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6. Les prestations à la retraite

6.2 Les prestations de retraite anticipée

Ambas as escolas ofertam o Ensino Médio diurno e noturno, por isso a opção em trabalhar apenas com o Ensino Médio diurno pela diferença de proposta pedagógica. O Ensino Médio noturno é ofertado com matrícula por disciplinas para contemplar as necessidades dos alunos que estudam na escola nesse turno. O Ensino Médio diurno é ofertado através de matrícula por seriação. Esse recorte foi necessário porque ambas as escolas apresentam essa variação da oferta do Ensino Médio, dificultando a análise de duas propostas curriculares na mesma escola.

Em relação aos documentos das escolas, foram definidos para a análise o PPP e o PE, buscando o reconhecimento dos espaços escolares, caracterizando os objetivos e as propostas metodológicas, tanto da escola como para a disciplina de Matemática.

A E3 é uma escola pública estadual, fundada em 1964, que oferece apenas o Ensino Médio, localizada em um bairro nas proximidades do centro da cidade de Ijuí. Atende a toda a comunidade, recebendo alunos de características socioeconômicas média e baixa, egressos de escolas estaduais, municipais e particulares, vindos de todas as localidades, periferia, centro da cidade, zona rural, bem como de cidades vizinhas.

A escola é organizada por uma equipe diretiva, composta por um diretor, três vice- diretores (um para cada turno), supervisores e orientadores. São quatro professores de Matemática que trabalham na escola com o Ensino Médio diurno e participaram da pesquisa. No noturno, além do regime de matrícula por disciplina semestral, também é ofertada a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Essa modalidade busca atender a alunos maiores de 18 anos que ainda não concluíram o Ensino Médio, oferecendo as seriações em módulos semestrais que aceleram sua finalização.

Segundo o PPP da E3, a proposta da instituição se organiza a partir das motivações alegadas por pais e alunos ao escolherem a E3, que optam por esse estabelecimento de ensino por ter boa localização, ser público e gratuito, ter tradição na comunidade, ter equipe de profissionais qualificados, preparar para a vida, preparar para o vestibular em diversas instituições (públicas e privadas), preparar para o Enem e para o mercado de trabalho.

A partir das afirmações do PPP, a visão da comunidade que escolhe a E3 no Ensino Médio demonstra confiança na oferta do ensino e a posterior preparação do jovem para qualquer que sejam seus objetivos dali em diante. Motivação essa que também é citada pela escola, que acredita estar contribuindo para a formação do cidadão, porque

[...] a manutenção de um bom padrão de ensino, resultado de contínuo esforço para aperfeiçoar e atualizar constantemente o processo de aprendizagem, trouxe, como resultado, índices significativos de aprovação nos exames de seleção de diferentes instituições de ensino superior, bem como outras modalidades, além de inserir com competência os jovens no mercado de trabalho local e regional. (PPP, E3, 2011, p. 4).

A E3 garante empenho na manutenção do ensino, pensando no processo de aprendizagem que, consequentemente, traz bons resultados em exames de seleção, e isso acaba por motivar o interesse da comunidade na escolha pela escola.

Os esforços da escola em aperfeiçoar e atualizar o processo de ensino perpassam algumas dificuldades mencionadas na sua caracterização pedagógica, pois, segundo o PPP, a

“escassez de tempo para encontros [...] e a diversidade cultural e social dos alunos” (PPP, E3, 2011, p. 16) problematizam as ações tomadas pela escola para buscar melhorias em sua proposta.

Essas dificuldades são justificadas por acontecimentos cada vez mais naturais nas escolas e que envolvem os professores, os alunos e o ensino. Segundo o próprio PPP, a maioria dos professores da E3 trabalha em mais de uma escola e, consequentemente, possui alta carga horária. Quanto aos alunos, existe uma grande variação de realidades dentro da mesma sala de aula e, quando problematizado o ensino, as competências mínimas que deveriam ser desenvolvidas no Ensino Fundamental que cursaram estão cada vez mais frágeis. A escola considera que as diversidades mencionadas geram uma heterogeneidade nos alunos e no seu grupo de professores, trazendo dificuldades para seu trabalho, principalmente para a 1ª série do Ensino Médio, em que todos os alunos vêm de outras escolas. É um universo novo, trazendo vivências de estabelecimentos anteriores e tentando construir uma identidade de grupo na atual escola, mas convém frisar que “devido a essa problemática, o índice de evasão e repetência é alto, principalmente na 1ª série” (ibidem, p. 17).

A E3 acredita que os alunos estão chegando ao Ensino Médio trazendo cada vez mais fragilidades do Ensino Fundamental:

Essa constatação pode ser comprovada pelos resultados do SAEB, que revelam as condições de aprendizagem ao término do Ensino Fundamental. Sendo assim, constatamos que muitos alunos não apresentam as competências mínimas para desenvolver a compreensão das diferentes áreas do conhecimento desenvolvidas no Ensino Médio. (ibidem, p. 17).

A metodologia da escola, segundo o PPP, se constitui de atividades desenvolvidas através da “aplicação de métodos e técnicas de ensino, que oportunizem situações de estudo, reflexão, objetivando a organização e o desenvolvimento do pensamento”, complementando ainda que “os conhecimentos são contextualizados através da abordagem de temas significativos e de relevância social e interdisciplinar sempre que possível” (ibidem, p. 36).

Os temas para a contextualização são escolhidos a partir da “demanda dos coletivos da escola” (ibidem, p.36), considerando uma leitura da realidade e das práticas sociais, atendendo às especificidades de cada disciplina. Então, a escola apresenta a contextualização como uma metodologia, cuja proposta envolve todas as áreas, e o contexto é oriundo da realidade escolar com o objetivo de desencadear as propostas de cada disciplina, quando possível.

Ainda no PPP, a E3 apresenta quatro competências assumidas para o trabalho escolar: de ser, aprender a aprender, conviver e agir e fazer. Competências essas que já são orientadas

pelo PCNEM (BRASIL, 1999) através das premissas assinaladas pela Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como eixos estruturados da educação em uma nova sociedade contemporânea.

A competência de ser envolve a afetividade, os valores éticos e morais, a liberdade, a responsabilidade, o pensamento autônomo e crítico. A competência de aprender a aprender compreende o espírito de pesquisa, busca, apropriação crítica das informações e recursos tecnológicos, capacidade de argumentação, conhecimento sensitivo e artístico estético e musical. A competência de conviver trabalha o espírito cooperativo e de equipe, respeito às diferenças sociais e religiosas, a ética pessoal e profissional e a capacidade de dialogar. E, por fim, a competência de agir e fazer busca formar conceitos autônomos e críticos, a criatividade e a capacidade de comunicação. Dentro de todas essas competências e em todos os componentes curriculares ainda são enfatizadas as competências de ler, escrever e resolver problemas.

A E3 afirma comprometimento com os propósitos do ensino para além do desenvolvimento de conteúdos disciplinares, mostrando que tais competências também são pensadas e objetivadas paralelamente ao desenvolvimento curricular, por trabalhar a formação de cidadãos em uma sociedade contemporânea.

Por fim, considerando as disciplinas e os conteúdos, a escola questiona: “qual o papel desse conteúdo na formação básica para viver no mundo contemporâneo?” (PPP, E3, 2011, p. 38). A E3 destaca que ingressar no mundo superior, ou engajar-se em um emprego específico, não é o propósito da educação básica, mas sim a educação ser indispensável para ambos, conforme pressupõe a própria LDBEN 9.394/1996.

O segundo documento da escola analisado é o PE, no qual constam os objetivos, as competências e as habilidades de cada disciplina em cada seriação do Ensino Médio trabalhada pela escola. O PE da E3 garante que a organização do currículo escolar segue as orientações dos PCN, dividindo o conhecimento escolar em três grandes áreas: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias; e Ciências Humanas e suas Tecnologias. No entanto, no restante do documento, a área de Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias subdivide-se, sendo Ciências da Natureza e suas Tecnologias uma área e Matemática e suas Tecnologias, outra.

Essa divisão de uma área em duas já aparece no referencial curricular Lições do Rio Grande (RIO GRANDE DO SUL, 2009) e na reestruturação do Novo Enem, também proposta em 2009. Tal mudança na organização curricular não afeta o desenvolvimento das disciplinas escolares, apenas demonstra que a escola readequou em parte o documento

conforme a nova orientação, considerando tanto as Lições do Rio Grande, quanto o novo Enem.

O objetivo da proposta do Ensino Médio na área de Matemática e suas Tecnologias destaca que a Matemática tem um valor formativo, além de um caráter instrumental. O formativo “ajuda a estruturar o pensamento e raciocínio dedutivo, contribuindo para o desenvolvimento de processos cognitivos e a aquisição de atitudes” (PE, E3, 2011, p. 67). O valor formativo poderá conferir ao aluno a capacidade de desenvolver a sua criatividade, resolver problemas, criar hábitos de investigação e “formar uma visão ampla e científica da realidade” (ibidem, p. 67).

O caráter instrumental considera que o conhecimento matemático deve ser visto como um “conjunto de ferramentas e estratégias para serem aplicadas a outras áreas de conhecimento, assim como para a atividade profissional” (ibidem, p. 67). A Matemática é entendida como um sistema de códigos e regras que permitem comunicar ideias, interpretar e modificar a realidade em seu entorno.

O PE ainda destaca a Matemática como uma ciência e defende que o aluno precisa compreendê-la para além de validar intenções e dar sentido a técnicas aplicadas, por considerar que é preciso conhecer as “demonstrações, definições e encadeamentos conceituais e lógicos que têm o objetivo de construir novas estruturas e conceitos” (ibidem, p. 67). Finaliza o objetivo afirmando que a Matemática é essencial para a formação cidadã e deve se tornar útil para a vida e ao trabalho, como instrumento de intervenção, mudança e previsão da realidade.

Sobre as competências e habilidades desencadeadas na área, destaca-se a contextualização sociocultural orientada pelo PCN+ (BRASIL, 2002), que na escola está relacionada à “resolução de problemas na medida em que as situações que geram os problemas devem ter significado para os alunos e, para que isto aconteça, devem estar impregnadas de alta relevância social e cultural” (ibidem, p. 68). A exploração da contextualização pela escola busca viabilizar a resolução de problemas em contextos sociais e culturais que tenham significado para os alunos.

O PE procura aprofundar a discussão quando trata especificamente da Matemática. O objetivo da área apresenta a Matemática como um patrimônio cultural que compõe ideias, métodos e procedimentos para resolver situações-problema, raciocinar, representar e comunicar. Considera a Matemática como uma forma de contemplar o mundo e contribui para a formação de um cidadão crítico, criativo, solidário, capaz de agir de forma consciente em uma sociedade complexa.

Sobre as competências e habilidades na Matemática, a contextualização sociocultural compreende o processo histórico, as condições sociais, políticas e econômicas, as manifestações culturais e o desenvolvimento tecnológico contemporâneo. Enfatiza uma preocupação com a exploração do conhecimento em seus tempos e espaços, e consequente apropriação para a continuidade do processo, bem como a tecnologia contemporânea como necessidade da sociedade atual.

Apesar das perspectivas apontadas em relação à contextualização, observa-se que existem associações ao conceito da contextualização em um quadro do PE que organiza as três seriações do Ensino Médio. O quadro inicialmente apresenta os conceitos estruturantes e, quando contempla as habilidades específicas, cita a contextualização várias vezes da seguinte forma: “aplicar os conhecimentos [...] na resolução de problemas contextualizados” (PE, E3, 2011, p. 71). Em seguida, são apresentados os blocos de conteúdos e, por fim, as estratégias, e novamente cita a “contextualização e aplicação de conteúdos” (ibidem, p. 71), conforme se pode observar na figura a seguir.

Figura 1 – Organização do currículo de Matemática na E3

Fonte: PE, E3, 2011, p. 71.

Essas informações se repetem na apresentação das três seriações do Ensino Médio, que inicia na página 71 e vai até a página 78. Observa-se que a contextualização aparenta ser mencionada como equivalente à resolução de problemas e aplicações, motivo pelo qual pode ser trabalhada em todos os conteúdos propostos pelo PE.

Sobre a E3, pode-se dizer que a escola confia no bom desempenho do trabalho dos professores através do resultado de avaliações e exames que consideram importantes. Dentro de suas perspectivas, a E3 busca compreender as dificuldades decorrentes da heterogeneidade de seus alunos e acredita ofertar um ensino de qualidade, já que é bastante visada pela comunidade.

A escola E6 está localizada em outro bairro da cidade, um pouco mais distante da região central. Oferta o ensino para toda a educação básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio), acrescido de uma classe especial, que atende a alunos em condições especiais. Recebe alunos principalmente do próprio bairro e de seus arredores, sendo a maioria proveniente de classe baixa.

A escola oferece o Ensino Médio nos períodos diurno e noturno nas mesmas condições da escola E3, razão pela qual se optou pelo mesmo recorte, analisando apenas o Ensino Médio diurno. Tem uma equipe diretiva e pedagógica que atua há três anos na escola, juntamente com o grupo de professores e funcionários. A escola contava com apenas uma professora de Matemática no Ensino Médio diurno que participou da pesquisa.

O objetivo da E6 está em constituir-se como espaço plural, “espaço que se faz por diferentes que se aproximam pelo objetivo único de concretizar a educação escolar” (PPP, E6, 2011, s/p). Dessa forma, a escola conduz sua proposta através de concepções de cultura, autonomia, liberdade, participação, trabalho, pesquisa, humanidade, ensino-aprendizagem, sociedade, escola, currículo, conhecimento, infância, adolescência, fase adulta e velhice.

A concepção de cultura considera valores éticos, a comunidade, o conhecimento amplo adquirido na vivência diária e em espaço de trocas. A concepção de autonomia objetiva tornar o aluno independente na tomada de decisões, tendo iniciativa e capacidade de questionar. A concepção de liberdade é de que os sujeitos são livres para fazer escolhas, optar pela sua capacitação e reconhecer-se como sujeito tendo responsabilidade social e discernimento. A concepção de participação tem a finalidade de resgatar vivências culturais e construir conhecimento coletivo, enquanto a concepção de trabalho, através da ação individual e/ou coletiva, tem uma preocupação socializadora e sistematizadora.

A concepção de pesquisa visa à qualificação do sujeito/investigador, questionador, com participação articulada, para buscar, analisar, fundamentar e sistematizar conhecimentos. A concepção de humanidade/cidadão é de um sujeito ativo e reflexivo, agente transformador no processo ensino-aprendizagem. A concepção de ensino-aprendizagem é a que, através da relação de reciprocidade, professor e aluno aprendem e constroem conteúdo. A concepção de sociedade é de um espaço onde acontece a participação política, democrática, aberta e digna.

A concepção de escola é a de um lugar por excelência instituído para aquisição, produção e sistematização do conhecimento historicamente produzido, lugar de conviver de sujeitos diferentes, pessoas buscando sistematizar o conhecimento e espaço dinâmico. E a concepção de currículo é a de cerne da educação escolar, resultado de forças sociais, políticas e pedagógicas, e mais, é ação, trajetória, caminhada construída coletivamente em cada realidade escolar de forma diferenciada, mediante um processo dinâmico, mutante, aberto e flexível.

A concepção de conhecimento contempla o desejo de aprender, bem como “pressupõe a construção recíproca entre sujeito e objeto” (PPP, E6, 2011, s/p). A concepção de infância é a de uma fase de orientar a criança a viver em grupo. De adolescência como fase transitória, despertando parâmetros norteadores, valores humanos com condições de ingresso no meio social produtivo e para o mercado de trabalho. A fase adulta como pessoa que se constitui um sujeito multidimensional, interagindo nas dimensões que o cercam, e a de velhice como um tempo de diminuição da produtividade pela idade, mas cujo tempo vivido é igual à sabedoria, que poderá ser utilizada para toda a sociedade.

Essas concepções implicam observar condições de cidadania em uma sociedade contemporânea, na qual desenvolver tais noções desencadeia uma formação crítica e autônoma. Nesse sentido, a proposta curricular da E6 é apresentada através de complexos temáticos, que propõem a articulação entre a teoria e a prática embasadas na realidade e a organização do planejamento no plano de trabalho do professor.

Dessa forma, a E6 defende trabalhos teóricos e práticos, que são

[...] construídos/reconstruídos, articulados/rearticulados considerando elementos levantados a cada final de ano na avaliação reflexiva realizada na Plenária de Classe e nos Conselhos de Professores referendados em Assembleia com a Comunidade Escolar que acontece a cada início de ano letivo. Deste processo de avaliação/reflexão para elaboração das orientações do trabalho, também participam, por seus instrumentos, o Conselho Escolar e o Círculo de Pais, Mães e Mestres. Tanto na elaboração da proposta quanto a sua efetivação se dá como uma teia onde são enredadas a participação de todos e todas. (ibidem, s/p).

Os complexos temáticos propõem contemplar uma grande participação, perpassando uma análise da sociedade escolar, para somente depois chegar à escola como proposta, sendo um trabalho amplo que engloba a realidade para o cotidiano em sala de aula.

Analisando o Plano de Ensino da E6, entre os objetivos da escola para o Ensino Médio se destaca o compromisso de “proporcionar orientação aos sujeitos para a integração ao mundo do trabalho, num espaço de socialização e construção coletiva que possibilite seu aprimoramento profissional e permita acompanhar as transformações que caracterizam a produção no nosso tempo” (PE, E6, 2011, s/p).

Esse objetivo deixa clara a intenção de que o sujeito precisa poder realizar ações conforme as necessidades do mercado de trabalho, visto que a sociedade atual nem sempre terá as mesmas exigências. Ou seja, a exigência de hoje, enquanto o sujeito está na escola, poderá não ser a mesma até ele chegar ao mercado de trabalho. Logo, o objetivo é de que esse sujeito tenha capacidade de se organizar e orientar-se por si próprio para as relações futuras.

Essa mudança de época também é introduzida nos objetivos da escola, como necessidade de “proporcionar a construção do conhecimento comprometido com a transformação social”, e ainda complementa: “compreender a educação como processo permanente de formação de sujeitos” (PE, E6, 2011, s/p).

A escola não referenda que seja objetivo proporcionar aos alunos continuidade aos estudos, mas enfatiza o mundo do trabalho. Considera ainda que o objetivo do Ensino Médio é muito mais amplo que a inserção ao mundo do trabalho, e mais, que essa finalidade é de responsabilidade de um ensino profissionalizante. Assim, observa-se que a escola tem seu objetivo diminuído e restrito à sua realidade, o que pode acabar direcionando esses alunos apenas para o mercado de trabalho, por não compreenderem uma formação que lhes possibilite prosseguir nos estudos.

Ainda no Plano de Ensino da E6, as áreas de conhecimento são apresentadas conforme o referencial curricular Lições do Rio Grande (RIO GRANDE DO SUL, 2009) e as matrizes do Novo Enem, ou seja, Matemática e suas Tecnologias e Ciência da Natureza e suas Tecnologias já se apresentam em duas áreas distintas.

O objetivo da área de Matemática e suas Tecnologias está em viabilizar o desenvolvimento de habilidades e competências da área; trabalhar a Matemática como uma ciência e uma linguagem de comunicação; aprofundar os conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental; selecionar e analisar informações, generalizar e argumentar; compreender conceitos, procedimentos e estratégias; trabalhar situações diversas para interpretação da ciência, da tecnologia e do cotidiano; desenvolver raciocínio, resolução de problemas, criatividade e espírito crítico; trabalhar a expressão oral, escrita e gráfica e as conexões entre diferentes temas da Matemática e outras áreas (PE, E6, ano, s/p).

As competências e habilidades atendem à necessidade de desenvolver a resolução de problemas, o raciocínio lógico, a capacidade de transformar, comparar e deduzir, reconhecer, interpretar e utilizar símbolos, códigos e nomenclaturas e, também, compreender o processo matemático como histórico, em condições sociais, políticas e econômicas. Então se pode afirmar que a E6 trabalha com os complexos temáticos, que são determinados com a

participação da comunidade e oriundos da realidade escolar, propondo que esses complexos organizem o planejamento do professor, articulando a teoria e a prática através da realidade.

Os documentos das escolas analisadas seguem, por sua vez, as orientações educacionais em vigor na legislação brasileira. Ambas já reorganizaram seus currículos a partir de áreas de conhecimento e apresentam competências e habilidades a serem desenvolvidas em seu processo educativo.

As instituições são bem localizadas, no entanto a E3 recebe alunos de todas as áreas do município e região, enquanto a E6 concentra os alunos do próprio bairro e arredores, ofertando o Ensino Médio como uma continuidade de estudos aos alunos da própria escola.

A análise documental constituiu-se mediante o reconhecimento dos objetivos e das propostas da escola e da área de Matemática e suas Tecnologias, que se consolidavam no ensino através da disciplina de Matemática. Ambas as escolas propõem um trabalho amplo entre as áreas: a E3, através de temas contextualizados; e a E6, através de complexos temáticos. Assim, agora é necessário conhecer como se efetiva o trabalho dessas escolas em sala de aula através do discurso do professor de Matemática.