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Progress and Accomplishments

Várias são as metáforas que traduzem os diferentes perfis do professor, uma vez que, como diz Estrela (2010, 10), “as profissões humanas (…) mudam num mundo em mudança e em interação com ele, isto é, ajudando a mudar o mundo e sendo mudadas por ele. A profissão docente não é uma exceção”. E seguindo esta linha de ideias aponta quatro perfis que se definem pelos ideais profissionais e atitudes afetivas. O do professor carismático, que identifica como sacerdote, e que é aquele que encarna as ideias morais do seu tempo – é uma espécie de missionário, um ser dotado de um dom que lhe impôs a vocação. A sua ação prende-se com a disciplina em função do sucesso; e os conteúdos e o exemplo são tomados como meio para a formação do caráter, apresentando alguma abertura e afetividade com os alunos. Estrela (2010, 11) defende que neste perfil de professor a “identidade profissional assenta na identificação com os saberes ensinados e no sentido ético da função de que os outros professores se orgulham”. Já o professor técnico corresponde ao tipo de professor que é especialista “do desenvolvimento do aluno e da organização da aprendizagem” (Estrela, 2010, 11) – é o professor típico do período da grande massificação e explosão escolar, que exigia grande número de professores, que, mesmo sem vocação, poderiam responder às necessidades do momento. Centra a sua atitude no domínio cognitivo, embora os objetivos apontem também para o domínio afetivo e para a eficácia das aprendizagens. Por sua vez, o

professor recurso, cujo conceito é influenciado por Carl Rogers, será aquele que ensina o

aluno a ‘tornar-se pessoa’, o que significa que o aluno pode ser autónomo, fazer a gestão das suas aprendizagens e, por isso, o professor não passa de um ‘recurso’ que o aluno pode ou não utilizar. Um outro perfil é o do professor-investigador e prático-reflexivo. E a esta metáfora corresponde uma mistura do professor técnico e do professor carismático. É o conceito típico da escola moderna, e coincide com a noção de professor-reflexivo criada por Schön, que entende que o “ensino deveria aprender-se com profissionais experimentados que dessem exemplo da reflexão que o profissional deve fazer antes, durante e após a ação” (Estrela, 2010, 14). Esta orientação vai na linha de um professor que desenvolve autoformação, a reflexão partilhada, e que se situa numa escola como “sistema integrador de partes em interação” (Estrela, 2010, 15), de uma escola como organização aprendente, em que os profissionais possuem ferramentas científicas, técnicas e experienciais. Finalmente, o

professor como educador europeu e transnacional, que corresponde ao professor do

80 própria instabilidade do mundo atual e do meio em que interage. Kelchterman “considera que o eu profissional é decomponível em cinco elementos: auto imagem (componente descritiva), auto-estima (componente avaliativa), motivação para o trabalho (componente conativa), percepção da tarefa (componente normativa) e perspectivas de futuro” (cit. Estrela, 2010, 17). Este é o tipo de professor que se defronta com o processo de socialização profissional e com o sentido da identidade europeia com que a escola dos nossos dias se depara.

Rui Canário (1997) apresenta uma outra configuração da profissão docente e aponta quatro perfis essenciais do professor. O professor como analista simbólico, que é o que defende o princípio de que se aprende com o erro e na interação com os pares: estes professores experimentam, trabalham em equipa, fazem propostas e projetos, elaboram estratégias, opondo-se aos professores que fundamentam a sua atuação na memória ou na “pedagogia do modelo” (Canário, 1997, 13). O professor como artesão é o que é capaz de reinventar as suas práticas em função dos contextos e construir a sua profissionalidade na ação e na recolha de novos elementos. O professor como profissional da relação é o que valoriza a sua dimensão relacional e centra na relação com os alunos a sua atenção; é o que aprende interagindo com eles; é o que sabe escutar e, por isso, pode “estabelecer formas de meta comunicação com os alunos” (Canário, 1997, 14). O professor construtor de sentido é o modelo de professor preocupado em lidar com a diversidade e em “providenciar recursos de sentido que tornem possível aprender” (Canário, 1997, 15). Valoriza o sujeito como centro do processo ensino-aprendizagem e, consequentemente, do aprender enquanto processo que valoriza a história cognitiva, afetiva e social de cada pessoa.

Efetivamente, muitos outros modelos ou metáforas de professores poderiam ser apresentados, mas parece que o que é mais importante é que em qualquer um dos casos se assuma o professor como um profissional reflexivo, construtor de homens capazes de avaliarem o seu papel no mundo para o conseguir transformar e se transformarem e que, como afirmam Alves e Flores (2011, 126), a vida de um “professor constitui-se como um processo que integra o desenvolvimento do docente como pessoa e como profissional, e integra não só os seus conhecimentos, crenças e história de vida, mas também o contexto em que está inserido”. E tão importante ainda é considerar-se que, na complexidade das situações e exigências atuais, a qualquer modelo mais ou menos vincado de professor se impõe a necessidade de ser portador de um grande número de requisitos como os que são mencionados por Pitta et al. (s/d):

81 “• Líderes de aprendizagem e simultaneamente aprendizes durante toda a vida;

• Promotores de equipas de aprendizagem; • Líderes de inovação nas escolas e na sociedade; • Flexíveis e adaptáveis a novas situações;

• Inovadores, empreendedores e capazes de aceitar positivamente a mudança; • Abertos às necessidades dos alunos, dos colegas e da comunidade;

• Colaboradores e criadores, conjuntamente com colegas e alunos; • Promotores de um saber mais holístico, pluri, inter e transdisciplinar. • Tudo isto se pode agrupar em quatro dimensões essenciais:

• A dimensão motivadora; • A dimensão relacional; • A dimensão ética;

• A dimensão construtiva.” (s/p)

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