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Existem várias medidas sintácticas que podem ser calculadas. Estas são usadas tanto nas representações quantitativas de um edifício como de um traçado urbano. Aquelas que constituem os fundamentos próprios da teoria são: integração, conectividade e controlo (Hillier e Hanson 1984). Para além destas, e entre outras, existem outras medidas designadas de 2.ª ordem, como a inteligibilidade e o núcleo de integração. No conjunto, estas serão as medidas mais utilizadas e referidas no contexto deste trabalho, sendo por isso necessário apresentar uma breve descrição de cada uma.

3.5.1 Integração

Integração constitui a medida mais importante no contexto da teoria de sintaxe espacial (Hillier e Hanson 1984). É uma medida global que quantifica a forma como cada linha axial está conectada com outra linha ou com todas as outras linhas

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num sistema espacial. A conexão entre duas linhas diz-se ‘rasa’ (shallow) ou ‘profunda’ (depth) dependendo do número maior ou menor de linhas intermediárias que têm de ser cruzadas para ir de uma para outra. Um espaço diz-se integrado quando todos os outros espaços são relativamente contíguos a ele. Por outras palavras, é função média do número de linhas axiais e conexões que precisam de ser tomadas a partir de um espaço para todos os outros espaços do sistema. Um espaço com elevado valor de integração significa que poucas mudanças de direcção são necessárias para nos deslocarmos desse espaço para qualquer outro no sistema. Os valores médios de integração medem a posição relativa dos espaços com respeito à configuração global do sistema.

No conceito de integração a ideia de profundidade (depth) é usada para definir um espaço em relação a todos os outros no sistema. Como antes se destacou, não é a distância métrica que é relevante mas sim a sua relação topológica no contexto global do sistema espacial. Daqui pode inferir-se relações entre a estrutura da malha e os graus de integração, sendo que, por exemplo, uma malha muito regular tem tendência para apresentar níveis mais elevados de integração, ao passo que, uma malha mais orgânica valores mais baixos. Elementos utilizados na malha urbana, como os cul de sac ou outros impasses, dão origem a um elevado nível de profundidade da malha, contribuindo assim para um sistema urbano com baixos níveis de integração global. Por outras palavras, estas zonas estão mais afastadas das zonas consideradas mais integradas do sistema e portanto menos acessíveis, pelo que apresentam maior segregação.

O valor de integração pode ser calculado para partes locais do sistema, limitando os espaços em consideração. O conjunto de medidas mais utilizadas são a integração global e integração local. A primeira diz respeito ao potencial de acessibilidade topológica calculada para o sistema inteiro, correspondendo às propriedades globais. A segunda diz respeito às propriedades ‘locais’ de configuração, cujos diversos estudos têm demonstrado corresponder: “apenas até três linhas que seguem em qualquer direção a partir de determinada linha” (Hillier, 1996: 160).

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De notar, como refere Koch (2004: 49), que não são os valores absolutos de integração que constituem o primeiro ponto de avaliação, mas os valores relativos dos espaços comparados entre si no sistema.

3.5.2 Conectividade

Conectividade é uma medida local. Quantifica o número de vizinhos imediatos que estão directamente ligados a um espaço. Em termos da representação linear significa o número de conexões (cruzamento de eixos) existentes em cada linha. De salientar que o cálculo dos valores de integração parte da quantificação da conectividade de cada linha. Outro aspecto relevante, identificado por Hillier e colegas (Hillier et al. 1987), é o que diz respeito à conectividade máxima que ao contrário da conectividade média pode variar com o tamanho do sistema. O sistema urbano cresce privilegiando apenas algumas linhas, formando uma espécie de macro estrutura (supergrid). Como veremos no capítulo 6, essa situação observa-se de modo particular na superestrutura de Alvalade, composta pelo conjunto de avenidas mais importante: Av. de Roma, Av. da Igreja e Av. Estados Unidos da América.

3.5.3 Controlo

Controlo é uma medida local dinâmica. Mede até que grau um espaço controla o acesso aos seus vizinhos imediatos, tendo em conta o número de conexões alternativas que cada um desses vizinhos dispõe. Em termos sociais, significa o controlo que um indíviduo tem sobre determinado espaço, sobre quem chega ou sai dos espaços confinantes. Voltando ao exemplo do impasse, se representarmos cada um dos espaços (convexos) com um nó e ligarmos o seu acesso com conexões entre os respectivos nós, obtemos um grafo deste espaço que nos confere um grafo justificado em linha: C-A-B (Figura 3.2). O grafo representa a hierarquia dos espaços, em que C representa a zona de acesso para o espaço A, a partir do qual se acede ao espaço B. A relação de hierarquias é decrescente. A relação de C e B como antes se referiu é assimétrica e situa-se em diferentes níveis no grafo. Os espaços que se apresentam hierarquicamente menores são aqueles que apresentam potencialmente

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maior grau de controlo, como acontece com o espaço B. Sendo o espaço A aquele que exerce um maior nível de controlo, para quem entra ou inversamente sai deste pequeno sistema delimitado. Está implícito a este controlo a inexistência de conexões alternativas36.

3.5.4 Inteligibilidade

Por fim a Inteligibilidade, como se referiu, constitui uma medida de 2.º nível e a sua representação é obtida a partir das medidas anteriores. A mais importante é aquela que diz respeito à correlação entre a medida local de conectividade e a medida global de integração. Esta indica até que grau o número de conexões diretas que uma linha tem, que podem ser vistas a partir dessa linha. E constitui um indicador de confiança para a importância dessa linha no sistema como um todo. Se localmente as linhas bem conetadas são também linhas integradas, a correlação é forte e o sistema tem inteligibilidade. O todo pode ser lido pelas partes. Inversamente, se as linhas bem conectadas não são também integradas, então a correlação será pobre e consequentemente o todo não pode ser lido pelas partes locais (Hillier 1987). Por outras palavras e de acordo com Bill Hillier, “Inteligibilidade tem algo a ver com a forma como a imagem de todo o sistema urbano pode ser construída a partir das suas partes, e mais especificamente, de nos movimentarmos mais facilmente de uma parte para outra” (2001: 94).

36 Inversamente a esta medida, que revela mais concretamente o domínio do habitante (residente) sobre o estranho (visitante), a medida de controlabilidade sucede-se em espaços por regra abertos, onde o controlo sobre o espaço é maioritariamente exercido por estranhos. É o que se sucede no caso de espaços muito rasos. A Esplanada dos Ministérios em Brasília constitui uma situação extrema desta medida. Convém clarificar os termos em que é usado o conceito de ‘habitante’ e ‘estranho’. Ambos podem ter várias significações. Como habitante pode-se querer dizer residentes ou as pessoas que frequentam determinado espaço por razões de trabalho ou outra situação. Por estranho entende-se as pessoas que frequentam determinados espaços mas que o fazem esporadicamente de passagem ou por outras razões de carácter mais pontual. Estes podem também ser designados como visitantes.

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A pesquisa tem mostrado que quanto maior é o índice de inteligibilidade de um sistema, maior é a probabilidade de que os fluxos de pedestres e de veículos se concentrem ao longo das vias mais integradas (Hillier 1989).

3.5.5. Núcleo de integração

O núcleo de integração refere-se em sintaxe espacial ao conjunto de linhas mais integradas no sistema, sendo à semelhança da anterior também uma medida de 2.º nível. A literatura indica que em média 10% das linhas permitem revelar a estrutura mais integrada do sistema, ou seja o seu centro, muito embora no caso de pequenos assentamentos se possam ter que considerar 25 % (Hillier et al. 1987). Existe assim uma variação de acordo com a dimensão do aglomerado e o número de linhas axiais correspondentes. Nas cidades tradicionais parece existir uma forte correlação entre este conjunto de eixos e a localização de comércio, serviços e outros. Situação que se alterou consideravelmente com o urbanismo moderno a partir do zonamento. Olivais Norte, como veremos no Capítulo 6, representa bem esta situação.

A configuração do assentamento influencia a estrutura do núcleo de integração. O mapa das linhas axiais mais integradas permite-nos não só perceber a localização deste núcleo, como acima se referiu, como também a sua distribuição no interior do aglomerado, assim como a sua relação com o exterior. Como refere Frederico de Holanda “as linhas mais integradas podem penetrar o interior do sistema ou localizar-se na sua periferia. Podem ainda combinar ambas as situações. Elas podem concentrar-se numa pequena parte do sistema ou podem irrigar todo o conjunto” (Holanda 2002: 105). Numa malha muito integrada o núcleo integrador penetra mais uniformemente toda a área do aglomerado, articulando-a com a zona envolvente, permitindo ainda agregar os eixos mais segregados nos seus interstícios. Estamos face ao que Bill Hillier (1989: 10) identificou como a “roda deformada”, em que um conjunto de linhas no interior do aglomerado forma uma semi-rede, e está ligada por ‘raios’ (linhas) em várias direcções para a periferia do ‘aro’. No caso de aglomerados com índices baixos de integração, o núcleo de integração tende a ficar

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ora contido no seu interior, ora no seu exterior. É o que se sucede de modo mais evidente em Alfragide. Como veremos no Capítulo 6, o núcleo de integração deste assentamento coincide com a zona exterior às duas células constituíntes, ou seja, eixo da Estrada Nacional N.º 6, que as divide.