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Processus de formation de concepts

Mise en œuvre informatique

5.4 Processus de formation de concepts

No dia 27 de maio, como combinado com as crianças, levei amêijoas de várias espécies. Para a concretização da proposta educativa, combinámos que a observação das amêijoas seria realizada antes do lanche para, após o lanche, irmos ao “restaurante” do “cozinheiro” FL (5 anos), ou seja, realizaríamos a confeção das amêijoas com a receita que essa criança trouxera de casa, em resultado das pesquisas realizadas com a família. Uma vez que as crianças já tinham observado duas amêijoas com a educadora cooperante, considerei que seria importante, antes das crianças iniciarem a proposta educativa, fazer um ponto da situação e avaliação das aprendizagens das crianças (Vasconcelos et al., 2012), de modo a poder auxiliá-las no momento da observação e manuseamento das amêijoas. Assim, as crianças fizeram o registo gráfico e pictórico do que tinham descoberto, antes de iniciarem a observação das amêijoas.

Terminado o registo gráfico e pictórico, as crianças formaram grupos de dois elementos para observarem, manusearem e partilharem as suas descobertas com o seu par, potenciando um momento de aprendizagem cooperativa. Segundo Lopes e Silva (2008), “as actividades de aprendizagem cooperativa permitem às crianças adquirir e desenvolver, simultaneamente, competências cognitivas e sociais” (p.6). As Figuras 41, 42 e 43 evidenciam alguns dos momentos de aprendizagem cooperativa ocorridos aquando da observação e manuseamento das amêijoas.

Durante este momento, as crianças foram partilhando as suas descobertas com o

Figura 43 – A criança (FR, 5

anos) a ensinar a outra criança (LN, 6 anos) a produzir som com a conha da amêijoa.

Figura 42 – Uma das crianças

(MT, 5 anos) a partilhar a descoberta do seu grupo (o pé da amêijoa), enquanto a outra criança (A, 4 anos) fechava as valvas para se poder observar melhor o pé da amêijoa.

Figura 41 – A criança (B, 5 anos)

a partilhar a sua descoberta (o pé da amêijoa) à outra criança (C, 6 anos).

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Com esta proposta as crianças foram (re)descobrindo a morfologia interna e externa da amêijoa. Inicialmente, as crianças ainda se referiam aos sifões como tubinhos e às valvas como conchas. Com o desenrolar da proposta educativa e no seu términus, as crianças já utilizavam os termos cientificamente corretos.

Antes da realização da proposta educativa as crianças pareciam confundiam a parte com o todo, ou seja, nas suas ideias prévias (para além da confusão entre ameixas e amêijoas) algumas crianças referiam que a amêijoa era apenas a concha, excluindo o molusco (como se pode observar na Figura 44). Antes da observação das amêijoas, as crianças referiam que a amêijoa era o molusco, excluindo o exosqueleto como se pode observar no registo gráfico e pictórico da Figura 45. Após a observação e manuseamento das amêijoas, as crianças parecem ter reformulado as suas ideias. Os seus registos gráficos e pictóricos evidenciam essa mudança conceptual como se pode observar na Figura 46. Esta mudança conceptual também foi evidente no discurso das crianças: “A amêijoa é o molusco e as duas valvas que protegem o molusculo

(molusco).” (AN, 5 anos). “As duas valvas formam a concha da amêijoa e a concha é o esqueleto da amêijoa.” (FR, 5 anos); “Elas não são peixes porque não têm espinhas como aqueles peixes que trouxeste, Susana. É diferente dos peixes.” (D, 6 anos); “Elas têm o corpo moleeee (espremendo o molusco) são um molusculos (moluscos).” (A, 4

anos); “As amêijoas têm o esqueleto fora e os peixes têm dentro e também é diferente

de nós porque temos os ossos aqui dentro.” (MT, 5 anos).

Após o lanche demos início à segunda parte da proposta educativa – confeção das amêijoas: amêijoas à bulhão pato. A criança (FL, 5 anos) que tinha trazido a receita de casa assumiu o papel de “cozinheiro”, como se pode observar na Figura 47, enquanto as

Figura 45 – Registo gráfico

e pictórico da AN (5 anos) antes da observação e manuseamento das amêijoas.

Figura 46 – Registo gráfico e

pictórico da AN (5 anos) após a observação e manuseamento das amêijoas.

Figura 44 – Registo

gráfico e pictórico das ideias prévias da AN (5 anos).

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restantes crianças assumiam o papel de clientes do restaurante. O “cozinheiro” preparou os ingredientes, cortando-os (alho e coentros) como evidencia a Figura 48. Consoante a criança ia mostrando ao grupo os ingredientes que iam sendo retirados do saco, questionava o grupo se sabiam o que era (por exemplo, mostrou a garrafa de azeite e questionou o grupo se sabiam o que era) e as crianças identificaram e nomearam os ingredientes, referindo vivências familiares como, por exemplo, “Sei o que é. É azeite.

A minha mãe deita azeite na salada e na sopa do mano e no arroz.” (L, 4 anos).

Terminada a confeção da receita as crianças que quiseram, provaram as amêijoas. Depois da prova das amêijoas, as crianças registaram numa matriz de um gráfico de barras (construído previamente por mim) a sua opinião sobre a prova das amêijoas, ou seja, assinalaram numa das três colunas do gráfico de barras (gostei/não; gostei/não; provei) a sua opinião, como se pode observar na Figura 49.

Durante o preenchimento da matriz do gráfico as crianças iam referindo o que estava a acontecer, dizendo “Está a ganhar o gosto.” (EV, 5 anos), “Agora está empatado. Há 5

cruzes no gosto e 5 no não provei.” (FR, 5 anos). Após todas as crianças terem

registado a sua opinião, explorámos os resultados, tendo uma criança referido “Ainda

nos falta decidir o que vamos escrever aqui em cima, como fizemos naqueles (apontando para dois pictogramas existentes na sala).” (LN, 6 anos). As crianças

foram dando a sua opinião sobre que título a colocar no gráfico de barras chegando-se a acordo que o título seria “Gráfico da receita das amêijoas.”, e que este seria escrito por uma das crianças (FR, 5 anos).

Figura 48 – O “cozinheiro” a

cortar os ingredientes.

Figura 49 – Gráfico de barras

preenchido pelas crianças após a prova das amêijoas.

Figura 47 – O “cozinheiro”

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Posso inferir que as crianças, ao realizarem esta proposta educativa, foram desenvolvendo competências em diversas áreas de conteúdo das OCEPE (Ministério da Educação, 1997):

a) Na área do conhecimento do mundo – as crianças reconheceram e nomearam os ingredientes utilizados na confeção da receita (azeite, alho e coentros); (re)descobriram alguns aspetos morfológicos internos e externos das amêijoas; exploraram a profissão e respetivas funções de um cozinheiro; foram desenvolvendo capacidades em ciência, como a capacidade de observação, de registo, de comunicação e de justificação;

b) Na área de formação pessoal e social – as crianças foram desenvolvendo capacidades de interação entre pares; coconstruíram as suas aprendizagens, observando e manuseando colaborativamente as amêijoas; partilharam as suas descobertas e conhecimentos sobre o molusco bivalve com o seu par e com o grande grupo; respeitaram a sua vez de falar e ouviram o outro; negociaram e tomaram decisões relativamente à definição do título do gráfico e a criança que iria escrevê-lo; esperaram pela sua vez de colocar a sua opinião na matriz do gráfico de barras; foram relacionando os ingredientes da receita com vivências e experiências do seu contexto familiar;

c) Na área da expressão e comunicação, domínio da matemática – as crianças foram desenvolvendo o sentido do número (contagem oral e de objetos, subtizing; princípio da cardinalidade, conservação da quantidade), analisaram os resultados obtidos no gráfico de barras (organização e tratamento de dados) e referiram a necessidade do gráfico ter um título;

d) Na área da expressão e comunicação, domínio da linguagem oral – as crianças expandiram o seu vocabulário, formularam frases para comunicar os acontecimentos vivenciados no momento da observação das amêijoas e partilharam, simultaneamente, as suas observações, ideias e descobertas;

e) Na área da expressão e comunicação, domínio da abordagem à escrita – as crianças contactaram com o código escrito e foram desenvolvendo a compreensão da função da escrita (contem mensagens) e foram desenvolvendo a consciência gráfica;

f) Na área da expressão e comunicação, domínio da expressão dramática – as crianças representaram papéis de cozinheiro e clientes do restaurante);

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g) Na área da expressão e comunicação, domínio motor – as crianças com o preenchimento do gráfico foram desenvolvendo a motricidade fina e habilidades percetivo-visuais (orientação espacial; discriminação visual e coordenação óculo- manual).

2.5.3. PROPOSTA EDUCATIVA: CONSTRUINDO INSTRUMENTOS

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