A recolha se dados foi efetuada em 3 momentos. Num primeiro momento, aplicaram-se os questionários e realizaram-se as entrevistas sem aplicação do Programa de intervenção, sendo este momento denominado como a fase “Pré-teste” (fev. 2007). Num segundo momento, após a aplicação do Programa de intervenção, foram replicados os instrumentos, sendo este momento denominado como o “Pós- teste” (julho 2007). Por fim, após um período de três meses de interrupção, seguido de 3 sessões de intervenção, procedeu-se ao “Follow-up”(nov. 2007). A lógica de aplicação dos instrumentos nestas 3 etapas teve como orientação identificar o ponto de partida relativamente à utilização das forças de caráter e virtudes, de acordo com as perspetiva subjetivas dos alunos (Pré-teste), para posteriormente identificar a eficácia do programa de intervenção utilizado, na eventual alteração da utilização que os alunos faziam das forças, de acordo com a sua autoavaliação (Pós-teste) e, por fim, aferir a durabilidade do efeito do programa, medindo novamente o nível de aplicação das forças, de acordo com as perceções dos participantes. (Follow-Up).
No total foram aplicados 81 questionários aos alunos do grupo experimental do 3.º ano de escolaridade e 87 aos alunos do grupo de controlo. Foram efetuadas 240 entrevistas aos alunos do 1.º e 2.º anos do grupo experimental e 165 entrevistas aos alunos dos mesmos anos pertencentes ao grupo de controlo.
Estes três momentos de aplicação tiveram em consideração a distinção feita entre 2 grupos: grupo de controlo e grupo experimental. O grupo experimental foi o único grupo alvo de aplicação do programa de intervenção.
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Aplicação dos Instrumentos
Previamente à aplicação dos instrumentos, enviamos uma informação aos encarregados de educação dos alunos que faziam parte do grupo de controlo, através dos seus educandos, esclarecendo-os sobre o projeto de investigação que iria ser implementado e solicitando autorização para aplicar os questionários e entrevistas aos seus filhos. Ainda nessa nota informativa formulamos um convite para participarem
numa apresentação final do trabalho desenvolvido (anexo 1 - pasta “ANEXOS-
Encarregados de Educação”). Este procedimento só foi aplicado a este grupo, dado que
os encarregados dos alunos do grupo experimental teriam outro tipo de abordagem, como mais à frente explicitaremos.
Os questionários foram aplicados pelo investigador e preenchidos, individualmente, pelos alunos do 3.º ano, no âmbito de cada turma, quer no grupo de controlo, quer no grupo experimental. Cada item foi lido pelo investigador e explicitado, sempre que suscitou dúvidas na compreensão, antes da resposta ser assinalada pelos alunos, para permitir a todos as mesmas condições de aplicação, dada a existência de alunos com dificuldades na leitura e na compreensão de textos. Tendo em conta a extensão do questionário, a aplicação foi feita em três momentos, para não gerar exaustão e desmotivação por parte dos alunos, diminuindo assim a probabilidade de erro ou respostas aleatórias. O preenchimento do questionário demorou, no total, cerca de 75 minutos. Este tempo justificou-se face à explicitação das questões menos compreensíveis, que foi necessário fazer para os alunos com mais dificuldades, tendo sido uma forma de introduzir rigor na recolha de dados.
As entrevistas foram igualmente efetuadas pelo investigador aos alunos dos 1.º e 2.º anos, quer do grupo de controlo, quer do grupo experimental e foram realizadas individualmente, tendo demorado em média 12 minutos.
Aplicação do Programa
A aplicação do Programa teve início a 5 de março de 2007, foi interrompido entre 26 de março e 9 de abril, durante a Páscoa e de novo no verão, por um período de três meses, finalizando a 26 de outubro do mesmo ano, tendo assim tido a duração de 17 semanas. A intervenção pelo período de duas semanas no mês de outubro, no início de um novo ano escolar, teve como objetivo sistematizar e consolidar os conteúdos abordados e centrou-se, naturalmente, no mesmo grupo de alunos já
intervencionados, mas agora a frequentarem os 2.º, 3.º e 4.º anos de escolaridade, uma vez que tinham, entretanto, transitado de ano.
No desenvolvimento do programa, entre março e outubro, foram utilizadas: 1) dezassete sessões para a exploração e abordagem das virtudes e forças de caráter, com periodicidade semanal e com a duração de 45 minutos, sendo que duas destas sessões ocorreram no mês de outubro; 2) nove oficinas do Ikebana, com os alunos, com periodicidade quinzenal e com a duração de 90 minutos por cada oficina, tendo sido, uma destas sessões, realizada em outubro; 3) dezasseis sessões para a agricultura natural consubstanciadas, fundamentalmente, na atividade experimental na horta pedagógica, com periodicidade semanal e com a duração de 60 minutos, todas ocorridas entre março e junho; 4) quatro oficinas do Ikebana realizadas com alunos, pais e professores, com periodicidade mensal e concretizadas igualmente entre março e junho.
O Programa foi aplicado pelo investigador, em coadjuvação com o professor titular de cada turma, na abordagem das três componentes fundamentais: sessões sobre as virtudes e forças de caráter; agricultura e Ikebana. As restantes atividades, nomeadamente: a) escrita de mensagens; b) partilha das experiências entre os alunos; c) distribuição de tarefas; e d) sistematização e generalização dos conteúdos abordados, foram da responsabilidade do professor titular de turma. A prática do relaxamento foi inicialmente desenvolvida pelo investigador, passando posteriormente a ser dinamizada pelos alunos, que se voluntariaram e prepararam cada sessão, em cada uma das turmas.
No grupo de controlo também existiu uma intervenção do investigador, ainda que não com a extensão do grupo experimental, pretendendo controlar o relacionamento estabelecido com os alunos do grupo experimental, como fator que pudesse interferir nos resultados obtidos.
Assim, a intervenção no grupo de controlo teve uma periodicidade mensal em cada turma e consubstanciou-se em atividades que não tinham qualquer relação com o programa de intervenção. Listam-se algumas das ações realizadas: explicar a técnica da divisão a alunos do 3.º ano; colaborar com a turma do 1.º ano na elaboração de um cartaz com os aniversários de cada um deles; realizar, em conjunto com a docente da turma, exercícios de correção ortográfica, no 2.º ano.
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Participação dos Docentes
Antes da aplicação do Programa existiu uma primeira sessão de formação dirigida às quatro docentes que lecionavam os alunos que integraram o grupo experimental, onde lhes foi explicada toda a estrutura e conteúdo da intervenção e estratégias práticas a utilizar na sua implementação.
Para além disso, durante a aplicação foram realizadas reuniões semanais, às 4ªs feiras, entre o investigador e os professores, para avaliação do trabalho desenvolvido durante a semana e para efetuar a programação detalhada do trabalho a desenvolver com os alunos, na semana seguinte. Estes momentos foram fundamentais para a colocação de dúvidas, esclarecimentos, opiniões e sugestões para o melhor ajustamento do programa a cada situação.
Nestes espaços de partilha foi também passado o testemunho da importância do trabalho a realizar e da consciência de que o seu sucesso resultaria, em larga medida, da intervenção do professor, da forma como ele envolvesse os alunos nas atividades e de como e quanto reforçasse as suas atitudes positivas e a prática das várias virtudes e forças.
Os professores participaram também, conjuntamente com os pais e alunos, nas oficinas do Ikebana (arte floral Japonesa), que especificamos no próximo capítulo (pag 153).
Participação dos Pais e Encarregados de Educação
Para abranger todos os agentes educativos centrais na vida das crianças, foram igualmente envolvidos os pais. Neste sentido, foram enviados convites aos encarregados de educação para a realização de três reuniões plenárias, como a seguir explicitamos:
1.ª Reunião – O convite enviado para esta 1ª reunião, para além de fazer a apresentação do investigador, fundamentava a pertinência do Programa e convidava os encarregados de educação a participarem na sua apresentação (anexo 2 - pasta
“ANEXOS-Encarregados de Educação”). Nesta reunião, para além da apresentação do
Programa, foi solicitada a sua colaboração relativamente à facilitação das tarefas que os alunos iriam levar para casa, no âmbito do desenvolvimento do programa. Foi
também pedido que acarinhassem e valorizassem as atitudes e os comportamentos positivos que os seus filhos demonstrassem, dentro dos constructos psicológicos em análise, e as ações que eles pusessem em prática, mostrando entusiasmo e incentivando-os a continuar.
Ainda nesta sessão foi dada informação sobre o funcionamento das oficinas do Ikebana, a realizar em final de tarde com uma periodicidade mensal, em que pais e filhos poderiam participar e ter oportunidade de vivenciar emoções, experiências, desenvolver sensibilidades e partilhar sentimentos, com a prática desta atividade.
Esta 1ª reunião realizou-se no final do mês de fevereiro e teve a participação de cerca de 60 pais, provenientes das quatro turmas que constituíam o grupo experimental. Esta reunião decorreu na Instituição, no período do almoço, por ser este o momento em que os pais mostravam mais disponibilidade em participar nas reuniões promovidas pela escola e demorou cerca de 45 minutos, incluindo o tempo de resposta às questões formuladas pelos pais.
No final de março os pais foram informados sobre a calendarização da abordagem específica de cada força de caráter e foi-lhes pedida colaboração para a apresentação das mesmas, com relatos ou testemunhos que as ilustrassem, através
de uma informação enviada pelos seus educandos (anexo 5 - pasta “ANEXOS-
Encarregados de Educação”). Caso estivessem interessados nessa colaboração
deveriam informar a Instituição para combinaram diretamente com o investigador o seu contributo e a forma de o operacionalizar. Contudo, não tivemos a colaboração de nenhum deles, alegando compromissos profissionais.
2.ª Reunião – Apresentar uma sistematização do trabalho desenvolvido com os alunos, com testemunhos documentais e fotografias das atividades realizadas e recolha de informação junto dos pais sobre eventuais alterações no comportamento dos filhos.
Esta reunião, realizada no final de junho, obedeceu a um procedimento idêntico à anterior, isto é, foi enviado um convite com o conteúdo da reunião a todos os encarregados de educação das quatro turmas intervencionadas, através dos alunos
(anexo 3 - pasta “ANEXOS-Encarregados de Educação”). Esta reunião teve igualmente a
duração de cerca de 45 minutos e a participação de aproximadamente 55 pais, estando representadas todas as turmas do grupo experimental.
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A reunião foi muito acarinhada pelos encarregados de educação, que deixaram vários testemunhos da importância do programa e do trabalho desenvolvido com os seus educandos. No final da reunião foi-lhes pedido que, antes de saírem, preenchessem um questionário, elaborado para o efeito, sobre a apreciação do trabalho desenvolvido e eventuais mudanças verificadas no comportamento dos filhos,
que pudessem considerar associadas à participação dos mesmos no Programa (anexo
4 - pasta “ANEXOS – Values in Action”).
3.ª Reunião – Conhecer a opinião dos pais sobre as eventuais consequências
nos seus filhos da participação no Programa. Avaliação da manutenção das melhorias já apontadas anteriormente, na 2ª reunião. Partilhar com eles o trabalho final realizado.
Esta reunião realizou-se em novembro e obedeceu aos mesmos procedimentos das anteriores, contudo, teve uma menor participação dos pais, ainda que a hora de realização fosse a mesma da anterior. Estiveram presentes cerca de 40 encarregados de educação. Nesse encontro foi distribuída uma pequena brochura
(anexo 7 - pasta “ANEXOS-Encarregados de Educação”) que sistematizou alguns
conselhos e recomendações a ter em conta no trato com os seus filhos e que podia, no nosso entender, ajudar a consolidar algumas das aprendizagens efetuadas ao longo deste percurso.
Os encarregados de educação foram ainda informados, ao longo da implementação do Programa, sobre a calendarização das oficinas do Ikebana conjuntas (pais, professores e alunos) e convidados a participar na sua realização e, nalguns casos, com a possibilidade de escolha entre duas sessões em horários alternativos (anexos 8, 9 e 10 - pasta “ANEXOS-Encarregados de Educação”).