Recolheram-se sete amostras de eflorescências pulverulentas de cor branca recolhidas no rés-do-chão do tetrastilo Sul da fachada Este do Hospital de Santo António no Porto. Imagens destas eflorescências foram apresentadas na Figura 4.3.
Figura 6.1 – Hospital de Santo António - Localização das eflorescências pulverulentas
Quadro 6.1 – Hospital de Santo António – Descrição, data de recolha e cotas das eflorescências pulverulentas
Amostra Local de recolha Cota (m) Data
HSA 200
Eflorescência de cor branca pulverulenta recolhida com pincel sobre granito perto de argamassa de
cimento
0,85 a 0,91
2018/02/07 HSA 201
Eflorescência de cor branca pulverulenta recolhida com pincel sobre granito perto de argamassa de
cimento
1,18 a 1,25
HSA 202
Eflorescência de cor branca pulverulenta recolhida com pincel sobre granito perto de argamassa de
cimento
1,04 a 1,06
HSA 203
Eflorescência de cor branca pulverulenta recolhida com pincel sobre argamassa de cimento em junta
vertical
1,02 a 1,20
HSA 204
Eflorescência de cor branca pulverulenta recolhida com pincel sobre argamassa de cimento em junta
horizontal
0,97 a 1,00
HSA 205
Eflorescência de cor branca pulverulenta recolhida com pincel sobre granito perto de argamassa de
cimento
0,73 a 0,89
HSA 206
Eflorescência de cor branca pulverulenta recolhida com pincel sobre argamassa de cimento em junta
vertical
As eflorescências HSA 200, HSA 202 e HSA 205 foram observadas e analisadas por MEV, tendo sido identificados os seguintes tipos de minerais de sais solúveis: sulfatos (gesso, thenardite, singenite e aphthitalite), nitratos (nitratite e niter), cloretos (halite) e carbonatos (calcite). As composições mineralógicas de cada uma das eflorescências são apresentadas no Quadro 6.2. As imagens e espectros dos minerais de sais solúveis identificados na eflorescência HSA 202 são apresentados nas Figuras 6.2 a 6.7.
Quadro 6.2 – Minerais de sais solúveis identificados por MEV nas eflorescências pulverulentas
Amostra Minerais de sais solúveis
HSA 202 Singenite, gesso, aphthitalite, thenardite, nitratite, halite, niter
HSA 205 Gesso, halite, niter, nitratite, aphthitalite, calcite
HSA 200 Gesso, halite, singenite
Na eflorescência HSA 202, a singenite aparece sob a forma de cristais euédricos ou subédricos tabulares de maiores dimensões (Figuras 6.2a, 6.2c, 6.2e, 6.7c e 6.7d) ou de menores dimensões (Figuras 6.2a, 6.2c, 6.2d, 6.2e e 6.2f) e cristais subédricos ou anédricos isométricos de maiores dimensões (Figuras 6.3a e 6.3b).
O gesso exibe-se sob a forma de cristais subédricos tabulares (Figuras 6.3c e 6.3e) e cristais subédricos isométricos (Figuras 6.3c e 6.3e).
A aphthitalite mostra-se como cristais euédricos prismáticos (Figuras 6.3f e 6.4c), euédricos ou subédricos tabulares (Figuras 6.4a, 6.4d, 6.6a e 6.7b), euédricos aciculares (Figura 6.4c, 6.6a e 6.7b) e agregados de cristais subédricos de muito pequenas dimensões (Figuras 6.5c, 6.6d e 6.7c).
A thenardite apresenta-se sob a forma de cristais anédricos com figuras de dissolução (Figuras 6.4e, 6.5c e 6.7c) ou como cristais euédricos tabulares (Figuras 6.5a e 6.5b).
A nitratite aparece como cristais anédricos com figuras de dissolução (Figuras 6.5d, 6.5e, 6.6c, 6.6d, 6.6e, 6.7b e 6.7d).
A halite exibe-se sob a forma de cristais subédricos com figuras de dissolução (Figuras 6.6a e 6.6c), cristais anédricos com figuras de dissolução (Figuras 6.6c, 6.6d e 6.6e) e cristais subédricos com as formas simples cubo + octaedro (Figuras 6.7a e 6.7d).
O niter mostra-se sob a forma de cristais anédricos com figuras de dissolução (Figuras 6.6e, 6.7a e 6.7d). De realçar a cristalização de minerais muito solúveis como a halite, nitratite e niter com minerais de sais menos solúveis como a singenite, thenardite, aphthitalite e gesso (Figuras 6.5d, 6.6a, 6.6d, 6.7b e 6.7d). Ainda na eflorescência HSA 202, observou-se uma cinza volante porosa de natureza carbonosa associada à queima incompleta do combustível fóssil carvão (Figuras 6.7d e 6.7e).
As imagens e espectros dos minerais de sais solúveis identificados na eflorescência HSA 205 são apresentados nas Figuras 6.8 a 6.10.
a) Singenite b) Singenite - Espectro
c) Singenite d) Singenite
e) Singenite f) Singenite sobre plagióclase sódica Figura 6.2 – HSA 202 - Singenite – Imagens e espectro obtidos por MEV
a) Singenite b) Singenite
c) Gesso d) Gesso - Espectro
e) Gesso f) Aphthitalite
Figura 6.3 – HSA 202 – Imagens da singenite, gesso e aphthitalite e espectro do gesso obtidos por MEV
a) Aphthitalite b) Aphthitalite - Espectro
c) Aphthitalite d) Aphthitalite
e) Thenardite f) Thenardite - Espectro
a) Thenardite (Th) sobre feldspato potássico (Fk)
b) Thenardite (Th) sobre feldspato potássico (Fk)
c) Thenardite (Th) e aphthitalite (Ap) d) Nitratite (Ni) e aphthitalite (Ap)
e) Nitratite f) Nitratite – Espectro
Figura 6.5 – Imagens de thenardite, aphthitalite e nitratite e espectro da nitratite obtidos por MEV Th Th Fk Fk Th Th Th Ap Ap Ap Ni
a) Halite (H) e aphthitalite (Ap) b) Halite - Espectro
c) Halite (H) e nitratite (Ni) d) Halite (H), nitratite (Ni) e aphthitalite (Ap)
e) Halite (H), nitratite (Ni) e niter (N) f) Niter - Espectro
Figura 6.6 – HSA 202 – Imagens de halite, aphthitalite, nitratite e niter e espectros da halite e niter obtidos por MEV
Ni Ni Ni Ni H H H H H Ap Ap H H H H Ni Ni Ni Ap Ni H Ni H H H Ni Ni Ni N
a) Halite (H), nitratite (Ni) e niter (N) b) Nitratite (Ni), aphthitalite (Ap) e halite (H)
c) Thenardite (Th), singenite (Sin) e aphthitalite (Ap)
d) Cinza volante (Cv), halite (H), niter (N), singenite (Sin) nitratite (Ni) e aphthitalite (Ap)
e) Cinza volante porosa carbonosa e halite
(H) f) Cinza volante porosa carbonosa - Espectro Figura 6.7 – HSA 202 – Imagens de halite, nitratrite, niter, aphthitalite, thenardite, singenite e cinza volante porosa carbonosa e espectro desta última obtidos por MEV
H Ni N H H H Ni Ni Ni Ni Ap Ap Ap Sin Th Th Th Ap Ap Ap Ap Cv b N N H Ni Ni H Ni Sin Ap
a) Gesso sobre plagióclase sódica b) Gesso - Espectro
c) Gesso sobre biotite d) Gesso
e) Halite f) Halite - Espectro
a) Halite (H) b) Halite (H) sobre gesso (G)
c) Niter sobre fita de carbono d) Niter - Espectro
e) Niter sobre fita de carbono f) Niter (N) e aphthitalite (Ap)
Figura 6.9 – HSA 205 – Imagens de halite, gesso, niter e aphthitalite e espectro do niter obtidos por MEV H H H G G H H H H
a) Nitratite (Ni), niter (N), e halite (H) b) Nitratite - Espectro
c) Calcite sobre biotite d) Calcite sobre biotite
e) Gesso (G), halite (H) e niter (N) sobre
biotite (Bi) f) Nitratite (Ni) sobre gesso (G)
Figura 6.10 – HSA 205 – Imagens de nitratite, niter, halite, calcite e gesso e espectro da nitratite obtidos por MEV
N H H G Bi Bi Bi Ni G G G
Na eflorescência HSA 205, o gesso exibe-se sob a forma de cristais euédricos ou subédricos tabulares pseudo-hexagonais (Figuras 6.8a e 6.8c) e cristais anédricos isométricos (Figuras 6.8d, 6.9b e 6.10e). A halite apresenta-se sob a forma de cristais anédricos com figuras de dissolução (Figuras 6.8e, 6.9a 6.9b, 6.10a e 6.10e).
O niter mostra-se como cristais em forma de pêlo (Figuras 6.9c e 6.9e) e cristais anédricos com figuras de dissolução (Figuras 6.9f, 6.10a e 6.10e).
A nitratite aparece como cristais anédricos com figuras de dissolução (Figuras 6.10a e 6.10f). A aphthitalite mostra-se como cristais anédricos com figuras de dissolução (Figura 6.9f). A calcite surge sob a forma de cristais euédricos prismáticos (Figuras 6.10c e 6.10d)
Tal como na eflorescência HSA 202, constata-se, na eflorescência HSA 205, a cristalização de minerais muito solúveis como a halite, nitratite e niter com minerais de sais menos solúveis como a aphthitalite, gesso e a calcite (Figuras 6.9b, 6.10e e 6.10f).
As imagens e espectros dos minerais de sais solúveis identificados na eflorescência HSA 200 são apresentados nas Figuras 6.11 e 6.12.
a) Gesso (G) e halite (H) b) Gesso - Espectro
c) Gesso (G) e halite (H) d) Gesso
Figura 6.11 – HSA 200 – Imagens de gesso e halite e espectro do gesso obtidos por MEV G
G
G
G H
a) Singenite sobre plagióclase sódica b) Singenite - Espectro
c) Halite sobre plagióclase sódica d) Halite - Espectro
e) Halite sobre plagióclase sódica
Na eflorescência HSA 200, o gesso exibe-se sob a forma de cristais subédricos em forma de ponta de lança (Figuras 6.11a e 6.11c), subédricos tabulares (Figuras 6.11a, 6.11c e 6.11d), subédricos isométricos (Figuras 6.11a, 6.11c e 6.11d), subédricos isométricos com figuras de dissolução (Figura 6.11d) e cristais tabulares pseudo-hexagonais (Figura 6.11c).
A singenite aparece como cristais subédricos tabulares com figuras de dissolução (Figura 6.12a). A halite apresenta-se sob a forma de cristais euédricos ou subédricos com as formas simples cubo + octaedro (Figuras 6.12c e 6.12e).
Como referido nas eflorescências HSA 202 e HSA 205, também na eflorescência HSA 200, minerais muito solúveis como a halite cristalizam com minerais de sais menos solúveis como o gesso e a singenite.
As três eflorescências estudadas mineralogicamente (HSA 202, HSA 205 e HSA 200) foram recolhidas na mesma zona de onde Begonha (1997, 2001) havia obtido as eflorescências pulverulentas do exterior do Hospital de Santo António.
No presente estudo, identificaram-se quatro dos minerais de sais solúveis referidos por Begonha (1997, 2001), designadamente singenite, gesso, thenardite e halite e ainda quatro minerais de sais solúveis não referenciados no estudo anterior (aphthitalite, nitratite, niter e calcite). A glauberite, mencionada no estudo anterior, não foi observada nas três eflorescências estudadas.
Nos dois estudos, os sulfatos são os minerais de sais solúveis dominantes. A singenite, o gesso e a thenardite aparecem nas eflorescências dos dois trabalhos e a aphthitalite apenas na presente dissertação. De realçar ainda que o niter e a nitratite, não mencionados por Begonha (1997, 2001) aparecem nas eflorescências HSA 202 e HSA 205.
6.3.ESTUDO MINERALÓGICO DE EFLORESCÊNCIAS RECOLHIDAS EM PROVETES CONSTITUÍDOS POR