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LE PRODUIT

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Todos os participantes listaram pelo menos um ponto que consideravam ser negativo na sua experiência de desemprego. Houve alguns participantes que não conseguiram identificar algo que considerassem como sendo positivo, deixando este espaço em branco, ou escreveram, no campo de respostas, não haver aspetos positivos nas suas experiências. Para ambos os casos, criou-se uma categoria (“não há”).

A frequência absoluta de aspetos listados variou de zero a quatro para os positivos e de um a cinco para os negativos. Alguns participantes listaram, dentro dos mesmos aspetos, dois ou mais pontos pertencentes à mesma categoria, pelo que, neste caso, apenas uma referência foi contabilizada. Por exemplo, dentre os aspetos negativos, um participante referiu “stresse” e “ansiedade”. Neste caso, como as duas unidades de análise diziam respeito a uma mesma categoria, contabilizou- se a referência apenas uma vez. O percentual de concordância entre os juízes para a elaboração das categorias temáticas foi de 90%.

Da análise dos dados da amostra portuguesa, foram constituídas treze categorias temáticas, sendo sete concernentes aos aspetos negativos e seis aos positivos (ver Anexo 4). Da análise dos conteúdos da amostra brasileira, para além destas categorias, foram constituídas mais duas, sendo uma dos aspetos positivos e outra dos aspetos negativos. Em ambas as amostras, as categorias mais referidas como negativas e positivas, respetivamente, foram Finanças (PT = 58.21%; BR = 50.91%) e Tempo (PT = 61.37%; BR = 52.99%). Dentre as de menor referência, estão, de um lado, a categoria Limitações na vida social (PT = 6.47%; BR = 20.00%) e, do lado das positivas, apareceram Indicadores de saúde para a amostra portuguesa (6.21%) e Paliativos para a amostra brasileira (5.97%). A Tabela 11 apresenta as categorias com a respetiva definição de cada uma delas, bem como exemplos retirados das respostas dos participantes. São apresentadas também as

93 percentagens calculadas sobre a frequência total referida em cada uma das amostras.

Em ambas as amostras, a percentagem de referências a aspetos negativos é ligeiramente superior que a dos aspetos positivos, no entanto observa-se que esta diferença é ligeiramente maior nos portugueses (58% vs. 42%) que nos brasileiros (55% vs. 45%). As amostras apresentaram percentuais de referências semelhantes nas categorias diminuição da autorrealização (PT = 5.97%; BR = 4.84%), investimento em qualificação (PT = 8.97%; BR = 8.96%), impacto psicológico negativo (PT = 12.44%; BR = 10.30%) e indicadores de saúde (PT = 6.21%; BR = 8.96%). As diferenças mais acentuadas encontram-se nas categorias alterações no estilo de vida (PT = 6.47%; BR = 20.00%); não há (PT = 16.67%; BR = 8.22%), e tempo (PT = 61.37%; BR = 52.99%).

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Tabela 11. Categorias Temáticas, Definições e Exemplos

Categorias +FPT +FBR Definição Exemplos

Aspe tos N eg at ivos

Finanças 58.21% 50.91% Abrange questões de ordem financeira, nomeadamente dificuldade em conseguir fazer face às dívidas mensais, diminuição do poder de compra e restrição do orçamento familiar

“Perda do poder aquisitivo”; “Difícil conciliar as contas no final do mês”

Impacto psicológico negativo

12.44% 10.30% Referência a sintomas psicopatológicos que surgiram após a perda de emprego, como ansiedade, depressão, esgotamento mental; diminuição de bem-estar e de autoestima.

“Sinto-me ansiosa e depressiva”; “Ansiedade, desânimo e baixa estima”

(Des)Organizaç

ão do tempo 9.95% 4.24% Dificuldade em organizar o dia-a-dia e lidar com a falta da rotina que antes era proporcionada pelo emprego; sentimento de ociosidade, de não estar a fazer algo de produtivo ou não conseguir gerir o tempo.

“Estar todo tempo em casa traz pensamentos que esgotam”; “Fico aborrecida e sinto-me passiva”

Alterações no

estilo de vida 6.47% 20.00% Insatisfação face às mudanças e ajustes que precisaram de ser feitos no padrão de vida familiar relativamente ao período anterior à situação de desemprego.

“Temos de andar de transportes públicos”; “Não podemos mais tirar férias em família”

Diminuição da

Autorrealização 5.97% 4.84% Efeitos negativos da insatisfação com o papel profissional face o desemprego, gerando diminuição da motivação para realizar atividades diárias e do

sentimento de autoeficácia

“Sinto-me desvalorizada profissionalmente”; “Tenho vergonha e não sei o que dizer ao meu filho”

Perturbações no ambiente familiar

5.47% 2.42% Problemas nas relações dentro da família (conjugais e/ou parentais), aumento da tensão no ambiente familiar, sentimento de cobrança ou falta de apoio do cônjuge

“Brigas e discussões com minha companheira”; “Cobrança familiar”

Incerteza * - 6.06% Insegurança e baixas expectativas com relação ao futuro;

impedimento ou adiamento de tomadas de decisões “Não posso planejar ter um filho”; “Penso no dia de amanhã” Limitações na

vida social 4.49% 1.21% Diminuição do círculo de amizades e do convívio diário com outras pessoas (proporcionado pela atividade laboral), sentimento de isolamento social

“Já não saio e tenho um lazer precário”; “Não estou com as pessoas”

95 Total 201 165 Aspe tos po si tivos

Tempo 61.37% 52.99% Ter mais tempo (para realizar atividades ou investir mais em papéis que antes, quando as demandas do emprego não permitiam

“Mais tempo para ir à igreja”; “Posso acompanhar mais de perto a escola do meu filho” “Não há” 16.67% 8.22% Não existem aspetos positivos por comparação à

situação anterior (com emprego vs. sem emprego) “Não vejo nada de positivo” Apoio familiar 15.86% 11.94% Fazem referência a família como rede de apoio;

sentimento de maior união e coesão entre os membros da família; referem-se à empatia e ao suporte

recebido/oferecido por parte do cônjuge e/ou filhos

“Estamos mais juntos e unidos”; “Força e motivação inspirada pelo meu companheiro” Investimento

em qualificação 8.97% 8.96% Oportunidade para adquirir novas competências, requalificar-se, investir em formações e cursos para se especializar e ter um emprego melhor ou maiores oportunidades de conseguir um novo emprego

“Adquiri novas competências”; “Oportunidade de voltar a estudar e repensar minha carreira”

Reinterpretação

positiva 7.59% 11.19% Significados atribuídos à experiência de desemprego como se fosse uma oportunidade de desenvolvimento, de autodescoberta; relatos como "lições de vida" e aprendizagens

“Aprendi a viver com o pouco e a reclamar menos”; “Agora sei com quem realmente posso contar” Indicadores de

saúde 6.21% 8.96% Sentimento de maior bem-estar em comparação à situação anterior, menos stress, alívio e maior disposição “Melhor agora, pois adoeci no meu último emprego”; “Sinto-me aliviada e mais descansada” Paliativos * - 5.97% Abrange elementos ou fatores que foram referidos não

propriamente por ser positivos, mas por atenuar ou amortecer as consequências negativas da situação de desemprego

“Moramos em uma casa própria”; “Meus filhos já são adultos e independentes”

Total 145 134

Nota. *categorias que emergiram dos dados da amostra brasileira; %PT = percentagem sobre a frequência total referida pelos portugueses; FBR

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3.3. Estudo de diferenças de satisfação em função do país, da

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