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La Presse Nationale et le retrait du Maroc de l’OUA

Dans le document Le Sahara Marocain et la légitimité (Page 56-63)

A Geografia é a ciência da terra e que tem como âmbito o espaço geográfico e o indivíduo que nele se insere “…A geographia tem por objeto o estudo da terra como ‘habitat’ do homem…” porém,”… Infelizmente não é sob este ponto de vista que é estudado entre nós este ramo scientifico…” (Albuquerque, 2011, citando Carvalho, 1925, p.14). Esta tem vindo a ter a sua visão ampla do mundo e dos fenómenos substituída pelo pensamento memorístico e por uma geografia verbal, passando a dar importância “…a faculdade de atribuir nomes, de chrismar áreas geographicas. As montanhas, os rios, as regiões naturaes não são estudados em si, mas apenas como merecedores de um esforço de nossa fantasia…” (Albuquerque,2011, citando Carvalho, 1925, p.14). Como defende

Souto (2007)” … Los mitos de la geografía en singular, las rutinas enciclopédicas basadas en el paradigma regional y la tradición de una geografía verbal y memorística han rebasado los límites cronológicos de los siglos XIX, XX y XXI…”, levando isto a um cancelamento na aprendizagem do espaço geográfico em concreto, promovendo uma aprendizagem pouco significativa e de memorização. O mesmo podemos inferir, mais uma vez, através da investigação de Albuquerque (2011), onde se defende que os principais problemas metodológicos no ensino atual da Geografia residem essencialmente nos conteúdos descritivos, método mnemônico, nomenclaturas como conteúdos e que são continuidades que teimam em permanecer nas salas de aulas de geografia. A memorização tem sido o exercício fundamental praticado no ensino de Geografia. Apesar das propostas de problematização, de estudos de caso e da importância dada aos sujeitos sociais na construção do território e do espaço, o que se avalia ao final de cada estudo é o que o aluno foi capaz de reter e “decorar” (Albuquerque, 2011). Além disto, a ciência geográfica e a sua prática de docência tem vindo a definir determinados dados e conceitos como imutáveis, pois extensas listas de números que indicam a altura de picos e montanhas, altitude de planaltos e planícies, a extensão de rios, seus volumes de água, graus de temperatura máxima e mínima de diferentes locais da Terra, como se esses dados fossem todos aleatórios e independentes entre si, eternos, constantes, fazendo com que a aprendizagem geográfica seja cada vez mais descritiva (Penteado, 1994). Porém, também se consegue aferir que isto se deve a uma certa resistência à mudança, não só por parte dos professores, mas também por parte de pais e alunos que veem neste tipo de ensino, um potencial para uma aprendizagem significativa, pois acredita-se que os alunos aprendem mais através da memorização e do plasmar do que ouviram em exercícios de avaliação, do que em aprendizagens práticas e significativas que fazem com que o aluno mais do que conheça o fenómeno o entenda na sua totalidade (Claudino e Souto, 2001; Souto, 2007; Albuquerque, 2011).

São estas ideias até aqui expostas, sob o prisma de vários autores, que fazem, muitas vezes, parte do dia-a-dia do ensino da Geografia e até da conceção e realização dos Exames Nacionais de Geografia A.

conhecimentos que são valorizados em Exame Nacional, importa fazer agora uma breve análise e reflexão sobre os mesmos, a fim de perceber se estas provas cumprem e refletem uma conceção mobilizadora dos alunos enquanto cidadãos, ou, se por outro lado seguem uma perspetiva tradicional que poderá em nada enriquecer a ciência geográfica e os alunos que a estudam.

Claudino e Souto (2009, p. 4), citando Alves et. al. (2001), começa por nos elucidar que em Portugal, o programa de Geografia A favorece questões que promovam a inter- relação entre fenómenos físicos e humanos no espaço terrestre, tendo este tipo de perceção a função de:

… proporcionar aos alunos uma formação que lhes facilite a compreensão da crescente interdependência dos problemas que afectam os territórios… e …permitindo-lhes participar em discussões relativas à organização do espaço e desenvolver atitudes de solidariedade territorial, numa perspetiva de sustentabilidade….

Contudo, se por uma lado é esta teoria que se pressupõe fomentar nos alunos no dia-a-dia, no desenvolver das suas tarefas de aprendizagem, há ainda muita resistência, como vimos anteriormente, mas também nas provas de exame que revelam, por vezes, uma seleção totalmente arbitrária dos conceitos a definir, havendo conceitos que se definem por observação empírica, outros que requerem uma explicação e uma relação de variáveis, como é o caso de indicadores demográficos, e outros ainda que que implicam uma compreensão e explicação histórica, como é o caso das temáticas relacionadas com a União Europeia, que pressupõem um vasto conhecimento da História (Alves, Brazão e Martins, 2001; Gonzaléz, 2002; Claudino e Souto, 2009; Claudino, 2011; Fernández, 2013).

Desde 2006 que a estrutura de Exame de Geografia A se mantém a mesma, pelo menos até 2016 e como tal, não é estranho que de entre os vários itens de escolha múltipla se peça ao aluno que recorra à interpretação de gráficos, porém e de acordo com a tese defendida por Claudino e Souto (2009) muitas vezes pretende-se apenas uma leitura elementar destes por parte dos alunos e normalmente as opções de resposta, nestes casos,

são de fácil seleção e resposta até por alguém que, porventura, não tivesse frequentado a disciplina. Nestes itens e ainda segundo os mesmos autores, é comum também encontrarmos questões que apelam, não só à observação, mas também à memorização de determinado comportamento geográfico e que, desta feita, passam a ser questões de assinalável simplicidade. Além disto, reconhece-se que em quase nenhuma das provas é levantado qualquer problema geográfico e muito pouco se apela às questões ligadas à aplicação ativa da cidadania (Claudino e Souto, 2001). Muitos dos conceitos que têm vindo a ser tidos em conta em diversas provas de Exame Nacional, não são focados em todos os programas, ou pelo menos não da mesma forma e no mesmo contexto. Nestas provas tem-se vindo a perder também a importância dada ao estudo de caso obrigatório de 11º ano e tem-se vindo a deteriorar o treino que se devia encetar nos alunos relativamente ao relacionar de vários fenómenos com expressão territorial, tendo isto vindo a contribuir para que surja uma ideia de uma Geografia estanque (Claudino e Souto, 2009).

Assim, e segundo Moreira (2016) os exames de Geografia A apresentam níveis de exigência cognitiva bastante baixos, sobretudo ao nível do conhecimento e compreensão, corroborando desta forma a ideia de Claudino e Souto (2009) que nos dizem que os Exames Nacionais de Geografia A, vêm a adquirir cada vez mais um carácter “culturalista”.

A isto se junta o próprio processo ensino/aprendizagem levado a cabo pela maioria dos professores, que segundo podemos concluir, tentam de tal forma preparar os alunos para Exame Nacional que acabam por enveredar pelo treino de exames anteriores, promovendo a memorização, em detrimento de um ensino que valorize a Geografia de Portugal numa perspetiva reflexiva e motivadora de cidadania ativa (Claudino e Souto, 2001; Souto, 2007; Claudino e Souto, 2011).

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