• Aucun résultat trouvé

PARTIE I : Définition – Rappel – Les différentes structures d’aides

II. Hôpitaux de Jour Gériatriques à Nancy

2. La spécificité de l’HDJ de la Maison Hospitalière Saint-Charles

2.4 Les différentes prises en soins de thérapie non médicamenteuse, sur

Um personagem importante nos primeiros anos da Funarte é Afonso Henriques Guimaraens Neto, que em 1975 era um reconhecido poeta, colaborava com vários jornais e revistas, além de ser também um dos redatores da Enciclopédia Mirador Internacional, dirigida por Antônio Houaiss. Logo que soube que estava sendo criada uma Fundação Nacional de Arte no Ministério da Educação e Cultura, buscou encontrar Roberto Parreira e apresentou seu interesse em trabalhar nesta nova instituição. Quando Parreira criou o primeiro núcleo da Funarte, Afonso Guimaraens fazia parte da equipe86. Em entrevista,

Afonso ressalta a importância de abordar essa ―pré-história‖ da Funarte, pois, em suas palavras, hoje ―vemos com clareza que a criação da Funarte fazia parte, historicamente, de uma busca por abertura política via o campo da arte”87. Logo, faz-se necessário uma análise mais detalhada sobre o período.

Quando indagamos artistas, professores e outros agentes culturais sobre a criação da Funarte, podem surgir inúmeras histórias, muitas delas baseadas em narrativas pouco conhecidas da época. Alguma destas anedotas giram em torno da figura de Amália Lucy Geisel, filha do presidente que trabalhou na área do folclore. Nesse sentido, antes de iniciar uma análise dos primeiros anos da Funarte, evidencia-se a necessidade de esclarecer algumas premissas que envolvem o nome da Amália Lucy Geisel. Para tanto, fiz uso de sua entrevista já citada no contexto do projeto Cidadania cultural e políticas públicas no regime militar, que teve como foco o estudo das relações entre Estado e cultura. Nas entrevistas realizadas no âmbito desta dissertação, escutei muito sobre ela, falas que ressaltaram sua importância neste processo, logo senti a necessidade de também realizar uma entrevista com ela.

Vera Bernardes88 considera Amália como madrinha da Funarte, aquela que ―quebrou o champanhe no casco do navio. Foi uma pessoa fundamental‖89. Afonso Henriques recorda que no ―primeiro momento você ficava com o pé atrás porque ela era a filha do general presidente, ficava um pouco receoso, mas logo depois que você conhecia ela, tudo isso se

86 Nos anos 1980 saíram boletins onde seu nome constava como funcionário nº 1, e como colocaram uma lista

em ordem alfabética, logo integrante do primeiro núcleo Afonso apareceu em primeiro lugar. 87Entrevista Afonso, p. 160.

88 É formada em design pela Esdi – Escola Superior de Desenho Industrial. Trabalhou no escritório de Aloísio Magalhães de 1971 a 1973. Em 1978 iniciou as atividades na Funarte, em 1989 transferiu-se para a Fundação Pró-Memória e atuou na área do design gráfico até 2005. É professora do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio. E desde 2004 começou sua produção artistica, já tendo participado de várias exposições.

dissipava‖90. Carlos Zilio destaca que Amália Lucy era ―uma pessoa muito correta, muito

digna. Convivia sem querer ser mais importante, uma funcionária como outra qualquer, tinha muito essa posição”91.

As pautas relativas à cultura, dentro dos governos militares, têm como marco a criação do Conselho Federal de Cultura (CFC), criado em 1967. Este momento é marcado pelo destaque que a área cultural adquire, e Amália Lucy fez parte do Conselho desde o seu início. Ela se formou em história na PUC e meses depois estava trabalhando no CFC onde participavam intelectuais como Gilberto Freyre, João Guimarães Rosa, Rachel de Queiroz, Ariano Suassuna, Roberto Burle Marx, entre outros. Ela comenta, em entrevista concedida para esta pesquisa, que na época seu pai era o chefe da Casa Militar e que a ajudou a conseguir esse primeiro emprego. Elucido este episódio para pontuar que, na época de seu ingresso na Funarte, seu pai era presidente, mas ela já era uma profissional com larga experiência na área da cultura. Afonso nos diz que

Ela era inteiramente envolvida no projeto da Funarte junto com o Roberto, eram muito amigos e na época eu trabalhei inclusive junto dela por um período, fiquei conhecendo ela muito bem, era uma pessoa muito legal em termos de ideias. Ela estava mais do que todos nós sabendo pra onde estava balançando a coisa, e a luta era por abertura política. Tinha até aquela brincadeira de cantar para ela o refrão da música do Chico Buarque:

Você não gosta de mim, mas sua filha gosta Você não gosta de mim, mas sua filha gosta

A música foi dirigida pra ela, uma forma do Chico Buarque caçoar de um general ditador. Mas a Amália, claro, apesar de levar nas costas o pai, que era o ditador militar no país, era uma pessoa muito aberta, quem conviveu com ela certamente vai ter essa mesma opinião92.

Sobre a gênese da Funarte, o próprio Carlos Zilio nos recorda uma versão em que Amália Lucy ―tinha visto no México uma instituição do governo para fomento da cultura, a qual a deixou muito empolgada. E a partir daí ela teria atuado junto ao pai para fazer uma coisa similar no Brasil, então chegou para o seu pai e disse: - Papai, eu quero uma Funarte”93. Há um episódio que talvez tenha originado essa anedota contada por Carlos Zílio, pois Amália Lucy comenta sobre uma visita oficial ao México, onde viu uma grande quantidade

90Entrevista Afonso, p. 172.

91 Entrevista Carlos Zilio, p. 195.

92 Entrevista Afonso, p. 172. 93 Entrevista Carlos Zilio, p. 189.

de livros de artesanato, com uma ótima qualidade, e pensou: ―Brasil merece isso [...], e aí eu levei a ideia ao Roberto Parreira e foi feito um trabalho bonito‖94. Porém esse episódio se

refere à publicação de livros no segundo módulo do Projeto Artesanato Brasileiro, e não à criação da própria instituição. A Funarte surge em uma época na qual Amália aponta para a relação com a questão do ―boom das fundações‖, que ―eram a salvação das instituições públicas, dava uma certa liberdade em alguns aspectos, afrouxava, possibilitava ações mais rápidas e era sim a grande solução‖95. A ideia de criação da Funarte foi iniciativa de Roberto

Parreira, Amalia havia ido buscar seu amigo no aeroporto de Brasília, onde ele disse pela primeira vez:

-O que você acha do nome Funarte? -O que é isso, Roberto?‖

-Fundação Nacional de Arte.

-O nome é bonito, mas o que é, o que vai ser?

-Pois é, estamos pensando em criar uma fundação que vai de uma certa forma substituir o PAC, vai fazer, vai acontecer porque a administração direta impede96.

Amália então apresenta a ideia para o seu pai durante um almoço, e diz que existiam pessoas querendo criar a Funarte, ele perguntou o que era e quando ela disse que era uma fundação, antes de terminar de explicar o presidente logo perguntou quem seria o responsável pela sua manutenção, ―- Ora, pai, o governo‖97. Ele se colocou contra a ideia, pois acreditava

que seria um ―cabide de emprego‖. Ela compartilha a visão de seu pai com Roberto Parreira, e então formam a Funarte com um quadro extremamente pequeno, onde a base da pirâmide ganhava mais, e os salários do topo eram menores. Claramente a contribuição de Amália Lucy foi enorme, pois somava interesse, experiência e possibilidade de apresentar ideias diretamente ao presidente. Roberto Parreira e Amália Lucy idealizaram a Funarte de uma forma moderna que possibilitou um amplo campo de ação, como podemos ver refletido em termos de organização, ação e resultados, como analisaremos a seguir. Muito mais do que um pedido ingênuo para um pai, a Funarte foi pensada e criada em um período de abertura política, contribuindo para a formulação de uma nova relação com a área da cultura. Amália completa: ―muita gente diz que eu é que criei a Funarte. Eu acho que ajudei a fazer com que

94GEISEL, Amália Lucy. Amália Lucy Geisel (depoimento, 2005). Rio de Janeiro, CPDOC/Fundação Getulio Vargas (FGV), p. 17.

95 GEISEL, 2005, p. 8-7. 96 GEISEL, 2005, p. 8-7. 97 GEISEL, 2005, p. 10.

se ganhe pouco na Funarte [riso]. Eu acho que eu atrapalhei. Mas foi a forma da Funarte sair‖98.

5.1-Malasartes, Funarte e a Área Experimental: um tripé da mudança

O Dossiê - espaço ABC/ Funarte, organizado por Ivair Reinaldim e publicado na revista Arte & Ensaios, número 20 (2010) apresenta um recorte de ações e questões referentes ao Espaço ABC (1980-1984), período marcado por importantes exposições ocorridas sob manutenção da Funarte em parceria com a Fundação RioArte, da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Além dessa atividade, Ivair aponta para iniciativas que ocorreram na Funarte que buscavam contribuir com a produção de teoria sobre a arte brasileira recente. No interesse de colaborar com essa questão, analiso detalhes da atuação da Fundação em seus anos iniciais, entre (1976-79), quando, ainda no o governo Geisel, inserido no contexto inicial da distensão política da ditadura civil-militar, a Funarte buscou estimular o acesso e a circulação de ideias e de trabalhos, com foco nas questões da arte contemporânea.

Considero que a atuação da Funarte soma-se ao papel da revista Malasartes e da Área

Experimental do MAM, que durante a década de 1970 foram fundamentais para a formulação

de um novo pensamento sobre as práticas artísticas, a teorização e a história da arte brasileira. Paulo Herkenhoff99 também tem uma visão orientada nesta direção, considerando que a Funarte serviu como espaço de pensamento de novas perspectivas. Ele afirma que a Funarte ―respondeu de certa maneira à área experimental do MAM, de Roberto Pontual‖ (ANDRIANI, 2010, p. 183).

Os eventos que vamos analisar ocorriam no interior da Funarte, em sua maioria no CEDOP, que era atravessado por questões da música, do folclore, das artes plásticas e também desenvolvia projetos próprios. Havia também um amplo diálogo com as universidades que ofereciam formação em artes, propondo parcerias, doação de reprodução de obras da coleção de museus brasileiros, e também volumes das obras de história e teoria da arte que eram apoiadas pela fundação. Logo depois, no início dos anos 1980 funcionará o Espaço ABC, que nas palavras de Ivair Reinaldim tinha um projeto que

98GEISEL, 2005, p. 10.

99 Foi diretor do INAP (1983-1985). Foi Curador chefe do Museu de Arte moderna do Rio de Janeiro, o MAM (1985-1999). Diretor do Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro (2003-2006), Curador Adjunto no departamento de pintura e escultura do Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA (1999-2002), Curador Geral da XXIV Bienal de São Paulo (1997 e 1999).

propunha uma reflexão sobre as transformações operadas nas linguagens, reconhecendo a importância do experimentalismo nesse processo, ao mesmo tempo em que se destacava enquanto atuação diferenciada da instituição pública federal, que então passava a posicionar-se em relação à arte contemporânea brasileira (REINALDIM, 2010, p. 114).

Essa tomada de posição teve sua gênese dentro do CEDOP, e desde a criação da Funarte, já em 1976, encontramos no relatório do INAP - Fundamentos, Implantação e

Projetos uma parte dedicada a‘Os Projetos Iniciais, já com áreas definidas de Estudos e Pesquisas e também de Publicações e Difusão. Confirmamos mais detalhes sobre a atuação

realizada nesta área nestes anos iniciais nos documentos que integram o acervo do Centro de

Documentação e Informação da Funarte, como

1) Ante-Projeto do Centro de Documentação e Pesquisa, escrito por Elmer C.

Documents relatifs