A Copa do Mundo Feminina da França contou com 130 emissoras transmitindo as partidas, que alcançaram 135 países. Além de mais de 1300 repórteres e fotógrafos fazendo a cobertura das notícias sobre o evento esportivo. No Brasil, além de ter sido possível acompanhar os jogos através das emissoras TV Globo e Bandeirantes pela TV aberta, também houve a transmissão das partidas nos canais fechados do SporTV e Band Sports, e algumas delas puderam ser vistas através do site do Globoesporte.com (ROGENSKI, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
No mundo todo, o Mundial de 2019 representou recordes de audiência, mostrando a força e o potencial que os jogos das mulheres têm. Na sede do torneio, a França, a abertura da competição foi transmitida para 44% das televisões do país, obtendo um pico de 11 milhões de pessoas, este número representa três vezes a maior audiência alcançada até então com um jogo de futebol feminino no país. Já na Argentina, segundo o canal que televisionou os jogos, foi a primeira vez que um confronto entre mulheres no futebol ultrapassou a marca de 1 milhão de espectadores. Outro recorde também foi quebrado no Reino Unido, a disputa entre os Estados Unidos e a Inglaterra atingiu uma audiência de 11,7 milhões de pessoas na BBC. Esta foi a maior audiência do canal registrada até então no ano (PIRES, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
No Brasil os números também foram positivos. Durante a partida que marcou a eliminação da seleção verde e amarela, foi obtido o recorde de audiência da história dos mundiais (PIRES, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA). O jogo foi visto por 60,6 milhões de pessoas, dessas, 50 milhões foram só no território brasileiro, ou seja, a audiência alcançada no Brasil foi o dobro do recorde anterior,
que era de 25 milhões de pessoas durante a partida entre EUA x Japão na Copa de 2015. Além disso, o maior índice de audiência da final do Mundial foi registrado no Brasil, a decisão foi assistida por 19,9 milhões de brasileiros, número superior ao assistido no território das campeãs mundiais, Estados Unidos, que registrou 15,2 milhões (SENECHAL, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Foi a primeira vez na história que as jogadoras de futebol contaram com uma transmissão que de fato oferecesse espaço para elas na TV brasileira. A ampliação da visibilidade do principal torneio Mundial de seleções femininas marca o início de uma caminhada por uma maior equidade de gênero neste esporte. E os resultados conquistados durante a transmissão televisiva da competição mostraram que há interesse e público sim para o futebol de mulheres. Fato que serve como incentivo para uma maior valorização da modalidade.
É importante destacar que a Copa do Mundo de 2019 não foi a primeira vez que se falou sobre o futebol praticado pelas mulheres, mas foi a primeira vez que um evento da categoria causou tanto impacto nas mais diversas esferas que cercam o mundo futebolístico. No âmbito internacional, por exemplo, a camisa USA Women, usada pela seleção feminina estadunidense, tornou-se a mais vendida da Nike em uma temporada, segundo o CEO da marca, Mark Parker, em entrevista ao Business Insider (MKT ESPORTIVO, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA). Fato que representa a evolução da importância da categoria feminina para as marcas de artigos esportivos.
Já no Brasil, são diversos os fatores que ilustram os efeitos do Mundial, e, principalmente, dos holofotes da mídia terem se voltado para a seleção. Houve um apelo publicitário como nunca havia ocorrido antes, e segundo Daniela Alfonsi, diretora de Conteúdo do Museu do Futebol, este foi o ponto mais positivo alcançado: “Acredito que o principal legado é o interesse publicitário: marcas que se posicionaram sabem que não podem ignorar o tema daqui para a frente” (IGNACIO, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
O meio digital foi mais uma amostra de como o Mundial de 2019 foi diferente dos outros disputados anteriormente, conseguindo chamar atenção do público, e gerando interações e engajamento. A cada jogo disputado pelo Brasil, ocorria um grande movimento nas mídias sociais, para mensurar este efeito, o Canal Dibradoras em parceria com a Vert Inteligência Digital, e a plataforma de monitoramento Stilingue lançaram o Observatório de Futebol Feminino, o qual
coletou dados, fez estudos e análises de comportamento e conversão durante a Copa do Mundo. Dentre os dados coletados estão a quantidade de fãs no Instagram de cada jogadora da seleção brasileira, o crescimento bruto diário de fãs no Instagram e quais influenciadores que comentaram a competição conseguiram o maior índice de conversão em interações (HYPENESS, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Segundo o Observatório, durante o intervalo de uma semana entre os dias de 27 de maio e 7 de junho, foram feitas 19.864 publicações sobre o tema, que contaram com 623.095 curtidas e 108.450 compartilhamentos. Entre os grupos de emissores com poder de influência (foram considerados perfis e páginas com mais de 30 mil seguidores), o da imprensa fez o maior número de publicações sobre o assunto, totalizando 299 posts, e foi o que também alcançou o maior número de interações, esses dados foram coletados entre os dias 27 de maio e 04 de junho (HYPENESS, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Ainda de acordo com o Observatório, foi observado também quais perfis atingiam o maior número de interações em suas publicações, nesse quesito, a página do Facebook Quebrando o Tabu ficou em primeiro lugar, totalizando cerca de 155 mil interações em três postagens. Já nos emissores com maior alcance, destacaram-se o Portal da BBC com uma audiência estimada de 80 milhões de usuários, o Portal O Globo, com 67 milhões, e a página global no Facebook da marca Red Bull, com 49 milhões de fãs (HYPENESS, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Durante a competição, o Observatório concluiu que a jogadora Marta foi a mais citada, sendo sua lesão durante um treino, e seu recorde de jogadora que mais ganhou o prêmio de melhor do mundo, alguns dos assuntos que mais fizeram o seu nome ser citado. Demonstrando o poder de alcance que a camisa 10 do Brasil tem. Outros dados interessantes dizem respeito à partida que marcou a despedida do Brasil. Foram monitorados 12 mil publicações sobre o assunto entre 00h e 18h45 do dia 23 de junho, com um alcance potencial de mais de 23 milhões de usuários (HYPENESS, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
Examinando os números coletados pelo Observatório de Futebol Feminino, pode-se ver a importância dos grandes portais terem dado espaço de mídia para a Copa do Mundo, utilizando de sua audiência para dar uma maior visibilidade ao evento e à Seleção Brasileira feminina. Não à toa, 2019 foi um ano de quebra de
recordes quando se diz respeito à Copa do Mundo da França, o aumento da divulgação, e o interesse midiático repercutiram diretamente no engajamento e no interesse da torcida pelos jogos (HYPENESS, 2019, INFORMAÇÃO ELETRÔNICA).
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