Segundo George Siemens (2005), as inovações pedagógicas, contempladas no construtivismo, não são suficientes para que haja um afastamento de ideologias que procuram distorcer a aprendizagem de forma a refletir as necessidades de uma Era diferente. Esta falha em ultrapassar ideologias antigas deve-se à incapacidade, até à data, dos educadores repensarem o modelo de aprendizagem. As tentativas de reforma não têm tido muito sucesso, porque os reformadores trabalharam dentro do
sistema educativo, ao invés de trabalharem no sistema educativo. Trabalhar dentro
dos sistemas tem resultado na preservação do status-quo, mesmo quando os reformistas sentiram que estavam a ser radicais nas reformas que estavam a fazer. Para George Siemens (2004), no Conectivismo o conhecimento constrói-se e está disponível através de uma rede de conexões, sendo a aprendizagem a capacidade de construir conhecimento em conexão. Neste sentido, o Conectivismo está adequado aos atuais ambientes sociais subjacentes ao processo de aprendizagem, à mobilidade profissional ao longo da vida, à importância da aprendizagem informal, à grande variedade de formas e meios de aprendizagem, às redes pessoais ou às tarefas ligadas ao desempenho de uma profissão.
O papel do professor/designer/instrutor é criar recursos que permitam melhorar a navegação pelo conhecimento, favorecendo as aprendizagens informais, com objetivos e intenções selecionadas pelos aprendentes.
Embora a aprendizagem informal tenha as características mais dinâmicas e versáteis da aprendizagem, também é a menos reconhecida. Para que a aprendizagem ao
aprendizagem como algo que se inicia num determinado momento do tempo e termina noutro. A aprendizagem é contínua e abarca todas as áreas da vida e do trabalho, sendo a tecnologia o elo de ligação de pessoas e várias áreas de conhecimento. As pessoas procuram a informação, de várias formas e por diversos meios (formais e/ou informais). Podem pesquisar na Internet, num livro, perguntando a quem sabe ou frequentando um curso. Segundo Siemens, todas estas formas são adequadas, quando respondem bem a uma determinada necessidade de conhecimento.
Siemens (2009) responde à seguinte pergunta: O que eu aprendi na educação formal, no sistema escolar?
"A maior parte do que eu aprendi no sistema de educação formal, especialmente no nível K-12, não tem necessariamente um grande impacto para onde estou e o que faço hoje. Se eu fosse dizer qual é a capacidade mais importante, eu diria que é a escrita. Foi essa capacidade que eu aprendi no sistema K-12 que, até hoje, serve-me de base diariamente. Por outro lado, muito do que eu preciso hoje, encontrei; quer seja uma capacidade que eu preciso desenvolver, que é movida pela paixão, pelo interesse e, por vezes, por exigências do trabalho, ou se é o conhecimento que eu preciso para completar uma tarefa específica, quer seja para trabalho ou apenas para o meu interesse ou hobby pessoal, quase tudo o que eu regularmente utilizo veio como um resultado de eu querer aprender, em vez de ser forçado ou ser colocado numa posição onde fazia parte do um curriculum. Portanto, se alguma coisa, o nosso sistema escolar deverá fomentar hoje, deverá fomentar a criação de uma paixão, que deveria incentivar as pessoas a buscar o que mais gostam de fazer e eliminar as barreiras para alcançar o que as pessoas realmente querem fazer."
A Teoria de George Siemens, Learning Development Cycle (LDC), segundo a qual o ensino deve acompanhar as necessidades modernas de aprendizagem, está na base da crescente utilização das novas tecnologias no processo de ensino/aprendizagem. Na Educamp de 2008, George Siemens interveio, via Skype, e salientou a ideia de que:
"As formas como interagíamos com o mundo, costumavam ser geograficamente limitadas (ou seja, falávamos com os nossos vizinhos e com as pessoas que estavam geograficamente perto de nós) e agora, num mundo que chamamos de individualismo em rede, temos a capacidade de estar ligados com pessoas que não estão perto de nós (o exemplo disso é que, mesmo estando no Canadá,
através do Skype eu estou a falar com vocês) e, como resultado disso, podemos olhar para o potencial em que a educação poderá tornar-se. (...) Aprender de outros e ensinarmo-nos uns aos outros, através de sites como o eBay ou Amazon, onde as pessoas podem comentar e classificar as outras pessoas ou os produtos que eles produziram. E é esta forma de avaliação comunitária, que fornece um conjunto de componentes chave. O primeiro componente é que este tipo de sites, blogs, wikis e podcasts, possibilita a qualquer pessoa a oportunidade de ser capaz de ensinar, partilhar e expor as suas ideias para o mundo. O segundo componente é que a avaliação do que são bons recursos didáticos e bons materiais de aprendizagem é feita através do uso continuado deste tipo de sistemas de avaliação, que as analisa ou, pelo menos, recebe um contributo da comunidade sobre como estamos para alguém ou a reputação de um determinado individuo."
Segundo Siemens e Tittenberger (2009), com o advento das novas tecnologias, o modo de aprender e interagir deixou de estar confinado a quatro paredes de uma sala de aula, para se alargar a qualquer ponto do planeta, numa rede de conhecimento e trabalho (network). Deste modo, e de forma a aproveitar todo um manancial de informação e de interações, professores e formadores devem estar atentos a ferramentas que possam responder às necessidades das novas gerações tecnológicas, até porque os estudantes identificam-se cada vez menos com as fontes de informação tradicionais.
Como diz Siemens (2009), aprender é cada vez mais dependente da nossa capacidade de estarmos ligados aos outros, de sabermos encontrar informação:
"Para mim aprender hoje em dia é estar devidamente ligado a outras pessoas, ser capaz de encontrar a informação quando eu quero. Tendo as ferramentas à minha disposição, que me permitam aceder a diferentes fontes de informação, e também uma rede de pessoas que me permita contactá-las e fazer perguntas quando eu precisar. Essas redes são, obviamente, baseada na confiança, são pessoas que já sigo há algum tempo, que tenho travado conhecimento nos últimos anos. Num sentido real muito prático, para mim, a aprendizagem é a minha capacidade de conectar com outras pessoas. Aprendizagem para mim é a minha capacidade de encontrar fontes de informação através de ferramentas fáceis de utilizar. E, finalmente, qualquer coisa que coloque barreiras entre mim e a minha capacidade de me conectar a outros e aceder a informação, quer seja política, iniciativas
uma barreira para a minha aprendizagem.
Assim, através das tecnologias podemos divulgar informação sem fronteiras geográficas, promovendo a interação e, sobretudo, somos capazes de desenvolver hábitos de procura, com consequente aumento da autonomia, tal como refere Siemens, o professor/formador tem de abdicar do controlo da aprendizagem, para passar a ser um mediador de percursos individuais, responsabilizando os estudantes pelas suas pesquisas e aquisições.