Deve-se ressaltar que a maior dificuldade desta fase estava na medição da retração antes da argamassa passar para o estado endurecido. A justificativa da necessidade para obtenção das medidas dessas deformações na fase plástica está na afirmação de que o fenômeno da evaporação em camadas de argamassas de pouca espessura é mais importante nas primeiras horas após o lançamento.
Optou-se por mensurar a movimentação do revestimento com uso de transdutores de deslocamento linear. Deve-se salientar que esse ensaio foi baseado na metodologia empregada por Bastos (2001) para a execução do ensaio de retração no estado fresco. A seguir, na Figura 3.41, são apresentadas as variáveis dessa determinação.
Figura 3.41 – Detalhamento das variáveis independentes do acompanhamento da movimentação interna do revestimento.
Para a execução dessa etapa as placas de concreto desenvolvidas para a determinação da movimentação superficial do revestimento foram cortadas, com serra circular com disco diamantado para corte úmido, em três pedaços de 160 mm de largura por 500 mm de comprimento. A Tabela 3.14 apresenta a nomenclatura dos corpos-de-prova para esse acompanhamento. Deve-se lembrar que foi usada uma amostra para cada variável adotada.
Tabela 3.14 – Nomenclatura dos corpos-de-prova do acompanhamento da movimentação interna do revestimento.
Nomenclatura Preparação de Base Argamassa Espessura Altura do Sensor
Condição de Exposição SC.AME6.30_Lab.(MI-25) Sem Chapisco Mista – E6 30 mm 25 mm Laboratório CI.AME6.30_Lab.(MI-25) Chapisco Industrializado Mista – E6 30 mm 25 mm Laboratório CC.AME6.30_Lab.(MI-25) Chapisco Convencional Mista – E6 30 mm 25 mm Laboratório SC.AME6.30_Lab.(MI-25) Sem Chapisco Mista – E6 30 mm 25 mm Laboratório CI.AME6.30_Lab.(MI-25) Chapisco
Industrializado Mista – E6 30 mm 25 mm Laboratório CC.AME6.30_Lab.(MI-10) Chapisco Convencional Mista – E6 30 mm 10 mm Laboratório CC.AME6.30_Lab.(MI-20) Chapisco Convencional Mista – E6 30 mm 20 mm Laboratório CC.AME6.30_Lab.(MI-25) Chapisco Convencional Mista – E6 30 mm 25 mm Laboratório SC.AME6.30_Sev.(MI-25) Sem Chapisco Mista – E6 30 mm 25 mm Severo CI.AME6.30_Sev.(MI-25) Chapisco Industrializado Mista – E6 30 mm 25 mm Severo CC.AME6.30_Sev.(MI-25) Chapisco Convencional Mista – E6 30 mm 25 mm Severo
Após a preparação os substratos tiveram a sua superfície superior e as duas laterais de 160 mm revestidas com uma camada de 30 mm de espessura de argamassa, representando uma fatia central do corpo-de-prova usado no ensaio de acompanhamento da retração no estado endurecido.
Para a colocação do revestimento desses corpos-de-prova foi confeccionada uma forma com dimensões internas de 16,5 cm de largura por 56 cm, usando peças de compensado plastificado de 1,7 cm de espessura para construir as laterais e uma placa de aço de 70 cm de comprimento por 25 cm de largura com 2 cm de espessura como base com função de apoio para fixação dos suportes magnéticos que sustentavam os transdutores de deslocamento (Figura 3.42). Para evitar a aderência do revestimento e diminuir o atrito do sistema com as superfícies internas da fôrma e da placa de aço foi aplicada uma fina camada de óleo mineral com um pincel e retirado o excesso com pano absorvente.
Nas duas laterais posicionadas nas extremidades dessa fôrma, foi feito um pequeno furo e colocado um tubo metálico com diâmetro interno de 2 mm por onde passava uma haste metálica com 150 mm de comprimento por 1,5 mm de diâmetro. A folga entre o furo e a haste era preenchida com vaselina em pasta para impedir a entrada de argamassa e facilitar o deslizamento do conjunto.
Figura 3.42 – Substrato colocado dentro da forma antes de receber o revestimento.
Na extremidade da haste que ficava do lado interno da fôrma, foi fixada por solda de estanho uma placa metálica, com dimensões de 25 mm por 55 mm e espessura de 0,35 mm com furos feitos por punção para dar aderência mecânica (Figura 3.43), que ficava posicionada a 25 mm do substrato no interior da argamassa, para transmitir à haste a movimentação horizontal do revestimento durante a secagem.
Após 7 dias da preparação do substrato a argamassa E6 era aplicada ao molde em camada única, adensada com emprego de um soquete plástico, pois não foi possível o uso da mesa vibratória devido à mudança de posição do aparato de medição das deformações do revestimento ocasionada por esse tipo de adensamento.
Na outra extremidade da haste, acoplado por um adaptador de náilon, foi instalado um transdutor de deslocamento linear, com precisão de 0,01 mm, para acompanhamento das deformações horizontais interna.
Usou-se outro transdutor de deslocamento, com mesma precisão, que tinha sua haste apoiada sobre uma pequena placa metálica fixada na superfície da argamassa, no centro do corpo-de-prova, para acompanhar a movimentação vertical do revestimento. As leituras eram transmitidas pelos transdutores, com intervalo de tempo de cinco minutos, para um sistema de aquisição de dados que fazia o registro direto e contínuo dessas informações durante as primeiras 30 horas de ensaio.
Figura 3.44 – Esquema mostrando do corpo-de-prova do acompanhamento da movimentação interna do revestimento em corte.
Após 45 minutos da aplicação da argamassa as laterais, presas por parafusos, eram soltas, para evitar o confinamento do revestimento. Os corpos-de-prova foram submetidos às mesmas condições de exposição do ensaio anterior (Condição 1 (Sev.) - secagem com uso de painel térmico e Condição 2 (Lab.) - secagem em ambiente de laboratório) logo após a sua moldagem e permaneciam nesta condição durante 48 horas.
Figura 3.45 – Ensaio de determinação da movimentação interna do revestimento. Durante o ensaio surgiu à necessidade de obter a deformação em outras espessuras e para isso, foi confeccionado mais um corpo-de-prova com substrato de concreto com chapisco convencional exposto a condição de secagem em ambiente de laboratório (condição 2) para acompanhamento da movimentação interna do revestimento utilizando sensores posicionados a uma distância de 10 mm e de 20 mm do substrato (Figura 3.46).
Figura 3.46 – Detalhe do corpo-de-prova do acompanhamento da movimentação interna do revestimento com dois sensores paralelos.