Seguidamente enumeram-se e apresentam-se os instrumentos usados na investigação, a saber: (i) Ficha de dados pessoais e escolares; (ii) Questionários aos formandos que inclui o Questionário de Atribuições e Dimensões Causais (QADC) (Pina Neves, 2007; Pina Neves & Faria, 2008), o Questionário de Autoeficácia e Instrumentalidade para Autorregulação da Aprendizagem (QAEIARA) (Castro, 2007; Lourenço, 2007) e o Questionário de Autoconceito Académico (QACA) (Antunes, 2006); (iii) Guião do grupo de discussão com os formadores; (iv) Guião de entrevista inicial aos formandos (Pina Neves, 2007); (v) Guião de entrevista final aos formandos; (vi) Registo individual de avaliação; (vii) Registo de progressão do(a) formando(a) e (viii) Registo de orientações metodológicas (cf. Anexo 2).
Relativamente à sua construção, apesar de esta investigação recorrer a instrumentos de avaliação dos construtos motivacionais já utilizados noutras investigações nacionais e com qualidades psicométricas comprovadas (Antunes, 2006; Castro, 2007; Lourenço, 2007; Pina Neves, 2007; Pina Neves & Faria, 2008), considerou-se necessário efetuar adaptações no QADC, no QAEIARA e no QACA.
No QADC foi apenas considerada a primeira parte do instrumento original (Pina Neves, 2007; Pina Neves & Faria, 2008), dado que se pretendia conhecer a perceção que os formandos tinham sobre a influência de vinte e quatro causas nos seus resultados escolares. Foi alterada a instrução de preenchimento, adaptando-se a do Questionário de Atribuições
(Faria & Fontaine, 1993; Faria, 1995), sendo solicitado aos formandos que indicassem numa escala de resposta de quatro pontos a influência de cada fator nos seus resultados escolares.
No QAEIARA foi alterada a escala tipo Likert a fim a homogeneizar as opções de resposta nos questionários, facilitando a sua apreensão por parte dos formandos. Consequentemente, foi alterada também a instrução de preenchimento tendo sido pedido aos formandos que dissessem em que medida concordavam que se sentiam capazes de utilizar um conjunto de estratégias na sua aprendizagem e em que medida concordavam que seria útil fazê-lo.
No QACA foi pormenorizada a forma de preenchimento para evitar erros de compreensão das instruções. Manteve-se a escala de resposta de tipo Likert de quatro pontos do instrumento original (Antunes, 2006), mas trocando a ordem das alternativas de resposta para torná-la igual à dos instrumentos anteriores, evitando confusões no seu preenchimento.
Depois de adaptados foi definida a ordem de administração dos questionários (primeiro o QADC, depois o QAEIARA e, finalmente, o QACA), privilegiando-se primeiramente uma abordagem mais geral ao avaliar as causas envolvidas nos resultados escolares, depois uma avaliação mais focalizada de uma das causas (as estratégias de autorregulação da aprendizagem) e, finalmente, a avaliação do impacto dos resultados no autoconceito. Foi elaborada uma folha de instruções gerais para o conjunto de questionários (na qual se enfatizou a confidencialidade das respostas), tendo sido, igualmente, incluída uma instrução própria para cada questionário, de modo a minimizar possíveis erros de preenchimento. Uma vez que se pretendia basear a entrevista semiestruturada, a realizar seguidamente, na resposta a estas escalas, foi necessária a identificação dos formandos.
O Guião do grupo de discussão com os formadores foi construído com base nas questões relativas às perceções sobre os alunos e sobre as suas estratégias de aprendizagem presentes no guião da entrevista a professores desenvolvido por Pina Neves (2007). Este instrumento foi utilizado no grupo de discussão em que participaram 10 formadores (com exceção do formador de SEM cuja disciplina foi lecionada no 2.º ano e que no momento da discussão não estava afeto ao curso) e que teve como objetivo avaliar a perceção que os formadores tinham sobre os formandos, sobre as crenças de autoeficácia e sobre as atribuições causais destes. Este instrumento é constituído por 23 questões tendo sido acrescentadas 5 novas questões que se mostraram necessárias para auscultar os formadores
relativamente ao que consideravam estar na base das crenças de autoeficácia dos formandos. As restantes foram adaptadas do instrumento original, tendo em consideração o objeto do estudo, isto é, considerou-se o rendimento escolar em geral e não apenas o das disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática como no estudo de referência, e também as caraterísticas dos participantes em estudo.
O Guião da entrevista inicial aos formandos foi construído com base no guião da entrevista a alunos desenvolvido por Pina Neves (2007) e tinha em vista a exploração falada das respostas dadas pelos formandos no QADC e no QACA. Este instrumento foi utilizado na entrevista inicial aos formandos que teve como temas centrais as causas dos resultados escolares, as expectativas de autoeficácia e as expectativas de resultado para o CEF, o autoconceito académico e a caraterização do percurso escolar dos formandos. Deste modo, foram consideradas as 24 causas que explicam os resultados escolares do instrumento original (Pina Neves, 2007). Para cada uma das causas foram elaboradas questões através das quais se procurou aceder às experiências e perceções dos formandos. Foram também elaboradas questões para explorar os significados pessoais subjacentes à resposta a cada um dos itens que constituem o QACA.
Este guião semiestruturado foi testado através da realização de uma entrevista-piloto na qual se procurou aferir a facilidade de compreensão do vocabulário utilizado bem como a adequação, clareza e a pertinência das questões. A entrevista-piloto foi realizada a um(a) formando(a) a frequentar uma entidade de ensino profissional do concelho da Maia, com as mesmas caraterísticas dos participantes deste estudo (formando(a) a frequentar o primeiro ano de um CEF de tipologia 2), ao qual foram aplicados os mesmos três questionários (QADC, QAEIARA e QACA). Com base na informação recolhida nessa entrevista-piloto e no grupo de discussão realizado com os formadores procedeu-se a alguns ajustes no Guião da entrevista inicial aos formandos. Mais concretamente houve questões que não foram compreendidas pelo(a) formando(a), tendo as mesmas sido reformuladas, tendo também surgido a necessidade de recolher informação sobre as motivações associadas ao ingresso no CEF pelo que foram introduzidas duas novas questões. Foram também adaptadas as questões relativas às causas “O fazer os trabalhos de casa” e “As condições que tenho para estudar em casa” de modo a que refletissem melhor a informação recolhida no grupo de discussão.
O Guião de entrevista final aos formandos, o Registo individual de avaliação, o Registo de progressão do(a) formando(a) e o Registo de orientações metodológicas foram criados de raiz para efeitos da recolha de dados deste estudo.
O Guião da entrevista final aos formandos é, tal como o da entrevista inicial, semiestruturado. Para além dos temas gerais que o estruturam, isto é, o processo de escolha vocacional, crenças de autoeficácia e expectativas de resultados, atribuições causais e autoconceito académico, foram introduzidas questões personalizadas a cada formando(a), partindo de informações recolhidas aquando da entrevista inicial, permitindo aos formandos refletirem e compararem os temas em análise nos dois momentos de avaliação. Deste modo, este instrumento utilizado na entrevista final realizada a cada formando(a) teve como objetivo avaliar no final do CEF as atribuições causais dos formandos para os seus resultados escolares, as expectativas de autoeficácia e expectativas de resultados para o ano letivo seguinte, as variáveis envolvidas no processo de escolha vocacional (nomeadamente a influência das experiências de exploração do investimento proporcionadas pela frequência do CEF) e o autoconceito académico.
O Registo individual de avaliação consiste num documento de registo da avaliação do(a) formando(a) preenchido no final de cada período nos Conselhos de Turma pelo investigador. Foi elaborado a partir dos modelos de registo de avaliação do Ministério da Educação e contempla os níveis escolares dos formandos no final de cada período por ano de escolaridade, considerando ainda a existência de formandos que apresentem necessidades educativas especiais, dificuldades temporárias ou capacidades excecionais.
O Registo de Progressão do(a) Formando(a) foi concebido a partir de quatro fontes de informação: (i) os itens do QAEIARA convertidos em evidências que os formadores pudessem percecionar na sala de aula (itens 2, 3, 6, 8, 9, 10, 13, 14, 22 e 23); (ii) o QADC, optando-se por selecionar as causas não contempladas no QAEIARA associadas aos resultados escolares de modo a que os formadores pudessem manifestar a sua perceção quanto aos efeitos das mesmas (itens 1, 4, 5, 7, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20 e 21); (iii) as informações obtidas no grupo de discussão com formadores, nomeadamente as obtidas na questão que solicitava a indicação, para a sua disciplina, dos aspetos ou fatores de que dependeria ter uma boa nota (itens 27 e 28) e (iv) as informações constantes do Plano Curricular de Turma sobre as competências gerais a desenvolver pelos formandos e sobre os critérios de avaliação ao nível dos conhecimentos/competências e atitudes e valores (itens 24, 25, 26, 29 e 30. Acrescentaram-se 3 itens através dos quais se pretendeu conhecer a perceção dos formandos sobre a utilidade do curso no seu projeto profissional futuro (itens 31, 32 e 33).
O Registo de orientações metodológicas foi construído de acordo com os referenciais de formação de cada disciplina propostos pela DGFV (Direção Geral de Formação
Vocacional, 2005a, 2005b, 2005c, 2005d, 2005e, 2005f, 2005g, 2006) e pelo IEFP (IEFP, 2007). Pretende dar a conhecer a aplicação efetiva em sala de aula de várias metodologias de ensino-aprendizagem (e.g. metodologias ativas e participativas como visitas de estudo, debates, role-play, portefólio de aprendizagem) ou, em alternativa, derivações dessas metodologias.