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Primera fase: notes de camp des de la sala oberta

Dans le document UN NOU MODEL INTEGRAT DEL PROCÉS (Page 194-200)

LA PROPOSTA D’UN MODEL D’ANÀLISI PEL PROCÉS COGNITIU EXPERT

FUNCIONAL INSTRUMENTAL

2. Entrada i descripció del treball de camp

2.2. Descripció de la situació i procés d’entrada: una narrativa descriptiva

2.2.1. Primera fase: notes de camp des de la sala oberta

Embora, no começo do século XX, São José ainda tivesse traços de um passado econômico exitoso, também apresentava claros indicativos de um crescente enfraquecimento econômico. Isto se dava diante das novas dinâmicas socioeconômicas expressas, sobretudo, pelo aprofundamento do capitalismo conjugado à estagnação de algumas atividades econômicas, majoritariamente pré-capitalistas. A estagnação econômica de São José, ao longo das primeiras décadas do século XX, passa a ter relação direta com fatores internos e externos, implicando diretamente sobre a atenuação do prestígio econômico municipal.

Internamente a primeira característica a se evidenciar tem relação direta com a própria decadência da pequena produção mercantil do litoral, dominada pelo produtor de origem açoriana. Além dos fatores aqui já explicitados, sobre a queda da pequena produção de gênese

açoriana, ressalta-se a imprescindível relação desta com a inserção de elementos capitalistas nas relações socioeconômicas, num gradativo processo de diferenciação social. Assim, embora os segregados pelos processos de diferenciação social tenham sido majoritariamente os descendentes açorianos, é importante ressaltar que isto não se restringia apenas a eles, e sim a todos aqueles que não tinham condições de aprimorarem suas atividades econômicas na velocidade e intensidade pelas quais o capitalismo se aprofundava.

Os produtores que ainda mantinham-se ativos na produção e comercialização tinham poder competitivo assegurado por sua estrutura produtiva e fundiária, contando com diversos engenhos, alambiques, teares e grandes porções de terras dispostas em lugares estratégicos, fruto do processo de diferenciação social (VIDAL, 2009; SIMAS, 2010). Não somente, muitos destes diferenciados diversificavam suas atividades econômicas, dispondo de várias possibilidades no “acompanhamento” das tendências do capital.

Por outro lado, o pequeno produtor que não se diferenciou socialmente se viu às margens de um processo que já era ferrenho aos produtores mais bem sucedidos. Logo, passa a ocorrer uma crescente expropriação dos pequenos produtores, num fenômeno comum ao surgimento e expansão do capitalismo (MARX, 1984). Esta expropriação, de boa parte dos pequenos produtores (muitos que ainda produziam para subsistência), contribuiu para que houvesse certa concentração fundiária44, bem como para um importante crescimento da mão de obra assalariada (expropriada) (VIDAL, 2009, p.48).

Desta forma, o crescimento urbano josefense, bem como da classe de comerciantes, passa a se dar em detrimento daqueles que não venceram os processos de diferenciação social ocorridos em São José e região, demonstrando claramente que não houve um crescimento econômico homogêneo no município, mas sim uma adequação socioeconômica e espacial, diante da conjuntura socioeconômica que se

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Especialmente entre os diferenciados socialmente que diversificavam suas atividades econômicas, vendo na aquisição de novas terras diversas possibilidades de rendimentos. Os autores Tricart (1956) e Mamigonian (1958) reforçam esta lógica ao defenderem a ideia de que os espaços construídos possuem relação direta com a estrutura fundiária pré-existente, ou seja, a expropriação acarreta vantagens ao que se apropria do bem, e desvantagens ao expropriado, marginalizado neste processo. Assim, a estrutura fundiária consiste em fator imprescindível na própria orientação dos processos de diferenciação social.

efetivara naquele contexto45. Gradativamente, o urbano se sobrepunha ao rural, bem como o comércio à pequena produção (SIMAS, 2010).

Em outra frente, no âmbito regional, outros fatores reforçavam este marcante processo de diferenciação social, acarretando na estagnação de boa parte da economia josefense. Dentre eles podemos considerar a ampla concorrência que os vales litorâneos, especialmente o de Itajaí, passaram a exercer sobre os mercados do litoral, já nas primeiras décadas do século XX (BASTOS, 2006). Esta concorrência se dava principalmente no setor produtivo e tinha como principal causa fatores de ordem técnica e econômica. Era notório, em boa parte dos imigrantes dos vales, certa aptidão ao empreendedorismo, demonstrando maior “familiaridade” com a lógica capitalista, bem como maior apropriação de conhecimentos e recursos técnicos para a produção e uma decorrente industrialização. Vidal (2009) considera que:

As primeiras décadas do século XX representam o período em que a falta de alternativas econômicas se torna mais evidente em São José. Como foi visto, a transição para o momento da história econômica brasileira chamado por Rangel de “a terceira dualidade” [...], consagrada pela revolução de 1930, implicou na perda de prestígio político-econômico da classe dos comerciantes de export-import, e conseqüentemente dos produtores rurais a eles associados. A conseqüência direta destes fatos para a região de Florianópolis foi que eles consagraram o deslocamento do eixo econômico dinâmico catarinense, em favor das regiões de pequena produção mercantil em vias de industrialização. (VIDAL, 2009, p.56, grifo nosso)

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Consideramos aqui o crescimento comercial e adequação dos espaços ao decorrente processo de urbanização. Com as emancipações a capacidade produtiva municipal se reduziu, redução esta que se intensificou na medida em que o capitalismo colocara em xeque a manutenção de atividades de cunho pré- capitalistas, voltadas sobretudo à subsistência. Desta forma, o crescimento comercial veio a se dar em detrimento das atividades produtivas correspondentes de um modo de produção, para muitos, mais atrasado, bem como o urbano sobre o rural.

Neste sentido, é possível entender que o contexto histórico em que as migrações dos vales se deram, aliado à origem destas migrações, remonta um tipo de imigrante adaptado às tendências capitalistas e às técnicas já apropriadas numa Europa em vias de industrialização. Como consequência disto, passa a se efetivar em algumas regiões dos vales litorâneos uma ampla produção agrícola e pecuária, capaz de suplantar a obsoleta e remanescente pequena produção46 (figura 15), de origens pré- capitalistas, situadas no litoral catarinense (BASTOS, 2000; SIMAS, 2010).

FIGURA 15: Um dos exemplos da produção tradicional em São José: Pequena propriedade rural (de origem germânica) com alguns gados e possível engenho (à esquerda). Reta da Vargem na localidade Sertão do

Maruim (caminho para São Pedro de Alcântara). 1935.

Fonte: MACHADO; GERLACH, 2007, p. 316.

Logo, aqueles que dependiam exclusivamente da produção agrícola ou pecuária, viam seu comércio de excedentes ameaçado pela

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De diversas origens, não somente açoriana, mas também germânica, que tinha como fundamento uma produção para subsistência, com a venda ou troca de excedentes (CAMPOS, 1991; SILVA, 1992).

crescente concorrência externa, oriunda dos vales e outros mercados47, além da própria estagnação interna decorrente das crises da pequena produção. O produtor diferenciado que não havia diversificado suas atividades econômicas passava a sofrer com o enfraquecimento dos “negócios de Florianópolis e arredores” (SILVA, 2006, p.48). Neste sentido, Bastos (2000, p.131) afirma que:

No século XX, as áreas de povoamento açoriano entram em decadência por uma série de fatores conjugados, sejam eles de caráter endógeno ou exógeno, mas a função comercial de praça importadora manteve-se em expansão até a década de 30. Assim, a primeira explicação a considerar tendo em vista o fato de a pequena produção mercantil açoriana não ter desembocado em relações capitalistas de produção está no papel concentrador e aristocratizante desempenhado pelos capitais comerciais do Desterro e do Rio de Janeiro. Estes capitais não só permitiram que parte muito pequena do excedente ficasse nas mãos dos pequenos produtores diretos, como trataram de orquestrar uma série de barreiras ao surgimento de novos empreendimentos. A principal delas foi a de promover o retrocesso da região de influência direta através da importação de produtos similares ao produzido pelo artesanato açoriano. (BASTOS, 2000, p.131, grifo nosso)

O enfraquecimento da economia regional também tinha ampla relação com a subordinação da capital Florianópolis aos principais mercados nacionais, pois, fossem nos bons tempos, ou em tempos de

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Esta pressão comercial sobre a produção regional da porção central do litoral catarinense, já era comum no decorrer do século XIX (HUBENER, 1981). Rocha (2004) lembra que “Embora a farinha de mandioca se constituísse no principal produto comercializado por Santa Catarina e, portanto, representasse a principal fonte de renda provincial no séc. XIX, não possibilitou a acumulação do capital necessário para o desenvolvimento das áreas litorâneas em que era produzida. A farinha não permitiu zerar as cifras negativas da balança comercial da Província, devido ao seu baixo preço e às oscilações no seu comércio, cuja demanda maior estava ligada às crises nas demais províncias.” (ROCHA, 2004, p.42)

crise, São José comungava das mesmas condições. Não se tratava apenas de uma única concorrência regional, nem somente da decadente pequena produção mercantil, mas também do arranjo econômico pelo qual passara o país48, num momento em que o mundo vivia o período entre-guerras e de graves crises econômicas.

Esta conjuntura, composta por fatores internos e externos, levara São José a experimentar momentos de um relativo enfraquecimento econômico. O comprometimento de muitos dos aspectos responsáveis pelo crescimento e decorrente auge socioeconômico josefense, vivenciado no final do século XIX, passou a consistir em sério aspecto na explicação de seu declínio socioeconômico. Vidal (2009) reforça estes aspectos ao considerar que:

Com a estagnação deste comércio e a decadência do modo de vida baseado na produção agrícola, portanto, e não possuindo a cidade qualquer outra função político-administrativa que justificasse maiores investimentos, era de se esperar uma perda da importância relativa de São José no início do séc. XX, em consonância com a perda de importância da economia litorânea frente ao desenvolvimento de outras regiões catarinenses, e agravada por sua situação periférica com respeito à Florianópolis. (VIDAL, 2009, p.56)

Ademais, além dos entraves impostos à pequena produção, o aprofundamento do capitalismo, expresso pelo crescimento urbano e mesmo industrial, trouxe consigo aprimoramentos técnicos que repercutiam sobre a própria infraestrutura regional. Algumas destas inovações tecnológicas foram fundamentais na superação de práticas altamente rentáveis ao município, como o tropeirismo e a cabotagem.

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Estas composições econômicas nacionais são consonantes a um arranjo econômico global, em que os países do centro dinâmico da economia acabam reverberando aspectos fundamentais de suas economias a países periféricos (situação do Brasil naquele momento histórico). Ignácio Rangel (1981) faz precisa análise destas dinâmicas ao longo da história em sua obra acerca da dualidade brasileira, tendo como base os ciclos longos da economia mundial.

2.2 O RODOVIARISMO TRANSFORMANDO E SUPERANDO

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