Chapitre 2. Test et développement formel
2.6.3 Problème de la correction de l’animation
O jornal O Estado de S. Paulo, também conhecido como Estadão, foi fundado em janeiro de 1875, sob o nome A Província de São Paulo (GRUPO ESTADO, [2013]). Tratava- se de um jornal de orientação republicana e adotou o nome atual após a queda do regime monárquico e a instalação da República Federativa Brasileira. Foi o primeiro jornal brasileiro a ser vendido em bancas e nas ruas, além de via assinaturas, e um dos primeiros a adotar os serviços de agências de notícias internacionais. A partir de 1902, a família Mesquita compra a participação dos outros fundadores do Estadão e se torna a única proprietária.
O jornal se envolveu na política nacional desde sua criação, tendo apoiado a causa republicana. Em 1924, o diretor Julio Mesquita foi preso após uma tentativa fracassada de intermediar um acordo entre os revoltosos tenentistas e o governo. Em 1930, o Estadão, que era ligado ao Partido Democrático, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República e a subsequente Revolução de 1930. Após apoiar a Revolução Constitucionalista de 1932, parte da diretoria do Estadão é enviada ao exílio em Portugal e, a partir de então, o jornal passa a se contrapor a Getúlio Vargas. Durante o Estado Novo, teve a redação invadida pelo Departamento de Ordem Política e Social, que fechou o jornal sob a desculpa de terem sido encontradas armas na redação. O Estadão foi confiscado pelo governo Vargas até o ano de 1945, quando é devolvido à família Mesquita. A partir de 1946, o jornal esteve ligado à União Democrática Nacional, de Carlos Lacerda, e terminou por apoiar o golpe militar contra o presidente João Goulart em 1964. Quando o governo militar instaurou o Ato Institucional número 2, que dissolvia os partidos políticos, o Estadão passou a fazer oposição ao regime ditatorial. A atitude de confrontação adotada pelo jornal levou o governo a instalar censores dentro da redação – o que resultou na publicação de receitas de bolo e poemas de Camões nos espaços das páginas do Estadão originalmente destinados a matérias censuradas, uma das atitudes mais simbólicas de resistência à ditadura por parte da imprensa brasileira. Com o fim da ditadura, o Estadão se manteve numa posição conservadora dentro do espectro político nacional, que pode ser identificada principalmente com o ideário liberal. Esta posição está expressa no primeiro princípio do código de ética que rege o jornal atualmente: “O Grupo Estado defende o sistema democrático de governo, o Estado de direito, a livre iniciativa, a economia de mercado e um Estado comprometido com um país economicamente forte e socialmente justo” (GRUPO ESTADO, s.d., p. 8).
A partir de 1958, a criação da rádio Eldorado engendra a formação do Grupo Estado,
holding que controla ainda as rádios Estadão ESPN, Eldorado Brasil 3000 e Rádio Disney, a Agência Estado e a empresa de publicidade OESP Mídia. Até o ano de 2013, o Grupo Estado
era integrado ainda pelo Jornal da Tarde, que foi extinto devido à queda na circulação e faturamento com publicidade. A crise econômica na imprensa mundial, aprofundada pela digitalização dos jornais e competição pela veiculação de anúncios com empresas de tecnologia, agravou as dificuldades financeiras do Grupo Estado, que vinham desde a construção de novas instalações para a empresa na capital paulista, nos anos 1970. Em 2013, além da extinção do
Jornal da Tarde, houve demissões de dezenas de jornalistas das redações do Estadão e da Agência Estado. No caso do jornal, o encolhimento da redação significou também a eliminação
dos cadernos Link, sobre cultura digital, e Negócios, sobre mercado financeiro, cujos conteúdos foram subsumidos nos cadernos restantes129. A dispensa de 50 jornalistas no mês de abril de
2013 permitiu a divisão do espaço da redação com a equipe da Agência Estado, que antes ocupava um prédio próprio, vendido pelo Grupo Estado para aliviar sua situação financeira. Embora até 2012 o Estadão fosse o quarto maior jornal do Brasil em circulação, o número de exemplares diários havia caído 11% em relação a 2011, conforme dados da Associação Nacional de Jornais130. A primeira visita do pesquisador ao Estadão Dados foi realizada neste
mesmo mês, ocasião em que a equipe explicitou dúvidas quanto à continuidade do projeto. O clima de ansiedade quanto ao futuro, manifestado pelos jornalistas do Estadão no mês de abril, havia dado lugar, em julho de 2013, à desilusão e inconformidade com uma percepção de queda na qualidade da cobertura, em especial quanto às oportunidades de realização de reportagens que exigissem investimento financeiro ou dedicação exclusiva dos repórteres.
No ano de 1970, foi fundada a Agência Estado, que funcionou como uma agência de notícias tradicional até a compra, em 1991, da Broadcast Teleinformática, que transmitia informações sobre o comportamento das bolsas de valores para operadores do mercado. Com esse movimento, o Grupo Estado passa a ter acesso a tecnologia de comunicação via redes de computadores. Em 1993, antes mesmo do início da oferta comercial de acesso à Internet no Brasil, o Estadão cria em conjunto com a Agência Estado o projeto Estadão Multimídia, que previa a disseminação de informação em seis plataformas: pagers, displays, fax, BBS, voice
mail e videotexto (MIELNICZUK, 1998, p.37-48)131. Com a versão de seu noticiário para BBS,
o Estadão foi o primeiro jornal brasileiro a usar a Internet para distribuir notícias. Esta plataforma foi abandonada com o início da operação comercial da Internet no Brasil, que permitia o acesso à World Wide Web. Em dezembro de 1995, o primeiro website do Estadão entrou no ar, sob o nome NetEstado. Em de março de 2000, o NetEstado foi reunido com os websites do Jornal da Tarde e da Agência Estado no portal Estadão.com.br, de modo que o conteúdo noticioso do Grupo Estado passou a ser veiculado num website único. Posteriormente, o conteúdo produzido pelas rádios e pelo canal de televisão adquiridos pela empresa em 2001
129 http://www.cartacapital.com.br/sociedade/estadao-anuncia-mudancas-e-deve-demitir-50-jornalistas/. 130 Disponível em: http://www.anj.org.br/a-industria-jornalistica/jornais-no-brasil/maiores-jornais-do-brasil.
Acesso em: 20 fev. 2014.
131 Todas as seis plataformas originais se tornaram irrelevantes ao longo da década de 1990, sendo substituídas
pela World Wide Web e telefonia móvel. Os displays seguem sendo usados para transmitir notícias em locais de aglomeração pública, mas deixaram de ser uma das principais alternativas para distribuição de notícias em tempo real. Pagers e videotexto foram extintos. O fax e o voice mail resistem como forma de comunicação interpessoal, mas não de circulação do noticiário. Os BBS tiveram seu pico de uso na metade dos anos 1990 e desde então vêm sendo abandonados em favor de fóruns na Web e listas de discussão por correio eletrônico.
foram integrados ao portal. Atualmente, a Agência Estado voltou a manter um website próprio e o material do Jornal da Tarde deixou de ser produzido.
Embora o Estadão tenha sido o primeiro jornal brasileiro a criar um canal de webjornalismo participativo, o FotoRepórter132, voltado para o envio de imagens, no ano de
2005, sua adaptação ao fim do monopólio da imprensa sobre a distribuição de informação e à incorporação da audiência no processo produtivo foi inicialmente malfadada. Em 2007, ano em que os weblogs já haviam se consolidado como uma forma de publicação e de consumo de informação no Brasil, o Estadão veiculou uma campanha publicitária na qual os “blogueiros” eram retratados como chimpanzés digitando em computadores, entre outras imagens que questionavam a boa-fé e credibilidade dos autores deste tipo de veículo (MERIGO, 2007, s.p.). As críticas à campanha se disseminaram na Internet brasileira e levaram o jornal a propor uma mesa-redonda com jornalistas e autores de weblogs, para discutir a natureza da credibilidade jornalística (AZEVEDO, 2007, s.p.). O caso sugere que, na época, a produção e circulação de informação por não-jornalistas era vista pela direção do Estadão como uma forma de concorrência com a imprensa, ao invés de uma oportunidade de aprofundar o relacionamento com seu público. Em 2010, o Estadao.com.br passou por um processo de redesenho, cujos objetivos principais eram integrar o portal a serviços de redes sociais na Internet e passar a abordar a audiência como uma “comunidade de leitores” (OESP, 2010, s.p.), isto é, como agentes ativos na recepção e produção de informação. O número de weblogs hospedados no portal também foi ampliado, como forma de ampliar a audiência (BARROS, 2011, s.p.). Este redesenho do portal marca uma reorientação da posição conservadora do Estadão em relação à produção de conteúdo jornalístico por amadores e ao papel dos leitores nas rotinas produtivas. A história d’O Estado de S. Paulo, resumida com brevidade acima, apresenta uma empresa ao mesmo tempo aberta à adoção de novas tecnologias úteis para o negócio de produção e distribuição de notícias e, ao mesmo tempo, atrelada a um ideal da imprensa e dos jornalistas em defasagem quanto às mudanças provocadas nesta indústria pela digitalização. Mesmo sendo uma das primeiras empresas no Brasil a adotar a Internet como plataforma de distribuição de notícias e a convidar o público a contribuir com informação, o Grupo Estado, ao menos até 2007, demonstrava uma subscrição ao papel da imprensa como a única mediadora legítima do debate público, típico do século XX (MARCONDES FILHO, 2009). Entretanto, o enfraquecimento da imprensa como a principal mediadora da deliberação social é devido,
justamente, ao avanço tecnológico, em especial ao desenvolvimento da informática e das redes de comunicação via computadores. O Estadão parece, então, assumir uma posição ambígua em relação à Era da Informação (CASTELLS, 1999), ao abraçar suas ferramentas com rapidez, mas demorar a compreender ou incorporar as mudanças sociais e culturais que se desenvolveram em paralelo ao avanço da tecnologia. Embora este fato não deva surpreender, uma vez que grandes empresas são organizações complexas, nas quais convivem visões de mundo múltiplas e, muitas vezes, contraditórias, ele talvez possa iluminar as razões pelas quais o Estadão foi o primeiro jornal brasileiro a instituir, oficialmente, uma equipe dedicada ao JGD. O Estadão Dados (ED) foi criado em maio de 2012, contando inicialmente com quatro profissionais: José Roberto de Toledo, coordenador, Daniel Bramatti e Amanda Rossi, repórteres – os três com formação universitária em jornalismo –, e Eduardo Malpeli, programador. O cargo de programador foi ocupado em 2013 por Diego Rabatone, estudante de Engenharia da Computação na Universidade de São Paulo.
Conforme Toledo133, a concepção do ED se deu após sua participação no 13º Simpósio
Internacional de Jornalismo Online, evento anual promovido na Universidade do Texas pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, no qual houve um painel discutindo o JGD, e uma visita à redação do New York Times, que vinha fazendo experimentos com visualização de dados e aplicativos jornalísticos, em 2011. O esforço de JGD do New York Times era capitaneado por Aron Pilhofer, também um dos participantes do painel no simpósio. Ao retornar ao Brasil, Toledo, que já mantinha uma coluna focada em análises de dados no Estadão desde 2009, almoçou com o diretor do jornal e com a gestora da área de mídias digitais para apresentar a proposta de criação de um núcleo voltado ao JGD. A proposta foi aceita prontamente, conforme Toledo, porque não demandava investimento financeiro e o pioneirismo na instituição de uma editoria específica para o JGD em âmbito nacional poderia favorecer o reconhecimento da marca do jornal. O nome “Estadão Dados” foi escolhido pelo então diretor do jornal, Ricardo Gandour. Com a aprovação, a equipe inicial foi deslocada de outros setores da redação e uma nova repórter foi contratada, aproveitando uma vaga em aberto noutra editoria.
A primeira atividade do ED foi o desenvolvimento de um aplicativo noticioso, baseado na Web, que permitisse a visualização do comportamento dos parlamentares da Câmara de
133 Entrevista, 29 de abril de 2013.
Deputados em relação às orientações da presidência da República para cada uma das votações ocorridas na casa. A ideia foi derivada de uma aplicação semelhante concebida pelo Grupo de Estudos de Software Livre da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (PoliGNU), o
Radar Parlamentar134 (FIG. 1). Trata-se de um aplicativo baseado na Web que recolhe dados
sobre votações ocorridas na Câmara dos Deputados, Senado ou na Câmara de Vereadores de São Paulo, capital, a partir dos quais calcula um índice de semelhança bienal entre os diferentes partidos. Esse índice de semelhança nas votações é então apresentado num tipo de gráfico chamado radar, que permite visualizar o grau de aproximação entre cada partido. Os partidos são representados por esferas, que, mediante um clique com o ponteiro do mouse, podem ser descolapsadas para verificar como cada um dos parlamentares daquele partido se comportou ao longo do período. A técnica informacional usada no Radar Parlamentar é conhecida como Análise de Componente Principal (PCA):
A PCA é uma técnica de análise exploratória de dados utilizada, por exemplo, em data mining para a extração de significado de grandes quantidade de dados, em cuja situação a análise manual seria inviável. Através dessa técnica é possível gerar os gráficos em duas dimensões característicos do Radar Parlamentar. De forma
simplificada, os eixos x e y são as combinações lineares ortogonais das votações que melhor explicam a variância entre as votações dos parlamentares. (POLIGNU, 2012).
O objetivo de se visualizar graficamente tal variança não é explicitado nos documentos relacionados ao aplicativo, mas pode-se depreender que seja a avaliação, pelo público em geral, do quanto os partidos políticos brasileiros se diferenciam entre si em termos concretos, isto é, em atos com força jurídica. O Radar Parlamentar poderia evidenciar, portanto, discrepâncias e contradições entre os programas partidários e a atuação de seus correligionários eleitos para representar a população nas diversas instâncias legislativas.
FIGURA 1
Exemplo de visualização gráfica gerada pelo Radar Parlamentar.
Fonte: http://radarparlamentar.polignu.org.
Com base em sua experiência como jornalista na área de política, Toledo enxergou formas pelas quais a proposta do Radar Parlamentar poderia ser aprimorada:
Eu olhei aquilo e achei muito interessante, porque pela primeira vez eu via os dados de várias votações da Câmara numa interface gráfica. Percebi muitas possibilidades de melhoria e – não vamos chamar de defeitos –, duas diferenças grandes que a gente queria melhorar. Uma é que eles tinham feito por bancada e a gente sabia, pela nossa experiência no jornalismo, que os partidos não se comportam em bloco no Brasil. Fazia pouco sentido analisá-los como uma coisa única. [...] E a segunda, também é um problema conceitual, é que – seria difícil para um engenheiro vislumbrar devido às diferenças da área de atuação dele para a nossa – é que no Congresso brasileiro quase todas as votações que são importantes o suficiente para serem votadas nominalmente, e não por voto simbólico, são de interesse do
Executivo, que comanda as votações, orientando a bancada a votar contra ou a favor. A divisão original que eles tinham feito, entre esquerda e direita, que já é
complicada hoje em dia de qualificar, ainda mais traduzir isso para um projeto de lei, não fazia nenhum sentido. Não se tratava de esquerda ou direita, mas de governista ou oposicionista. Isso me deixou feliz porque, embora eu não saiba programar, eu percebi como o jornalista podia imputar o seu conhecimento, a sua experiência, para ajudar a melhorar uma ferramenta como essa.135
A partir da percepção da disponibilidade dos dados de votações do Congresso em formato aberto e de um conhecimento prático sobre os meandros da política brasileira, o ED usou a inspiração do projeto desenvolvido pelo PoliGNU para conceber o Basômetro136. Trata-
se de um aplicativo baseado na Web que permite visualizar o comportamento de deputados federais e senadores da República a cada votação de projetos de lei desde o ano de 2003. O voto de cada parlamentar é comparado à orientação do poder Executivo na ocasião e a acumulação dos resultados gera uma “taxa de governismo” para cada deputado ou senador. Por exemplo, um deputado que vote 90% conforme a orientação do governo federal terá atribuída a si uma taxa de governismo mais alta do que um parlamentar cujos votos se conformam ao desejo do Poder Executivo em apenas 50% das ocasiões. Pode-se analisar a variação da taxa de governismo de parlamentares, partidos e bancadas em cada votação nominal, até o ano de 2012 (Fig. 2). Também é possível assistir a uma animação do comportamento dos parlamentares desde o ano de 2003 até a atualização mais recente do aplicativo. Assim, o leitor tem as opções de visualizar a variação da base do governo federal no Congresso como um todo ao longo do tempo, ou verificar a atuação de um parlamentar específico. O banco de dados é atualizado manual e periodicamente a partir dos resultados de votações divulgados nos websites da Câmara dos Deputados e do Senado.
135 Entrevista, 29 de abril de 2013.
FIGURA 2
Interface gráfica do Basômetro
Fonte: http://estadaodados.com/basometro
Num artigo incluído na versão brasileira do Data Journalism Handbook, TOLEDO (2013a, s.p.) explicita o objetivo do Basômetro como sendo o de simplificar a compreensão das complexas interações entre os diferentes níveis de governo e poder político no Brasil:
O outro motivo é que o apoio ao governo é condicional, melífluo, temporário, pendular. Nenhum voto é líquido e certo. A "base governista" é um vício de linguagem. Apoio vira oposição de uma votação para outra, e vice-versa. Tudo depende de negociação, de agrados, de liberações de verbas, de concessões de cargos. Daí a importância de medir essas oscilações e saber quem e quantos estão onde no espectro político a cada instante. O Basômetro é o termômetro do
presidencialismo de coalizão que governa o Brasil desde a redemocratização. É uma interface simples para analisar um sistema complexo e volumoso.
Noutras palavras, trata-se de amealhar dados que estão disponíveis a qualquer cidadão, por iniciativa do próprio governo, mas cujas relações só podem ser estabelecidas claramente com o auxílio de um algoritmo de análise computacional e uma interface gráfica. Do contrário, seria necessário para um cidadão potencialmente interessado na variação do grau de fidelidade dos congressistas brasileiros ao Executivo e a seus próprios partidos acessar uma por uma das
páginas relacionadas a cada votação na Web, armazenar os dados, pesquisar a orientação da presidência da República em todos os casos, produzir uma linha de tempo ou uma tabela com o comportamento de todos os deputados e senadores em cada votação e, finalmente, realizar o cálculo da taxa de governismo para cada um dos parlamentares em cada ponto num intervalo de dez anos. Mesmo após todo este processo penoso e demorado, ainda seria difícil realizar uma comparação do comportamento de todos os indivíduos, bancadas e partidos atuantes na Câmara e no Senado, sem o auxílio de ferramentas de computação e visualização gráfica.
Na avaliação de Toledo (2013, s.p.), o leitor detém o controle sobre a construção da narrativa no Basômetro, que seria apenas uma instância de mediação entre os dados brutos e a audiência:
Trata-se de uma medida objetiva do grau de apoio que o governo de ocasião dispõe a cada momento no Congresso. Ao contrário da cobertura jornalística tradicional, passa longe do discurso político, dos bastidores, das negociações, do mise-en-scène. É mais preciso, é mais conciso, é menos dependente das fontes de informação humanas e, por consequência, menos manipulável. É também uma revolução na narrativa jornalística. Em vez de o jornalista contar para o leitor/espectador/ouvinte o que aconteceu, o Basômetro transfere ao usuário o poder de narrar a história para si próprio. O jornalista perdeu a exclusividade de descrever o que se passou. Qualquer um pode fazer isso – sem intermediários, preferências ou preconceitos que não os seus.
O trecho acima ilustra um dos principais argumentos dos promotores do JGD e da RAC: a análise de dados seria uma forma mais fiel de representar a realidade através de narrativas jornalísticas, uma vez que depende apenas de algoritmos, os quais são, ao contrário dos seres humanos, imunes a equívocos causados por preconceitos, ideologia, valores, emoções e outras perturbações do raciocínio.
A equipe do ED esperava que o Basômetro fosse interessar especialmente a políticos e