A memória num indivíduo adulto poderá dizer-se que é fruto do desenvolvimento através de um processo de aprendizagem e na relação com a sociedade e com o mundo em geral, suscetível à mudança e a adaptações à realidade. Todavia, a tristeza, a ansiedade a alegria ou a euforia podem condicionar o funcionamento desta mesma memória, por isso acreditamos que é possivel melhorar por meio de alguns medicamentos e treino cognitivo para permitir a estimulação das capacidades que restam aos idosos dementes. A memória permite a construção de uma identidade, de uma personalidade idiossincrática, de um alfabeto emocional pessoal. São nestes moldes que se desenvolve a memória e a capacidade cognitiva. O desenvolviemnto neurológico é fruto da vários factores como: a mielinização, o crescimento axodendrítico, o crescimento dos corpos celulares, as sinaptogênese, o estabelecimento de circuitos e outros eventos bioquímicos.
Segundo Atkinson e Schiffrin (1968) há três sistemas de memória a considerar, ou seja, memória sensorial, memória de curto prazo e memória de longo prazo, capazes de armazenar informação por períodos de tempos diferentes, com capacidades diferentes e processos de funcionamento próprio. Já outros autores, Craik e Lockhart (1972) relatam o modelo dos níveis de processamento, concebem a memória como uma só estrutura, em que o grau de retenção está de acordo com o modo como a informação é processada e não das funções específicas da memória a curto ou a longo prazo. Por outro lado, Baddeley (1990) sugere um modelo integrativo da memória, que previlegia a noção de memória de trabalho, esta memória compreende vários elementos, um sistema visuo-espacial que mantém imagens por curtos períodos, um loop fonológico que suporta o discurso interno e permite o
armazenamento da informação num formato acústico, um buffer episódico capaz de integrar diferentes tipos de informação num formato com sentido para o indivíduo, e uma central executiva que coordena funções de atenção seletiva, consciência e controlo da informação.
Por fim, Squire (2001) considera a memória a longo prazo que pode ser dividida em implícita (ou procedimental) e explícita (ou declarativa). A memória declarativa pode ser episódica ou semântica, enquanto a memória implícita se subdivida em habilidades ou competências motoras, ativação de conhecimentos priming, condicionalmente e fenómenos não associativos de habituação e certos estímulos.
As informações chegam-nos do orgãos dos sentidos e mantêm-se por curtos períodos tempo, sob forma de memória sensorial. Essa informação pode ser rápidamente esquecida ou passar para o sistema da memória de trabalho. Esta memória repousa sobre os lobos frontais, é capaz de reter e manipular informações por determinados períodos de tempo, enquanto outras operações mentais ocorrem.
A memória de trabalho ou a curto prazo é controlada por um sistema de processamento, o sistema executivo central, que regula a sua atividade tendo em conta os recursos existentes, contigências do meio e o tipo de informação visual, auditiva ou outra.
A memória a longo prazo implica a intervenção de um sistema intermédio, o sistema de consolidação, que permite a integração e articulação das novas memórias com as memórias antigas. Esta memória pode ser implícita ou procedimental e carateriza-se pela capacidade de aprender sem intenção, sem estar a realizar um esforço consciente, ou seja, é o saber fazer: andar de bicicleta ou dançar. Por outro lado, a memória explícita ou declarativa processo de memorização intencional podendo ser episódica ou semântica.
Assim, a memória episódica ou também denominada autobiográfica é uma memória de acontecimentos pessoais, que diz respeito ao registo, consolidação e recuperação de informações organizadas num contexto temporal e espacial, como por exemplo, recordar um acontecimento de vida, ou notícia lida no jornal.
Memória contextual permite organizar informação num referencial espaço tempo, por outras palavras, esta memória inclui a variavel tempo e associa acontecimentos de vida em momentos diferentes, seleciona-os, provavelmente é com eles que constroi o substrato mnésico da personalidade.
Por outro lado, a memória semântica é um conjunto de conheciementos independentes do contexto espaço tempo, funciona como uma enciclopédia, que contem os conhecimentos adquiridos ao longo da vida acerca do mundo, por exemplo do significado das palavras, objetos e conceitos. Também temos a metamemória, é a consciência que cada um de nós tem sobre o estado da sua memória, e que é muito sensível à personalidade e ao humor. Por fim, temos a memória prospetiva que corresponde à capacidade de nos projetarmos no futuro e, por outro lado, ajuda a planear, recordar compromissos para um futuro, ou seja, imaginar situações.
O cérebro apenas armazena e acentua os traços de memória das informações que tiveram consequências importantes (como o prazer ou a dor). O cérebro tem tarefas específicas como o tato, a visão, a audição, a leitura, o reconhecimento de rostos, as palavras, a atribuição de significado às palavras lidas e escritas. Estas mesmas áreas que irão ser ativadas durante a evocação são tipos específicos de materiais auditivos, visuais, verbais.
O cortex pré-frontal a parte anterior do cérebro parece desempenhar um papel importante neste processo de evocação à qual chamamos recordar, ou seja, memória de trabalho. Para melhorar o funcionamento da memória é necessário: treino para a sua perfomance, pois quanto mais se treina mais aptos estamos.
Existem os problemas da memória e um deles é o esquecimento sendo este a dificuldade de recordar uma determinada informaçao no momento mais adequado. O esquecimento pode ser consequência da deterioração do traço de memória ou simplesmente a ausência de um indicador, de uma pista, que nos possa orientar, para o lugar cerebral onde está retida a lembrança.