966 e 1967, estagiou no escritório do arquiteto Joaquim Guedes. O contexto de sua formação é importante, pois
Joan Villà formou-se em 1968 pela FAU-Mackenzie, em um período paradoxal para os arquitetos: social e politicamente marcado por forte repressão, enquanto havia oportunidade de trabalho com o milagre econômico. Exílio de alguns, recolhimento de outros, pouco debate. O intenso intercâmbio cultural que nas décadas anteriores permeou o desenvolvimento da nossa arquitetura moderna abrandou-se. As revisões críticas do movimento moderno em pleno debate na Europa e Estados Unidos demorariam alguns anos para ecoar por aqui. Predominava o corolário moderno" (CAMARGO, 2006, in: www.revistaau.com.br).
Nos seus primeiros anos de formado, entre 1968 e 1971, Villà projetou e construiu suas primeiras residências unifamiliares nos arredores de São Paulo. Nota-se nelas a economia de meios e a racionalidade construtiva, procurando escapar das formas exibicionistas, visando soluções formais a partir de problemas concretos e das necessidades reais do local e do programa, com o uso de materiais aparentes, tanto na estrutura de concreto, quanto nas alvenarias de tijolos à vista, a exemplo de seus mestres.
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Figura 22 - Primeiras casas. Camargo, Monica Junqueira, "Arte como Construção". Disponível em: www.revistaau.com.br. Acesso em:10 de Setembro 2012, artigo publicado na revista AU edição 146 de maio de 2006.
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Figura 23 – Joan Villà ministrando aula de cursinho, 1970. Foto do arquivo pessoal de Joan Villà.
Paralelamente a estes primeiros trabalhos como arquiteto, entre os anos de 1968 e 1971, Joan Villà teve suas primeiras experiências didáticas como professor de Linguagem Arquitetônica nos cursinhos pré-vestibular Anglo e Universitário em São Paulo, já prenunciando as atividades docentes, que ele retomará mais tarde nas faculdades de arquitetura.
57 Em 1971, devido à sua militância política e à perseguição do regime militar, exilou-se na Europa, a príncipio na sua Barcelona natal, ainda sob a ditadura do generalíssimo Franco, situação da qual fugira vinte anos antes. Depois, passou seis meses numa fazenda na Bélgica, onde construiu algumas estruturas geodésicas para diversas atividades no local.
Entre 1972 e 1973, fez mestrado na área de Urbanística Técnica e Pré-fabricação na Escola Politécnica de Milão. Aí, estudou a pré-fabricação no leste Europeu, principalmente na Iugoslávia do pós-guerra, onde era comum o uso de grandes painéis de concreto pré-moldado. No Brasil dessa época, poucos se aventuravam com a pré-fabricação, como os casos emblemáticos de João Filgueras Lima, o Lelé, com os painéis de argamassa armada, e Acácio Gil Borsoi, com os painéis pré-fabricados em taipa.
No ano de 1974, em Palma de Maiorca na Espanha, Joan Villà incorporou-se à Cooperativa de Arquitetos que prestava assessoria técnica ao Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira da região. Até então, Villá havia realizado projetos de autoria pessoal para clientes individuais, conforme depoimento3. A experiência coletiva de projetar com outros quinze colegas de profissão,
para um cliente igualmente coletivo, marcou fortemente sua trajetória profissional, pois exigiu do arquiteto outra postura frente à coletividade, tanto no que diz respeito à concepção compartilhada com outros colegas de profissão, quanto com relação ao cliente, que, conforme o arquiteto,
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Um cliente de muitas caras porque a gente fazia reuniões com trezentos associados desta cooperativa. E foi uma experiência muito importante, quer dizer, tanto do ponto de, digamos, existencial, quanto do ponto de vista intelectual, como aprendizado em trabalhar com números, com essas quantidades e com tantas manifestações, com tantas opiniões, às vezes divergentes, com tanta polêmica, como era o nosso próprio trabalho. Mas isso foi assim, talvez a minha primeira escola, na verdade. Foi uma atuação como arquiteto, completamente distinta daquela que eu tinha observado no Brasil" (VILLÀ IN POMPÉIA, 2006 p.10). (...) me deparei com outro tipo de demanda. O cliente não era mais o empresário, ou um proprietário; representava o coletivo e surgia assim outro processo decisório modificando a atitude profissional que se iniciava com a discusão na obra muito antes de se concretizar na prancheta" (VILLÀ, 1989).
Ao voltar para o Brasil, em 1975, Villà retomou sua trajetória profissional em projetos de residências para a alta classe média paulistana, como fizera antes do exílio europeu. No entanto, a convite do arquiteto Jon Maitrejean, incorporou-se ao Sindicato dos Arquitetos que, na época, se propunha a realizar trabalhos sociais junto à periferia de São Paulo. Villà relata4 que havia
assembléias de cem a trezentos arquitetos que trabalhavam em projetos junto à paroquia de São Miguel Paulista, por intermédio do padre José Maria, onde realizaram projetos particulares para a comunidade local. Foi aí que estabeleceu contato e afinidade profissional com o arquiteto Jorge Caron, futuro coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Belas Artes de São Paulo.
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Figura 24 – Reunião do Sindicato dos Arquitetos com Joan Villà (em pé, à direta), 1977. Foto do arquivo pessoal de Joan Villà.
Nessa experiência, Villà pode constatar a falta de preparo técnico, cultural e sociológico dos seus colegas de profissão para lidar com as necessidades da periferia. Conta ele5 que, em um
determinado momento, um colega arquiteto projetara uma residência com 3 suítes e um solarium