Chapitre II : Etude et analyse d’un projet d’investissement
Section 03 : La prise en compte du risque dans le choix des investissements
Stelarc103 é o pseudônimo de Stelios Arcadios, um renomado artista australiano. Suas obras concentram-se no Futurismo e na possibilidade de extensão das capacidades do corpo humano. Stelarc defende a ideia de que o corpo humano está obsoleto em relação às novas tecnologias e propõe a criação de aparatos tecnológicos para suprir essa obsolescência. Ele denuncia a imperfeição do projeto corporal humano e sua desejável melhora, através de implantes tecnológicos. Na Performance que realizou em 1981, The Third Hand, o artista utilizava um terceiro braço mecânico, acoplado a um dos braços anatômicos, e escrevia a palavra Evolution com os três braços na parede de uma galeria. Tanto em termos sonoros como visuais, Stelarc tem tentado testar os limites naturais do corpo: amplificou as suas próprias ondas cerebrais, filmou os sinais musculares e a corrente sanguínea no interior dos seus pulmões, do seu estômago e do seu cólon104, através de inserções na pele, executou cerca de vinte e cinco vezes a suspensão do seu próprio corpo em diferentes locais e de diferentes formas (SANTOS, 2008, on-line).
Figura 9: Stelarc, The Third Hand, Tokio, 1982
Fonte: Site oficial de Stelarc. Disponível em: <http://stelarc.org/?catID=20247>. Acesso em 30 jun. 2012.
Como uma prótese, a terceira mão, um manipulador robótico com aparência humana, está presa ao braço direito, como uma mão extra, sem a função de substituir um dos membros do corpo, mas sim de somar e ampliar a função motora dos braços e do corpo. Capaz de movimento independente, a mão poderia beliscar, agarrar e girar o pulso de 290 graus a qualquer direção. Para Stelarc, a tecnologia serve como um fio condutor e um inevitável
103 Disponível em: <http://stelarc.org/?catID=20247>. Acesso em 30 jun. 2012. 104 Percorrendo com uma câmara cerca de dois metros de espaço interno.
agente catalisador do processo de virtualização do corpo, é através dela que o corpo deverá receber uma nova arquitetura. O corpo está paralisado frente ao excesso da tecnologia, mas acaba por adaptar-se à própria tecnologia como extensão do corpo.
Stelarc, enquanto um corpo/artista, leva na pele as consequências físicas das suas ideias. Suas performances expressam tanto a experiência quanto o conceito em que a obra é baseada diretamente. O campo da imaginação não é suficiente para esse artista, que tem realizado, desde o final dos anos 1960, projetos que fundem as tecnologias ao seu corpo. Segundo Bernadette Wegenstein (2004 Apud HILDEGARD, 2008), Stelarc é provavelmente um exemplo de como o discurso do corpo se alterou nos últimos trinta ou quarenta anos. O artista utiliza as tecnologias de sua geração para compor os seus trabalhos. Em suas performances ele afirma a ideia de corpo obsoleto e limitado, e busca transcender essas limitações através de extensões tecnológicas.
Figura 10: Parasite: Event for Invaded and Involuntary Body, Ars Electronica Festival, 1997. Fonte: XKLSV.Org. Disponível em: <http://xklsv.org/viewwiki.php?title=Stelarc>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Percebemos a fragilidade do corpo, a partir de alguns argumentos de Stelarc, são eles: Se a temperatura interna do corpo varia de três a quatro graus, sua saúde está em risco. Se perder 10% de seu fluido, morre. O corpo só pode viver alguns minutos sem o ar, quase uma semana sem a água e possivelmente um mês sem alimentos. É possível se manter saudável até
os 70 anos, mas apresentando alguns problemas desde os 50 anos. O desempenho do corpo é determinado pela idade que possui. Então, “aqui mora o problema”, diz Stelarc (Site, tradução nossa). Em seu site, o artista questiona o corpo, para ele um organismo nem muito eficiente nem muito durável, susceptível a doenças, e finalmente condenado à morte. Stelarc repetidamente amplifica essa ideia da obsolescência do corpo através de suas performances, colocando-se em situações que pretendem afirmar o corpo, enquanto se torna uma manifestação da sua própria obsolescência.
Stelarc desenvolve progressivamente os conceitos que demonstram e enfatizam a influência da tecnologia sobre a realidade do corpo. Esse desdobramento progressivo de eventos ilustra a simbiose de próteses, equipamentos de realidade virtual e da biotecnologia ao corpo. Compreende seu próprio corpo como um obsoleto objeto que precisa ser ampliado, remodelado, alterado, virtualizado, a fim de alinhar-se ao ambiente tecnológico em que se encontra.
Quase uma década depois de iniciar sua carreira (de 1976 a 1988), o artista ficou conhecido por realizar performances de suspensão105 ao ar livre e em galerias de diversos países, como Dinamarca, Japão, Estados Unidos e Austrália. Nessas apresentações, o objetivo era testar as fronteiras físicas do corpo: puxá-lo, esticá-lo, rasgá-lo, modificá-lo.
Figura 11: Sitting/Swaying Event for Rock Suspension, performance de suspensão realizada na Tamura Gallery, em Tokio, em 11 de maio de 1980.
Fonte: Scott Galleries. Disponível em: <http://www.scottliveseygalleries.com/artist/Stelarc>. Acesso em: 30 de jun. 2012.
Em um processo evolutivo, os avanços tecnológicos têm contribuído para a experiência humana expandir os limites das suas possibilidades. Marshall McLuhan (1964), cujo interesse em tecnologia se concentra em tecnologias como meios de comunicação, explica que as consequências pessoais e sociais de qualquer meio que desafia os nossos limites resultam em novas percepções. Nas palavras da professora Giodana Holanda (2003), a tecnologia implantada ou associada ao corpo funciona como uma extensão ou uma autoamputação dos corpos físicos, demandando um novo equilíbrio entre os outros órgãos do corpo e as próprias extensões. Na ordem de um laço relacional, novas tecnologias geram novas percepções, e essas geram limites adicionais. Essas extensões são o início de uma série de adaptações que o corpo obsoleto cria em respostas aos avanços tecnológicos. A obsolescência do corpo é a sua condição humana. Stelarc “explora e prolonga a noção de corpo e a sua relação com a tecnologia por meio de máquinas de interfaces humanas que incorporam imagens médicas, próteses, robôs, sistemas de realidade virtual e internet” (STELARC apud SIMON 2010, p. 75-77).
Figura 12: Virtual arm e Exoskeleton
Fonte: Scott Galleries. Disponível em: <http://www.scottliveseygalleries.com/artist/Stelarc>. Acesso em: 30 jun. 2012.
O corpo redesenhado, o corpo pós-biológico é pensado por Stelarc como um cibercorpo, como um ciborgue, que ultrapassa as questões da evolução natural das espécies. Essa nova espécie é projetada para atender às exigências de novos ambientes e de situações criadas pelas tecnologias. Stelarc coloca o corpo em situações artificiais, que demonstram as limitações do corpo, a fim de provar sua alegação de que o corpo é obsoleto. O corpo em suspensão é a manifestação da sua própria obsolescência, porque atingiu os seus limites.