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Processus de transfert de chaleur et de matière

CHAPITRE I.3. ANALYSE DES TRANSFERTS LORS DU SÉCHAGE

I.3.1. Processus de transfert de chaleur et de matière

Os aspectos contingentes e necessários são aqueles aspectos com os quais lidamos obrigatoriamente, na vida e no projeto. Eles estão presentes para satisfazer às exigências relativas ao uso, aos condicionantes, tanto programáticos quanto tecnológicos. Estas dimensões – prática, técnica e funcional –, somadas à dimensão histórica, não são desprendidas, são coagidas, enquanto que a dimensão estética é livre.

Os aspectos livres são objeto de escolha, pois podem ser resolvidos de uma maneira ou de outra, e neles “a arte intervém, e opta” (COSTA, 2005). Um exemplo é o partido, ou seja, a “estratégia” artística escolhida para o arranjo dos componentes de um projeto, aspecto onde o projetista tem a prerrogativa de decidir

O juízo reflexionante só pode ser exercido a partir do reconhecimento da poetica – aspecto livre- presente no design que nos faz capazes de uma leitura como obra elaborada rigorosamente em si, e, portanto, autônoma na sua essência (COSTA, 2005).

Bruno Munari faz uma comparação entre a leitura de uma poesia e a de um telegrama. Ele afirma que um poema não se lê como um telegrama, pois necessitamos desvendar aquele conjunto de palavras que têm um componente de “associação livre”. (MUNARI, 2008)

A noção de conhecimento sensitivo, proposta por Baumgarten, pressupõe a separação entre sujeito e objeto. Nesta acepção, o objeto de conhecimento antecede o sujeito, cuja prerrogativa seria a de ter acesso ao objeto pela via do sensível. Esta postura é revista por Kant quando propõe a estética como crítica do juízo e introduz, deste modo, o sujeito sensível como fator determinante.

Mais tarde, Heidegger situa a obra de arte como fator constitutivo do ser do ente. O ser se constitui em presença da ação do ente, Dasein18, ser-aí. A relação estética acontece entre sujeito e objeto na medida em que este objeto se qualifica pela técnica de objetivação, isto é, o objeto é passível de qualificação estética, (é belo) na medida em que estabelece um sistema plástico singular, coerente e inteligível, decodificável.

A técnica de objetivação, facultada pela composição, torna-se, assim, um objeto de reconhecimento – uma linguagem, porque permite se reconhecer a si, ocorre um espelhamento – construção da sua própria autoimagem. Na obra de arte o sentido pode ser inferido a partir da composição plástica.

18

“o termo alemão dasein, de difícil tradução, resulta da combinação da partícula da (aí) com o verbo sein (ser), de onde resulta a noção do ser-aí, estar-aí, estar-presente, existir; o termo adquire significação muito sigular e relevante relevante na obra de Heidegger, em que designa o modo de ser de um ente em específico, a saber, o ser humano enquanto existência lançada no mundo, sem finalidade intrínseca e sujeita à facticidade, mas aberta à doação de sentido por parte do ser; em termos Heideggerianos, o Dasein é o único ente que existe, pois a existência é seu modo de ser peculiar, caracterizado pelo cuidado e pela temporalidade. (GIACOIA JR.: 2006, 54)

A identidade – engendrada pela racionalidade da estruturação das partes (caráter sistêmico) – existe e permite este reconhecimento (por sua vez, função da alteridade). “O termo reconhecimento refere-se àquele passo cognitivo que uma consciência, já constituída idealmente em totalidade, efetua no momento em que ela se reconhece como a si mesma em outra totalidade, em outra consciência”. (HEGEL apud HONNETH, 2003, p. 63)

O papel da arte como agente de transformação e reconstrução está diretamente ligado ao processo de reconhecimento intersubjetivo que se dá nesta relação. O reconhecimento afetivo.

O maior ganho que se pode ter na crítica de arte/ design/ arquitetura é a ampliação da satisfação que as obras podem trazer.

CAPÍTULO 3

Para exemplificar o sistema de trabalho sugerido no primeiro capitulo faremos leituras de objetos fotografados da coleção de Lina Bo Bardi, carinhosamente chamada pelos que a conheceram na Bahia, de Dona Lina. Faremos igualmente a leitura de objetos projetados pela arquiteta, comparando com obras de outras modalidades artísticas.

As obras, da coleção, utilitários artesanais, integram o acervo do Museu de Arte Popular da Bahia (Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – IPAC). As peças foram objeto da nossa curiosidade e encantamento, desde o primeiro contato com o livro “Tempos de grossura”, de Lina Bo Bardi.

A partir disso houve da nossa parte um crescente interesse em torno da arquiteta e de todo o universo do artesanato utilitário (Figuras 17 a 22).

Visitamos o Museu, antes da abertura ao publico, graças ao apoio da Superintendência da Secretaria de Patrimônio Histórico da Bahia, SIGLA, e autorização especial do Diretor do IPAC/ BA – Instituto de Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – Sr. Frederico Mendonça, no ano de 2007/ 2008. Observamos o que podia ser visto da coleção, cerca de mil peças, que se encontravam num deposito no centro histórico de Salvador, o Pelourinho, numa belíssima casa, o Solar Ferrão, na rua Gregório de Matos, onde selecionamos e fotografamos as peças para os estudos de caso (Figuras 23 a 25).

Entrevistamos a dedicadíssima “guardiã” do acervo a museóloga Sra. Mary Rodrigues do Rio, bem como a Sra. Ana Liberato, diretora de Museus do IPAC em Salvador. As informações prestadas gentilmente por Dona Mary, nos deram conta da situação abandono pelo poder publico, de tal acervo ao longo dos últimos 45 anos, a partir do golpe militar de 1964, bem como da inexistência de qualquer documentação ou inventario do Acervo.

“A coleção não esta catalogada. Toda documentação foi extraviada quando os militares vieram...não sobrou nada...” informou-nos a museóloga.

Posteriormente à nossa visita, no mês de março de 2009 finalmente foi inaugurada no Centro Cultural Solar Ferrão, em Salvador, a exposição "Fragmentos: Artefatos

populares, o olhar de Lina Bo Bardi"19. Essa mostra veio trazer ao público a oportunidade de ver cerca de 800 objetos dos aproximadamente 2000 coletados por Lina20, que estavam guardados desde 1965. No mesmo ano de 2009, foi realizado um evento em Salvador cujo tema central foi a produção de Lina Bo Bardi e suas reprecussões, o DOCOMOMO21 - 50 anos de Lina Bo Bardi - Na encruzilhada da Bahia e do Nordeste.

Este acervo foi escolhido como a principal fonte de dados para as leituras e analises de objetos neste trabalho, sendo utilizado como ponto de partida para as análises propostas.

Outro fato surpreendente foi a informação da inexistência de ligação institucional entre a porção documental (fotos e textos) do acervo de Lina Bo Bardi que está em São Paulo, no Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi e esta coleção, fato que nos causou grande estranhamento. Estivemos no Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, pouco antes do seu fechamento para reformas em 2007. Do Anexo 6 fazem parte a documentação composta de artigos em jornais e periódicos e de imagens a que tivemos acesso na época, referente à coleta de objetos utilitários artesanais bem como exposições, museus e design.

19 Ver anexos 3 e 4 20 Ver Anexo 5 21

DOCOMOMO em Salvador, 50 anos de Lina Bo Bardi - Na encruzilhada da Bahia e do Nordeste, de 02 a 05 de dezembro de 2009 na FAUFBA, conforme documentado no site do evento: http://www.docomomobahia.org/wwwlinabo50.swf

Figuras 17 a 22 – Objetos da Coleção de Lina Bo

Figura 23 - Coleção de peças em cerâmica – IPAC Figura 24 – Coleção de peças em cerâmica – IPAC Figura 25 – Carranca em madeira - IPAC

Infelizmente o instituto permaneceu fechado durante todo o período subseqüente, os quatro anos do desenvolvimento da nossa pesquisa.

Faremos uma aproximação gradual à coleção, primeiramente situando Lina Bo e a sua coleção em relação a outras coleções de arte popular brasileiras. Em seguida, passaremos às leituras.