• Aucun résultat trouvé

Dentro das 57 NODs onde o Brasil foi selecionado, foi realizado um aprofundamento

em 30 delas, utilizando-se como critério a relevância do negócio para a FET, o tamanho e a

capacidade elucidativa para o presente estudo. Utilizando-se como base fontes documentais

dos processos decisórios de cada uma das NODs, foi elaborada a tabela 9 abaixo, ressaltando

os fatores que foram considerados no momento da escolha do Brasil como destino de

Tabela 9 – Seleção de NODs onde o Brasil foi selecionado pela FET

Fonte: Compilação de dados feito pelo autor

O fator Custo foi relevante em todas as decisões. Especificamente, utilizando-se como

exemplo a unidade de análise #6, a documentação pesquisada incluía um requisito mínimo de

20% de redução de custo em relação ao serviço prestado atualmente nos Estados Unidos. O

Brasil, dentro da FET, não é a filial com o menor custo, mas é suficientemente mais barato

que os preços praticados nos Estados Unidos e na Europa para que haja uma justificativa de

migrações “offshore”. O dólar gerencial utilizado pela empresa é revisto a cada 3 anos e uma

exportados. Já vimos em 4.3.1, que os planos estratégicos da empresa no que diz respeito a

“offshore outsourcing” podem ser revistos e países desconsiderados a partir do momento em

que deixam de ser competitivos. Trata-se de um fator ainda favorável ao Brasil, mas

extremamente dependente das oscilações do dólar.

Fuso-horário foi utilizado em muitos negócios como fator determinante da região

destino para os negócios “offshore”. Nas NODs #16, #25, #28 e #29, por exemplo, o fuso-

horário requerido deveria ser igual ao dos Estados Unidos ou com um mínimo de seis horas

de sobreposição do horário comercial. O Brasil possui localização geográfica privilegiada

neste quesito, uma vez que tem fuso-horário muito próximo aos dos Estados Unidos, e nem

tão distante da Europa que inviabilize os negócios. É interessante notar que, em nenhum dos

casos analisados, o requisito era para que o fuso-horário fosse distinto do país de origem para

se utilizar mais horas de desenvolvimento de TI, em um modelo de 24 horas de trabalho.

A Capacitação Técnica foi diferencial para o Brasil em vários negócios, como, por

exemplo, nas NODs #5, #10 e #13. A abundância de recursos especializados no mercado

brasileiro, devido a um forte mercado local de TI, favorece esse quesito. Dentro da FET, o

Brasil é considerado centro de excelência técnica em várias plataformas de desenvolvimento

de software.

O fator Qualidade não representa a qualidade dos serviços prestados, mas sim a

necessidade de comprovação de certificados de qualidade internacionalmente reconhecidos

para a realização do trabalho. Nas unidades de análise #6, #7, #9 e #22, foi requerido que a

organização que fosse executar o serviço estivesse qualificada com o mínimo de CMMI 3. Na

unidade de análise #4, o requisito mínimo era CMMI 4. A certificação ISO, muito

reconhecida no mercado, não foi requerida em nenhum negócio. Outra certificação requerida

unidade de análise #9. A filial brasileira da FET possui certificado CMMI 5 e ISO 9001:Tick-

IT.

O conhecimento da Indústria do cliente foi outro fator presente nos processos

decisórios. Nas unidades de análise #3, #10 e #12 esse requisito foi fator de eliminação. Como

a filial brasileira da FET já possui mais de 13 anos de experiência em exportação de serviços

de TI, adquiriu um forte conhecimento em algumas indústrias. Aliado a isso, existe uma gama

de profissionais no mercado local que são treinados em indústrias específicas e que são

expoentes no Brasil, como a indústria financeira, de aviação, de telecomunicações e de varejo.

A Infra-estrutura já existente garantiu o Brasil como destino em vários negócios,

principalmente na linha de negócios ITO, como nas unidades de análise #14, #17, #24 e #30.

O custo para se criar uma infra-estrutura adequada, principalmente para a terceirização de

operações críticas de TI de clientes internacionais, onde até as instalações físicas devem ter

múltiplas redundâncias e procedimentos à prova de falhas, se constitui em uma barreira de

entrada para muitas localidades. A FET investiu muito na filial brasileira para atender à

demanda dos seus negócios locais. O centro de processamento em São Paulo é um dos mais

avançados do mundo. A partir desse investimento prévio, negócios de “offshore” estão sendo

agora alavancados e com isso uma infra-estrutura no “estado da arte” passou a ser um

diferencial para o país. Associado a isso, existe uma boa infra-estrutura de telefonia, acesso à

internet, acesso aos meios de transportes, ausência quase completa de desastres naturais, que

em outros países, como a Índia, não existem.

Em todas as unidades de análise pesquisadas, o Inglês foi fator requerido. Todos os

negócios tinham a exigência de profissionais que pudessem se comunicar no idioma inglês. A

experiência da filial brasileira da FET demonstra que esse não é um fator que está colocando

o Brasil fora do mapa dos países candidatos a destino “offshore”, apesar do inglês não ser a

O Relacionamento já existente foi relevante em uma série de casos de análise, como,

por exemplo, #7, #8, #9, #20, #21 e #22. Na documentação das NODs, em muitos momentos

a justificativa para a escolha do Brasil apontava para o fato do cliente já possuir operações

“offshore” com a filial brasileira da FET e estar muito satisfeito com o serviço prestado.

Documents relatifs