3.4 Seconde épreuve orale
4.1.1 Énoncé de la première épreuve écrite
O conceito original de filantropia desenvolvido no início do século passado parte do princípio de que a ação social não começa devido à aceitação de um conceito traduzido no planejamento estratégico de uma entidade ou organização especializada em fazer doações, nasce, fundamentalmente, da decisão individual de um possuidor de bens ou recursos financeiros, que acredita que esses recursos doados a uma entidade ou a uma causa poderão fazer a diferença na vida de várias pessoas.
Não é raro encontrarmos pessoas que marcaram a história recente da filantropia brasileira, seja doando para ações de saúde, como o Conde Francisco Matarazzo (Hospital Matarazzo), para as artes, como Assis Chateaubriand (Museu de Artes de São Paulo – MASP), ou em outras áreas. No entanto, infelizmente, esses ilustres personagens foram insubstituíveis nas organizações que receberam seus apoios, não conseguindo instituir no interior de suas famílias (ou negócios) a continuidade de sua filantropia. Poderíamos dizer que foi uma filantropia personalizada, que assistiu ao desmonte da organização após o falecimento do seu fundador. Por isso, esta lição faz pensar como institucionalizar ações individuais para que se tornem perenes – questão fundamental para a ―Nova Filantropia‖.
Outro ponto muito difundido pela tradicional filantropia é a idéia de que basta dar dinheiro para resolver qualquer problema. Em certo sentido, doar também é um ―negócio‖. Não no sentido capitalista, de sempre se buscar uma vantagem financeira, mas no sentido de maximizar resultados e/ou impactos dos benefícios
para o bem comum, implicando na necessidade de entendimento que todo e qualquer recurso financeiro doado deve também atender a questões básicas como: onde investir, como investir, quando investir, como buscar o maior retorno, etc. Doar é um ato que deve ser estratégico, eficiente e eficaz, exigindo uma estrutura com profissionais capacitados para trabalharem com os recursos doados.
Pode-se ainda citar mais um elemento importante para a ―Nova Filantropia‖, que é o entendimento sobre o bem-comum. O melhor ponto de partida para essa compreensão é a Carta Universal dos Direitos Humanos, lançada em 1945 pela Organização das Nações Unidas (ONU), definindo os valores básicos que deveriam ser buscados por toda a humanidade, e por todas as nações e governos - sem preconceitos de cor, sexo, idade, nacionalidade ou qualquer outro elemento que poderia ser discriminatório ao direito de todo indivíduo à felicidade e à auto- realização.
Esse documento foi de extrema importância, pois permitiu reconhecer um conjunto de valores e necessidades para se atingir o bem-comum. E é neste sentido que a ―Nova Filantropia‖ deverá estar comprometida, garantindo os direitos fundamentais das populações, tais como direito, justiça, saúde e educação, como diz Kisil (2006), presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), no artigo Uma “Nova Filantropia” na Sociedade Brasileira: o Investimento Social Privado:
(A) ‗nova filantropia‘ busca, assim atender aos direitos do cidadão como ponto central de sua ação, colocando também em evidência a questão da sustentabilidade do planeta e do próprio homem dentro dele. Não aceita a exclusão de milhões de seres humanos do acesso a oportunidades para seu desenvolvimento e felicidade. Assim, sua área de interesse se expande do social para o ambiental, para o econômico e para o político, buscando eliminar a exclusão de importante parcela dos seres humanos. Trata-se de entender o investimento social não como uma expressão externa à responsabilidade social do indivíduo, da empresa, ou da família, mas como uma relação com o desenvolvimento sustentável da humanidade como um todo.
Assim a ―Nova Filantropia‖ passou a buscar uma inserção em temas de maior complexidade, exigindo maior planejamento estratégico e estruturação, maior profissionalismo, articulação com os governos, com o mundo empresarial, com a sociedade civil organizada e com as universidades. Com esta articulação, a ―Nova Filantropia‖ buscou e continua buscando aperfeiçoar-se adequando à realidade,
encontrando uma melhor definição de papéis, bem como nichos estratégicos de atuação.
Porém não se pode é esquecer que essas instituições estão ligadas diretamente as suas empresas mantenedoras, que tem total controle sobre elas. Na maioria das vezes, os recursos para a atividade filantrópica vêm da empresa ―mãe‖, e esta por sua vez depende dos seus lucros anuais; já há outras que recorrem aos recursos de outras empresas; há ainda aquelas que já estão caminhando com os ―próprios pés‖, atuando principalmente na área de saúde, que é caso dos hospitais filantrópicos, que atualmente são 1.340 hospitais, representando cerca de 1/3 de todo atendimento a saúde do país, conforme dados do DataSUS.
Apesar dessa representatividade, esses hospitais têm apresentado na sua maioria resultados operacionais deficitários, resultado não só da falta de atualização dos preços praticados pelo SUS (principal comprador dos serviços dessas instituições) mais por outros fatores.
As dificuldades financeiras no setor ainda são constantes. Por isso, sobrevier no atual mercado exigirá dos hospitais além de uma busca incessante por melhores profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas, além de profissionais como economistas e administradores da saúde), uma gestão eficiente e profissional, e principalmente instalações modernas, tecnologia de ponta e sistemas de informações, para se tornarem dinâmicas e competitivas: ou seja, inovar é preciso.
Portanto, tem-se no Brasil um ambiente filantrópico ainda em adaptação, saindo da tradicional filantropia para uma nova filantropia: mais dinâmica e fortalecida. Por isso que é importante que essas instituições desenvolvam estruturas cada vez mais sustentáveis para garantir melhores resultados financeiros, conseqüentemente melhores resultados sociais.