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Probl´ematique de l’interpolation par passage dans le domaine

3.5 R´esultats de simulation

4.1.3 Probl´ematique de l’interpolation par passage dans le domaine

Ao abordar a ocorrência dos erros inerentes à coesão e coerência textual76 no seu extenso corpus de produções escritas, Fernández (1997: 219) tece uma consideração preliminar cuja referência é de todo pertinente e extensível à nossa própria análise. Começando por realçar que toda a análise – tanto lexical como gramatical – realizada até ao momento teve sempre por horizonte as implicações do erro no contexto em que ele ocorre, a autora afirma que:

“es necesario resaltar que los autores de estos textos son personas adultas que posseen, en gran medida, una competencia discursiva ya desarrollada; son capaces de centrarse en el tópico, organizar sus ideas coherentemente, y poseen estrategias discursivas, a veces muy ricas, para enmarcar la acción, preparar la escena, sorprender, marcar el ritmo adecuado, sintetizar todo el texto (…) incluso con recursos lingüísticos escasos”.

Como vimos anteriormente, uma das competências que compõem a competência comunicativa é precisamente a competência discursiva, a qual se encontra relacionada com a coesão e coerência das estruturas produzidas pelo aprendente de L2, incluindo simultaneamente o conhecimento acerca da organização de diversas modalidades comunicativas (orais ou escritas) e das regras interpretativas que possibilitam a relação entre a forma e a função (Coulthard 1985: 147). Em suma, “quando usam a língua, os falantes não produzem palavras ou frases isoladas, desligadas uma das outras e do contexto situacional e discursivo” (Mateus et. al. 2006: 87).

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4.1.1. Coerência Global.

Em relação à coerência das produções escritas do nosso público informante verificámos que o número de erros relacionados com os dois parâmetros que constituem esta categoria – relação tópico-comentário77 e estruturação – apenas foram identificados dois casos nos quais são evidentes as anomalias desde o ponto de vista da coerência textual. No trecho que podemos observar em (106)78, o aprendente, na tentativa de introduzir uma quantidade imensa de informação redundante e desnecessária, acaba por tornar o seu discurso algo incongruente.

(106) “Os Túneis”, do Dr. Gordon e o Dr. Williams, foi o último livro em língua portuguesa que eu li. O livro foi publicado en Junho de 2008 em Portugal. Quando eu o comprei achei que seria um livro muito interessante porque fala de

história e Arqueologia. Túneis é o novo Harry Potter do mundo da História e

Arqueologia, é por essa razão, porque eu gosto muito da história, que eu o comprei. De qualquer forma, o livro não fala delas [de História e Arqueologia].

4.1.2. Anáfora e dêixis.

O conjunto composto pelo recurso à anáfora e a estruturas deícticas reúne 12 erros no total. De entre a disparidade destes erros, sem que os mesmos possam ser generalizados à totalidade do nosso público informante por se encontrarem apenas nas produções de um grupo específico de aprendentes, encontrámos desvios relacionados com a dêixis (107), ou seja, o recurso a determinantes demonstrativos que, de acordo com Fernández (1997: 224), apenas se utilizam “em presença”, ou seja, no contexto espácio temporal da enunciação. No exemplo citado em (107) constatamos que o aprendente é parco em detalhes que contextualizem o leitor na localização da rua à qual o aprendente se refere. Já no que respeita aos problemas concernentes à relação anafórica entre elementos textuais, podemos atestar a ocorrência de situações como a

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Este parâmetro procura relacionar a resposta dada pelo aprendente ao tema proposto pela tarefa de produção escrita, neste caso, proposta nos exames de avaliação/certificação de português língua estrangeira do CAPLE.

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representada em (108), na qual subsiste alguma ambiguidade provocada pelo recurso ao demonstrativo neste, acompanhando o substantivo curso, quando, anteriormente, o mesmo não fora apresentado ao leitor, havendo apenas a referência à resposta a uma invitação. Seja como for, o próprio contexto aclara as intenções comunicativas do aprendente, não deixando de subsistir uma relativa gravidade dada a natureza da produção escrita exigida ao aluno e de como a avaliação do seu desempenho possa vir a ter em conta estes equívocos. Por fim, um outro caso decorrente do conjunto de erros anafóricos referido por Fernández é a repetição de sintagmas sem o propósito de responder a fins estilísticos, antes a uma excessiva necessidade de clarificação, decorrente da falta de segurança da precisão expressiva que o aprendente possui em L2, que resulta num texto demasiado reiterativo e, na pior das hipóteses, enfadonho para o leitor. Assim, em (109), consideramos que o aprendente, de maneira a não repetir tantas vezes o sintagma nominal o meu avô, poderia ter procedido à sua substituição por, a título de exemplo, um pronome pessoal (ele).

(107) Venho por este meio a exprimir-lhes a minha preocupação pela construção dum prédio turístico nesta rua onde nós moramos.

(108) Ontem à tarde eu recebi a resposta à invitação que te fiz para passar as férias na semana primeira do mês de Julho. Eu percebo que neste curso tens estado muito mal (…).

(109) O meu avô marcou-me positivamente (…) o meu avô ensinou-me muitas coisas (…) o meu avô gostava tanto de mim que ficava sempre comigo enquanto eu fazia as actividades (…) o meu avô contava histórias (…) eu gosto muito do meu avô é o melhor avô do mundo.

4.1.3. Tempo e aspecto verbal79.

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Por não ser este nem o tempo nem o espaço para aprofundarmos estes temas, diremos sucintamente, citando Oliveira (2006: 129) que a categoria Tempo “serve para localizar as situações (eventos ou estados) expressas nas línguas em diferentes tipos de enunciados. A forma mais comum de se marcar essa localização é através dos tempos verbais, embora os advérbios ou expressões adverbiais de tempo e certas construções temporais tenham também essa função”. Por sua vez, o Aspecto “fornece informações sobre a forma como é perspectivada ou focalizada a estrutura temporal interna de uma situação descrita pela frase, em particular, pela sua predicação” (ibidem).

As 8 ocorrências detectadas nesta categoria80, correlacionadas com a coerência verbal no discurso produzido pelos aprendentes (a qual, por sua vez, revela a interiorização do uso dos diversos tempos e modos verbais), demonstram não estarmos perante uma área na qual um aprendente castelhano de nível B2 tenda a cometer erros. A este foi-lhe pedido, no âmbito em que o nosso corpus construído, que produzisse dois textos escritos, consistindo o primeiro dos quais numa narração de um evento passado (no qual, por conseguinte, preponderam os pretéritos), sendo o segundo um texto de carácter argumentativo no qual assinalámos o recurso maioritário ao presente do indicativo. Contudo, no que respeita à categoria do tempo verbal, não há nenhuma incoerência a assinalar, havendo, isso sim, alguns problemas derivados do aspecto verbal. Em português, como noutras línguas (nas quais se inclui o castelhano), para além da natureza semântica dos predicados, as informações aspectuais distribuem-se pelos afixos que contêm também informação temporal, pelas construções com auxiliares e semi-auxiliares (Oliveira 2006: 133). O exemplo (110) representa um estado não faseável, caracterizável, em oposição ao estado faseável, por não poder ocorrer em construções progressivas como a supramencionada.

(110) Eu sempre tenho querido conhecer.

4.1.4. Conectores discursivos.

Reunidos nesta categoria encontram-se, segundo Fernández, conjunções e locuções conjuntivas que têm como função marcar a sequência do discurso, indicando ordem, tipo de relação, espaço, tempo e a modalidade veiculada por aquilo que o aprendente procura transmitir (1997: 227). Nas produções escritas por nós analisadas, observámos a ocorrência de 18 erros atribuíveis à categoria por ora em discussão, sendo que uma parte considerável destes passa pela repetição excessiva do mesmo conector (111) e, os restantes, pela omissão de referências temporais (ou espaciais) que o aprendente julga serem implícitas ao contexto, como em (112), onde o advérbio hoje, sem explicitar o dia a que se refere, parece transmitir a intenção de partilha do mesmo espaço e tempo tanto pelo aprendente que produz a estrutura como pelo seu

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Recordemos que nos pontos 3.1.1. e 3.1.5. analisámos os erros relacionados com o paradigma e o emprego de formas verbais.

potencial leitor.

(111) Eu estou a estudar uma pós-graduação em recursos humanos. Além disso eu estudei (…) além do mais eu tirei (…) além do mais aprender (…).

(112) No mês de Abril recebi uma comunicação a informar que (…) Hoje __, recebi outra comunicação a informar que (..).

4.1.5. Pontuação e separação de ideias.

Neste que é o último ponto da categoria de desvios que Fernández apropriadamente intitulou de erros discursivos, encontramos as ocorrências correlacionadas com problemas verificados ao nível da pontuação gráfica81, mais precisamente, como a autora indica (1997: 237), a separação de ideias em parágrafos e a omissão e uso de pontuação inadequada para separar as orações dentro do parágrafo. Foram apenas identificados 7 erros que obedecem aos critérios acima mencionados, os quais se encontram apenas nas produções escritas de quatro dos trinta aprendentes cujas produções escritas foram analisadas. O exemplo (113) auxilia-nos na tarefa de compreender as formas em que se manifestam os erros nesta categoria, consistindo o mesmo na transcrição literal tal como produzida pelo aprendente em questão.

(113) Ele quando cresceu trabalhou de várias coisas por exemplo, de curtidor de peles, aprendiz de perfumista, nesta profissão aprendeu [a] fazer perfumes, então a partir desse momento começou [a] fazer aromas para pôr a si mesmo segundo as circunstâncias ou o momento.