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Pricing of luxury goods

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2. Literature review

2.1. Literature review on Odd and Even pricing

2.2.5. Pricing of luxury goods

De natureza essencialmente qualitativa (BOGDAN; BIKLEN, 1994), minha escolha pela abordagem de pesquisa deu-se por meio de muita leitura e do entendimento de que o tema que seria foco de análise precisaria de uma abordagem diferente das usualmente utilizadas em pesquisas. Autores como Josso (2004), Creswell (2014), Delory-Momberger (2014), Clandinin e Connelly (1995, 2015), Moraes (2018) e Botía (2002) tratam da pesquisa narrativa em aspectos similares e complementares.

Delory-Momberger (2014) explica que, a partir da década de 1970, houve uma mudança epistemológica e metodológica significativa na pesquisa em Ciências Sociais, em destaque na França. A emergência de uma sensibilidade política, aliada ao surgimento de correntes de movimentos sociais, conduziu a um questionamento acerca de métodos de pesquisa baseados em amostragem e embasamentos estatísticos. Era necessária uma nova forma de pesquisar, que desse suporte para “[…] compreender a vivência social em suas condições e práticas concretas” e, ainda, “[…] abrir caminhos de um conhecimento mais humano e diferenciado da realidade social”. (DELORY-MOMBERGER, 2014, p. 273). Dessa forma, surgia uma corrente que dava evidência ao sujeito, na busca por interpretar a objetividade a partir das subjetividades. Sobre isso, Delory-Momberger afirma que somente “[…] a razão dialética nos permite chegar ao universal e ao geral (a sociedade) a partir do individual e do singular (homem).”. Assim as narrativas de vida surgem rapidamente como um meio ideal para o acesso às condições de vida e às práticas dos sujeitos que se queria estudar.

Essas narrativas de vida são definidas por Delory-Momberger (2014, p. 278) como […] um relato suscitado por uma solicitação exterior e esse pedido é endereçado a alguém que, na maioria das vezes, nunca teria pensado em escrever sua autobiografia. Essa relação da solicitação e de sua aceitação entra num quadro instituído onde se definem papéis e status, a do pesquisador e o do informante que, naturalmente, não deixam de repercutir na própria narrativa.

De forma semelhante, Botía (2002) explica seu posicionamento em relação à narrativa contrapondo a ideia positivista, que defende o fazer ciência livre de individualidade, pois baseia-se em uma concepção que afasta o pesquisador e o objeto pesquisado. Para o autor, as experiências são a base da compreensão das ações humanas e, para entender aspectos da vida, é preciso contar uma história. Dessa forma, a investigação biográfica, em especial a narrativa, tem adquirido cada vez mais relevância para construir conhecimento na área da Educação.

Bertaux (1990) apud Delory-Momberger (2014) indica que

As narrativas de vida constituem somente um meio entre outros, mas sem dúvida o melhor, de captar o sentido das práticas individuais. Contudo, este não é ainda seu

principal traço. Este decorre do fato de que, por meio das narrativas de vida, nós podemos observar o que nenhuma outra técnica nos permite alcançar: as próprias práticas, seus encadeamentos, suas contradições, seu movimento.

Para Frison e Basso (2016), a pesquisa (auto)biográfica também abre possibilidade para que os processos de identidade que circundam a vida dos sujeitos sejam compreendidos.

Ao mesmo tempo que organizam a diversidade de experiência de vida, a partir de uma trama ou argumento, com uma dimensão temporal, relações sociais e um espaço, as narrativas (auto)biográficas, inerentes ao método (auto)biográfico, conseguem constituir mais radicalmente a identidade de cada um como projeto (BOLIVAR, 2011). Por meio das narrativas (auto)biográficas podemos observar tanto a singularidade de uma vida como a coletividade social em que está envolvida. (FRISON; BASSO, 2016, p. 226).

Também sustentam os caminhos investigativos desta tese as ideias de Moraes (2018), que detalha as características de abordagem histórico-narrativa, e de Creswell (2014), que traz as características da abordagem narrativa. Moraes (2018, p. 43) explica que:

A abordagem histórica-narrativa parte da consideração dos sujeitos com seus valores e teorias. Representando um resgate histórico, biográfico e autobiográfico, este tipo de pesquisa está sempre imersa em valores, exigindo inclusive do próprio leitor este tipo de envolvimento. Pesquisas desta natureza solicitam uma parceria empática dos participantes, procurando o pesquisador entrar dentro do pensamento ou percepção dos envolvidos, concretizando isto a partir da narrativa de suas histórias vivenciadas, com valores, ideologias e contexto.

Para o autor, esse tipo de abordagem de pesquisa considera a realidade construída pelos sujeitos, qualificando as suas experiências a partir de histórias nas quais são valorizados aspectos mais subjetivos, sendo que a pretensão é construir novos conhecimentos a partir das narrativas dos sujeitos – que também são leitores da pesquisa –, descrevendo, compreendendo e interpretando as histórias contadas sempre com a participação do pesquisador. Considero que a escolha foi adequada para esta investigação, pois a minha participação demonstrou ser importante na medida em que as histórias dos Egressos foram interpretadas pelo olhar não somente da pesquisadora, mas da professora formadora. Dessa forma, a investigação narrativa contribui para “[...] ampliar a consciência em relação aos fenômenos que investiga, tanto do pesquisador como dos sujeitos envolvidos” (MORAES, 2018, p. 44).

Esta é, portanto, uma abordagem que supera o excessivo formalismo, ou seja, as interpretações também foram solicitadas aos Egressos, o que possibilitou “[...] uma maior diversidade de possibilidades de compreensão dos fenômenos” (MORAES, 2018, p. 42). Sendo assim, a narrativa pressupõe um processo analítico-interpretativo realizado principalmente por mim, na condição de pesquisadora, mas também pelos Egressos, que foram convidados a ler os textos de campo e contribuir em sua construção.

Da mesma forma, Creswell (2014, p. 68) explica a investigação narrativa: “Como método ela começa com as experiências expressas nas histórias vividas e contadas pelos indivíduos”. O autor elaborou um conjunto de características dos estudos narrativos, das quais destaco aquelas que melhor se identificaram com esta investigação e a caracterizam: os pesquisadores elaboram histórias sobre os indivíduos por meio da interação com os mesmos, ou seja, destaco que a minha interação com os sujeitos vem de um longo período, anterior à pesquisa, e não somente do contato no momento da Entrevista; as narrativas reúnem-se por meio de várias formas de coleta de dados – entrevistas, observações, documentos, imagens –, justamente o que pretendi para organizar a investigação, pois foram consultados os relatórios de estágio, os artigos escritos e as entrevistas com outros professores do curso, além do contato com o próprio egresso no momento da Entrevista; essas histórias se passaram em lugares e situações que, neste caso, são bem específicas, sendo que os locais foram o IFC e escolas de Educação Básica e a situação todo o percurso da graduação seguido do abandono da docência. (CRESWELL, 2014).

Desta feita, a investigação narrativa tem adquirido cada vez mais relevância para construir conhecimento. Surge como uma forma diferente das pesquisas qualitativas, mostrando-se ideal principalmente no modo de coleta e análise de dados, bem como em sua organização geral (CRESWELL, 2014; CLANDININ; CONNELLY, 2015). Para Moraes (2018, p. 42), é “uma abordagem essencialmente qualitativa e que, além de pretender superar o reducionismo do paradigma dominante, também se opõe ao formalismo excessivo de diferentes abordagens qualitativas”.

Então, é característica da pesquisa narrativa não somente a superação dos formalismos, mas também o foco nas subjetividades do contexto e dos sujeitos estudados. Neste sentido, Botía (2002) afirma que a narrativa é uma forma de construir a realidade, considerando que a subjetividade é uma condição necessária para o conhecimento social. Na condição de processo dialógico, trata-se de um modo privilegiado de construir conhecimento, no qual as narrativas de pessoas e do pesquisador se fundem para compreender a realidade social. Para o autor, a investigação biográfico-narrativa supera a dicotomia entre objetividade e subjetividade e busca captar a riqueza e os detalhes dos significados nos assuntos humanos que não podem ser definidos ou enunciados. Assim, a narrativa permite a compreensão da complexidade das narrações que os indivíduos fazem dos conflitos e dilemas de suas vidas e busca dar sentido à experiência vivida e narrada. No que diz respeito à Educação, permite ao professor incluir, em suas análises, dimensões morais, emotivas e políticas, justamente o que pretendi nesta pesquisa.

Todas essas perspectivas sobre a narrativa e a pesquisa narrativa (investigação biográfica, narrativas, pesquisa (auto)biográfica, abordagem histórico-narrativa, investigação narrativa) assemelham-se com o colocado por Clandinin e Connelly (1995). Os autores afirmam que é correto falar tanto “investigação narrativa” como “investigação sobre a narrativa”, evidenciando que “[…] a narrativa é tanto o fenômeno que se investiga, como o método da investigação”. (CLANDININ; CONNELLY, 1995, p. 12, tradução minha). Assim, assumo para esta pesquisa a definição de Clandinin e Connelly (1995, p. 12, tradução minha) de que “narrativa é o nome dessa qualidade que estrutura a experiência que será estudada, e é também o nome dos padrões de investigação que serão utilizados para o estudo”. Além disso, os autores colocam que é possível denominar o fenômeno estudado de relato ou de história, e de narrativa a investigação em si. Portanto, assumo para minha pesquisa os termos pesquisa narrativa para a forma de investigação, os termos narrativa, relato e história para indicar os depoimentos dos sujeitos pesquisados e, ainda, análise narrativa para o momento de processo analítico-interpretativo que dá origem à teoria da tese.

Assim, saliento que encontrei em Clandinin e Connelly (2015), com auxílio dos demais teóricos que estudam as narrativas, a base de sustentação desta investigação, pois, além de tratarem sobre a pesquisa narrativa, me deram um caminho para a coleta, organização e análise dos dados que considerei em sintonia com meu problema e objetivos de pesquisa. Além de se dedicarem à investigação narrativa, os autores explicam o que fazem os pesquisadores narrativos e justificam o uso da pesquisa narrativa por conta da experiência. Referenciados em Dewey, especialmente nas noções de situação, continuidade e interação, os autores estabelecem os termos “[...] pessoal e social (interação); passado, presente e futuro (continuidade); combinados à noção de lugar (situação) como centro de referência para o pesquisar” (CLANDININ; CONNELLY, 2015, p. 85). Assim, este conjunto de termos cria o que os autores especificam como espaço tridimensional da pesquisa narrativa.

Fonte: A autora

Considero que este espaço tridimensional foi o tripé de minha pesquisa, pois foi uma investigação baseada na minha relação com meus ex-alunos, imbricando as experiências deles com as minhas. A partir do termo continuidade (CLANDININ; CONNELLY, 2015), por exemplo, levei em consideração situações que ocorreram em um momento passado de suas vivências enquanto acadêmicos, as atividades e profissões que hoje escolheram seguir e, ainda, o pensamento de que, futuramente, suas escolhas sejam influenciadas pelas experiências que tiveram ou resultaram da licenciatura. Também referindo-se ao termo continuidade, há a referência ao espaço de formação, seu histórico de criação e o objetivo da formação de professores, a importância que tem atualmente no contexto em que está inserido e, ainda, a ideia de que essa investigação possa contribuir positivamente sobre o tema do abandono da docência nesse espaço específico, que é o IFC como ambiente de formação. Ou seja, o espaço tridimensional, essencial e presente na minha pesquisa, refere-se à pesquisadora, aos sujeitos da pesquisa, ao espaço de formação e à relação entre esses atores e contextos. Assim, os termos continuidade, situação e interação (CLANDININ; CONNELLY, 2015) estão presentes e entrelaçados.

Também Frison e Basso (2016), a partir de Ricoeur (1995), colocam que a questão da identidade, tanto pessoal quanto profissional, está diretamente ligada aos contextos temporal e social nos quais se insere o sujeito, por conta da pluralidade de cenários que o rodeiam.

A narração medeia entre o passado, o presente e o futuro, entre as experiências vividas e o significado que adquiriram agora para o narrador em relação aos projetos futuros” (BOLÍVAR, 2011, p. 14). Pode-se, então, inferir que uma história de vida não é apenas um resumo daquilo que o sujeito viveu, nem afirmar que é uma revisão de futuro; é, sim, uma reconstrução a partir do presente, tendo como história o passado, projetando a trajetória futura. Por tudo isso, a narrativa (auto)biográfica, nas histórias de vida, é um componente fundamental para a definição da identidade da pessoa que representa a própria vida em um processo narrativo específico. (FRISON; BASSO, 2016, p. 226).

Assim, assumi a questão da tridimensionalidade como eixo central da pesquisa, que esteve presente desde o recolhimento das informações, seu processamento e organização, permeada, ainda, pelos processos de escrita, leitura, interpretação e análise. Esse entrelaçamento também só foi possível devido à relação estabelecida entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa, cujos encontros e contatos “[…] se inscrevem na história de vida em uma dinâmica prospectiva que liga o passado, o presente e o futuro do sujeito e visa fazer

emergir o seu projeto pessoal” (DELORY-MOMBERGER, 2006, p. 359).

Sendo assim, e definida e justificada a escolha pela abordagem de pesquisa, considero que esta possibilitou uma variada forma de acesso às histórias dos sujeitos participantes, incluindo

[...] entrevistas não estruturadas, informações obtidas por meio de observação participante ou não, diários, documentos, fotos, materiais escritos como normas e regulamentos, relatos a partir de cartas, históricos de vida, notas de campo, além de outros. Na coleta destes tipos de informações o foco são sempre histórias que os sujeitos participantes vivenciaram em relação aos fenômenos sob investigação. (MORAES, 2018, p. 45).

A forma pela qual foram expostas essas narrativas, apresentei no Capítulo 4, intitulado “Os textos de campo: interpretações a partir de múltiplas vozes, por várias mãos e muitos sentidos”. Esse capítulo foi construído com o objetivo de ir ao encontro do leitor e permitir que este também crie as suas interpretações, favorecendo uma multiplicidade de visões a partir da história contada por cada um dos Egressos e os documentos e professores consultados. A seguir, explico como realizei a coleta e a organização dos dados da pesquisa, na seção “Como organizei as narrativas: um processo interpretativo na construção dos textos de campo” e, na sequência, “A escrita dos textos de pesquisa: interpretação e análise a partir das crônicas”. Tais textos, de campo e de pesquisa, fundamentaram-se principalmente nas ideias de Clandinin e Connelly (2015) e foram pensados no imbricamento intencional dos termos leitura, escrita, interpretação e análise.

3.4 COMO ORGANIZEI AS NARRATIVAS: UM PROCESSO INTERPRETATIVO NA

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