A atenção domiciliar à saúde é uma modalidade em processo de expansão e desponta como amplo campo de atuação na Atenção Básica, tanto para as equipes da ESF, quanto para os núcleos de apoio.
Esta modalidade de atenção à saúde tem sido amplamente difundida no mundo e tem como pontos fundamentais o paciente, a família, o cuidador, o contexto domiciliar e a equipe multiprofissional. Portanto, é uma atividade que envolve não só os diferentes profissionais da área da saúde, como também o usuário e sua família.
É fundamental por parte do Nasf aprofundar o conhecimento a respeito dos casos. Nesse sentido, a construção do genograma familiar e do ecomapa fornece dados consistentes e informações úteis ao processo de avaliação diagnóstica. Além disso, também auxilia as equipes no mapeamento de redes de apoio e recursos comunitários disponíveis. A construção conjunta de um Projeto Terapêutico Singular para o indivíduo ou família em questão passa impreterivelmente por uma definição clara da necessidade de apoio, caracterização do contexto, avaliação diagnóstica e mapeamento de recursos. Assim, os atendimentos domiciliares poderão servir a diversos
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propósitos, de acordo com a situação específica de cada família. Os atendimentos domiciliares compartilhados podem servir tanto como recurso diagnóstico na fase de avaliação inicial, quanto recurso terapêutico na fase de intervenção ou ainda no acompanhamento longitudinal dos pacientes. Tais fatos definem a atenção domiciliar como um campo de prática amplo, que oportuniza diversas possibilidades de intervenção.
Dessa forma, os atendimentos domiciliares compartilhados realizadas por profissionais da ESF e do Nasf seguem a mesma metodologia e sistemática que embasa as ações da atenção domiciliar como um todo. Existem, contudo, algumas particularidades inerentes à dinâmica do processo de trabalho fundamentado no apoio matricial. A principal delas consiste no fato de os profissionais do Nasf não terem vinculação direta/imediata com os usuários. O vínculo primário do usuário dar se à com a equipe de Saúde da Família, e é justamente a qualidade desse vínculo que determinará uma série de fatores essenciais ao êxito das intervenções propostas. Assim, durante a fase de avaliação inicial de um caso, além das informações coletadas no prontuário e com os profissionais que solicitam o apoio, os atendimentos domiciliares compartilhados podem surgir como importante elemento auxiliar na coleta de informações sobre a família e seu funcionamento. Antes dos atendimentos domiciliares compartilhados, devem-se discutir os seus objetivos, estabelecer um roteiro básico a ser seguido e definir quais profissionais acompanharão o ACS durante a intervenção.
Outro fator relevante para o sucesso de um atendimento domiciliar compartilhado consiste de uma série de habilidades de observação e comunicação por parte do profissional que realiza o apoio. Uma vez que o domicílio é o território íntimo e privativo da família, é extremamente necessário que seja mantida postura de respeito aos valores pessoais e culturais em questão. Nesses momentos, a presença do agente comunitário de saúde auxilia imensamente que a equipe de saúde tenha livre trânsito na comunidade e entre seus membros.
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Mesmo não havendo roteiro rigidamente preestabelecido de como se deva organizar um atendimento domiciliar, é possível delinear, de forma geral, alguns aspectos indispensáveis ao bom andamento de uma atividade dessa complexidade:
1. Discussão do caso entre profissionais do Nasf, ESF e SAD. 2. Definição de prioridades nas ações de apoio.
3. Consenso da necessidade em realizar o atendimento domiciliar compartilhado. 4. Planejamento do atendimento propriamente dito (agendamento de data e horário). 5. Solicitação de permissão com a família pelo ACS para realização do atendimento
domiciliar, explicando a presença do profissional do Nasf na ocasião.
6. Preparação de materiais necessários durante o atendimento domiciliar: equipamentos, papéis, formulários ou instrumentos.
7. Checagem de dados e revisão do roteiro proposto para o atendimento domiciliar entre profissional da ESF, ACS e Nasf.
8. Execução do atendimento e registro em prontuário das informações coletadas.
9. Discussão entre as equipes sobre as condutas a serem tomadas a partir da consolidação dos dados e fatos obtidos na fase de avaliação.
Nesse sentido, o atendimento ao paciente acamado/domiciliado pode ser realizado de forma compartilhada entre as equipes de AB, o Nasf e o Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), sendo imprescindível identificar a necessidade do usuário e a construção de projetos terapêuticos singulares, quando necessário. Segundo a Portaria nº 963, de 27 de maio de 2013, a atenção domiciliar deve se organizar em três diferentes modalidades: AD1, AD2 e AD3. A modalidade AD1 é a atenção domiciliar realizada pela equipe de Saúde da Família, e dela se beneficiarão os “usuários que possuem problemas de saúde controlados/compensados com algum grau de dependência para as atividades da vida diária (não podendo se deslocar até a unidade de saúde)” (BRASIL, 2012). Essa modalidade tem as seguintes características:
• Permite maior espaçamento entre as visitas.
• Não necessita de procedimentos e técnicas de maior complexidade. • Não necessita de atendimento médico frequente.
• Possui problemas de saúde controlados/compensados.
Os usuários inseridos nessa modalidade deverão ser cuidados pelas equipes de Atenção Básica, com suporte dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família.
Já as modalidades AD2 e AD3 compreenderão os usuários que demandam maior número e frequência de visitas domiciliares e maior uso de equipamentos, ficando sob os cuidados dos Serviços de Atenção Domiciliar – SAD (Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar – Emad e as Equipes Multiprofissionais de Apoio – Emap), de modo compartilhado com as equipes de Atenção Básica.
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• Saiba mais:
Para conhecer mais sobre atenção domiciliar, consulte o Caderno de Atenção Domiciliar, por meio do link: <http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/cad_vol1.pdf>