2. ASSEMBLER DIRECTIVES
3.6. PROCEDURE REFERENCE
Os Parâmetros Curriculares Nacionais, mais conhecidos como PCNs, são conjuntos de documentos normatizadores para a educação no Brasil, elaborados pela esfera federal, para escolas públicas e privadas, conforme o nível de escolaridade. Essas diretrizes têm como
principal objetivo orientar os educadores quanto ao trabalho pedagógico, sendo flexível para ser adaptada na realidade escolar local.
No Ensino Fundamental II, esses documentos se dividem em seis volumes por áreas do conhecimento: Matemática, Ciências Naturais, Língua Portuguesa, Geografia, História, Arte e Educação Física. Ainda há mais três volumes direcionados aos temas transversais. Essa coleção de documentos foi criada a partir da necessidade de estabelecer referências educacionais comuns a todos os estados brasileiros.
Os PCNs de Ciências Naturais direcionados ao ciclo II (6º ao 9ºano) do Ensino Fundamental tem como objetivo dar condições para que o aluno intervenha na sociedade atual, fazendo leituras críticas do mundo e de situações que envolvam a natureza, a saúde individual e coletiva, a Ciência e tecnologia como construções humanas. Também serve para que o aluno seja agente transformador da realidade em que vive, aspirando melhorias na qualidade de vida pessoal e da sociedade a qual está inserido. É esperado que, ao final desse ciclo e por meio desses objetivos, o aluno desenvolva tais competências, necessárias ao exercício da cidadania.
Para que esses objetivos sejam alcançados, faz-se necessário uma nova forma de conceber o conhecimento científico no ensino de Ciências Naturais no processo de aprendizagem. Deixar para trás o método tradicional de ensino, em que as teorias científicas estão presentes apenas nos livros didáticos e apresentadas aos alunos já é almejado desde a promulgação desse documento, em 1998, e até mesmo anterior a essa data, em outros materiais. Porém, atente-se o leitor aos PCNs.
É evidenciada a importância da contextualização do conhecimento mediado pelo professor para a realidade do aluno, com temas que podem ser abordados de forma interdisciplinar. A utilização de jogos, experiências, observações, análise de dados de diversas fontes, aparatos tecnológicos, dentre outros materiais e métodos, proporcionam uma aula mais dinâmica e também mais interativa, que a relação mais próxima e direta com a Ciência e tecnologia alavanca o processo de aprendizagem significativa.
Essa aprendizagem tem destaque no documento em análise. Assim, para a aprendizagem do conhecimento científico ser significante e potencializada ao estudante, é preciso propor temas de trabalho de interesse dos mesmos, que as atividades sejam desenvolvidas em contextos sociais e culturais de relevância, estimulando a curiosidade e criatividade dos sujeitos.
A Ciência e a tecnologia não possuem os mesmos objetivos, porém, devem ser entendidas como processos e produtos humanos construídos historicamente. Torna-se imprescindível e atrativo o relacionamento com a tecnologia para a aprendizagem. É importante que os alunos se atentem e façam relação aos acontecimentos da atualidade com a tecnologia.
Exemplos dessa possível correlação são: o estouro de barragens de minério, o aumento de doenças respiratórias principalmente em grandes metrópoles, o degelo das capotas polares decorrentes do aquecimento global, assim como a complexidade e sucesso de transplantes de órgãos, a busca pela cura da AIDS e o acesso à informação.
Além dessa relação, é importante conhecer os processos de produção, desenvolvimento e distribuição do conhecimento científico e da técnica, como se vê no trecho:
Além disso, conviver com produtos científicos e tecnológicos é algo hoje universal, o que não significa conhecer seus processos de produção e distribuição. Mais do que em qualquer época do passado, seja para o consumo, seja para o trabalho, cresce a necessidade de conhecimento a fim de interpretar e avaliar informações, até mesmo para poder participar e julgar decisões políticas ou divulgações científicas na mídia. (BRASIL, 1998, P. 22).
O conhecimento científico amplia as possibilidades de desenvolvimento pessoal, social e cultural, e dá condições para a construção de sua autonomia para pensar e agir em seu meio. Busca-se, ao final desse ciclo de ensino, o desenvolvimento de competências para que o estudante possa atuar em sociedade, buscando melhorias para a qualidade de vida das pessoas. Porém, o aluno que está hoje em sala de aula já é o cidadão do presente. Dessa forma, já tem responsabilidades sobre a sociedade a qual faz parte.
Segundo esse documento, “A falta de informação científico-tecnológica pode comprometer a própria cidadania” (BRASIL, 1998, p. 22), pois não conhecer os aspectos científico-tecnológicos é estar aquém das más decisões que influenciam negativamente o desenvolvimento pessoal e social.
Há forte tendência para o conceito de letramento científico, segundo os autores já aqui citados, por meio de seus objetivos para o ensino de Ciências. Entretanto, não foi encontrado neste material uma posição exata para o ensino de Ciências, seja no termo alfabetização científica, letramento científico ou qualquer outro. Os objetivos de Ciências Naturais no Ensino Fundamental, segundo os PCNs, são concebidos para que o aluno desenvolva competências que lhe permitam compreender o mundo e atuar como indivíduo e como cidadão, utilizando conhecimentos de natureza científica e tecnológica. O ensino de Ciências Naturais deverá se organizar de modo que, ao final do Ensino Fundamental, os alunos tenham desenvolvido as seguintes capacidades:
Compreender a natureza como um todo dinâmico e o ser humano, em sociedade, como agente de transformações do mundo em que vive em relação essencial com os demais seres vivos e outros componentes do ambiente; • compreender a Ciência como um processo de produção de conhecimento e uma atividade humana, histórica, associada a aspectos de ordem social, econômica, política e cultural; • identificar relações entre conhecimento científico, produção de tecnologia e condições de vida, no mundo de hoje
e em sua evolução histórica, e compreender a tecnologia como meio para suprir necessidades humanas, sabendo elaborar juízo sobre riscos e benefícios das práticas científico-tecnológicas; • compreender a saúde pessoal, social e ambiental como bens individuais e coletivos que devem ser promovidos pela ação de diferentes agentes; • formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais a partir de elementos das Ciências Naturais, colocando em prática conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidos no aprendizado escolar; • saber utilizar conceitos científicos básicos, associados a energia, matéria, transformação, espaço, tempo, sistema, equilíbrio e vida; • saber combinar leituras, observações, experimentações e registros para coleta, comparação entre explicações, organização, comunicação e discussão de fatos e informações; • valorizar o trabalho em grupo, sendo capaz de ação crítica e cooperativa para a construção coletiva do conhecimento (BRASIL, 1998, p. 32-33).
Assim, os Parâmetros Curriculares Nacionais/Ciências Naturais anseiam que os estudantes se tornem, durante o ciclo e ao final dele, cidadãos em sua plenitude, capazes de fazer questionamentos, propor soluções, participar de decisões e agir criticamente e conscientemente no mundo que os rodeiam, que cada vez mais vem sofrendo a ação humana.