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Problématique et devis de recherche

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 84-102)

Quando definimos a problemática desta dissertação na identidade coletiva de um movimento social, temos claro a emergência em definir o conceito de identidade, e de certa forma, atualizá-lo. Pois, dentro deste trabalho estamos fazendo um esforço para visualizar esses processos históricos e dinâmicos com outras perspectivas metodológicas e epistêmicas. Por isso pretendemos que este trabalho em si seja original, epistêmica e metodologicamente.

Nesse sentido, temos a assertiva de que a identidade coletiva de um movimento social, tende a se formar na perspectiva de resistência à opressão para um segmento único da sociedade. Ou seja, são grupos sociais que afirmados em uma ou mais identidades coletivas, reivindicam seus direitos e os materializam em pautas e lutas.

Vich e Zavala (2004) afirmam que, a teoria crítica contemporânea auxilia neste pensamento sobre a identidade, a partir da afirmação de que:

tanto las relaciones sociales como las identidades de los sujetos son socialmente construidas, tienen un carácter inestable y cambian (o pueden cambiar) constantemente. En ese sentido, la performance se entiende como el espacio encargado de dramatizar tales características y de revelar las posibilidades de agencia de los sujetos en la constitución del mundo social: ella nos permite visibilizar los procesos de constitución de las identidades en sus múltiples negociaciones frente al poder. (VICH; ZAVALA, 2004, p. 12/13)

As identidades assim como as relações sociais são construções sociais, por isso seu caráter instável e dinâmico, de tal modo, devemos observar as identidades a partir dos processos de negociações frente ao poder, pois é a partir desses processos que podemos responder às constantes mudanças.

Outro caso interessante quetambém é refletido na questão da identidade negra, analisada por Fanon (2008) na obra “Pele Negra Máscaras Brancas”, em que a

identidade de uma pessoa estaria relacionada ao reconhecimento e à imposição. Neste sentido, Fanon afirma que:

O homem só é humano na medida em que ele quer se impor a um outro homem, a fim de ser reconhecido. Enquanto ele não é efetivamente reconhecido pelo outro, é este outro que permanece o tema de sua ação. É deste outro, do reconhecimento por este outro que dependem seu valor e sua realidade humana. É neste outro que se condensa o sentido de sua vida. (FANON, 2008, p. 180)

Causamos essa discussão por buscarmos questionar o papel da identidade em cada sujeito ou grupo social, e a partir dessas análises almejamos trazer outras particularidades desta questão. Pois em certa forma, poderíamos dizer que a construção da identidade de um movimento camponês como o MPA por exemplo, tem a defesa da identidade na intenção de se impor ao Estado, para serem reconhecidos seus direitos, seus territórios, suas culturas, suas demandas e todas as suas construções históricas.

Outro aspecto sobre a questão da identidade camponesa que estamos pesquisando, se refere ao surgimento recente das discussões sobre as identidades coletivas, já mencionado por Mattos (2012). Pois, devemos ter em conta que o campesinato como identidade é uma construção social recente, assim, Bogo (2008) nos esclarece melhor essa afirmação nesta citação:

As palavras “camponês” e “campesinato” são das mais recentes no vocabulário brasileiro, aí chegadas pelo caminho da importação política. Introduzidas em definitivo pelas esquerdas há pouco mais de duas décadas, procuraram dar conta das lutas dos trabalhadores do campo que irromperam em vários pontos do país. Nos anos cinqüenta. Antes disso, um trabalhador parecido, que na Europa e em outros países da América latina é classificado como camponês, tinha aqui denominações próprias, específicas até em cada região. Mas é bem verdade que, embora o conceito tenha se generalizado não conseguiu suprimir as identificações regionais dos grupos sociais. (MARTINS, 1983 apud BOGO, 2008, p. 41)

Este seria um dos principais questionamentos pelo qual estamos pesquisando a identidade camponesa do MPA. Pois como Bogo afirma, o campesinato no Brasil é uma construção recente que ainda não suprimiu as identidades regionais, e que acreditamos ainda estarem presentes nos discursos que analisaremos.

Trazendo novamente um pensamento de Mignolo, para melhor expressar nossas inquietações, vemos na discussão sobre a identidade em política, uma alternativa para fundamentarmos melhor nossa discussão. Mignolo faz uma distinção entre a “política

de identidade” e “identidade em política”, afirmando que a política de identidade “se baseia na suposição de que as identidades são aspectos essenciais dos indivíduos, que podem levar à intolerância, e de que nas políticas identitárias posições fundamentalistas são sempre um perigo. ” (MIGNOLO, 2008, p. 289)

Segundo o mesmo autor, porém, a identidade em política seria uma opção descolonial, em que seria possível gerar a discussão desconstrucionista do papel fundante do discurso europeu moderno e capitalista sobre a identidade. Segundo Mignolo:

(...) a identidade em política é crucial para a opção descolonial, uma vez que, sem a construção de teorias políticas e a organização de ações políticas fundamentadas em identidades que foram alocadas (por exemplo, não havia índios nos continentes americanos até a chegada dos espanhóis; e não havia negros até o começo do comércio massivo de escravos no Atlântico) por discursos imperiais (nas seis línguas da modernidade européia – inglês, francês e alemão após o Iluminismo; e italiano, espanhol e português durante o Renascimento), pode não ser possível desnaturalizar a construção racial e imperial da identidade no mundo moderno em uma economia capitalista. As identidades construídas pelos discursos europeus modernos eram raciais (isto é, a matriz racial colonial) e patriarcais. (MIGNOLO, 2008, p. 289-90)

Neste sentido, traremos dois aspectos da identidade refletidos nos argumentos que estamos construindo: o primeiro seria o papel do discurso europeu que em contato com “o outro”, os povos originários da América e os negros do continente Africano, em que foram geradas concepções de identidades racializadas; e o outro aspecto se refere ao que Mattos (2012) afirma, sobre o recente surgimento da discussão da identidade coletiva, que de certa forma não está desassociada ao primeiro aspecto, sendo também racializada, mas não somente, pois são diversas discussões identitárias que atualmente também estão surgindo, como identidades de gênero, de sexo, de classe etc.

Esse era o ponto ao qual queríamos chegar, em que refletindo sobre a identidade camponesa, conseguimos trilhar um caminho teórico onde vemos as semelhanças com a realidade deste Movimento social.

Com estas afirmações até agora, entraremos em outro campo do conhecimento, que também se correlaciona com os movimentos sociais e as identidades coletivas, neste sentido, iremos construir algumas análises sobre a Memória, tão importante para este debate assim como para o MPA.

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