11. TRAITEMENT DU TROUBLE ANXIETE GENERALISEE
11.4 Prise en charge TCC
O ensino das Ciências nas sociedades é potenciador de muitas capacidades, visto que, várias vezes, são abordados temas/problemas com os quais nos debatemos na nossa sociedade, levando a uma melhor preparação científica do cidadão. A escola tem um papel importante na transformação dos alunos em pessoas mais autónomas, capazes de fundamentar as suas ideias, serem críticos perante os conhecimentos adquiridos.
Rodrigues et al. (2008), referindo Charpak (1997), consideram que não é dada a devida importância às Ciências, nas escolas. Outros autores afirmam que em Portugal, o ensino das Ciências tem sido desvalorizado comparando com o ensino de outras áreas como por exemplo, o português e a matemática (Rodrigues et al., 2001). Para colmatar esta falha no pré-Escolar, foram implementadas as Orientações Curriculares, pelo Ministério da Educação.
Rodrigues e Vieira (2012) realçam que em Portugal, apesar das Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar na Área do Conhecimento do Mundo explicitarem claramente sensibilidade às Ciências e uma tentativa para abordar aspetos de natureza científica, alguns estudos indicam que o ensino das Ciências quase nunca ocorre no jardim-de-infância (Peixoto,2005, Gomes, 2008 e Pereira,2012, cit por. Rodrigues e Vieira, 2012).
Bonito (2007) afirma que “ no ensino durante o século XX passou-se de um período
onde se usava variadas demonstrações de conceitos associadas a muita manipulação de equipamentos, para um quadro cada fez mais teórico, quer fosse por limitações de recursos quer fosse por opção metodológica ou de natureza curricular.” (Bonito, 2007,
p. 2)
As Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, criadas pelo Ministério da Educação e Ciência, apontam a Área do conhecimento do Mundo como
“uma sensibilização às ciências, que poderá estar mais ou menos relacionadas com o meio próximo, mas que aponta para a introdução de aspectos relativos a diferentes domínios do conhecimento humano: a história, a sociologia, a geografia, a física, a química e a biologia…que, mesmo elementares e adequados a crianças destas idades, deverão corresponder sempre a um grande rigor científico.” (Ministério da
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Martins et al. (2009) referem que, apesar da Educação Pré-Escolar não se encontrar integrada na escolaridade obrigatória, ela deve ser entendida como um privilegiado contexto de socialização, um espaço formal de desenvolvimento, onde as crianças podem por em prática e interagir com as vivências do quotidiano e, por fim, uma facilitadora de aprendizagens no domínio das Ciências. Reis (2006) reforça que “ a ideia de ensino das
ciências encontra-se imediatamente associada à da formação do espírito científico, com o que isso pressupõe de iniciação à dedução, ao raciocínio lógico, mas também à formulação de problemas” (Reis, 2006, p. 103).
Martins et al. (2009) realça que todas as brincadeiras realizadas no dia-a-dia pelas crianças estão carregadas de Ciência. Quando no recreio estas descem no escorrega e andam de baloiço, quando brincam no banho com materiais que flutuam, quando constroem castelos na areia e quando enchem e esvaziam recipientes. Através da manipulação de objetos que estão ao seu dispor, a criança aprende que “se fizer isto, vai acontecer aquilo”. O acompanhamento de um adulto nas brincadeiras das crianças é extremamente importante, pois vai gerar momentos de aprendizagem e desenvolvimento de capacidades. A curiosidade da criança vai-se estruturar ainda mais e a vontade de saber mais sobre o mundo que a rodeia vai ser ainda maior. A partir deste momento, as crianças estão aptas para dar início a pequenas investigações, tornando-se cada vez mais complexas. Através destas investigações, começam a formar as suas próprias ideias sobre aquilo que veem. As explicações construídas pelas crianças, apesar de não serem cientificamente corretas, são a maneira como elas as interpretam. Mais tarde, haverá pela parte do professor/ educador, uma desconstrução destas explicações contruídas pelas crianças, tornando-se em “ verdadeiras explicações”, através de uma investigação e, consequentemente, um ponto de partida para novas aprendizagens.
Martins et al. (2009) citando Harlen (2006) e deBóo (2000), afirmam que, segundo alguns estudos realizados, nos últimos anos “ têm permitido sistematizar os processos de
aprendizagem de ciências de crianças pequenas e reforçar a sua necessidade desde cedo, de preferência de forma intencional já em idade pré-escolar, assumindo a educação em ciências como promotora da literacia científica” (Martins et al., 2009, p. 12).
Belo (2012) alerta que é importante que o ensino das Ciências se inicie muito precocemente na vida das crianças, pois é cada vez mais assumida pelos intervenientes da ação educativa, não só devidos aos resultados mas também pelo facto de preparar as crianças para um processo de educação científica nos níveis de escolaridade seguintes.
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Rodrigues e Vieira (2009), referindo Martins (2002) e Osborne (2008) acrescentam que o ensino das Ciências deve ser estimulado, desde os primeiros anos de vida, com o objetivo de cativar as crianças para a continuidade dos estudos em Ciências.
Ainda Pereira (2002) citado por Rodrigues e Vieira (2009) realça “ É consensual a
ideia de que a literacia científica se deve efetuar desdes primeiros anos incluindo o pré- escolar” (Rodrigues e Vieira, 2009, p.1).
É óbvio o papel e a importância do ensino das Ciências a partir de tenra idade, por isso, Eshach (2006), citado por Martins et al. (2009), enumera várias razões sobre essa mesma importância da educação em Ciência desde os primeiros anos de vida:
1. “As crianças gostam naturalmente de observar e tentar interpretar a natureza e os fenómenos que observam no seu dia-a-dia;
2. A educação em ciências contribui para uma imagem positiva e reflectida acerca da ciência;
3. Uma exposição precoce a fenómenos científicos favorece uma melhor compreensão dos conceitos apresentados mais tarde, no ensino básico;
4. A utilização de uma linguagem científica adequada com crianças pequenas pode influenciar o desenvolvimento de conceitos científicos;
5. As crianças são capazes de compreender alguns conceitos científicos elementares e pensar cientificamente;
6. A educação em ciências favorece o desenvolvimento da capacidade de pensar cientificamente” (Martins et al., 2009, p. 12 e 13).
Para Fumagalli (1998) citado por Martins et al. (2009), as razões que aponta para uma educação em Ciências desde cedo, são:
1. “ Todas as crianças têm o direito de aprender …;
2. A educação básica, incluindo a educação pré-escolar tem um papel social na distribuição do conhecimento, devendo-se integrar o conhecimento científico nos conteúdos dos currículos, …;
3. O conhecimento científico é um valor social que permiti aos indivíduos melhorar a qualidade da sua interacção com a realidade natural (Fumagalli, 1998, citado por
Martins et al., 2009, p. 13).
Para incluir estes conhecimentos científicos nas escolas, o Ministério da educação (1997), através das Orientações Curriculares para o Pré-escolar, na Área do Conhecimento do Mundo aponta para a sensibilização para a Ciência, introduzindo aspetos relativos a diferentes domínios do conhecimento humano, como a biologia, sociologia, história física, química, entre outros. Portanto, a Área do Conhecimento do
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Mundo “ enraíza-se na curiosidade natural da criança e no desejo de saber e
compreender porquê. Curiosidade que é fomentada e alargada na educação pré-escolar através de oportunidades de contactar com novas situações que são simultaneamente ocasiões de descoberta e de exploração do mundo” (Ministério da Educação, 1997, p.
79).
Zabala e Arnau (2007) citado por Martins et al. (2007) afirmam que as crianças em idade Pré-Escolar estão preparadas para realizarem aprendizagens sobre as Ciências. O educador tem o papel fundamental de proporcionar e dinamizar atividades de literacia científica, com o objetivo de desenvolver cidadãos mais competentes na dimensão pessoal, interpessoal, social e profissional.
O Ministério da Educação (1997), desde há algum tempo aponta que a consciencialização para as Ciências deve partir dos interesses e dúvidas das crianças.
“A sensibilização às ciências parte dos interesses das crianças que o educador
alarga e contextualiza, fomentando a curiosidade e o desejo de saber mais. Interrogar-se sobre a realidade, colocar problemas e procurar a sua solução constitui a base do método científico. Também a área do conhecimento científico deverá permitir o contacto com a atitude e metodologia própria das ciências e fomentar nas crianças uma atitude científica e experimental” (Ministério da
Educação, 1997, p. 82).
Belo (2012) indo ao encontro do Ministério da Educação (1997), garante que alguns objetivos do ensino das Ciências só conseguirão ser atingidos se recorrermos ao ensino experimental. Ainda Belo (2012) tendo como base Hodson (1996) acreditam que o trabalho experimental deve ter como ponto de partida “as ideias e os pontos de vista dos
alunos; esboçar experiências segundo essas ideias; estimular os alunos para que possam desenvolver e alterar as ideias; apoiar os alunos no processo de reconstrução do seu próprio conhecimento” (Belo, 2012, p. 4). O trabalho experimental leva a uma descoberta
fundamentada, onde as crianças terão a possibilidade de expor as suas explicações e confrontá-las com o real. O educador tem um papel fundamental na construção do conhecimento científico das crianças, “facilitando a construção mais rigorosa a partir
dos saberes das crianças”, decidir se será necessário a busca de mais informações,
seguida com a verificação de “hipóteses” através de experiência com o objetivo de organizar os conhecimentos recolhidos (Ministério da Educação, 1997).
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Gonçalves (2014) reforça que o educador deve ter como ponto de partida os saberes e interesses das crianças em questão, para começar novas aprendizagens novos conhecimentos científicos. O educador deve encorajar, dar a oportunidade de experimentar, observar e questionar aquilo que elas observam. Dependendo do desenrolar das atividades, o educador deve introduzir novos conhecimentos científicos para que as crianças reflitam sobre aquilo que já sabiam e o que aprenderam.
Segundo a circular nº17/DSDC/DEPEB/2007, “o educador deve planear,
desenvolver e avaliar as actividades educativas, nunca perdendo a perspectiva globalizante da acção educativa na Educação Pré-escolar (Ministério da Educação,
1997, p.2).
Tenreiro-Vieira e Vieira (2004) afirmam que, para que haja literacia científica desde do Pré-Escolar, é necessário fazer uma reforma e investir forçosamente na formação de professores/ educadores com o intuito de desenvolver competências científicas conduzido, assim, para uma mudança na prática didático pedagógica Tenreiro- Vieira e Vieira, 2004, cit. por Rodrigues e Vieira, 2009)
Martins (2002) citado por Rodrigues e Vieira (2009) afirma que é necessário incorporar as futuras identidades competentes do ensino no aprofundamento de temas globais, de índole multi e interdisciplinar, enriquecendo o interesse por canais de aprendizagem não formal. Ainda Cachapuz, Praia, Paixão e Martins (2000) referido por Rodrigues e Vieira (2009), na mesma linha de Martins (2002), refere que é necessário desenvolver com os professores/ educadores um trabalho de formação contínua e exigente, levando a mudanças de perspetivas e uma adoção de novas praticas pedagógicas inovadoras relativamente à cultura e educação científica.
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