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VOLET 1 – LES PRINCIPES DU DÉVELOPPEMENT DURABLE

A construção da Proposta Curricular para a língua portuguesa e línguas estrangeiras (inglês e espanhol) da RMEF deu-se durante os encontros de formação dos professores em 2006, tendo como consultora a Prof. Dra. Maria Marta Furlanetto e a contribuição da Prof. Ms. Terezinha Bertin em 2007.

Nesses encontros, conforme relato da gerente de articulação pedagógica e do diretor da Diretoria de Ensino Fundamental (DEF) da SME (FLORIANÓPOLIS, 2008) foram realizados seminários temáticos com foco na discussão de uma educação inclusiva e encontros de formação específica da área que caracterizaram-se por momentos de estudo e discussão de concepções e conceitos para o trabalho com gêneros textuais, práticas de leitura, escrita, oralidade e reflexão sobre o uso da linguagem para se materializar na Proposta Curricular de 2008 (PC). A

discussão acerca da ressignificação do currículo, decorrente da ampliação do tempo do ensino fundamental para 09 anos, com ingresso das crianças aos seis anos de idade, e, o objetivo de melhor subsidiar a elaboração dos planos de ensino das unidades

educativas trouxe a necessidade de promover estudos para a sistematização de novos referenciais curriculares para a Rede Municipal de Ensino de Florianópolis. Neste sentido, o Departamento de Educação Fundamental, desenvolveu estudos e elaborou, de forma participativa com os(as) educadores(as) e contribuição de consultores, este documento. [...] apresentando elementos da fundamentação da área, objetivos e conceitos/conteúdos, bem como, aspectos metodológicos e de avaliação, a serem contemplados enquanto currículo no Ensino Fundamental. (FLORIANÓPOLIS, 2008, p. 9).

Tal documento tinha e tem o intuito de criar uma identidade política de modo a fortalecer as ações pedagógicas e a autonomia dos educandos nos diferentes ambientes e situações. Conforme já apontamos no capítulo 2, sobre formação de professores e a aula de língua portuguesa, “apoiando-se nos estudos sobre letramento [...], Kleiman (2005) defende a representação de professor como ‘agente de letramento’” (VÓVIO, SITO e DE GRANDE, 2010, p. 187). Dessa forma, a PC da RMEF de 2008 encontrar-se-á em constante revisita. Daí, a importância dos encontros de formação continuada que aconteceram desde 2008. Essas formações, na área da linguagem, visavam e visam aprofundar o estudo de gêneros orais e escritos. Assim, em 2010, discussões foram feitas para a elaboração de uma matriz curricular como um anexo da PC. A Matriz Curricular (MC) encontra- se ainda em processo de estudo e apresenta as capacidades a serem desenvolvidas no ensino e na aprendizagem das modalidades orais e escritas da língua como direitos de aprendizagem dos educandos em cada

um dos anos finais do Ensino Fundamental. Os gêneros textuais elencados na MC e os aspectos linguísticos relacionados a esses gêneros foram sugeridos e discutidos pelos professores na formação continuada, trazidos de suas experiências na sala de aula, nas escolas e dos grupos que lecionam. A ideia não foi elaborar uma proposta de currículo fechada, mas uma proposta que orientasse o trabalho dos professores, pois, conforme já pontuado na neste trabalho, a prática docente está atrelada aos projetos político-pedagógicos das escolas e da rede.

Nesse sentido, vemos que a formação continuada se faz necessária para que todos os docentes entendam o ensino da língua na perspectiva dos gêneros de texto, desde os professores que já trabalham na rede até os que estão chegando, pensando na hibridização de gêneros primários e secundários e na língua como objeto social, sem deixar de considerar os espaços no qual a escola está inserida e os educandos, sujeitos sócio-historicamente situados. Importa nesse ponto, lembrar, segundo Bakhtin (1997, p. 281), que devemos

levar em consideração a diferença essencial existente entre o gênero de discurso primário (simples) [ligados às esferas sociais da vida cotidiana, menos formais, sem maior elaboração, como a esfera familiar] e o gênero de discurso secundário (complexo) [estão ligados às esferas sociais mais formais e,portanto, mais sistematizadas, como as esferas escolar e científica]. Os gêneros secundários do discurso — o romance, o teatro, o discurso científico, o discurso ideológico, etc. - aparecem em circunstâncias de uma comunicação cultural, mais complexa e sociopolítica.

Durante o processo de sua formação, esses gêneros secundários absorvem e transmutam os gêneros primários (simples) de todas as espécies, que se constituíram em circunstâncias de uma comunicação verbal espontânea. [minhas contribuições]

O grupo de docentes que participou dos encontros e reuniões que resultaram na MC “não pensaram em um engessamento do ensino”, conforme relato de uma das professoras26, mas em “dar um suporte aos professores”, embora, dê a impressão, pela maneira como a MC foi organizada, de uma proposição de gramaticalização do ensino de línguas em uma proposta incoerente com o ensino da língua portuguesa a partir dos gêneros de texto. Isto foi posto como orientação da Diretoria do Ensino Fundamental (DEF), por não haver um entendimento dos profissionais27 – docentes, equipes pedagógicas ou técnicos da secretaria de educação – envolvidos na proposição da MC da rede como um todo do que de fato é preparar os alunos na escola para a vida fora da escola, implementando práticas de uso da língua por meio dos gêneros, hibridizando cultura local e global. Voltando para o documento oficial do MEC, os PCNs, “o que se busca é que o aluno seja um usuário competente da linguagem no exercício da cidadania, crer que essa interação dialogal que ocorre durante as aulas dê conta das múltiplas exigências que os gêneros do oral colocam, principalmente

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Esta professora trabalha em uma das escolas de melhor IDEB, tem aproximadamente 20 anos de rede e de magistério e sempre participa da formação continuada e dos grupos de trabalho e estudo propostos pela RMEF . Nessa pesquisa está identificada como professor A.

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Conforme relato do professor 1 – gerente de articulação pedagógica.

em instâncias públicas, é um engano.” (BRASIL, 1998, p. 24).

Assim, a MC apresenta os seguintes eixos: oralidade (escuta e fala), leitura, escrita e reflexão linguística. Sugere o trabalho com alguns gêneros textuais nos diferentes domínios sociais da linguagem: narrar, relatar, instruir, argumentar e expor (SCHNEUWLY e DOLZ, 2004) para cada uma das séries dos anos finais e apresenta as habilidades que poderão ser desenvolvidas em cada um desses eixos. Em relação aos gêneros orais, a MC sugere, no sexto ano, um trabalho com o diálogo argumentativo; no sétimo ano, a entrevista e exposição oral; no oitavo ano, está o seminário e novamente a exposição oral e, no nono ano, é proposto o debate regrado. Em relação à Proposta Curricular de 2008, após a finalização de sua redação e dos encontros com a consultora, os professores organizaram uma tabela28 identificando os gêneros de texto que julgaram, naquele momento, importantes para serem trabalhados em cada ano/série dos anos finais do Ensino Fundamental, relacionando-os segundo as características tipológicas discursivas – narrar, relatar, instruir, expor e argumentar – propostas por Schneuwly e Dolz (2004). Esse foi o entendimento dos docentes na época. Vemos que a formação continuada tem um papel fundamental nessa rede e que a academia deve estar mais próxima da escola e, da mesma forma, a escola deve aproximar-se da academia. Como parceiras, teoria e prática andarão de mãos dadas, pois somente a leitura e discussão desses documentos não deram e não darão conta de mudança na prática do professor ao proporem um trabalho de ensino da língua portuguesa a partir dos gêneros na perspectiva discutida até então neste trabalho.

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5.3 LIVROS DIDÁTICOS: PROCESSO DE ESCOLHA