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PROGRAMME DE PREVENTION

A primeira sequência trabalhada com os alunos teve como objetivo apresentar o conceito de conto maravilhoso, esclarecer a finalidade de produzir os contos maravilhosos e identificar as personagens e a sequência de ações.

Após termos trabalhado os conceitos de conto, de personagens com foco no herói e de sequência de ações também centrada na figura do herói, a pesquisadora conversou com os alunos sobre a figura do interlocutor, do destinatário, ou seja, explicou a necessidade de escrevermos para alguém.

PESQUISADORA: Só que quando nós formos construir os nossos contos, nós vamos escrever esses contos para quem? Nós vamos escrever para a escola ver, a gente vai colocar num mural? Ou a gente vai escrever para os pais de vocês? Num dia de reunião a gente pode fazer um varalzinho ali fora, com os contos? Ou a gente vai escrever para montar um álbum para ficar na biblioteca? [Que foram os contos construídos pelos alunos do 4º ano, da pesquisadora Angela, do curso de Mestrado.] Para quê? Para quem? GABRIEL: Para biblioteca.

PESQUISADORA: O Gabriel acha que é para gente fazer um álbum para biblioteca, quem concorda com ele?

PESQUISADORA: A maioria? Tá bom, então. Eu também gostei dessa ideia.

PESQUISADORA: Quem quiser ir à biblioteca pegar o nosso álbum emprestado para ler, para conhecer os contos de vocês, olha que chique o nosso álbum, a gente pode encadernar, fazer uma capa bem bonita, não é?

Para Bakhtin a língua é viva e existe na relação com o outro, nas relações sociais. O autor afirma que ―a palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim e os outros. Se ela se apoia sobre mim numa extremidade, na outra apoia-se sobre o meu interlocutor. A palavra é o território comum do locutor e do interlocutor.‖ (2006, p. 115). Nessa perspectiva, buscamos ensinar para os alunos que o autor ao escrever deve ter presente o outro para o qual se dirige, como locutores devem ter claro quem são seus interlocutores.

Os alunos ouviram a leitura do conto com bastante atenção. Após a leitura, a pesquisadora perguntou se o conto era parecido com a piada, a biografia e a notícia. Neste momento a pesquisadora verificou, pelas respostas, que os alunos perceberam que o conto maravilhoso é bem diferente dos gêneros textuais apresentados na atividade exploratória.

Para realizar a leitura silenciosa do conto os alunos levaram cerca de treze minutos. A pesquisadora fez algumas observações nesse momento, oito crianças vocalizaram o texto durante a leitura silenciosa, três crianças usaram o dedo para acompanhar a leitura, sendo que uma usou até a régua e dois alunos se perderam no ato da leitura. O gesto revela que a escola ensina a escrita como se ela fosse linear, uma palavra atrás da outra, ou seja, a escola não ensina os alunos a ler os vazios, os significados e as ideias. Após a leitura silenciosa do conto, a pesquisadora trabalhou quem eram as personagens. Os alunos as identificaram, caracterizando-as. A pesquisadora foi escrevendo na frente a sua caracterização, como podemos verificar na foto que se segue.

Foto 1: Cartaz de personagens. Fonte: A autora (2013).

As crianças levaram cerca de cinco minutos para realizar em duplas a identificação das personagens. Em seguida a pesquisadora trabalhou a sequência de ações, os alunos levantaram a sequência do conto, depois de terem trabalhado em duplas por cerca de seis minutos para cochichar sobre as ações. Durante o cochicho, observamos que as crianças tiveram um pouco de dificuldade e falavam alto, revelando que não estavam acostumadas a trabalhar coletivamente, em colaboração.

Neste episódio verificamos que a pesquisadora atuou como escriba da turma. Na foto que se segue observamos este processo de escrita coletiva das sequências de ações do conto em um cartaz.

PESQUISADORA: Crianças, então nós vamos agora escrever, vocês vão

falar para mim a sequência de ações da história. Primeiro... então eu vou

aqui pela ordem.

LUDMILA: Pitá e Moroti amavam-se muito.

JOSÉ LEONARDO: Nhandé Iara não queria que eles ficassem juntos. LUDMILA: Por isso ela encheu a cabeça da jovem com coisas más.

MARINA: Numa tarde de pôr do sol os guerreiros e as donzelas passeavam perto do rio Paraná.

HERNANE: Moroti disse: “Querem ver o que esse guerreiro é capaz de fazer por mim?”. Jogou o bracelete na água.

ANA CÁSSIA: Pediu pra Pitá pegar o bracelete.

VALDO: Pitá se joga no rio pra pegar o bracelete e assim ele é pego pela feiticeira.

LARISSA: Moroti se arrepende por ter jogado o bracelete no rio. JOSÉ LEONARDO: Porque ele não voltou para a superfície. LUDMILA: Moroti se arrepende.

JOÃO PAULO: As pessoas ficam preocupadas.

HERNANE: Porque Pitá não voltou pra superfície. Aí Moroti se arrepende de ter jogado seu bracelete na água.

JOSÉ LEONARDO: Depois as mulheres ficam chorando e se lamentam, enquanto os anciãos ficam fazendo preces para o guerreiro voltar.

SANDRA: Pegcoé, o pajé, explicou o que ocorria, disse a ela que tinha certeza que Pitá tivesse muito bem.

LARA: Agora, Pitá é prisioneiro da I Cunhã Pajé.

JOSÉ LEONARDO: Ela enfeitiçou ele pra ele ficar com ela lá no fundo. GRICELI: Moroti falou que ela ia buscar Pitá.

JOSÉ LEONARDO: Pegcoé falou que só ela podia buscar Pitá.

LUDMILA: Durante toda noite a tribo esperou que os jovens aparecessem. ANA CÁSSIA: As mulheres chorando, os guerreiros cantando e os anciãos esconjurando o mal.

PESQUISADORA: Isso, e depois?

JOSÉ LEONARDO: Aí, depois, com os raios da aurora, uma flor dentro do rio, que era vermelha e branca, o branco representava a Moroti e o vermelho representava Pitá.

Foto 2: Escrita coletiva das ações do conto. Fonte: A autora (2013).

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