Os temas propostos nos congressos parecem evidenciar a busca pela melhoria da formação profissional desse futuro engenheiro. Em um diálogo com a atuação almejada, em que tanto os estudantes, docentes, instituições de ensino e empresas da área foram conclamados a discutir a qualidade e o andamento do processo de ensino e aprendizagem na formação do engenheiro.
Na grande maioria das edições do COBENGE (Quadro 1, p. 33), a preocupação com a formação do profissional organizou-se em temas pertinentes aos currículos e ao ensino de engenharia, como inovações (1989), avaliação (1987, 1998), experiências (2001). Ainda, chama atenção que em 1988 e 1989, a discussão prevalente se referia a inserção das novas tecnologias no ensino de engenharia. Atualmente, o uso dos recursos tecnológicos e computacionais tem auxiliado professores e alunos no processo de ensino e de aprendizagem e na atuação, o que exige a presença constante destas ferramentas nas propostas de ensino desenvolvidas em sala de aula.
Outra temática relevante é a formação e atuação dos docentes nos cursos de engenharia (1990, 2012). Esta é uma preocupação necessária, uma vez que os docentes, na sua grande maioria, possuem uma formação técnica, não voltada para a área da educação. O profissional precisa capacitar-se e aperfeiçoar suas metodologias de ensino, refletir sobre a sua prática docente. No congresso, as discussões do ensino na graduação com relação a pós- graduação, pesquisa e extensão (1981, 1988, 2003) foram objeto de estudo, de modo a instigar o professor para a inserção dos discentes, nas atividades de pesquisa durante sua formação.
O congresso consolidou-se como espaço de discussão da formação do profissional em engenharia, e sua relação com a demanda do mercado de trabalho (1989, 1991, 1992, 1998, 2005, 2008).
Das 11 edições selecionadas para análise, apresentamos um panorama de cada uma delas desde a edição mais recente em ordem decrescente, quanto aos temas centrais, e uma pequena descrição de cada congresso, no Quadro 4.
Edição - COBENGE
Ano Tema Descrição
XLI 2013 Educação em Engenharia na Era do
Conhecimento
Regularização profissional, quanto aos atuais procedimentos de atribuição de títulos, competências e atividades profissionais na área da engenharia.
XL 2012 O Engenheiro Professor e o Desafio
de Educar
Discussão e conhecimento de experiências sobre a importância da formação e conscientização de educadores que estejam capacitados para preparar os engenheiros, para atender às exigências do mercado de trabalho.
XXXIX 2011 Desafios na Educação em
Engenharia
Importância dos professores que trabalham nos cursos de engenharia, relacionar os conteúdos das disciplinas com exemplos práticos.
XXXVIII 2010 Engenharia em Movimento A relação das universidades, empresas e governo
para a formação e desenvolvimento de bons profissionais.
XXXVII 2009 Engenharia sem Fronteiras Aspectos na formação e do exercício profissional
dos engenheiros, devido a intensificação das várias mídias (uso do celular, computador), e o desenvolvimento tecnológico, trazendo a tona um mundo plano, um mundo sem fronteiras.
XXXVI 2008 Educação, Mercado e
Desenvolvimento: Mais e Melhores Engenheiros
Ensino de a engenharia ser condição
indispensável a um nível de desenvolvimento socioeconômico de qualquer país, exigindo uma infraestrutura para sua formação.
XXXV 2007 Novos Paradigmas da Educação em
Engenharia
Estado da arte do ensino de engenharia no Brasil e o relato das experiências, por meio de palestras, fóruns, discussões e apresentações de trabalhos.
XXXIV 2006 Ensino de Engenharia: Empreender e
Preservar
Formação de um engenheiro empreendedor capaz de criar novos produtos e processos, que exige atenção à preservação ambiental, inseparável do desenvolvimento social proposto.
XXXIII 2005 Promovendo e Valorizando a
Engenharia em um Cenário de Constantes Mudanças
Formação do profissional capacitado para entender e se inserir nas novas tecnologias, em consequência das mudanças na dinâmica do conhecimento técnico-científico.
XXXII 2004 Engenharia: Dando Forma a Uma
Nova Realidade
Discussões, elaboração de novas metodologias de ensino e implementação de novos projetos pedagógicos nos cursos de Engenharia.
XXXI 2003 O Ensino da Graduação e suas
Interfaces com a Pós-Graduação, a Pesquisa e a Extensão
Formação de engenheiros quanto a
indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão.
Conforme o panorama dos temas e da breve descrição das edições pesquisadas do evento, percebeu-se a preocupação com a importância da formação e capacitação dos docentes que trabalham nos cursos de engenharia (2012 e 2011), o que se consolida como espaço para estes docentes trocarem experiências. Também, promove possibilidades de conscientização dos professores para formar um engenheiro capacitado para atender as demandas e exigências do mercado do trabalho (2012, 2008, 2006, 2005).
Os congressos, além do tema central, organizam-se em áreas temáticas em que os autores inscrevem seus trabalhos. As áreas temáticas encontradas nos anais, que apareceram mais que seis vezes, nesse período de 2013 a 2003, são identificadas na tabela que se encontra em anexo (Anexo 02). Não obtivemos a informação dos artigos selecionados na pesquisa, em qual área temática e nem destas, qual teve maior número de trabalhos.
Nessas onze edições, duas áreas temáticas permaneceram em todas as edições, foi o ensino à distância e os Projetos Políticos Pedagógicos dos cursos (PPC). Este último, até pouco tempo atrás, conforme Silva et al (2015, p. 05):
Preocupavam-se eminentemente com a esfera técnica da profissão. Pouco se discutia sobre a importância de outras atividades profissionais que são desenvolvidas pelo egresso, em especial as atividades humanas e sociais. Certamente isso se deve ao fato de a grande maioria dos projetos serem desenvolvidos por Engenheiros- Professores, sem nenhum conhecimento da área Educacional e em um processo contínuo ao longo dos anos.
Com o aumento da participação de sujeitos nas discussões realizadas no congresso, permitiu modificações, atualizações e ampliações das demandas dos PPC dos cursos de engenharia. As características regionais das instituições de ensino exigem um profissional com formação na área técnica-científica e sócio ambiental, além das questões de gerenciamento das atividades profissionais.
Outras áreas temáticas que apareceram em mais edições do congresso, foram a inovação tecnológica; a utilização de temas transversais na formação; a integração entre graduação e pós-graduação, esta última, principalmente por estar crescendo o número de programas de mestrado e doutorado nessa área6.
A Formação Pedagógica do Professor de Engenharia é uma área temática que apareceu nos seis últimos congressos analisados, ou seja, o congresso também vem se consolidando como um espaço para que os professores com formação específica em engenharia, e que
ministram disciplinas nos cursos de graduação, possam buscar aperfeiçoamento para suas ações como docentes. Uma vez que o professor precisa ter além do domínio dos conteúdos específicos, os conhecimentos pedagógicos.
Questões pertinentes a melhoria da qualidade no processo de ensino e aprendizagem, foram consideradas relevantes em várias edições do congresso, que pode desencadear um processo de formação de profissionais mais aptos a participar do desenvolvimento econômico e social do país.