O meio físico sempre foi uma condicionante à ocupação humana o que torna essencial o conhecimento de algumas características físicas e edafoclimáticas da área de estudo (Fontes, 2005).
Localizado no Norte de Portugal (Fig. 34) na freguesia de Mire de Tibães, na região do baixo Minho, o MSMT está a aproximadamente 6 quilómetros da cidade de Braga11, na margem esquerda do Rio Cávado.
Iniciando a sua caracterização à macro-escala é possível afirmar que a unidade de paisagem onde se insere o MSMT é Entre o Cávado e Ave (Fig. 35).
Esta unidade envolve uma diversidade de situações paisagísticas devido ao seu desenvolvimento que é feito em sentido nascente – poente (desde a cidade de Braga até ao mar), norte – sul (entre as encostas dos vales do Cávado e do Ave), passando pelos cabeços que chegam a ultrapassar os 200-300m de altitude e vales bem definidos (Cancela d‟Abreu et al, 2004).
11 A cidade de Braga possui 37 freguesias, uma delas é Mire de Tibães. Esta freguesia é limitada a Norte por Vila Verde e
Merelim, a Sul por Cabreiros e Semelhe, a Este por Panoias e Parada de Tibães e a Oeste por Padim da Graça. Figura 34 - Localização do MSMT no Norte de Portugal
(Fonte: Luís Fontes, 2005).
Figura 35 - Unidade de Paisagem em que está inserido o MSMT (Fonte: Cancela d‟ Abreu, 2004) | Seta indica a localização de Mire de Tibães.
58 Segundo Cancela d‟Abreu et al (2004) nesta unidade é possível observar o carácter de paisagem minhota que esta relacionado com:
Uma forte ocupação humana geralmente em centros urbanos com altitudes inferiores a 200m; redes viárias bastante densas, com exceção das zonas de maior altitude;
Um zonamento bem visível ajustado às características biofísicas; parcelas agrícolas e prados junto dos vales; os socalcos, as vinhas, os olivais e as matas que cobrem a maioria das encostas e nos cabeços os matos e as pastagens;
Também é possível encontrar um património construído variado desde igrejas, capelas, solares, torres, monumentos arqueológicos, arquitetura rural, mosteiros (onde está inserido o MSMT), entre outros;
A cor verde é constante e habitual nesta paisagem, no outono e inverno matizada pelos castanhos e cinzentos; a humidade que é elevada devido à vegetação, rios e ribeiros, chuvas e nevoeiros que são frequentes ao longo do ano.
Encontra-se a uma altitude de aproximadamente 110m no Monte de S. Gens (Fig. 36) (Fontes, 2005). O estudo do declive deste local permitiu estudar a infiltração de águas, os processos de erosão bem como a incidência solar.
59 É nesta paisagem de relevos acentuados que se distingue a intensa ocupação agrícola nos vales, a floresta nas zonas mais altas que envolve as linhas de água e vários pontos desarborizados no topo dos montes que se destinam a pastorícia (Fig. 37) (Fontes, 2005).
Figura 37 - Fotografia aérea da área envolvente ao MSMT, 2014 | Seta indica a localização do Rio Cávado; 1 Área da Cerca do MSMT (Fonte: Autor, Adaptado através do Google Earth)
Com exposição a Norte, domina uma ampla paisagem sobre o rio Cávado, que segue o seu curso num vale largo e plano. Nas proximidades do MSMT evidenciam-se relevos médios recortados por inúmeros ribeiros que afluem ao Cávado (Monte de São Filipe) (Fontes, 2005). A orientação deste espaço vai interferir nas condições climáticas e nos fatores de conforto que permitem saber qual a quantidade de luz solar que este local recebe e qual o grau de humidade tanto do solo como do ar. Também condiciona o uso do solo (Fig. 38 e 39).
60 Figura 38 - a: Carta de evolução de usos do solo/organização da Cerca em 1555 (Fonte: Luís Fontes,
2005. Adaptado pelo Autor em 2014)
Figura 39 - Carta de evolução de usos do solo/organização da Cerca em 2014 (Fonte: Maria João
61 O clima é temperado marítimo, característico da paisagem minhota, com temperaturas amenas, épocas de chuva abundante devido às massas de ar húmido vindas do Atlântico, que alimentam a rede hidrográfica (Fontes, 2005). O Rio Cávado apresenta-se como um elemento significativo desta freguesia devido às suas enumeras potencialidades, o que influenciou na escolha do local de implantação para o MSMT. A rede hidrográfica do local de estudo é pouco densa, apresenta duas linhas de água temporárias no interior da Cerca que originam uma poça na época de mais chuva.
Quanto ao substrato rochoso, desde Braga até ao rio Cávado os solos são formados essencialmente por rochas graníticas, por sedimentos do paleozoico e por depósitos de cobertura que ocupam a rede hidrográfica (Fontes, 2005).
Segundo Fontes (2005), o MSMT ainda hoje marca a separação entre o domínio agrícola e florestal. Nos terrenos em cima do mosteiro dominam as áreas florestais formadas por pinheiros e eucaliptos. Os solos são pobres devido ao substrato xistento que os sustenta, a exposição do mosteiro é fraca pois está virado a norte de onde recebe ventos frios e a sombra da encosta do monte de S. Gens, o que consistiu num grande desafio para a criação de condições de vida para os monges. Foi necessário adequar os edifícios ao relevo, dominar as águas, ter acesso aos recursos florestais, criar solos agrícolas aptos a receber culturas, através de aterros e construção de socalcos drenados.
Junto ao edifico, dominam os campos agrícolas, servidos por infinidade de caminhos e carreiros, delimitados por muros, alinhamentos de árvores ou a vinha do “enforcado” (Fontes, 2005).
Ao longe é possível observar a frente urbana da cidade de Braga, que teve um crescimento repentino devido à “complexidade da ocupação humana da região”, ainda assim o MSMT mantém o seu carácter rural (Fontes, 2005).
Esta área tem uma ocupação habitacional intensa, dispersa, servida por uma enorme rede de comunicações, atraída pelo laço rodoviário da cidade de Braga (Fig.40) (Fontes, 2005).
Figura 40 - Áreas urbanizadas no início do séc. XXI (Fonte: Luís Fontes, 2005)
62 A partir de 1981 é possível observar que a população da freguesia de Mire de Tibães baixou até 2001 (Tabela 1). Tal aconteceu porque foi volta desta altura que as pessoas começaram a migrar para as cidades, principalmente devido a oportunidades de emprego. Em 2011, através das novas estatísticas é possível verificar que a densidade populacional deste local está a aumentar. Mire de Tibães já é considerada uma freguesia periurbana, onde as atividades rurais e urbanas se misturam. Existindo uma implantação dispersa do povoamento urbano em meio rural.
Tabela 1- Análise da População Residente em Mire de Tibães e no Concelho de Braga entre os anos
de 1981 e 2011 (Fonte: Autor, 2014)