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3.2 Matériel et méthodes

3.2.1 Production de pb6

A promoção da saúde tem sido motivo de análise e discussão ao longo do tempo. Esta temática tem sido utilizada como estratégia para realizar diversos planeamentos relacionados com a formulação de políticas públicas saudáveis, intervenções dirigidas a pessoas e comunidades, para proposta e realização de investigações em saúde. Também tem servido como fonte de inspiração para que, com os seus contributos, reconhecidos profissionais como é o do caso da enfermeira Nola J. Pender, tenham desenvolvido trabalhos significativos: a ela se deve o Modelo de Promoção da Saúde (MPS) do qual falaremos mais à frente.

A perspetiva de muitos trabalhos na área da enfermagem tem-se voltado para as teorias das necessidades, teorias sistémicas e humanísticas, visando estudos teóricos ou práticos da utilização desses modelos e teorias. Sabemos que estudos assim realizados favorecem a melhoria da qualidade dos cuidados, o que contribui claramente para a promoção da saúde. No entanto, é oportuno aprofundar a promoção da saúde como um modelo teórico para a prática da enfermagem.

É notório que a partir das reflexões suscitadas nas várias conferências internacionais de promoção da saúde (Ottawa, Adelaide, Sundsvall, Bogotá e Jacarta), as atividades de promoção da saúde passaram a ser amplamente estimuladas, sendo entendidas como um estímulo à utilização das capacidades e conhecimentos das pessoas, à adoção de estilos de vida saudável, à mudança de comportamento, ao lazer, e à prática de atividades físicas (Fonseca, 2000). Desde essa fase, o termo promoção da saúde passou a ser usado por todos os profissionais de saúde, sendo crescente a participação dos enfermeiros em atividades que levam à promoção da saúde. Apesar disso, ainda são tímidas as propostas de estudos de eixos norteadores para a promoção da saúde, especialmente, na adoção de modelos e teorias que fundamentem essas experiências, conferindo um grau limitado ao planeamento, execução e avaliação dessas ações (Meles e Zago, 1999; Kohlrausch e Rosa, 1999; Victor, 2002).

O uso de modelos e teorias no campo da promoção da saúde pode facilitar a compreensão dos determinantes dos problemas de saúde e orientar nas soluções que respondem às necessidades e interesses das pessoas envolvidas. Além disso podem contribuir para a promoção do conhecimento, reflexão e decisão no ato de cuidar e agir, permitindo maiores possibilidades no alcance dos objetivos propostos, tanto para a promoção da saúde, quanto para a prevenção de doenças (Naidoo e Wills, 1998; Freudenberg et al., 1995).

CAPÍTULO III – ESTILO DE VIDA E SAÚDE

Dos modelos e teorias de enfermagem que possam ser aplicados para desenvolver cuidados de enfermagem no âmbito da promoção da saúde, podemos citar o MPS de Pender (Pender, Murdaugh e Parsons, 2002). Nola Pender interessou-se pela criação de um modelo de enfermagem que traga respostas à forma como as pessoas tomam as decisões acerca do cuidado da sua própria saúde. Expressa ainda que o comportamento está motivado pelo desejo de alcançar o bem-estar e o potencial humano. O MPS pretende ilustrar a natureza multifacetada das pessoas em interação com o ambiente, quando tentam alcançar um estado de saúde desejado, enfatizando o nexo entre as características pessoais e experiências, conhecimentos, crenças e aspetos situacionais vinculados com os comportamentos de saúde que se querem atingir. Este modelo fornece uma estrutura simples e clara, em que o enfermeiro pode realizar um cuidado de forma individual, ou reunindo as pessoas em grupo, permitindo planeamento, intervenção e avaliação das suas ações. Este modelo tem sido utilizado por muitos investigadores americanos, asiáticos e europeus, para estudar comportamentos que levam à promoção da saúde (Warren, 1993; Stutts, 1997; Wu, Pender e Yang, 2002).

De acordo com o MPS de Pender, desenvolvido na década de 1980 pela enfermeira Nola J. Pender, a conceção de promoção da saúde é definida como as atividades voltadas para o desenvolvimento de recursos que mantenham ou intensifiquem o bem-estar da pessoa, surgindo como uma proposta para integrar a enfermagem no estudo do comportamento, identificando os fatores que influenciam comportamentos saudáveis. Além de ser um guia para explorar o complexo processo biopsicossocial que motiva os indivíduos a aderirem a comportamentos produtores de saúde (Pender et al., 2002; Victor, Lopes e Ximenes, 2005). O MPS expõe de forma ampla os aspetos relevantes que intervêm na modificação dos comportamentos dos seres humanos, suas atitudes e motivações para promover a saúde. Foi inspirado em alguns pressupostos teóricos, como o da teoria de Aprendizagem Social de Albert Bandura (Worchel et al., 2002; Bandura, 1977) e no Modelo de Avaliação de Expectativas da motivação humana de Feather (1982), ambos da área da psicologia. O primeiro refere a importância dos processos cognitivos e de mudança de comportamento, incorporando aspetos de aprendizagem cognitiva e comportamental, reconhecendo que os aspetos psicológicos influenciam o comportamento das pessoas. Aponta quatro requisitos para que estas aprendam e modelem o seu comportamento: atenção (estar expectante perante o que acontece), retenção (recordar o que foi observado), reprodução (habilidade

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comportamento). O segundo pressuposto teórico, afirma que o comportamento é racional, considera que o componente motivacional para o atingir é a intencionalidade. De acordo com isto, quando há uma intenção clara, concreta e definida para atingir uma meta, aumenta-se a possibilidade de atingir o objetivo. A intencionalidade, entendida como um compromisso pessoal com a ação, constitui um componente motivacional decisivo, que se apresenta na análise dos comportamentos voluntários dirigidos a atingir metas planeadas.

Em 1982, Pender publicou a primeira edição do Health Promotion in Nursing Practice, onde afirma que existem processos biopsicossociais complexos que motivam os indivíduos a com- prometerem-se com os comportamentos saudáveis. Posteriormente o modelo foi revisto, algumas variáveis foram retiradas, outras reposicionadas e adicionadas, levando assim a novas edições (Sakraida, 2006), numa revisão do modelo em 1996, a autora incluiu a influência dos aspetos culturais na promoção da saúde (Browning et al., 2007).

A teoria de Pender parte do pressuposto que a saúde é um estado positivo e por isso todas as pessoas pretendem alcançá-la, sendo o modo como cada uma define a sua própria saúde mais importante do que o conceito genérico. Por isso, a pessoa é o centro deste modelo e expressa-se de forma única e pessoal de acordo com os seus esquemas cognitivos, percetivos e fatores sociais (Machado, 2009; Sakraida, 2006).

O MPS identifica nos indivíduos fatores cognitivo-percetivos que são modificados pelas características situacionais, pessoais e interpessoais, e que resultam na participação em comportamentos favorecedores de saúde quando existe um plano para a ação. Este modelo serve para identificar conceitos relevantes sobre os comportamentos de promoção para integrar os itens de investigação de tal maneira que facilitem a geração de hipóteses comprováveis. Trata-se de um modelo que pode ser adaptado a vários contextos de intervenção (Pender et al., 2002; Browning et al., 2007). Para melhor compreender o modelo recorremos à sua representação esquemática (figura 3), no sentido de explicitar a interpela- ção dos componentes principais e das variáveis.

CAPÍTULO III – ESTILO DE VIDA E SAÚDE

Figura 3 – Modelo de Promoção da Saúde de Nola Pender

Fonte: adaptado de Victor et al. (2005)

Como se pode verificar pela figura o modelo é composto por três componentes principais: Características, Comportamento específico e Resultado do comportamento e experiências individuais que se dividem em variáveis possíveis de ser trabalhadas (Pender et al., 2002; Victor et al., 2005). De seguida descreve-se sumariamente cada um dos componentes e respetivas variáveis:

a) Características

O primeiro componente diz respeito às características e experiências individuais. Estas são únicas para cada pessoa e afetam de forma particular as ações subsequentes (Pender et al., 2002). Este componente contempla 2 variáveis: comportamento anterior e fatores pessoais (biológicos, psicológicos e socioculturais).

1. Comportamento anterior – este refere-se ao comportamento que deve ser mudado (Victor et al., 2005) e que pode ter efeitos diretos ou indiretos sobre a probabilidade

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de ter comportamento de promoção da saúde (Sakraida, 2002). Pender et al. (2002) salientam ainda que os enfermeiros podem ajudar os clientes a terem comporta- mentos promotores de saúde focando os benefícios do mesmo, ensinando estratégias para ultrapassar dificuldades e fornecendo reforço positivo.

2. Fatores pessoais – refere-se a aspetos que são preditores de um dado comportamento e moldados pela natureza do comportamento alvo a ser considerado. A sua impor- tância e relevância depende da natureza do comportamento alvo (Pender et al., 2002). Divide-se em fatores biológicos (idade, índice de massa corporal, agilidade, equilíbrio), psicológicos (autoestima, automotivação, estado de saúde percebido, definição de saúde) e socioculturais (raça, etnia, educação, nível socioeconómico) (Victor et al., 2005).

b) Comportamento específico

O segundo componente do modelo é considerado como o que apresenta maior significância motivacional. Contempla 6 variáveis (percebe benefícios para a ação, percebe barreiras para a ação, percebe autoeficácia, sentimentos em relação ao comportamento, influências interpessoais e sentimentos que influenciam) que constituem o “núcleo” da intervenção, dado que são modificáveis através de intervenções de enfermagem (Pender et al., 2002; Sakraida, 2002).

1. Percebe benefícios para ação – refere-se às representações mentais positivas, que reforçam as consequências da adoção de um comportamento (Victor et al., 2005). Isto é, segundo a Expectancy Value Theory que suporta teoricamente este modelo, o indivíduo tende a investir tempo e recursos em atividades que apresentam a maior probabilidade de resultados satisfatórios e, 61% dos estudos que testaram o Modelo de Promoção da Saúde suportam a importância desta variável (Pender et al., 2002).

3. Percebe barreiras para a ação – essas barreiras podem ser antecipadas, imaginadas ou reais. Podem ser consideradas como perceções negativas sobre um comporta- mento e entendidas como dificuldades e custos pessoais (Victor et al., 2005). Dos estudos que testaram o modelo 79% apontam para a importância das barreiras para a ação como determinantes no comportamento promotor de saúde (Pender et al., 2002).

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4. Percebe autoeficácia – diz respeito ao juízo das capacidades pessoais de organizar e executar ações (Victor et al., 2005). A autoeficácia percebida influencia as barreiras percebidas à ação, de modo a que uma maior eficácia resulta em perceções reduzidas das barreiras ao desempenho comportamental (Sakraida, 2002).

5. Sentimentos em relação ao comportamento – reporta-se à reação emocional direta ou uma resposta nivelada ao pensamento que pode ser positivo, negativo, agradável ou desagradável (Victor et al., 2005). Esta variável vai de encontro ao referido na Teoria Cognitiva Social, e defende que a resposta emocional e o seu estado fisiológico induzido durante o comportamento servem como fontes de informação eficiente (Pender et al., 2002).

6. Influências interpessoais – Diz respeito ao comportamento que pode ou não ser influenciado por outras pessoas, família, cônjuge, profissionais de saúde, ou por normas e modelos sociais. (Victor et al., 2005). As fontes primárias de influências são as famílias, os pares e os prestadores de cuidados de saúde, sendo ainda reconhecida a importância da cultura a este nível (Pender et al., 2002; Sakraida, 2002). O modelo de promoção da saúde propõe que as influências interpessoais afetam a adoção de comportamentos promotores de saúde de uma forma direta mas também indireta, através da pressão social e do compromisso para um plano de ação (Pender et al., 2002).

7. Sentimentos que influenciam – reporta-se a influências situacionais como o ambiente que pode facilitar ou impedir determinados comportamentos de saúde (Victor et al., 2005).

c) Resultados do comportamento e experiências individuais

O terceiro componente compreende três variáveis: exigências imediatas (inclui forças impositivas e forças potencializadoras), comportamento de promoção da saúde e compro- misso com um plano de ação (Sakraida, 2002).

1. Exigências imediatas – considera que têm um controle diminuto sobre os compor- tamentos que requerem mudanças imediatas, enquanto as preferências pessoais exercem um elevado controle sob as ações de mudança de comportamento, por

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Consideram-se então dois tipos de forças: impositivas e potencializadoras (Victor et

al., 2005).

2. Comportamento de promoção da saúde – pode ser entendido como o resultado da implementação do Modelo de Promoção da Saúde (Victor et al., 2005).

3. Compromisso com o plano de ação – reporta-se às ações que possibilitam ao indiví- duo manter-se no comportamento de promoção da saúde esperado, isto é, as inter- venções de enfermagem (Victor et al., 2005).

Em suma, o modelo apresentado fornece aos enfermeiros uma perspetiva integrativa das variáveis que influem no comportamento promotor da saúde (Pender et al., 2002). O MPS descreve a natureza multidimensional das pessoas, como estas interagem com o seu ambiente de forma a melhorarem a capacitação em saúde, qualidade de vida, bem-estar e funcionalidade, em todas as etapas do desenvolvimento humano.

Este modelo parece ser uma ferramenta utilizada pelos enfermeiros para compreender e promover as atitudes, motivações e ações das pessoas particularmente a partir do conceito de autoeficácia, assinalado por Nola Pender no seu modelo, o qual é utilizado pelos profissionais de enfermagem para valorizar a pertinência das intervenções e as explorações realizadas em torno do mesmo (Aristizábal Hoyos et al., 2011).

O MPS tem sido utilizado pelos profissionais de enfermagem nas últimas décadas, com frequência, em diferentes situações que vão desde a prática segura do uso de luvas pelos enfermeiros, até à perceção de saúde dos doentes; mas particularmente dirigido à promoção de comportamentos saudáveis nas pessoas, o que indubitavelmente é uma parte essencial dos cuidados prestados pelos enfermeiros, tal como se evidencia nos trabalhos publicados, os quais conservam um interesse genuíno e implícito para o cuidado, melhorando o nível de saúde e revelando-se capazes de gerar comportamentos de modo a prevenir a doença.

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