Chapitre I. Klystron
I.1. Introduction
I.1.2. Principe de fonctionnement pour modulation
O papel da universidade frente à formação de novos profissionais em Agroecologia caminha entre o distanciamento e a incompreensão acerca da proposta e a inserção dos camponeses na formação profissional e na troca de saberes.
Majoritariamente, ainda podemos perceber a marca e a presença do distanciamento e da incompreensão acerca da formação em agroecologia no curso analisado. Localmente, há uma distância física de 30Km entre o campus central da UFRR, o Paricarana e o campus Murupu no PA Nova Amazônia, onde se localiza a Escola Agrotécnica da UFRR. Esse distanciamento físico também é percebível nos aspectos institucionais, pedagógicos e políticos frente à proposta do curso.
Para este professor, o distanciamento entre a universidade se dava por se tratar de um projeto e não de um curso consolidado dentro da universidade, como os cursos tradicionais já existentes. O diálogo maior se dava com o INCRA, por se tratar do financiador do projeto dentro da universidade. Assim, afirmava o docente acerca do diálogo entre o curso e a UFRR:
Um distanciamento! Um distanciamento total porque, na verdade, é um projeto. É um projeto com recursos próprios que se autofinanciava, que pagava bolsa, que pagava alimentação, que pagava transporte. Então, o relacionamento com a universidade, ele se dava mais no âmbito da gestão do projeto numa via direta com a fundação AJURI que fazia a execução financeira do projeto. Basicamente isso. Já tinha um orçamento próprio. Já tinha recursos. Então, a demanda já tava, de alguma forma, garantida. A discussão maior. O interesse maior acontecia com o INCRA.
Este outro professor fala que o apoio maior vem da gestão da escola e não da gestão superior da universidade, daí o reflexo no distanciamento físico e institucional para com o curso de Agroecologia em não buscar essa interação nem com o curso superior existente na escola, nem com os demais. Afirma que:
A gente tá tentando criar um perfil dentro da escola. Na verdade, assim, quando fala universidade, tem que ser falado Escola Agrotécnica. A universidade, ela não busca essa interação. Até então, a gente vai fazer um ano com o curso, não busca esta interação com os cursos que tem aqui na escola. Pouquíssimo. Isso pra gente é muito ruim, porque a gente não tem uma representação do EBTT junto à universidade. Então nós aqui temos que se virar. Ano passado a gente já fez um concurso mais ou menos alinhado com essa área de Agroecologia. A gente, com o tempo, a gente vai
tá buscando esse perfil. Mas, esse apoio maior é dentro da escola, da
gestão da escola, com a direção, o coordenador. A gente criar esse perfil no curso, porque não se tem essa preocupação maior na pro reitoria de ensino, quanto a isso não. Tem que ser algo voltado.
As dificuldades frente à universidade na formação em Agroecologia se consolidam ainda, segundo este docente, quando os estudantes são impedidos de se inscreverem no mestrado em Agronomia da universidade e ainda tratarem o curso de Agroecologia, que é de nível superior, como curso técnico.
A questão não é desvalorizar o curso técnico ao fazer tal comparação, mas o Tecnólogo em Agroecologia se insere, historicamente, em outros espaços que o curso técnico ainda não consegue se inserir. Esse docente afirma:
Eu acho que o papel da universidade seria oportunizar a eles os mesmos recursos que dão oportunidade para os outros cursos, porque hoje o curso de Agroecologia, eles não podem concorrer, por exemplo, a mestrado em Agronomia porque eles não são reconhecidos dentro da própria universidade. Então, eu acho que falta também acabar com esse estigma que curso tecnólogo não pode ser curso superior porque a gente vê vários professores aqui que acham que é um curso técnico. Então tem que enxergar o curso de tecnologia em agroecologia como um curso importante e começar a dar oportunidade igual aos outros cursos da universidade. Ainda acerca desta incompreensão da universidade para com o curso de Agroecologia, outro docente fala que a universidade precisa dar mais atenção a este curso, pois nos conselhos superiores universitários são compreendidos como um curso técnico das Ciências Agrárias, um Técnico em Agropecuária.
A universidade não entende muito o que é o curso de Agroecologia, porque é o primeiro curso de tecnologia da universidade, né?! A universidade não
tá acostumada a ter um curso de tecnologia. Então é tudo muito novo.
Quando a gente entra nos conselhos de ensino, pesquisa e extensão, reitoria, etc, eles entendem o curso de Agroecologia como se fosse um curso de técnico em agropecuária, e não é. Hoje, por exemplo, nós não temos recursos da matriz orçamentária da universidade para o curso de Agroecologia. Então, eu acho que a universidade ainda precisa abraçar o curso de Agroecologia e entender que é um curso da instituição e que ela precisa dar o apoio necessário para o andamento do curso. Eu acho que ainda falta um pouco, sabe?
No grupo de sete professores entrevistados, somente três professores veem a relação entre a universidade e o curso de Agroecologia com positividade. Veem como a possibilidade de estender o conhecimento até os interiores, inserção da agroecologia em outros cursos da universidade, formação do pensamento agroecológico, conhecimento prático e uma formação para além da intelectualidade.
Para a docente a seguir, a Agroecologia deveria permear todos os cursos da universidade e estar presente em todas as disciplinas, pois a forma de pensar deveria ser agroecológica e não somente um item ou uma disciplina dentro de um curso na universidade.
Nesse ponto, faz uma crítica ao curso de Agronomia ao, ainda, permitir a aplicação de agrotóxicos por pulverização aérea. Aplicar agrotóxicos na plantação por aviões e atingir diferentes alvos, como escolas, residências, além do que é dispersado pelo vento. Critica ainda a criação de assentamentos em áreas de solo pobre ou pouco férteis.
Para ela, tudo isso é aprendido e disseminado pelo conhecimento transmitido pela universidade sem nenhuma criticidade, como por exemplo, se aquele agrotóxico aplicado na plantação atinge outros alvos que não a planta ou os efeitos socioambientais do uso de agrotóxicos ou a criação de assentamentos em áreas já desmatadas. Para ela, há conhecimento. Produz-se conhecimento, mas há um distanciamento entre o que se ensina e o sua aplicação ou a sua prática. Em suas palavras, afirma:
Eu vejo assim, que a Agroecologia deveria permear todos os cursos da
universidade. Ela não deveria ser assim. Por exemplo, na Agronomia não
deveria ter a disciplina de Agroecologia. A Agroecologia deveria tá embutida em todas as disciplinas. O pensamento tinha que ser agroecológico para todos, certo? O pensamento deveria ser agroecológico, porque quando você tem a disciplina de agroecologia é como se fosse um item. Uma coisa a mais. A agroecologia já vejo, é uma reflexão que você faz no curso como um todo. A diferença da agronomia pra agroecologia, porque na agronomia é mais abrangente. Você vê tudo. Na agroecologia você só foca naquilo, mas o curso de Agronomia teria que ser sinônimo de Agroecologia, porque se eu falo para os meus alunos, porque eu falo pra os meus alunos, como é que se admite pulverizar, de avião, uma cultura? É um absurdo! Como é que se permite tirar uma mata sem antes estudar muito bem o que é que tem nela?! Então isso é um absurdo! Como é que se permite alocar pessoas, fazer reforma agrária, colocar agricultores em cima de áreas de podzois, por exemplo, que são solos. Só areias que não vai dar nada e que em cima dessa areia há floresta linda e maravilhosa que a natureza passou anos e anos trabalhando naquela floresta, porque que a gente vai lá desmatar? Então, é um absurdo! Então, isso a gente estuda na universidade. Eu acho que a gente tinha que vedar, viu?! Praticar! O mal do ensino no mundo é que a gente tem um conhecimento, mas a gente não aplica.
Compreender o que acontece ao redor do sujeito, ou seja, compreender as práticas sociais da sua realidade é uma tarefa da universidade como formadora. Sair da especialização extrema e radical e caminhar rumo a uma formação mais interdisciplinar e transdisciplinar que compreenda o sujeito a partir de uma materialidade e contextualização é tarefa dessa nova formação universitária. Sobre universidade, esse docente afirma:
Ela tem que pensar mais no social, do lado intelectual. Qualquer universidade... Ela tem que pensar mais no lado social, na formação como um todo. Não é só o cognitivo que tem que ter. Você tem que ver o conjunto. Não adianta você formar uma pessoa, ser especialista daquilo e não observar o que acontece ao seu redor. Então, o papel da universidade é trabalhar esse conjunto.
A formação em Agroecologia e a construção do conhecimento em Agroecologia é um tema emergente na universidade pública brasileira e relaciona-se diretamente com a possibilidade de formar camponeses para inserção social nas diversas comunidades rurais, a partir da apropriação do conhecimento como fonte de transformação social.
Nesse capítulo, tivemos a oportunidade de conhecer um projeto pedagógico de um curso de agroecologia que buscou realizar formação para jovens e adultos da reforma agrária a partir da base de conhecimento da Agroecologia. A formação se deu com avanços na perspectiva de adquirir novas habilidades técnico produtivas que os habilitassem a se inserirem em seus lotes da reforma agrária com novas capacidades tecnológicas.
No entanto, ainda permanecem alguns desafios para formação em Agroecologia, como por exemplo, formadores com formação em Agroecologia, formação baseada na prática social dos sujeitos da política pública, continuidade da política pública, formação para além da técnica, prática educativa em Agroecologia que seja efetivada a partir das multidimensões da sustentabilidade da Agroecologia e um processo educativo que envolva os diferentes sujeitos do campo que lutam cotidianamente pela terra, mas também por um conhecimento que lhes seja útil no sentido de garantir a sua permanência na terra de forma sustentável.
4 PRÁTICA PEDAGÓGICA: EDUCAÇÃO EM AGROECOLOGIA, PRÁTICA DOCENTE E A PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA
O quarto capítulo desta tese trata da discussão acerca das práticas pedagógicas realizadas junto aos egressos do curso de Agroecologia da UFRR. Discuto a partir da teoria e da fala dos sujeitos os sentidos, explícitos ou não, dados à educação em Agroecologia, à prática docente e à pedagogia da alternância.