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arenosa, possuir um considerável potencial hídrico de boa qualidade e clima favorável para a produção de frutas e hortaliças sob irrigação.

Dentre as hortaliças com potencial de produção no Estado, destaca-se a cultura da melancia que vêm apresentando um acréscimo na área cultivada a cada ano. Se�ndo Andrade Júnior & Duarte (1999), de um volume médio anual de 11.250 t de melancia, o Estado contribuiu com 1.795 t, o que representa cerca de 16 % do mercado. Constataram que, apesar da participação do Estado ainda ser baixa em comparação a Pernambuco e Bahia, esse volume comercializado representa um acréscimo de quase 100 % em relação ao do período anterior ( 1986-1991 )(Duarte et ai., 1992 ), comprovando a expansão que essa cultura apresentou nos últimos seis anos.

As hortaliças têm o seu desenvolvimento e rendimento influenciados pelas condições de clima e umidade do solo. O teor de água no solo exerce influência tanto pela deficiência como pelo excesso (Marouelli et ai., 1996; Reichardt, 1987). Segundo Filgueira (1982) e Casali et ai. (1982), é indispensável, para a cultura da melancia, o uso bem controlado da irrigação, para a obtenção de elevadas produtividades e frutos de melhor qualidade. Além disso, se�ndo os mesmos autores, a melancia' apresenta consumo de água diferenciado ao longo do seu ciclo, sendo que a exigência aumenta do início da ramificação até a frutificação, quando a ocorrência de deficiência hídrica atrasa o crescimento e diminui o tamanho dos frutos. A fase crítica é a que vai da frutificação até o início da maturação, quando a produção é altamente afetada pelo déficit hídrico.

Alguns trabalhos constataram relação de dependência entre o nível de água no solo, o desenvolvimento e a produtividade da cultura da melancia. Em Petrolina (PE), região do Submédio São Francisco, Soares et ai. (s.d.) verificaram que os níveis de irrigação 25 %, 50 % e 75 % da água no solo não proporcionaram diferença si_gnificativa na produtividade da melancia. No entanto, observaram um ligeiro acréscimo no peso médio dos frutos, na segunda colheita, quando a irrigação foi efetuada com o consumo de 25 % da água disponível no solo.

Hedge (1987) analisou os efeitos da irrigação sobre a produção de matéria seca, produtividade e eficiência do uso de água (EUA) da melancia. Concluiu que os melhores resultados quanto à produção de matéria seca (193 g.planta-1) e produtividade (35,58 t.ha-1) foram obtidos com a manutenção de elevados teores de água no solo. O mesmo autor, verificou ainda, que o estresse hídrico correspondente a um potencial mátrico de água no solo de -75 kPa, imposto durante as fases de pré-floração, floração e desenvolvimento dos frutos, reduziu significativamente a produção de matéria seca ( 16- 18%) e a produtividade da melancia (19-24%). Com relação à EUA, constatou uma variação de 84,3 a 99,5 kg ha-1 mm-1 com a imposição de potenciais de água no solo de - 25 a -75 kPa durante as fases de pré-floração, floração e desenvolvimento de frutos.

Rudich et ai. (1978) observaram que a irri_gação contínua da melancia durante a fase de desenvolvimento dos frutos resultou em uma produtividade de 54,4 t.ha-1, o que

representou um acréscimo de 48% na produtividade final da cultura em relação ao tratamento que não previa a irrigação nessa fase.

Dentre os vários métodos para o manejo da irrigação existentes, o do tanque Classe A tem sido amplamente utilizado em todo o mundo devido, principalmente, ao custo relativamente baixo, possibilidade de instalação próximo da cultura a ser irrigada e a sua facilidade de operação (Volpe & Churata-Masca, 1988), além dos resultados satisfatórios para a estimativa hídrica das culturas (Klar, 1974; Sediyama, 1987; Saad & Scaloppi, 1988; Lima & Silva, 1988 e Bastos, 1994).

A evaporação da superficie de água do tanque Classe A fornece uma medida do efeito integrado da radiação solar, vento e umidade relativa do ar, os quais são os mesmos elementos climáticos que afetam a demanda hídrica da cultura em condições de campo (Klar, 1991a e Doorenbos & Pruitt, 1997a). Por isso, com a finalidade de estimar com maior precisão a evapotranspiração da cultura, torna-se bastante interessante a determinação de um coeficiente denominado de fator de evaporação do tanque Classe A (Kt), que correlacione os elementos climáticos envolvidos no processo com as reais necessidades hídricas das culturas em cada região específica.

Mangai et ai. (1985) analisaram os efeitos de diferentes níveis de irrigação (0,4; 0,6; 0,8 e 1,0) em função da evaporação do tanque Classe A (ECA) sobre a

produtividade e crescimento da melancia. A aplicação do nível 1,0 da ECA possibilitou a obtenção da maior produtividade da cultura (8,45 t ha-1 ).

Rudich et al. (1978), analisando o efeito da irrigação em diferentes fases do ciclo da melancia, observaram que a melhor produtividade (54,4 t.ha-1) foi obtida irrigando-se as plantas durante toda a fase de desenvolvimento dos frutos. As lâminas de irrigação aplicadas foram calculadas em 70% (Kt = O, 7) da evaporação diária do tanque Classe A. O incremento na produtividade foi devido, principalmente, ao efeito da irrigação sobre o peso médio do fruto.

Srinivas et al. (1989), estudando os efeitos de quatro níveis de irrigação (0,25; 0,50; O, 75 e 1,00) em função da evaporação do tanque Classe A (ECA) sobre uma cultura de melancia irrigada por gotejamento, verificaram que a produtividade máxima (31,0 t.ha-1) foi alcançada com a utilização de Kt = 1,0, embora não tenha sido diferente estatisticamente da produtividade obtida com a aplicação de Kt = 0,75 (29,5 t.ha-1).

Nas condições edafoclimáticas da microrregião do Litoral Piauiense, Andrade Júnior et al. (1997) avaliaram o efeito de diferentes níveis de irri_gação por _gotajamento sobre a produção e a qualidade de frutos de melancia. Os níveis de irrigação foram baseados em frações (0,2; 0,4; 0,6; 0,8 e 1,0) da evaporação do tangue Classe A. Os resultados mostraram que o peso médio de fruto comercial (9,8 kg) e a produtividade comercial (65,4 t ha-1) máximos foram obtidos com a aplicação do nível de irrigação equivalente a O, 7 da evaporação do tanque Classe A, que representou a aplicação de uma lâmina total de 410,9 mm.

Sob as mesmas condições edafoclimáticas e adotando metodologia semelhante, porém, em ensaio conduzido de setembro a novembro de 1997, Andrade Júnior et al. (1998b) verificaram que o peso médio de fruto comercial (9,4 kg) e a produtividade comercial (62,6 t ha-1) máximas foram obtidos com a aplicação do nível de irrigação correspondente a 0,6 da evaporação do tanque Classe A (326,5 mm).

Observou-se gue a cultura da melancia apresenta respostas, as mais variadas possíveis, em termos de crescimento e de produção, face às condições hídricas e à demanda evapotranspirativa da atmosfera dos locais onde os estudos foram executados. Por isso, a definição quanto ao manejo da irrigação da cultura a ser adotado é

aconselhado apenas para as referidas condições. Para o caso específico da microrregião do Litoral Piauiense, os resultados de pesquisa, visando a máxima eficiência técnica, têm apontado para a utilização de lâminas de irrigação entre 300 e 400 mm durante todo o ciclo (Andrade Júnior et ai., 1997; Andrade Júnior et ai., 1998b). A ocorrência de deficiência hídrica durante as fases de floração e enchimento dos frutos reduz sensivelmente a produtividade da cultura. De acordo com a literatura não há dúvidas quanto à viabilidade técnica da irrigação da melancia. Entretanto, o mesmo não se pode afirmar quanto à economicidade dessa prática devido a carência de trabalhos com o objetivo de analisar a viabilidade econômica da irrigação nessa cultura, notadamente, sob condição de risco climático e econômico.

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