DÉFINITION, QUALITÉ ET CARACTÉRISTIQUES DES INDICATEURS
1. Le programme d’analyse concertée des transformations et des équilibres urbains (acteur)
Quando Francis Bacon, ao idealizar sua teoria na defesa da colocação do saber a serviço da dominação da natureza, utilizando-a para a melhor sorte da humanidade, não imaginava a sua realização pelo capitalismo e as dimensões do êxito que a mesma atingiria. A magnitude desse êxito pode transformar o ideal baconiano numa verdadeira catástrofe. Jonas (2006, p. 235) cita dois grandes aspectos a partir dos quais esse êxito deve ser compreendido: o econômico e o biológico. O primeiro, caracterizado pela crescente produção de bens per
capita, tanto em quantidade como variedade, além da redução do dispêndio do trabalho
humano, a consequente elevação do bem-estar social e o aumento considerável do consumo no interior do sistema. Tudo isso, Jonas resume no que ele chama de “crescimento enorme do intercâmbio metabólico entre o corpo social e o ambiente natural” (JONAS, 2006, p. 235). O segundo êxito – o biológico – aumentou potencialmente o perigo do esgotamento dos recursos naturais provocados pelo primeiro. O crescimento exponencial da população acelerou o metabolismo referido anteriormente.
Uma população estática poderia em determinado momento dizer: “Basta!” Mas uma população crescente obriga-se a dizer: “Mais!” Hoje começa a se tornar assustadoramente evidente que o êxito biológico não só coloca em questão o êxito econômico, reconduzindo-nos do efêmero banquete da abundância para o quotidiano crônico da miséria, mas ameaça levar-nos a uma catástrofe aguda da humanidade e da natureza, de proporções gigantescas. A explosão demográfica compreendida como problema metabólico do planeta, rouba as rédeas da busca de uma melhora no nível de vida, forçando a humanidade que empobrece, na luta pela sobrevivência mais crua, àquilo que ela poderia fazer ou deixar de fazer em função da sua felicidade: uma pilhagem cada vez mais brutal do planeta, até que este diga a última palavra, não mais consentindo a sua superexploração. (JONAS, 2006, p. 236)
Até tempos atrás, a técnica não interferia nas leis da ecologia, de forma que ainda havia um equilíbrio entre as quantidades de populações de cada espécie. Esse equilíbrio ecológico ainda há de impor-se de maneira mais brutal que os limites que a técnica ousou avançar e torna-se um mistério – como parte da humanidade, que seguirá vivendo sobre uma Terra devastada, conseguirá sobreviver.
Bacon jamais imaginou que o seu ideal de transformar o poder súdito do saber poderia se inverter, tornando a sua promessa de salvação em uma perspectiva de apocalipse. Um poder de primeiro nível que parecia se voltar a um mundo de recursos inesgotáveis, transforma-se em um poder de segundo nível, que foge ao controle de seu usuário.
Jonas (2006) defende a ideia de que é preciso surgir um poder de terceiro nível capaz de frear a dominação que arrasta o condutor, antes que se esborrache de encontro aos limites da natureza. Esse poder deve ter a pretensão de libertar o homem do poder de segundo nível, que é dono de si próprio e que não mais pertence ao homem, tornando-se mero executor involuntário de sua capacidade. Mas onde se deve buscar esse poder? Jonas (2006, p. 237) responde dizendo que esse poder “tem de surgir da própria sociedade, pois não há perspectiva, responsabilidade ou medo privado que esteja à altura dessa missão”. Uma questão que fica em aberto é: que tipo de sociedade afinal Jonas se refere? Suspeita-se que de uma sociedade ideal. Ao observar que a economia livre das sociedades industriais é o centro dessa dinâmica, Jonas apela para a análise do marxismo como uma possível alternativa, na tentativa de nos socorrer. Mas o ponto de vista que Jonas analisa é o da salvação em relação à desgraça e não o da realização de um sonho como prega o marxismo.
O que parece evidente é que só o máximo de uma disciplina social politicamente imposta – que o marxismo parece dar muito mais conta do que o capitalismo – seria capaz de garantir longa duração aos imperativos que deverão ser novamente formulados. Porém, há um problema inicial de emergência que o marxismo, por ser um programa progressista, não daria uma solução imediata.
A responsabilidade da qual se está falando envolve um conteúdo totalmente novo diante da transformação imensurável do agir humano nos últimos tempos, e possui um alcance jamais visto sobre o futuro no âmbito do fazer político e, em consequência, da moral política. Esse é o marco temporal da responsabilidade coletiva atual.
Jonas (2006, p. 212) reafirma a necessidade de – ao contrário da perspectiva platônica, que tinha por objetivo o temporal torna-se eterno por meio do Eros – a conservação da espécie possuir conotação de temporalidade. Essa visão horizontal, do caminho que o homem deve tomar, faz-se necessária quando se fala de responsabilidade, ao contrário do que Platão defendia com o Eros voltado para a eternidade e não para a temporalidade.
O que se buscava no Eros platônico, era algo que o tempo não poderia afetar e que nada poderia suceder, não sendo possível, nesse caso, que esse “algo” fosse objeto da
responsabilidade. “Só se é responsável por aquilo que é mutável, ameaçado pela decadência,
em suma, pelo que há de mortal em sua mortalidade” (JONAS, 2006, p. 212).
O que Jonas tenta clarear é que o “bem supremo” está não mais no eixo das ordenadas, mas no das abscissas, portanto, na escala temporal que representa o futuro do sujeito. Esse fim deve ser atingindo de maneira progressiva por intermédio da atividade cumulativa (cognitiva e moral) dos muitos sujeitos que surgirão ao longo dessa escala.
Com a tomada do poder, não planejada, pela tecnologia, a dinâmica histórica ganhou novos aspectos que não se faziam presentes em outras teorias, inclusive a marxista, embora esta fosse a mais propensa a assumir o papel de interlocutor no esforço teórico que Jonas pretende fazer em busca de uma ética da responsabilidade.
Tal situação torna caducas todas as perspectivas anteriores e estabelece deveres para a responsabilidade, cuja magnitude, em comparação com as quais a grande questão que agita os intelectos a respeito de qual seria a melhor sociedade para o homem – se socialista ou individualista, autoritária ou livre – se transforma na questão secundária de saber qual dessas sociedades é mais apta a lidar com situações futuras: uma questão de oportunidade, talvez um imperativo de sobrevivência, mas não mais uma questão de ideologia. (JONAS, 2006, p. 215)
Para Jonas, confiar na razão da história imanente seria algo não mais aceitável, e seria uma banalidade considerar um sentido autorrealizável dos acontecimentos. Jonas conclui que, diante disso e sem um fim sabido, é preciso tomarmos em nossas mãos o processo que segue avante de uma maneira completamente nova.
4 PRINCÍPIO RESPONSABILIDADE: UMA ANÁLISE APLICADA À GESTÃO