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Problems That Can Cause a System to Crash

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Conhecido por todos como Tom, Antônio Carlos, criado no terreiro com característica kêto em Itinga, bairro periférico de Salvador. Porém foi apresentado ao terreiro da nação jeje e iniciado com 14 anos. Hoje é alabê do terreiro do Pilão de Prata, situado na Boca do Rio. Ele também vem dando apoio aos rituais do terreiro Ilê Axé Logun Omi, situado na Vasco da Gama. O seu aprendizado começou aos 10 anos, com o mestre Manuel Falufá, situado no local conhecido como Formiga no bairro de São Caetano. Tom ressalta a figura do mestre e lamenta por não existirem mais mestres como antigamente. “Hoje em dia o aprendizado é mais no ouvido”.

Conta a seguinte história: “Mestre Falufá chegou num terreiro e para testar os filhos e filhas-de-santo, cantou um cântico aparentemente novo para ver se as pessoas presentes respondiam. Os presentes desconfiaram do novo, mas responderam, sem saber na verdade que o mestre estava cantando uma velha e conhecida cantiga que tem o seguinte refrão: A onde a vaca vai o boi vai atrás” (SOUZA, 2007) . Essa história veio à tona porque estávamos conversando sobre como as pessoas hoje não estão aprendendo iorubá certo, cantam errado e ainda não sabem o significado do que estão cantando.

O terreiro Pilão de Prata, com aproximadamente 45 anos de existência, é descendente direto do terreiro da Casa Branca, oficialmente o primeiro a surgir, no século XIX, em Salvador. O pai-de-santo do Pilão, Sr. Ayr José, conhecido como Ayrzinho, é parente de sangue da banbojê da Casa Branca.

Um fato curioso nesta entrevista é que descobri com o entrevistado que, antes a orquestra do candomblé era formada por quatro atabaques: lé, rumpi, contra-rum e rum. Tom falou que o rum ficava recolhido e só entrava em um momento especial onde os filhos e filhas- de-santo já estavam manifestados. Ele explica que o lé antes era o instrumento da terra, do pé da dança, bem baixinho, quase beirando o chão. O rumpi era o médio e havia o contra-rum. Também explicou que a orquestra era formada pelo agogô, instrumento com duas campânulas; gã, instrumento com uma campânula; e o calacolô, instrumento percutido um com o outro.

Desses instrumentos, Tom, assim como outros alabês, afirma que o mais difícil de executar nas cerimônias é o gã. Depois do gã é o rum. Ele justifica essa dificuldade dizendo o seguinte: “O gã entra sozinho logo depois que o puxador inicia a cantiga” (SOUZA, 2007). Depois que o gã dá o ritmo juntamente com o andamento, os outros atabaques entram. Ou seja, se o gã entrar errado, os outros também seguem errado. Isso só não acontece se estiver tocando no rum um alabê muito experiente, onde concerta imediatamente a entrada errada do gã. Sobre o gã, Cardoso diz: “(...) posso afirmar que para tocar candomblé bem, deve-se ter como pulso os padrões executados no gã” (CARDOSO, A.N., 2006, p. 149).

Tom afirma que começou a aprender os ritmos do candomblé, tocando no chão com calamasa. Em seguida o mestre ensinava as palmas, depois o gã, o lé, o rumpi e finalmente o rum. Durante esse período de aprendizado dos ritmos, o mestre ensinava as cantigas. Diz que a sua mão ficava bastante grossa tocando no chão e que sentia muita dor. Todavia, afirma que esse processo foi muito importante para a fixação dos ritmos antes de tocar nos atabaques.

Assim como outros entrevistados, Tom fala da importância do atabaque rum durante o ritual do candomblé. Ele o descreve da seguinte forma: “RUM/ORIXÁ — ORIXÁ/RUM” (SOUZA, 2007). Usa uma expressão para definir o rum na orquestra, que achei atual e

interessante. Diz: “O rum é jazzístico, improviso” (2007). Isso porque, na arte de tocar rum, o alabê tem que ficar olhando para o orixá e concentrado nos movimentos, tocando e variando de acordo com a dança do orixá. Por sua vez, o orixá também fica ligado na condução do rum e dança de acordo com os ritmos impulsionados pelo alabê. Acerca dessa afirmação, Cardoso comenta: “O virtuose nagô é aquele que sabe tocar de acordo com a coreografia e é capaz de conduzir a divindade em seus passos sem confundí-las com seu atabaque, o virtuose dialoga com o dançarino, pedindo e respondendo através de suas frases musicais (CARDOSO, A.N., 2006, p. 120).

Tom diz ter um projeto, montar uma oficina em 2008 no terreiro do Pilão, para ensinar ritmos do candomblé a todos os interessados. Em seu currículo, afirma ter oito anos de curso de iorubá. Talvez por isso, ele é considerado um dos melhores puxadores de Salvador. Diz que no terreiro do Pilão se fala o seu próprio iorubá.

“No candomblé só se termina de aprender quando morre. Na verdade, o espírito continua aprendendo” (SOUZA, 2007). Hoje, Tom é um especialista na arte do canto e do ritmo e é respeitado pelas comunidades do candomblé. Conhece muito sobre o candomblé, não só de sua nação kêto, mas também de todas as outras nações. Explica que é preciso saber sempre os toques e cânticos de outras nações, pela necessidade de saudar qualquer pessoa que por ventura visite o terreiro durante o ritual.

No final da entrevista, Tom lembra que o mestre Falufá dizia que tinha que ir para o terreiro aprender com um caderno na mão. E quando terminasse um caderno, tinha que comprar outro, e mais outro, e mais outro.

Vale ressaltar que, Antônio Carlos atualmente é professor de Matemática da rede estadual de ensino e que esta entrevista foi realizada na Escola Antônio Carlos Magalhães, na

Avenida Vasco da Gama. Em meio à entrevista, um ou outro aluno aparecia para falar com ele. A maioria dos alunos que lá apareceram foi para dizer que não iria assistir à aula dele. E Tom respondia com muita serenidade: “Fale com a coordenação, se eles liberarem, tudo bem”.

Enfim, encerramos a entrevista.

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