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Le principe d’action et de r´eaction

Dans le document Quatri`eme: Cours de Physique (Page 48-0)

O Centro Municipal de Educação Infantil Rosa Mística9fica em um local distante

do centro comercial do bairro e sua localização é bem peculiar: por trás de uma Escola de Ensino Fundamental, destacando-se um longo muro branco e, ao final do muro, logo se avista o portão azul da creche. Não foi o primeiro contato desta pesquisadora com a instituição; [eu] já havia estado nela no ano de 2009, porém, de modo rápido, para a aplicação de questionário da pesquisa de mestrado. As peculiaridades do bairro e o local da creche foram lembrados, porém os detalhes agora se faziam mais fortes e eram observados com mais atenção.

9 Nome fictício. O nome da instituição, assim, como o do bairro onde se localiza e o dos sujeitos

Destaca-se aqui a iniciação da pesquisadora como etnógrafa, buscando olhar atentamente para os detalhes, o que Geertz (2005, p. 188) chama de “fabricação caseira”, pois se trata das percepções de quem descreve. Fazer aqui uma descrição inicial dos detalhes é relatar que o impacto inicial foi causado por ver a Creche tão escondida, em um lugar tão invisível, sem indicação de que ali funcionava uma instituição para crianças tão pequenas. Não havia, no muro, nem cores nem mesmo o nome da instituição. Chamavam atenção as marcas no muro que dava acesso à rua da creche, informando que ali era um lugar de violência. Os dizeres no muro indicavam que, naquela comunidade, existia um cotidiano marcado pela insegurança. Os estabelecimentos comerciais, incluindo os mercadinhos, tinham grades de proteção, levando a pesquisadora a pensar na comunidade da creche: os funcionários, as crianças e as famílias.

A chegada à instituição coincidiu com a semana de adaptação das crianças, quando a creche estava passando ainda por ajustes nas matrículas e os bebês eram liberados mais cedo, sendo os responsáveis avisados para buscá-los a partir das 10h da manhã. De acordo com o calendário municipal, o ano letivo de 2015 estava com início previsto para 9 de março. Na segunda semana após o início das aulas, conforme agendado com a direção, a chegada ao lugar de pesquisa...

A partir deste ponto, em face da perspectiva etnográfica adotada e considerada a especificidade das informações que compõem o restante do capítulo, passo a enunciar em primeira pessoa, porque a voz “impessoal” de até então não encontra espaço aqui.

Na chegada à creche, aproximadamente 8h30min, fui bem recepcionada pela diretora geral. Nesse dia, fui apresentar o projeto da pesquisa e conhecer as instalações da creche. A diretora recebeu-me em sua sala, alegando que estavam desorganizados devido a uns ajustes na organização dos objetos. A conversa foi longa e com várias interrupções, pois a diretora estava sozinha naquela manhã e sempre era solicitada pelos funcionários da limpeza e por alguns pais das crianças. A diretora relatou que a minha presença não as incomodaria, pois estavam acostumadas a receber pesquisadores e a colaborar com a Universidade Federal de Alagoas.

Durante a conversa, a diretora informou que tinha concluído uma especialização em Docência para Educação Infantil e que a proposta do TCC dela foi a construção de uma horta na Creche, que precisou passar por alguns ajustes e acabou ficando inativa. Ela expressou o desejo de reativar o projeto da horta naquele ano. A conversa resumiu-se nas situações vivenciadas no bairro e no problema nas matrículas, pois o município estava informatizando o processo de via internet e as famílias das crianças se atrapalharam muito. Encerramos a conversa formalizando a minha participação na rotina da Creche. Especifiquei os dias em que estaria observando o berçário, inicialmente assim definidos: segunda (período integral), terça (manhã), quarta (período integral), quinta (período integral), sexta (manhã).

No momento da minha saída, havia uma professora no hall de saída da instituição com um bebê (menina), e a Diretora me apresentou a ela, dizendo que aquela era a professora do berçário, acrescentando: Essa é a Carla, a pesquisadora que te falei, ela vai ficar no Berçário com vocês. A professora me olhou e perguntou: “Sobre o que a pesquisa?” Respondi: sobre os saberes nas práticas de cuidados desempenhadas pelas professoras do berçário. Professora: Ah! Cuidar é fácil. O nosso problema é como educar esses bebês. O que fazer com eles? As atividades. Nesse momento, apenas sorri. A diretora ressaltou que a menina que estava com a professora era considerada “proprietária do berçário”, pois estava na instituição desde quando tinha 03 meses; ela e a irmã gêmea.

Despedi-me informando que começaria na semana seguinte as observações. Durante o momento que permaneci no carro organizando-me para deixar o local, foi possível observar uma situação interessante. Uma mulher, acompanhada de um homem, esperava para pegar uma menina no Berçário. Ele estava reclamando da demora e retrucou: Por que estão demorando tanto para trazê-la? Assim, a mulher entrou na creche e, após uns minutos, saiu com um bebê bem pequenino (uma menina) e sorrindo falou para o homem: Olhe! Eles deram banho e arrumaram e já está alimentada, por isso que é bom aqui para ela, veja ela está limpa e bem cheirosa. O homem, sorrindo, balançou a cabeça concordando.

Esses momentos foram bem instigantes e me motivaram para as observações que estavam por vir, durante a rotina de cuidados e educação para com os bebês do berçário.

As etapas foram estabelecidas na intenção de definir critérios para realizar as entrevistas e também de elencar, a partir das observações da rotina, elementos que subsidiariam os momentos da entrevista. De início, estabelecemos cinco meses para o desenvolvimento da coleta, porém a pesquisa estendeu-se por 10 meses em decorrência de uma paralisação das atividades dos servidores da Educação Municipal10. Esse fato é relatado no contexto da pesquisa, na minha inserção no

berçário, no item Observação da rotina na instituição.

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