6.2 Identifiabilités et identification de Systèmes
6.2.1 Identifiabilités : une classification des problèmes
6.2.1.1 Problème inverse de l’identification des systèmes dynamiques
Os anúncios publicitários serão analisados como um todo, em si, a ressaltar as significações plásticas e a forma utilizada por eles – através de seus elementos visuais – para a produção de sentido em torno da homossexualidade masculina lusitana e brasileira. Para o enquadramento no âmbito da Teoria da Imagem e da Semiótica Social, então, foi necessário determinar os pontos para análise, ou os elementos importantes das imagens que precisam ser levados em conta.
Construiu-se, assim, um formulário com os recursos e estruturas visuais elaborado a partir de um extrato da gramática de Kress e van Leeuwen (1996 apud Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011), nomeadamente aquele relacionado com os padrões de representação disponibilizados pela gramática visual – a dimensão representacional. Relativamente aos demais extratos da citada gramática, estes serão abordados em trabalhos futuros, que derivar-se-ão da presente investigação.
Representação dos participantes humanos
Tal categoria subdivide-se em dois grandes aspectos: 1) número e gênero dos participantes e 2) caracterização – aparência e atitude. Conforme Dyer (1982 apud Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011), por aparência pode-se entender as características essenciais comunicadas visualmente pelo corpo de determinado indivíduo; já a atitude relaciona-se às emoções e ao comportamento deste indivíduo. Conforme proposto por Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho (2011), na grelha para a análise das imagens serão considerados também outros aspectos, desmembrados a partir de ambas as categorias, tais como: idade, cabelo, corpo, expressão facial, vestuário, etnia, pose e aspecto.
Cenários, fundos e adereços, objetos
Os cenários cumprem o papel de contextualizar, de qualificar o ambiente, posicionando as personagens e frequentemente fornecer pistas sobre as mesmas: estilo de vida, classe social, grupo de pertença ou aspectos psicológicos (Mota-Ribeiro, 2002 apud Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011). A importância dada ao cenário ou ao fundo aqui se dará a partir da relação que estes mantêm com os demais elementos da gramática visual, nunca em suas representações isoladas. Da mesma forma, os
adereços e objetos serão relevados a partir de sua interação com o cenário, os participantes humanos e os demais pontos da gramática visual.
Tipos de representação
Nesta dimensão as representações podem ser subdivididas em narrativas – quando estas representam a ação social – ou conceituais, no caso de representarem construções sociais. Os padrões narrativos disponibilizados possuem adequação para representar “acções e eventos que se desenrolam, processos de mudança e arranjos espaciais transitórios”, já os padrões visuais conceituais representam os elementos ou objetos componentes da imagem (participantes representados, para utilizar-se da terminologia dos autores) “em termos da sua essência genérica e mais ou menos estável e imperial” (Kress & van Leeuwen, 2006 apud Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011).
Muitos tipos de representação podem estar contidos ao mesmo tempo em uma imagem, do mesmo modo como muitos tipos de processos e muitos tipos de estruturas conceituais. Neste contexto, os participantes representados possuem uma importância especial, já que a marca de ambos os processos de representação é a presença ou não de um vetor de ligação entre estes participantes, espacialmente. Assim, a presença de um ou mais vetores é a marca das representações narrativas, enquanto as representações conceituais caracterizam-se pela ausência destes vetores (Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011).
Dois tipos de participantes estão presentes em qualquer ato semiótico: os participantes – que “constituem o assunto da comunicação; ou seja, as pessoas, os lugares ou as coisas (incluindo ‘coisas’ abstratas) representadas” (Kress & van Leeuwen, 2006 apud Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011) – na imagem, a considerar o presente caso. Os produtores das imagens e aqueles que os veem são os participantes interacionais, segundo Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho (2011).
Processos narrativos
Como dito anteriormente, identificam-se nas representações narrativas a presença de um vetor que, de algum modo, liga os participantes representados e permite a identificação de dois tipos de processos: reacionais e acionais. Estes últimos, por sua vez, incluem três tipos principais de representação narrativas: nas não-transacionais existe um vetor emanado a partir de um participante
representado (ator), mas não direcionado a outro participante; já as transitivas – aquelas cujo vetor é dirigido a um outro participante – podem ser unidirecionais (onde um participante é o ator/agente e o outro é o alvo da ação) ou bidirecionais (os dois participantes são representados ao mesmo tempo nos papéis de ator/agente e alvo da ação). Quanto aos processos reacionais, estes relacionam-se com as ações ligadas ao olhar, ou seja: o vetor possui a forma do olhar de um ou mais participantes. Portanto, tem-se uma reação transacional quando o reator (ou ‘reactor, no original) olha para outro participante (fenômeno), e quando este reator olha para algo fora da imagem tem-se a reação não-transacional (Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011).
Processos conceituais
Podem ser de três principais tipos: classificativos, analíticas e simbólicas. Os processos classificativos são aqueles que estabelecem entre os participantes representados uma relação taxinômica; cada um destes é representado enquanto membro (típico) de uma categoria que os abrange. Tais participantes (subordinados) podem ser solitariamente representados – neste caso, a categoria que os abrange não é representada – ou estarem acompanhados de um “subordinado”: alguém cuja classificação é estabelecida (Kress & van Leeuwen, 2006 apud Mota-Ribeiro & Pinto- Coelho, 2011).
Quando há um participante representado como “todo” (o portador) e uma quantidade variável de outros participantes representados como “partes” – “atributos possessivos” – têm-se, então, os processos analíticos. Tais processos analítico-descritivos podem também ser estruturados – quando são mostrados o portador e os atributos possessivos – ou não-estruturados, se mostram só estes últimos (ibidem).
Finalmente, têm-se os processos simbólicos: aqueles relativos à identidade de um participante ou ao seu significado. Quando há dois participantes, trata-se de um processo atributivo, no qual um é o portador – o participante cujo significado se estabelece na relação – e o outro é o atributo simbólico. Porém, quando há somente um participante (o portador), o significado é estabelecido de outra forma (ibidem).
Ainda conforme Kress e van Leeuwen (2006 apud Mota-Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011), o atributo simbólico é um objeto dotado de ao menos uma das características formais ou quasi-formais: 1) é salientado de alguma forma na representação (ser ordenado na frente, ter seu tamanho
aumentado, possuir mais iluminação e/ou foco, ou através da cor); 2) “é apontado através do gesto que não pode ser interpretado de outra forma que não seja apontar ao observador o atributo simbólico”; 3) é associado aos valores simbólicos, por convenção; 4) aparenta estar deslocado face ao todo. Nestes processos simbólicos atributivos, os participantes humanos comummente posam para o observador, ao invés de estarem envolvidos em uma ação (Kress & van Leeuwen, 2006 apud Mota- Ribeiro & Pinto-Coelho, 2011).
Já nos processos simbólico-sugestivos, o valor simbólico do portador é estabelecido pelos outros recursos imagéticos, como a desenfatização do pormenor e a representação de uma atmosfera/ambiente que estabelece o valor simbólico. Tal ambiência simbólica pode ser efetivada de muitas maneiras: através da focagem, do brilho, da luminosidade, de maneira que os participantes mostrem-se só através de contornos e silhuetas, ficando para os valores associados ao tipo de ambiência a função de conferir ao portador estes valores simbólicos (ibidem).
Assim, pode-se sintetizar o esquema de inventário de entidades visuais para análise das imagens da seguinte maneira:
a) Dimensão representacional
REPRESENTAÇÃO DOS PARTICIPANTES HUMANOS