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Probl` eme complets canoniques pour W[1] et WNL

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2.3 Complexit´ e param´ etrique

3.1.1 Probl` eme complets canoniques pour W[1] et WNL

Halla tem 17 anos. Nasceu na cidade de Recife, no estado de Pernambuco (PE). Considera-

se de etnia branca, mora em casa própria com seu pai, sua mãe, uma irmã e um irmão. No momento de construção de seu retrato de leitor adolescente, estava concluindo o 3º ano do ensino médio do Colégio de Aplicação do Centro de Educação da UFPE (CAp/ UFPE). Fez cursinho preparatório para ingressar no CAp. Concorreu na seleção pública para o CAp no final de 2010, com 10 anos de idade; ingressando, portanto, no 6º ano do Ensino Fundamental em 2011.

Escolaridade familiar

O pai de Halla tem nível superior completo; sua mãe, superior completo e pós-graduação. O pai é químico e a mãe, professora. A renda familiar é mais de 4 salários mínimos. Seu

RETRATO DE HALLA

JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO NOME: Escolhi o nome “Halla” porque acho bonito, gosto de como ele soa e porque esse é o nome de uma das personagens-espelho (nesse caso do livro A

avô materno cursou direito e administração; é funcionário público; sua avó materna possui o ensino fundamental completo e é dona de casa. O avô paterno também possui nível superior completo e é advogado. Sua avó paterna concluiu o segundo grau e era agente administrativa (servidora pública).

Gostos de leitura/ práticas sociais e culturais

Halla gosta de ler obras literárias (geralmente romances e poemas); não gosta de ler obras vazias de poesia (livros predominantemente narrativos, com pouca abertura para interpretar e ressignificar o texto).

Uma vez por semana, costuma ler obra literária; mais de uma vez por semana, lê textos em sites da internet. Ocasionalmente, lê jornal, revista, história em quadrinhos, best

seller/literatura de massa. O que mais aprecia nos livros que lê é “a beleza das imagens

(metáforas), da combinação das palavras, a ambiguidade... a poesia em geral. ” Ao ler um livro, costuma ir até o final. Sua maneira de obter um livro para ler é comprando o livro; ou pedindo emprestado a um colega ou por empréstimo na biblioteca.

Frequenta, às vezes, o cinema; livrarias e shows musicais; sempre frequenta a biblioteca. Sua atividade de lazer favorita é sair para comer ou ir à praia com seus amigos. Tem acesso à Internet e a utiliza, principalmente, para redes sociais.

Halla enquanto leitora

Halla considera-se uma leitora de obras literárias, porque “costumo ler obras com linguagem poética (São minhas preferidas) e eu acredito que é a presença dessa linguagem que confere caráter literário a um livro. ”

Os livros mais marcantes em sua vida até agora “Acredito que ‘A desumanização’, de Valter Hugo Mãe, foi um marco na minha experiência de leituras. Ele tem uma narrativa simples e crua, mas pesada e carregada de imagens muito bonitas e muito fortes. Um outro livro muito marcante para mim foi “Lavoura Arcaica” de Raduan Nassar. É um texto muito denso, triste, psicológico, cheio de sutilezas e ambiguidades. Foi uma leitura emocionante. ” Ao refletir se suas práticas de leitura correspondem às suas preferências, comenta “Acredito que minhas preferências de leitura são similares às preferências do meu grupo de amigos mais próximos. Por isso, fico atenta às recomendações vindas deles e, algumas vezes, inicio a leitura. ”

Literatura, para Halla, significa poesia em texto e associa à palavra elementos do universo literário e os frutos desse universo: arte, ressignificação, poema, verso, identificação, emoção, choque, encantamento.

Para Halla, existe diferença entre obra literária e literatura de massa: “A literatura de massa geralmente consiste numa narrativa mais rápida, objetiva e descritiva e rasa de ambiguidades e de imagens poéticas. Tende a seguir um modelo (clichê) de enredo, personagens etc. Em contraposição, a obra literária é um texto mais poético, com mais imagens (não figuradas), mais metáforas e com mais abertura para diferentes interpretações. Tem um caráter mais artístico por ser um texto único na forma que comunica. ”

Experiências com a leitura de obras literárias

Na infância, Halla não lembra exatamente da primeira experiência com a leitura de uma obra literária, mas “quando criança eu gostava muito de ler livros de poemas. Um dos meus preferidos era o livro ‘ou isto ou aquilo’ de Cecília Meireles.

Já na adolescência, a experiência mais significativa em relação à leitura de uma obra literária foi “Além dos poemas mais famosos de Cecília Meireles, Manuel Bandeira e Mário Quintana, eu conhecia poucos textos literários quando mais nova (principalmente prosa). Em 2012, como atividade para o Colégio de Aplicação, experimentei ler “A hora da estrela” de Clarice Lispector. Foi com essa significativa (e estranha) leitura que eu senti o choque e a dúvida. A indagação e o sentimento de querer extrair alguma e qualquer coisa do que estava sendo dito por Clarice. Foi importante porque comecei a estimular a busca (muito pessoal) e muito vasta de significados. ”

A leitura de uma obra literária interferiu em sua maneira de compreender a vida “Um dos fenômenos que podem ocorrer durante a leitura de uma obra literária é a identificação com um personagem, com uma história, com uma frase. Quando o livro se torna um espelho para alguma parte do que você é, você também aprende a ser novas coisas com ele e com o rumo que ele segue até o fim das suas páginas. Durante a minha leitura de Lavoura Arcaica, por exemplo, passei a repensar as relações familiares e a maneira como elas podem reprimir personalidades de forma socialmente naturalizada. ”

A leitura literária hoje desempenha um papel maior em sua vida que antes. “Com certeza desempenha um papel maior no hoje. Ganhei o hábito e a vontade de ler quase toda semana um pouco de poesia (geralmente poema e romance). Antigamente, minhas leituras eram mais rápidas e menos poéticas. ”

Em casa, “Somente eu e minha irmã temos o hábito de ler obras literárias. Meus pais raramente começam a leitura de um livro, mas alimentaram muito nosso gosto (meu e da minha irmã) pelos livros desde cedo. Eles reconhecem a importância da leitura - mesmo que não tenham o hábito - e felizmente me estimularam a ler sempre. ”

O gosto pela leitura de obras literárias de seus colegas a influenciou “Foi da convivência com eles e elas que conheci muitos poemas e recebi muitas sugestões de livros. Os momentos de socialização de leitura (que aconteciam durante aulas de português) eram os mais convincentes e me fizeram correr atrás de muitas obras resumidas e elogiadas pelos meus colegas. ”

Experiências com a leitura de obras de literatura de massa

Para Halla, a literatura de massa significa “Uma literatura lida pela grande massa. Ela geralmente segue um padrão de enredo, personagens e linguagem (mais simples e objetiva) e sua produção tem fins comerciais: são livros que vendem e agradam um grande público.” Na adolescência costumava ler obras de literatura de massa “A literatura de massa me interessava mais entre meus 10 e 14 anos. Atualmente não é meu tipo favorito de literatura.” Em sua opinião, a leitura de uma obra de literatura de massa não interferiu muito em sua maneira de compreender a vida: “Eu senti menos influência da literatura de massa na minha leitura do mundo. Eu gostava da leitura pela história que ela contava. Gostava de

acompanhar os personagens e saber o que acontecia a eles. A maioria dos livros de literatura de massa que li contavam histórias de terror ou falavam sobre mitologia e esse cenário também me encantava - era um entretenimento mais raso de significado. Sinto que na minha experiência pessoal com a literatura de massa a maior interferência foi a de estimular minha criatividade - justamente por ter entrado em contato com mundos fantásticos. ”

Em sua casa, “Minha irmã mais nova é a única da família que se interessa atualmente pela literatura de massa. Como já tive contato com obras de literatura de massa, acredito que sou menos influenciada por ela: já conheço minhas preferências de leitura e já pude comparar a literatura de massa com as obras literárias. ”

O gosto de seus colegas pela leitura de obras de literatura de massa a influenciou: “Nos anos de 2010 a 2014 muitos dos livros de literatura de massa que eu lia também eram lidos pelos meus colegas. Os personagens e as histórias eram muito comentadas na minha turma e também nas redes sociais: fatores que me influenciaram a ler muitas dessas obras. ”

Escola/ leitura literária/ literatura de massa

A obrigação escolar de determinadas obras literárias interfere no seu prazer pessoal de ler, pois “Quando a leitura é obrigatória ou tem prazo, o processo pode ser acelerado e pode não ocorrer de maneira espontânea e num ritmo natural. Assim, a pressa com que o livro é lido me afasta do real aproveitamento do processo de leitura. ”

Afirma que as estratégias usadas pela escola/ professor (a) a auxiliaram em sua leitura das obras literárias: “Minhas professoras de português utilizaram uma abordagem muito acolhedora e convidativa. Tive espaço para escolher livros para apresentar para a turma e também fui convidada a ler livros incríveis com direito a debate, à construção de peça teatral e à reescrita do fim de algumas histórias! A escuta paciente e a diversidade das dinâmicas usadas para conversar sobre as leituras coletivas tornaram o processo de leitura mais inclusivo e conquistaram boa parte da turma. ”

Em sua opinião, existem diferenças entre a leitura de obras literárias da escola e a leitura escolhida pelo adolescente fora da escola “Acredito que a escola sugere muitas vezes a leitura de obras literárias predominantemente nacionais. Quanto às obras escolhidas fora da escola: não vejo um padrão. ”

Halla percebe as contribuições das práticas de leitura literária ou de massa na escola para a formação de um jovem leitor adolescente, “a literatura de massa aproxima os estudantes do objeto livro e do mundo da ficção - mas não estimula a leitura trabalhada e reflexiva. A literatura apresentada pela escola aproxima o estudante de uma linguagem mais poética, talvez mais complexa e com um leque de interpretações. Tais fatores somados a uma abordagem convidativa, paciente e inclusiva podem formar jovens com hábito de (boa) leitura. ”

Mudanças na área de literatura na escola no futuro

Halla espera mudanças na área de literatura nas escolas: “Das escolas brasileiras espero menos conteudismo e mais debate, mais análise literária, mais espaço para as interpretações individuais dos estudantes sobre um poema, sobre uma imagem, sobre um livro. Espero que os alunos possam se aproximar do universo literário com naturalidade, variedade e espaço de fala (inclusive para criar), por exemplo, através da realização de trabalhos em equipe sobre uma obra, da construção de uma peça sobre o livro, da escrita de resenhas etc.”

Um olhar para os anos finais do seu ensino fundamental (8º e 9º anos)

Das recordações que tem de suas leituras de obras literárias e ou de literatura de massa dos anos finais do ensino fundamental (8º e 9º anos) Halla destaca que “recorda de suas leituras de obras literárias e ou de literatura de massa dos anos finais do ensino fundamental (8º e 9º anos) lembro que minha turma foi convidada a ler: Ilíada, Odisseia (adaptados), Dom Quixote, A vida que ninguém vê, Os miseráveis, As vantagens de ser invisível, O pagador de promessas, O fazedor de velhos, Capitães de areia.”

Lançando um olhar para os anos finais do seu ensino fundamental, “Avalio [essas leituras] como muito importantes para minha aproximação das obras literárias e também nacionais. Até 2013/2014 eu lia muitos livros de literatura de massa de autores internacionais. Aos poucos e com muito debate, comecei a me identificar com muitos dos livros de literatura nacional apresentados como paradidáticos no colégio.

Recordando os livros que os seus colegas adolescentes, nessa época, escolhiam para ler, Halla comenta “Meus amigos liam Percy Jackson, Harry Potter, O senhor dos anéis, Minha vida fora de série, Fazendo meu filme, Divergente. Eu gostava muito da coleção de Percy Jackson e todos relacionados à mitologia grega. ”

Destaca as contribuições das práticas de leitura do ensino fundamental para a sua formação leitora: “Com as leituras introduzidas pela escola no ensino fundamental começamos a nos atentar a aspectos diferentes que podem ser analisados em cada livro. A escola nos equipa melhor para compreender uma obra literária: nos aproximamos dela. ”

Percebe, com clareza, as modificações inseridas em seu perfil de leitor do ensino fundamental para o ensino médio e avalia essa transição de leitura e de leitor: “A grande diferença foi na frequência de leitura e na qualidade dela. Com a passagem do ensino fundamental para o ensino médio eu deixei a literatura de massa para trás. Me encantei pela beleza das obras literárias, pelas possibilidades de interpretação e pelo desvendar (muitas vezes difícil, mas de muito valor) da poesia. Desde o primeiro ano não abro mão de estar lendo algum livro literário - quando não estou, sinto falta. ”

As práticas de leitura de obras literárias, no Colégio de Aplicação, contribuíram para a formação leitora de Halla: “O Colégio de Aplicação me ensinou a ler verdadeiramente. A reconhecer a poesia como essencial para minha vida. A enxergar a beleza dos poemas, das metáforas e das palavras. Hoje sou uma leitora eternamente em crescimento e desenvolvimento porque meus primeiros passos foram firmes e muito bem acompanhados durante meus anos de colégio. ”

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