2.6 Approximation des ordres supérieurs
3.1.2 Production de quarks massifs
Considerando o intento de investigar a construção de conhecimentos durante
a prática de ensino desenvolvida no estágio supervisionado, colocamo-nos diante da
diferença entre saber e conhecimento, por isso, a necessidade de entendermos
como alguns autores discutem esses conceitos relacionando-os à prática
profissional docente. Antes, porém, é importante destacar que os textos em
educação normalmente se referem aos termos conhecimento e saber sem distinção.
Conforme Fiorentini, Souza Junior e Melo (1998, p. 312), conhecimento se aproxima
mais das produções científicas sistematizadas, aceitas pela academia, enquanto que
o saber representaria um conhecimento mais relacionado à prática e ao saber fazer,
sem passar por formas rígidas de validação. Nessa direção, assim como em Tardif
(2012), nesta pesquisa, a noção de saber tem sentido amplo, englobando
conhecimentos, competências, habilidades e atitudes e incluindo o saber fazer e
saber ser. Parafraseando Tardif (2012, p. 60), a noção de saber reflete o que os
próprios estagiários dizem ter aprendido durante o estágio a respeito dos seus
saberes.
É oportuno observar que muitas produções sobre o saber docente abordam
esse
fenômeno
usando
outras
categorias, como
crenças,
concepções,
competências, sem se referir exatamente a conhecimento (BORGES, TARDIF, 2001,
p. 12).
Ao considerar o professor como alguém que pensa sobre o trabalho que
desenvolve em sala de aula e que constrói um saber, Azzi (2012) compreende o
saber como uma fase do conhecimento e, nesse nível, o ser humano organiza os
conhecimentos preliminares para atender às necessidades da prática imediatas,
sem alcançar ainda um plano de organização metódica, que seria a fase de
construção de conhecimento. Nesse sentido, o professor, em seu processo de
trabalho, lança mão de conhecimentos de uma forma muito original, criativa, sem
uma organização intencional do saber. Para a construção de conhecimento, o
professor necessitaria investigar e sistematizar sua atividade de trabalho de forma
metódica.
Feitas essas considerações inicialmente, reportamo-nos a Schön (2000), para
quem a ideia de conhecimento profissional tem como base o conhecimento da
prática, conhecimento em situações imprevistas, inusitadas. O conhecimento que
emerge dessa situação é difícil de ser explicado verbalmente, “mas” ele existe e
pode ser descrito a partir da reflexão sobre a ação.
Ao esboçar como se processam o ensino e a aprendizagem nos ateliês de
arquitetura, as análises de Schön (2000) se voltam para a postura do professor e do
aluno, desenvolvendo um novo design para o ensino. O autor considera que o aluno
começa imitando o instrutor (professor) e isso pode gerar o sentimento de perda de
identidade, de não ter originalidade. Esse sentimento pode estar ligado a uma
ideologia de educação em que o pensar por conta própria é valorizado e o imitar é
desprezado. Porém, as restrições sobre a imitação são desprezadas na teoria e
bem-vindas na prática, o que pode ser peculiar de uma cultura, pois em países do
extremo oriente, como observa o autor, não há desprezo pela imitação (SCHÖN,
2000).
A partir da imitação reflexiva, o aluno aumenta a performance e amplia as
escolhas nas próximas experiências, por se sentir confiante em suas habilidades.
Para tanto, necessita que aceite a disciplina inicial e se disponha a refletir sobre o
que o professor faz (SCHÖN, 2000, p. 101). Diante dessa posição, somos levados a
pensar que, para o autor, o conhecimento se constrói a partir da reflexão vivenciada
em sala de aula, a qual é partilhada entre o professor e o aluno, revelando-se no
ensino prático reflexivo, aprender fazendo.
Ghedin (2010), ao discutir as ideais de Schön sobre o conhecimento
proveniente da ação (conhecer na ação), entende que não significa que ele (o
conhecimento) seja exclusivamente prático, excluindo-se a teoria: “Conhecimento é
sempre uma relação que se estabelece entre a prática e as nossas impressões da
mesma; é a isso que chamamos de teoria, isto é, um modo de ver e interpretar
nosso agir no mundo” (GHEDIN, 2010, p. 132).
Concordando com o autor, entendemos que o saber não é só prático (saber
fazer), é uma relação entre a prática e a interpretação que se faz dela, pois na
realidade existe uma relação dialética que muitas vezes não é percebida, chamada
de
práxis, em que teoria e prática estão juntas em um agir consciente. Essa
definição é sistematizada pelo autor da seguinte forma: atividade prática é ação
efetiva no mundo, transforma o mundo; atividade teórica não transforma as coisas,
modifica nossa consciência (ação mental) sobre os fatos, “o que é imprescindível
para operar no plano teórico um processo prático” (GHEDIN, 2010, p.133). Desse
modo, a teoria subsidia a prática. Daí, na formação dos professores, o autor propor
mudar da epistemologia da prática para a epistemologia da práxis, por entender que
é preciso transpor a prática reflexiva proposta por Schön para uma prática dialética.
Para Ghedin (2010, p. 134), “é nessa relação entre a prática e a teoria que se
constrói o saber docente, resultado de um longo processo histórico e definido pela
sociedade como conhecimento a ser transmitido pela escola, sendo o professor
responsável por essa transmissão”.
Sobre experiências como forma de conhecer, reportamo-nos a Dewey (1979,
p. 152), para quem a simples atividade não se constitui em uma experiência. Para
ele, experiência implica mudança consciente do sujeito que sofre uma ação, tendo
que perceber as consequências dessa ação. Nessa direção, o valor de uma
experiência reside na percepção das relações entre o que se pensa e o que se faz.
Pensando o estágio como um período de experiências significativas para os
alunos, entendemos que a teoria ganha importância, pois, como afirma Dewey
(1979, p. 158), ao falar da reflexão na experiência, “sem algum elemento intelectual,
não é possível nenhuma experiência significativa”.
Diante do que nos apontam os autores citados acima, supomos que o
saber/conhecimento dos alunos estagiários revelado a partir da prática de ensino
desenvolvida no estágio emerge da relação deles com o contexto da sala de aula,
sabendo que, para isso, concorrem o embasamento teórico prévio e as orientações
do professor supervisor, bem como do professor da escola, dentre outros, como
veremos nas análises.
Passamos no próximo item a entender como alguns autores classificam os
diversos saberes mobilizados pelos professores na sua atividade profissional, que é
o ensino.
4.2 Saberes docentes, tipologias e classificações (saberes necessários à
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Phénoménologie du LHC, prédictions théoriques et leurs incertitudes dans un contexte Bayesien
(Page 108-113)