A análise de mapas cognitivos visa gerenciar a complexidade inerente desses mapas, dado o grande número de aspectos (informações) presentes, de forma a facilitar a sua compreensão. Com isso, se reconhece que, na maioria dos casos, os mapas são formados por um número elevado de nós (conceitos), portanto, a análise dos mesmos se torna uma atividade relativamente complexa, assim, surge a necessidade de identificar as características estruturais para que se consiga efetuar a análise [70].
Os mapas cognitivos são definidos como grafos onde cada conceito é considerado um nó e uma relação de influência é uma ligação. Estes mapas apresentam uma estrutura hierárquica formada por (conceitos) meios-fins que podem, dependendo das circunstâncias, ser quebrado devido a laços fechados entre os nós [70].
Neste sentido, para que o mapa cognitivo possa ser utilizado para estruturar o modelo multicritério, primeiramente, é preciso definir quais são os aspectos, dentro do contexto decisório, que os decisores consideram essenciais e desejáveis de serem levados em conta no processo de avaliação das ações. Esses aspectos constituem os eixos de avaliação do problema, ou seja, as dimensões consideradas como relevantes (segundo os valores dos decisores) para avaliar as ações potenciais [70].
Esta etapa de identificação dos eixos de avaliação, que precede a determinação dos pontos de vistas fundamentais, dá início ao processo de transição de um mapa cognitivo para um modelo multicritério. Os meios para que isso ocorra se
atribuem a uma série ferramentas que são separadas em dois grandes grupos: a análise tradicional e a análise avançada; as quais serão descritas a seguir [70].
5.5.7.1 Análise Tradicional de Mapas Cognitivos
Neste tipo de análise as propriedades dos mapas cognitivos são estudadas mais analiticamente ao invés de intuitivamente, de modo a levar em consideração a priori a forma do mapa e não seu conteúdo. Consiste, assim, em um procedimento que procura colocar certa ordem no mapa [70].
Por ser formado por uma estrutura hierárquica de conceitos-meios e conceitos- fins, o mapa cognitivo pode ser interpretado por meio das relações (das ligações de influência) existentes entre esses conceitos. Ao analisar as ligações começando pelos conceitos meios e caminhando rumo à conceitos superiores, se chega aos conceitos fins. O mesmo se aplica aos conceitos fins, que ao se regredir nos níveis hierárquicos, se chega aos conceitos meios (mostra a forma como são obtidos os fins). Ou seja, estas ligações, por obedecerem uma hierarquia, permitem uma leitura do mapa [70].
Neste sentido, ao interpretar um mapa cognitivo o facilitador, além de analisar as ligações de influência, deve identificar quais são os conceitos cabeças e aqueles que são rabos. Os conceitos cabeças são os nós dos quais não partem nenhuma flecha, somente chegam flechas, enquanto que os conceitos rabos são aqueles que não chega nenhuma flecha, somente saem flechas [70].
Os conceitos cabeças revelam os objetivos (fins, resultados, valores) mais fundamentais, consequentemente, mais estratégicos para os decisores (são os mais superiores no nível hierárquico). Geralmente, o que se aconselha é chegar em um único conceito cabeça, contudo, pode haver mais de uma cabeça em um mapa. Nessa situação, o número de cabeças pode indicar a existência de uma série de objetivos (valores) a serem considerados para a resolução do problema [70].
Os conceitos rabos revelam os meios (ações, alternativas ou opções) para se atingir os objetivos (fins). Neste caso, um número elevado de rabos indica a existência de múltiplas formas de se obter os objetivos dos decisores, desta forma, é possível descobrir novas ações fazendo com que o mapa se expanda em direções aos meios, descendo na hierarquia de conceitos [70].
Um ponto comum de ocorrer nos mapas, dado o discurso dos decisores, é a ocorrência de laços de realimentação. Tal fenômeno ocorre quando um conceito meio
influência um conceito fim que, por sua vez, influência este mesmo conceito meio. A ocorrência de circularidade, acaba com a estrutura hierárquica do mapa cognitivo, portanto, deve ser desfeita. Para tanto, a melhor maneira de se eliminar a circularidade é retirando a ligação de influência do conceito que for julgado mais fim com o conceito julgado mais meio [70].
Por fim, a última etapa da análise tradicional envolve a análise de clusters, ou seja, do conjunto de nós que são relacionados fortemente entre si. Neste contexto, dentre os tipos de ligações existentes no mapa cognitivo, se priorizará, para a formação destes agrupamentos, as ligações intra-componentes (mais fortes) perante as ligações inter-componentes (mais fracas). Assim, neste processo, ocorrerá a divisão do mapa em um conjunto de clusters, o que possibilita uma visão mais "macroscópica" do mapa e, portanto, reduzindo a complexidade cognitiva do mapa (permite a separação do mapa global em mapas menores) [70].
Neste trabalho, para a determinação dos clusters utilizará a forma manual (apesar de existir a forma automática por meio do software Decision Explorer). Esse processo consiste em agrupar manualmente os conceitos que apresentam sentidos semelhantes e representam uma área de interesse para o decisor. Isto requer que o facilitador não considere apenas a forma, mas também (somente nesta etapa) o conteúdo dos conceitos [70].
Após concluída essa análise, se prossegue com a análise avançada.
5.5.7.2 Análise Avançada de Mapas Cognitivos
Esta análise busca identificar os eixos de avaliação, para isso, recorre-se à forma e ao conteúdo do mapa cognitivo. Primeiramente, deve-se identificar as linhas de argumentação no mapa cognitivo, ou seja, cada cadeia de conceitos que são influenciados e hierarquicamente superiores a cada um dos conceitos rabos identificados. Uma linha de argumentação sempre se inicia em um nó-rabo e termina em um nó-cabeça. Por ser vinculada a forma, as linhas de argumentação, muitas vezes na prática são identificadas diretamente sobre o mapa [70].
Após identificadas as linhas de argumentação, busca-se encontrar os ramos, os quais são formados por uma ou mais linhas de argumentação que apresentam conteúdo semelhante umas às outras. Desta maneira, um ramo está associado
essencialmente ao conteúdo do mapa, ou seja, as ideias expressas nos conceitos [70].
Concluído a identificação dos ramos, o que requer a presença do decisor junto ao facilitador, termina-se a fase de análise do mapa cognitivo. E, a partir de cada ramo que se efetuará a pesquisa em busca dos pontos de vista que os decisores desejam considerar no modelo multicritério [70].